Uma Nova VidaA noite cai sobre a fazenda, com uma magnífica lua cheia clareando os campos e todos se reúnem para jantar na mesa da varanda. A grande mesa está repleta de risadas, conversas animadas e um sentimento de união que há muito não sentíamos. Minha mãe está radiante, e ver Javier sorrindo novamente aquece meu coração.Mas minha mente está em um turbilhão. Olho para Théo, que me encoraja com um pequeno aperto de mão. Paola, ao meu lado, percebe minha tensão e levanta uma sobrancelha. Ela sempre me lê com facilidade.Levanto-me, batendo levemente um garfo contra a taça, chamando a atenção de todos. O barulho das conversas diminui, e todos os olhares se voltam para mim.— Eu tenho algo para contar.Théo se levanta ao meu lado, segurando minha mão com firmeza. Meu coração bate acelerado, mas quando olho para minha mãe, que voltou para casa depois de tanto sofrimento, e para meu pai, que passou semanas vivendo no limite entre a dor e a esperança, encontro a coragem que precis
O Primeiro BatimentoA brisa morna da noite percorre a varanda, misturando-se ao aroma do jantar recém-servido. A lua cheia ilumina os campos ao redor da fazenda Feitiço do Sol Nascente, banhando a terra em um brilho prateado.A conversa está animada como sempre em torno desta mesa que nos viu crescer! Quantas brincadeiras, almoços, jantares, planos e estratégias dividimos nesta mesa, e agora dividimos a alegria da chegada de mais uma vida que sentará nesta mesma mesa entre nós Mas, dentro de mim, um brilho diferente começa a nascer, um amor que cresce a cada segundo, pulsando em sincronia com o pequeno coração que bate em meu ventre.Os ecos das risadas ainda preenchem o ambiente após meu anúncio. Minha mãe, continua segurando minhas mãos, seus olhos brilhando de emoção. Ela acaricia meu rosto com ternura, e seu toque carrega o peso de tudo o que já enfrentamos.— Você vai ser mãe, Luna. Sua voz quebra levemente, e eu vejo um mar de sentimentos refletido em seu olhar.Meu pai
O primeiro Batimento 2 Paola, ao meu lado, cutuca minha cintura levemente, seus olhos brilhando em diversão. — Agora tudo faz sentido. Eu sabia que tinha algo diferente em você ultimamente! Ela ri, mas há carinho em sua voz. — A insolente Luna, agora mãe. Quem diria? Solto uma risada fraca. Quem diria mesmo? Há meses, tudo que eu conhecia era o fogo da vingança, a adrenalina das batalhas e o peso de um legado sombrio. Agora, dentro de mim, cresce algo puro. Algo que muda tudo. — Você precisa começar a se cuidar, Luna. A voz de María, minha tia, soa com doçura. — Os primeiros meses são delicados. Mal tenho tempo de responder antes que Javier solte um resmungo, cruzando os braços. — E isso significa que você não vai mais montar Sombra. Meus olhos se arregalam. — O quê? Sombra, meu cavalo, sempre foi uma extensão de mim. O pensamento de ficar sem montá-lo é insuportável. — Nem adianta discutir. Javier continua, seu tom inflexível. — É um risco desnecessário.
