Javier Forças e Juramentos A tensão no ar parecia densa, quase palpável. Cada um de nós estava absorvido pela dor da situação, tentando lidar com os medos de nossas mães, esposas, e figuras centrais de nossas vidas. O hospital estava silencioso, exceto pelos sons que vinham das máquinas de monitoramento e os murmúrios dos médicos, que falavam em voz baixa. Os maridos estavam exaustos, cada um à sua maneira, lutando para se manter firmes enquanto observavam o estado crítico de suas amadas. Era difícil ver nossos pais, figuras que sempre nos pareciam tão fortes, tão imponentes, agora fragilizados. Mas nós éramos seus filhos, e naquele momento, era nossa vez de ser a fortaleza. Javier, sentado ao lado de Laura, estava com os ombros caídos, os olhos fixos nela, como se não pudesse desviar o olhar. Ele tinha sido um líder implacável, mas ali, naquele hospital, era apenas um homem devastado, sem saber o que fazer. Luna se aproximou dele, com o semblante sério, mas os olhos determi
Javier O Processo de CuraVinte dias haviam se passado desde aquela noite infernal que nos separou do normal, desde o momento em que nossos mundos desabaram e nos vimos em um hospital, com a incerteza pairando sobre nossas cabeças. Durante esses dias, a dor foi constante, como uma sombra que nos acompanhava a cada passo, mas havia algo mais também. Uma leve sensação de esperança, que crescia a cada respiração de nossas mães, esposas e figuras centrais. Elas estavam sobrevivendo, lutando.Laura, ainda nas garras da recuperação, passava os dias em um estado delicado. Sua cirurgia no rosto, uma tentativa de restaurar a beleza que o fogo tinha lhe tirado, era uma batalha em si. Seus olhos, antes sempre cheios de vivacidade e energia, estavam agora rodeados por inchaços e marcas que denunciavam o que ela havia enfrentado. Mas ela ainda tinha sua força, aquela que nos inspirava, ainda estava ali. A cada dia, com o apoio dos filhos e do marido, ela vinha se fortalecendo, como uma árvore q
Javier A Recuperação e o Retorno para CasaOs dias de dor, tensão e esperança finalmente começaram a dar lugar a um novo ritmo. Laura já não estava mais imersa nas camadas de bandagens e curativos. Após a cirurgia e as semanas de recuperação lenta, seu rosto, embora ainda com cicatrizes visíveis, começava a se curar. As marcas deixadas pelas queimaduras ainda eram profundas, mas o progresso era visível. Sua pele estava regenerando, e as linhas que se formavam ao redor de seus olhos, resultado da dor, começavam a suavizar com o tempo. O mais importante: Laura estava viva, e seu espírito, aquele espírito inquebrantável, estava de volta.No dia marcado para sua alta, o hospital estava agitado. Ela havia passado os últimos dias com os filhos ao seu lado, recebendo apoio de Javier, que se mostrava cada vez mais dedicado. Mateus, Maurício e Luna, sempre presentes, não saíam de perto, acompanhando cada passo da recuperação e cuidando de sua mãe com uma intensidade comovente. Maria, Mar
O Retorno de Laura Luna A fazenda Feitiço do Sol Nascente nunca esteve tão cheia. Desde que deixamos o hospital, a família inteira se reuniu aqui para receber minha mãe. Que após lutar bravamente pela vida, volta ao lugar que a recebeu desde os dezoito anos, onde criou raízes, se apaixonou, casou, teve seus filhos, me criou e fez uma coleção de amigas e amigos. O tempo parece ter desacelerado nesses últimos vinte dias, mas, ao mesmo tempo, tudo mudou. Estou de pé na varanda principal, observando os carros se aproximando. Mateus, ao meu lado, cruza os braços, claramente tentando disfarçar a ansiedade. Ele sempre foi protetor com nossa mãe, e esse momento é importante para ele. Maurício também está inquieto, andando de um lado para o outro. José e Paola cochicham algo entre si, mas a verdade é que todos estamos nervosos. Quando o carro para, meu pai abre a porta para ajudar minha mãe. As cicatrizes ainda estão visíveis, mas os olhos da minha mãe transbordam uma força que m
