Prólogo
Aquele olhar era de raiva dirigido a mim. Ele nem mesmo me ouviu. Quem é esse homem? Realmente me enganei ao escolhê-lo. Eu o amo demais, e cada palavra que sai da sua boca é como uma faca que perfura meu peito. - Se você realmente acha isso de mim, quem sou para rebater? Me sentir tão ofendida depois de tudo que fiz por ele. Ele simplesmente faz isso comigo, humilhando-me na frente de todos na favela, enquanto eu via nossa casa em chamas. -Para de ser cínica! Não caio mais nesse teu papo furado, Débora! -Ele pegou no meu queixo e depois soltou com força. "Pensou que eu não ia saber? Sua puta!" Ele levantou a mão para mim; me assustei na hora e me abaixei com a mão na cabeça. Ele sabe do meu trauma e usou isso contra mim. "Suma da minha frente! Não quero te ver mais. Se pudesse sumir para sempre, isso não faria diferença nenhuma para mim. Tua existência para mim é como um karma; sua desgraçada traidora. Não acredito em nenhuma palavra que sai da tua boca. Agradece à tua mãe por causa dela; eu não vou te matar." Fiquei incrédula. Aquelas palavras foram como uma faca cravada no meu peito, e apenas chorei. As palavras não saíam da minha boca. Ele me olhava sem remorso algum. (Um Ano Antes) Lá estava eu, após um dia de trabalho duro. Ser de família humilde e favelada não é fácil. Trabalho no supermercado, mas vou conseguir pagar minha faculdade e ajudar minha mãe. Meu nome é Débora; tenho 20 anos e moro no Morro do Dendê desde que nasci. Comecei a trabalhar cedo, aos 15 anos, para ajudar em casa. "Deu 345, senhora!" digo para uma senhora que conversava com outra mulher. Ela me olhava de rabo de olho e voltava a conversar. "Sem educação?" ela resmunga para outra senhora. "Que gente que não tem um pingo de educação," digo. "A senhora é a dona do supermercado?" "Débora, tu tá no horário de trabalho? Tá louca?" Sara, minha irmã, diz sussurrando. "Aí, senhora! Libera a porra do caixa aí!" um homem disse lá atrás. Fiquei procurando e vi que era Pedro, o namorado de Sara. "A festa vai ser grande, hein?" pergunto para Pedro, que estava com um carrinho cheio de cerveja e cachaça. "Tu sabe que o chefe gosta de ostentar!" ele diz rindo. " Por que tu não gosta dele mesmo?" "Preciso dizer? Cara sem noção, que vive ostentando aqui no Morro, sem caráter e cheio de mulheres pela favela a fora," digo. "Sentir um tom de ciúmes!" ele ri. "Cruzes! Faço sinal de cruz. Vira essa boca pra lá, cara!" "Sei!" ele paga suas bebidas e sai, mandando beijo para Sara. "Mamãe, cheguei!" grito, entrando dentro de casa. "Filha, que bom! Já preparei o jantar. Onde está sua irmã?" "Tá na casa de Pedro; parece que lá vai ter uma festa," digo, me jogando no sofá. "Ah, sim! Vamos jantar?" "Claro! E cadê o papai?" "Tu sabe!" ela diz cabisbaixa. "Mãe, por que a gente não se muda? Vamos embora daqui dessa casa. Aqui no Morro tem muitas casas. Papai não vai mudar." "Não posso deixar teu pai sozinho!" "A senhora esqueceu o que ele fez? Ele vendeu meu irmão para pagar dívida." "Eu sei!" "Então, bora, mamãe!" digo, pegando na mão dela. Ela respirou fundo e disse que não podia. Suspirei também e fui tomar banho. Nós duas jantamos,e eu fiquei mexendo no celular até meu telefone tocar. "Fala!" disse eu. "Vem me buscar!" Sara pediu. "Ah, sério? Não vou não. Você brigou com Pedro?" "Por favor, minha irmãzinha. Eu não quero ver ele agora." "Por favor, e eu com isso? O namorado é seu, então se vira." "Por favor! Eu estou te pedindo!" Suspirei de raiva. "Tá bom, tá bom. Já estou indo." Digo, calçando minha chinela, coloquei as mãos nos bolsos do moleton e fui andando até chegar na casa de Wesley, ou melhor, Braadock, o dono do Morro. Chegada à Festa. Fiquei na porta e liguei para Sara, mas ela não atendia. "Aê, cunhada!" Pedro saiu de dentro da casa. "Cadê Sara?" perguntei. "Elas tá ali dançando." Ele disse, apontando para dentro. "Sério? Não acredito que ela me tirou cansada de casa." Digo, dando meia volta. Ele veio atrás de mim e me puxou. "Eu não quero entrar!" digo, tentando voltar. Ele me puxou para dentro da casa. "Vem, irmã!" Sara me chamou, quando olhei para um