O primeiro Batimento 2 Paola, ao meu lado, cutuca minha cintura levemente, seus olhos brilhando em diversão. — Agora tudo faz sentido. Eu sabia que tinha algo diferente em você ultimamente! Ela ri, mas há carinho em sua voz. — A insolente Luna, agora mãe. Quem diria? Solto uma risada fraca. Quem diria mesmo? Há meses, tudo que eu conhecia era o fogo da vingança, a adrenalina das batalhas e o peso de um legado sombrio. Agora, dentro de mim, cresce algo puro. Algo que muda tudo. — Você precisa começar a se cuidar, Luna. A voz de María, minha tia, soa com doçura. — Os primeiros meses são delicados. Mal tenho tempo de responder antes que Javier solte um resmungo, cruzando os braços. — E isso significa que você não vai mais montar Sombra. Meus olhos se arregalam. — O quê? Sombra, meu cavalo, sempre foi uma extensão de mim. O pensamento de ficar sem montá-lo é insuportável. — Nem adianta discutir. Javier continua, seu tom inflexível. — É um risco desnecessário.
O Peso da Responsabilidade O jantar segue em meio a conversas animadas, mas percebo que, aos poucos, os olhares preocupados voltam a mim. A euforia inicial da notícia se dissipa, dando espaço à realidade inescapável da nossa vida. Meu filho não será apenas um bebê. Ele será um herdeiro. Um símbolo. Um alvo. Sinto Théo apertar minha mão sob a mesa. Sua presença me ancora, mas a ansiedade cresce dentro de mim. — Você precisa começar o pré-natal imediatamente, Luna. María diz com firmeza, assumindo o papel de tia preocupada. — Precisamos de um médico de confiança, alguém que possa te acompanhar sem riscos. Minha mãe assente, sua expressão séria. — Já pensei nisso. Temos um obstetra que trabalhou comigo quando eu estava grávida de Mateus e Maurício. Ele é confiável. Javier não hesita. — Então ele vem até aqui. Minha mãe franze a testa. — Javier, não é tão simples. Ele tem uma clínica, pacientes… — Não me importo. Javier corta, sua voz firme. — Luna não pode ficar se expon
O Medo e a Promessa A noite se arrasta enquanto tento dormir. O quarto está silencioso, e o calor do corpo de Théo ao meu lado deveria ser reconfortante, mas minha mente não para. Cada palavra dita no jantar ecoa dentro de mim. Perigo. Alvos. Equilíbrio de poder. Coloco uma mão sobre meu ventre ainda liso, tentando sentir algo, qualquer coisa que me faça acreditar que posso protegê-lo. Mas tudo o que sinto é um medo sufocante. — Luna… A voz rouca de Théo me tira dos pensamentos. Ele se vira na cama, os olhos semicerrados, observando-me na penumbra. — Não está conseguindo dormir? Suspiro, sem saber se devo mentir. — Minha cabeça não desliga. Ele passa uma mão pelo rosto antes de se sentar, os músculos tensos sob a luz fraca do abajur. — Quer conversar? Balanço a cabeça, mas ele já me conhece bem demais. Ele se aproxima, os dedos roçando minha pele em um carinho silencioso. — Você está preocupada com o bebê. Minha garganta aperta. — Como não estaria? Nós não somos pes
O Medo e a Promessa 2 Na manhã seguinte, acordo antes do sol nascer. Há algo de mágico nesse momento do dia, quando o céu ainda está tingido de sombras suaves, mas a promessa de luz já dança no horizonte. Saio da cama silenciosamente para não acordar Théo e caminho até a varanda do nosso quarto. O ar fresco da madrugada acaricia minha pele, e a visão diante de mim me enche de uma paz profunda. A Fazenda Feitiço do Sol Nascente sempre foi meu refúgio, mas agora parece diferente. Agora, cada detalhe tem um significado novo, como se eu estivesse enxergando esse lugar com os olhos do meu filho. As vastas planícies ondulam até onde a vista alcança, cobertas por um tapete vibrante de verdes e dourados, banhados pelo orvalho da noite. Árvores frondosas se erguem ao longe, seus galhos dançando suavemente com a brisa. Mais perto da casa, os jardins transbordam vida. Flores silvestres crescem em uma profusão de cores de tons quentes de laranja, vermelho e dourado, refletindo as mesmas n
O peso da ameaça Eu me apoio na mesa de madeira escura do escritório, observando os rostos ao meu redor. O barulho do gelo batendo nos copos é a única coisa que quebra o silêncio pesado. Heitor, Horácio, Teodoro, Javier e Arturo estão todos aqui, reunidos como sempre, mas nunca tão tensos. Algo que nunca imaginei ver – e que, agora, não consigo ignorar. A ameaça que paira sobre nós parece quase palpável. A explosão no hotel, os minutos que nos afastaram da perda irreparável de nossas mulheres… Está claro que fomos pegos de surpresa. Ninguém esperava um ataque tão bem arquitetado. Ninguém previu que um inimigo, qualquer que fosse, tivesse conhecimento suficiente sobre nós para atingir um dos nossos maiores orgulhos. — Como diabos deixamos isso acontecer? Javier quebra o silêncio, a voz carregada de frustração. Ele aperta o copo, como se pudesse quebrá-lo com a força do ódio que sente. — Eu ainda estou tentando entender. Heitor murmura, sua expressão tão fechada quanto a minha.