Uma Nova VidaA noite cai sobre a fazenda, com uma magnífica lua cheia clareando os campos e todos se reúnem para jantar na mesa da varanda. A grande mesa está repleta de risadas, conversas animadas e um sentimento de união que há muito não sentíamos. Minha mãe está radiante, e ver Javier sorrindo novamente aquece meu coração.Mas minha mente está em um turbilhão. Olho para Théo, que me encoraja com um pequeno aperto de mão. Paola, ao meu lado, percebe minha tensão e levanta uma sobrancelha. Ela sempre me lê com facilidade.Levanto-me, batendo levemente um garfo contra a taça, chamando a atenção de todos. O barulho das conversas diminui, e todos os olhares se voltam para mim.— Eu tenho algo para contar.Théo se levanta ao meu lado, segurando minha mão com firmeza. Meu coração bate acelerado, mas quando olho para minha mãe, que voltou para casa depois de tanto sofrimento, e para meu pai, que passou semanas vivendo no limite entre a dor e a esperança, encontro a coragem que precis
O Primeiro BatimentoA brisa morna da noite percorre a varanda, misturando-se ao aroma do jantar recém-servido. A lua cheia ilumina os campos ao redor da fazenda Feitiço do Sol Nascente, banhando a terra em um brilho prateado.A conversa está animada como sempre em torno desta mesa que nos viu crescer! Quantas brincadeiras, almoços, jantares, planos e estratégias dividimos nesta mesa, e agora dividimos a alegria da chegada de mais uma vida que sentará nesta mesma mesa entre nós Mas, dentro de mim, um brilho diferente começa a nascer, um amor que cresce a cada segundo, pulsando em sincronia com o pequeno coração que bate em meu ventre.Os ecos das risadas ainda preenchem o ambiente após meu anúncio. Minha mãe, continua segurando minhas mãos, seus olhos brilhando de emoção. Ela acaricia meu rosto com ternura, e seu toque carrega o peso de tudo o que já enfrentamos.— Você vai ser mãe, Luna. Sua voz quebra levemente, e eu vejo um mar de sentimentos refletido em seu olhar.Meu pai
O primeiro Batimento 2 Paola, ao meu lado, cutuca minha cintura levemente, seus olhos brilhando em diversão. — Agora tudo faz sentido. Eu sabia que tinha algo diferente em você ultimamente! Ela ri, mas há carinho em sua voz. — A insolente Luna, agora mãe. Quem diria? Solto uma risada fraca. Quem diria mesmo? Há meses, tudo que eu conhecia era o fogo da vingança, a adrenalina das batalhas e o peso de um legado sombrio. Agora, dentro de mim, cresce algo puro. Algo que muda tudo. — Você precisa começar a se cuidar, Luna. A voz de María, minha tia, soa com doçura. — Os primeiros meses são delicados. Mal tenho tempo de responder antes que Javier solte um resmungo, cruzando os braços. — E isso significa que você não vai mais montar Sombra. Meus olhos se arregalam. — O quê? Sombra, meu cavalo, sempre foi uma extensão de mim. O pensamento de ficar sem montá-lo é insuportável. — Nem adianta discutir. Javier continua, seu tom inflexível. — É um risco desnecessário.
O Peso da Responsabilidade O jantar segue em meio a conversas animadas, mas percebo que, aos poucos, os olhares preocupados voltam a mim. A euforia inicial da notícia se dissipa, dando espaço à realidade inescapável da nossa vida. Meu filho não será apenas um bebê. Ele será um herdeiro. Um símbolo. Um alvo. Sinto Théo apertar minha mão sob a mesa. Sua presença me ancora, mas a ansiedade cresce dentro de mim. — Você precisa começar o pré-natal imediatamente, Luna. María diz com firmeza, assumindo o papel de tia preocupada. — Precisamos de um médico de confiança, alguém que possa te acompanhar sem riscos. Minha mãe assente, sua expressão séria. — Já pensei nisso. Temos um obstetra que trabalhou comigo quando eu estava grávida de Mateus e Maurício. Ele é confiável. Javier não hesita. — Então ele vem até aqui. Minha mãe franze a testa. — Javier, não é tão simples. Ele tem uma clínica, pacientes… — Não me importo. Javier corta, sua voz firme. — Luna não pode ficar se expon