canto onde a fumaça reinava, era ele, Braadock. Encontro Inesperado. Revirei os olhos e fui até Sara. "Cara, nunca mais tu faz isso comigo!" digo pra ela, que me abraça. "Só assim pra te tirar de casa, vamos curtir só um pouco, por favor." Ela diz, me dando um copo. "Não é porque amanhã é nossa folga que vou tá enchendo minha cara de cachaça." "Vai bebe, e tira esse moleton, doida!" ela diz, abrindo o zíper. "Não quero! Tá fazendo frio." Digo. "Menina, olha o tanto de gato que tem aqui." Sara diz, rindo. "Vai tira!" Todas as meninas começaram a gritar. "Tira, tira!" - Parem de gritar- olhei pro lado, envergonhada. Tirei o moleton e fiquei com vergonha. Eu tava com um short preto e uma blusinha curta. Todo mundo ficou me olhando. Era sinal de que academia tá dando resultados. Mas quando vi, ele, Braadock, tava me olhando.Continuação: Braadock o Dono do Morro estava me olhando, e Sara saiu me puxando para um canto onde ele estava sentado no sofá, rodeado de mulheres. Seu olhar era hipnótico. Ele me encarou, e sentir meu coração acelerar, que isso? - Quem é essa? ele perguntou, apontando para mim. - É Débora, irmã de Sara- Pedro respondeu. Braadock sorriu, revelando um sorriso perfeito. Seu olhar me fazia sentir vulnerável. - Vamos dançar Doida! Sara me puxou. - Não quero! estou bem aqui.- recusei. Braadock levantou-se. Seu olhar era intenso se aproximando de mim. - Você é Débora? perguntou com voz suave. - Sim! respondi tímida, mas cadê minha marra toda? - Ah! agora me lembrei, tu é aquela menina que era magrela daquela rua lá de baixo. Ele soltou um sorriso, e eu revirei os olhos e ele continuou falando. Braadock se aproximou de mim Seu hálito quente em meu rosto me fazia arrepiar. - Magrela, mas agora está uma gatinha. Fiquei desconfortável com Braadock, mas tentei manter a ca
Braadock.Eu sou Wesley, conhecido como Braadock. Dono do Morro, líder absoluto. Minha palavra é lei. Tenho 25 anos, mas minha experiência de vida vale mais que a idade. Nasci e cresci aqui, lutei por tudo. Não tenho medo de nada e ninguém. Este é meu morro, minha família, minha vida. Respeito é conquistado, não dado. Quem não respeita, não fica.Eu sou o protetor deste morro, desde de quando meu pai faleceu, tive que virar homem com 15 anos e assumi a responsabilidade no mundo do crime. Minha irmã Adriana é minha única família. Juntos, nós defendemos nosso território contra todos os que ousam nos desafiar.Meu passado é marcado por dor e perda, mas também por vitórias e conquistas. Eu não sou um homem fácil de ser derrubado. Estou aqui para ficar, para liderar e proteger.Não sou um santo, sou um homem de ação. Faço o que precisa ser feito. E não me importo com o que os outros pensam.Fiz uma resenha no meu barraco pra comemorar a morte de um desafeto meu, estava rodeado de mulheres,
Braadock.Me sento em barraco, cercado pelas sombras da noite. O uísque na minha mão parecia um consolo inútil contra o incômodo que Débora me deixou. Não estou acostumado a ser ignorado, especialmente por alguém que me desafia como ela."Por que ela me afeta tanto?Penso franzindo a testa."É apenas orgulho ferido?"Me levanto e caminho até a janela, olhando para as luzes do morro. A cidade pulsava com uma energia que não consigo mais me animar. Meu pensamento esta preso em Débora: seus olhos desafiadores, seu sorriso enigmático.Ela vai se arrepender de ter brincado comigo dessa forma.- Tá com essa cara por quê? Adriana entrou no barraco.- O que faz aqui?- Eu sabia que tu tava aqui, saiu igual um doido lá de casa.- Tinha que resolver uma ideia ali.- Qual é?- Já está resolvido então tu não precisa saber.- Ui... tá frustado assim porque? é mulher.- Cala a boca! tu já viu alguma mulher me frustar?- Nunca te vi tão vulnerável.Olho feio pra ela.- Não sou vulnerável. Estou a