A Caçada Começa A manhã seguinte chega fria e cinza, sem a promessa de sol. Eu caminho pelos corredores da fazenda, a tensão ainda estampada no meu rosto. A reunião com Arturo e os outros ainda paira sobre mim, uma lembrança do peso do que estamos prestes a fazer. Cada passo parece mais pesado, como se o próprio chão estivesse sentindo o peso das decisões que temos pela frente. A casa está em silêncio, o que é raro. Normalmente, o som das atividades diárias ecoa pelos corredores, mas hoje, há apenas o murmúrio distante de passos e vozes. Eu sei que todos estão se preparando, mas a ideia de que estamos indo para a caça me deixa inquieto. Não sei se é o medo de falhar, de ser o responsável por falharmos, ou se é o ódio que cresce dentro de mim. Um ódio tão grande que transborda, que me consome, me faz questionar até onde sou capaz de ir para proteger o que é meu. A explosão, o ataque, as mulheres quase perdidas para sempre, a dor. Cada uma dessas lembranças me aperta o peit
Reunião de TitãsJavier.A manhã segue fria e pesada na Fazenda Feitiço do Sol Nascente. O céu, de um cinza carregado, parece refletir a tensão que paira no ar. As terras vastas da fazenda, normalmente um refúgio de paz, agora são palco de algo maior, algo que está prestes a acontecer.No estúdio, a grande mesa de madeira escura domina o espaço, tão usada para Javier criar suas esculturas hoje terá um outro propósito. O ambiente é aquecido pelo fogo brando da lareira, mas o calor não chega a dissipar a tensão crescente entre os que estão ali. Arturo está sentado à cabeceira, sua postura firme e imponente. Ele observa os documentos espalhados à sua frente com olhos afiados, enquanto eu, Théo, Mateo e os outros mais jovens ocupamos os assentos ao redor.O silêncio é cortado pelo barulho de pneus na entrada principal. Heitor, Horácio, Teodoro, Fernando e Éder acabaram de chegar. O som das portas de carros se fechando ecoa pelo corredor, e em poucos segundos, eles atravessam a porta
Teias de Mentiras A noite cai sobre a fazenda, trazendo consigo um frio cortante. O vento uiva entre as árvores, e a lua mal consegue perfurar a espessa camada de nuvens. Estamos reunidos novamente na mesma sala, agora mais focados, mais determinados. Mapas estão espalhados pela mesa, junto com relatórios e fotografias. — Precisamos de um plano Diz Horácio, analisando os documentos. — Não podemos simplesmente chegar lá atirando. — E nem podemos confiar em qualquer informante. Acrescenta Heitor. Théo tamborila os dedos sobre a mesa, pensativo. — A melhor forma de conseguir informações é nos infiltrarmos. — Mas como? Questiona Joana. Fernando sorri de canto, puxando um tablet e exibindo uma série de imagens de um cassino em Córdoba. — Os Cordobeses controlam um cassino ilegal. Dinheiro, apostas, informações… Tudo passa por lá. Se quisermos respostas, é lá que devemos estar. Mateo assente, os olhos brilhando com um misto de curiosidade e determinação. — Então precisamos de u