O Peso da Responsabilidade O jantar segue em meio a conversas animadas, mas percebo que, aos poucos, os olhares preocupados voltam a mim. A euforia inicial da notícia se dissipa, dando espaço à realidade inescapável da nossa vida. Meu filho não será apenas um bebê. Ele será um herdeiro. Um símbolo. Um alvo. Sinto Théo apertar minha mão sob a mesa. Sua presença me ancora, mas a ansiedade cresce dentro de mim. — Você precisa começar o pré-natal imediatamente, Luna. María diz com firmeza, assumindo o papel de tia preocupada. — Precisamos de um médico de confiança, alguém que possa te acompanhar sem riscos. Minha mãe assente, sua expressão séria. — Já pensei nisso. Temos um obstetra que trabalhou comigo quando eu estava grávida de Mateus e Maurício. Ele é confiável. Javier não hesita. — Então ele vem até aqui. Minha mãe franze a testa. — Javier, não é tão simples. Ele tem uma clínica, pacientes… — Não me importo. Javier corta, sua voz firme. — Luna não pode ficar se expon
O Medo e a Promessa A noite se arrasta enquanto tento dormir. O quarto está silencioso, e o calor do corpo de Théo ao meu lado deveria ser reconfortante, mas minha mente não para. Cada palavra dita no jantar ecoa dentro de mim. Perigo. Alvos. Equilíbrio de poder. Coloco uma mão sobre meu ventre ainda liso, tentando sentir algo, qualquer coisa que me faça acreditar que posso protegê-lo. Mas tudo o que sinto é um medo sufocante. — Luna… A voz rouca de Théo me tira dos pensamentos. Ele se vira na cama, os olhos semicerrados, observando-me na penumbra. — Não está conseguindo dormir? Suspiro, sem saber se devo mentir. — Minha cabeça não desliga. Ele passa uma mão pelo rosto antes de se sentar, os músculos tensos sob a luz fraca do abajur. — Quer conversar? Balanço a cabeça, mas ele já me conhece bem demais. Ele se aproxima, os dedos roçando minha pele em um carinho silencioso. — Você está preocupada com o bebê. Minha garganta aperta. — Como não estaria? Nós não somos pes
O Medo e a Promessa 2 Na manhã seguinte, acordo antes do sol nascer. Há algo de mágico nesse momento do dia, quando o céu ainda está tingido de sombras suaves, mas a promessa de luz já dança no horizonte. Saio da cama silenciosamente para não acordar Théo e caminho até a varanda do nosso quarto. O ar fresco da madrugada acaricia minha pele, e a visão diante de mim me enche de uma paz profunda. A Fazenda Feitiço do Sol Nascente sempre foi meu refúgio, mas agora parece diferente. Agora, cada detalhe tem um significado novo, como se eu estivesse enxergando esse lugar com os olhos do meu filho. As vastas planícies ondulam até onde a vista alcança, cobertas por um tapete vibrante de verdes e dourados, banhados pelo orvalho da noite. Árvores frondosas se erguem ao longe, seus galhos dançando suavemente com a brisa. Mais perto da casa, os jardins transbordam vida. Flores silvestres crescem em uma profusão de cores de tons quentes de laranja, vermelho e dourado, refletindo as mesmas n
O peso da ameaça Eu me apoio na mesa de madeira escura do escritório, observando os rostos ao meu redor. O barulho do gelo batendo nos copos é a única coisa que quebra o silêncio pesado. Heitor, Horácio, Teodoro, Javier e Arturo estão todos aqui, reunidos como sempre, mas nunca tão tensos. Algo que nunca imaginei ver – e que, agora, não consigo ignorar. A ameaça que paira sobre nós parece quase palpável. A explosão no hotel, os minutos que nos afastaram da perda irreparável de nossas mulheres… Está claro que fomos pegos de surpresa. Ninguém esperava um ataque tão bem arquitetado. Ninguém previu que um inimigo, qualquer que fosse, tivesse conhecimento suficiente sobre nós para atingir um dos nossos maiores orgulhos. — Como diabos deixamos isso acontecer? Javier quebra o silêncio, a voz carregada de frustração. Ele aperta o copo, como se pudesse quebrá-lo com a força do ódio que sente. — Eu ainda estou tentando entender. Heitor murmura, sua expressão tão fechada quanto a minha.
A Caçada Começa A manhã seguinte chega fria e cinza, sem a promessa de sol. Eu caminho pelos corredores da fazenda, a tensão ainda estampada no meu rosto. A reunião com Arturo e os outros ainda paira sobre mim, uma lembrança do peso do que estamos prestes a fazer. Cada passo parece mais pesado, como se o próprio chão estivesse sentindo o peso das decisões que temos pela frente. A casa está em silêncio, o que é raro. Normalmente, o som das atividades diárias ecoa pelos corredores, mas hoje, há apenas o murmúrio distante de passos e vozes. Eu sei que todos estão se preparando, mas a ideia de que estamos indo para a caça me deixa inquieto. Não sei se é o medo de falhar, de ser o responsável por falharmos, ou se é o ódio que cresce dentro de mim. Um ódio tão grande que transborda, que me consome, me faz questionar até onde sou capaz de ir para proteger o que é meu. A explosão, o ataque, as mulheres quase perdidas para sempre, a dor. Cada uma dessas lembranças me aperta o peit