Continuação. Os fogos no céu anunciava uma invasão enquanto eu e Braadock estávamos ali naquele beco. - Pode me soltar! tu tá vendo vai ter uma invasão. - Não vou soltar, você me faz questionar tudo- ele diz chegando mais perto a boca dele na minha mas eu virei o rosto. - O que você fez comigo? Débora. Você me fez sentir de novo. - Eu não quero nada com você. Agora Salta-me! De repente, uma explosão ecoa pelo beco. - A invasão começou, precisamos sair daqui. Ele pegou na minha mão. - E pra onde? Aperto a mão dele recuando. - Confia em mim! ele saiu me puxando para uma ruela adjacente, enquanto os tiros ecoavam e o radinho que ele tava na cintura não parava de apitar. Ele me puxou para dentro de uma casa abandonada e ficamos escondidos enquanto o desafetos dele passavam, nosso corpo ficou colado contra a parede, enquanto ele vigiava com a arma na mão, os passos dos invasares se afastavam, Braadock relaxou um pouco mas não soltou minha mão. - Tudo limpo! Ele sussurro
Braadock. - Ele tá na salinha!- Pedro diz me conduzindo até lá.- Ainda bem que tu é meu braço direito! bom trabalho- Bato no ombro dele.Eu estava puto de raiva o por que deles ter feito essa chacina na minha quebrada, matou gente inocente a troco de quê?- Ah ele veio! o cara disse amarrado.- Eu vim pessoalmente pra te fazer pagar!- Hahaha ele riu cuspindo sangue.- Você acha graça? Vai achar quando teu corpo estiver pendurado no topo da favela. Digo furioso.- Quem te mandou aqui?- pergunto.- Você nunca vai descobrir, quem mandou.- Você vai falar por bem ou te farei falar por mal. Coloquei a arma na cabeça dele.- Nunca. Tu nunca vai fazer eu falar.- É isso que vamos ver!- Mostra pra ele irmão, não vamos deixar impune o que ele fez na nossa quebrada. Pedro diz.- Vai falar quem mandou, e o porque não deixaram passar nem os inocentes.- Nunca! eu morro mas não vou falar Braadock. Ele gritou.- Morrer? tu vai deseja morrer. Solto um sorriso cruel.- Pedro aumente a pressão.-
Débora. Para mim isso tudo é devastador esse luto na favela me enche de gatilhos. Já tinha passado uma semana e Pedro havia me dito que Braadock pagou todos os custos de todos os funeral que teve na favela fora que ajudou uns moradores essa atitude dele me impressionou nunca imaginei que o grande Braadock fosse dessa forma seria muita hipocrisia da minha parte não agradecer a ele. - Vai sair? Sara perguntou se arrumando para o trabalho. - Vou ver se consigo um emprego. - Já falou com sua avó? - Sim! ela está bem, não sei o que aconteceu mas o tratamento dela foi todo pago. Não sei o que dizer. - Então... Sara tava hesitante em falar. - Que foi? fala menina. - Pedro me disse que foi Braadock, ele se sentiu culpado por fazer aquilo contigo. Meu Deus, como posso odiá-lo? Sua bondade me faz questionar tudo é como se ele tivesse duas faces. Será que eu julguei errado? - Acho que a consciência pesou, ele sabe que agiu como criança. - Não sei porque vocês são desse jeito, quando
Continuação...- Já que estamos sozinhos, quero te agradecer por pagar todo o tratamento da minha avó. Digo colocando o tal presente dele na sacola, fiquei esperando uma resposta dele mas ele apenas sorriu e disse:- Você não precisa agradecer, Débora- ele disse olhando dentro dos meus olhos.Eu sentir meu coração derreter com suas palavras e de repente me sentir atraída por ele de uma forma que nunca sentir antes. Será se estou no período fértil né possível.Eu observei Braadock, e notei que ele estava agindo de forma muito diferente do que eu havia visto antes. No dia da invasão, ele havia sido tão intenso, tão apaixonado, e havia dito coisas que me haviam deixado sem fôlego."Você me faz sentir diferente, Débora", ele havia dito, olhando para mim com um olhar que parecia ver além da minha alma.Mas agora, ele parecia... distante. Ele sorriu para mim, mas foi um sorriso superficial, sem aquele brilho intenso que eu havia visto antes. Eu não sabia o que pensar, ou o que sentir. Mas e
Débora.Eu ainda estava atordoada enquanto fechava a loja. O beijo de Braadock não saía da minha mente. De repente, ouvi uma voz familiar."Débora?"Era Caio, meu ex-namorado. A surpresa me pegou de jeito.- O que você está fazendo aqui? perguntei, perguntei passando por ele.Caio sorriu ironicamente. - Ainda está com raiva?Minha raiva ressurgiu. - Você acha que é só raiva? Você me traiu com minha melhor amiga! Um beijo não é apenas um beijo, Caio. É traição.- Eu vim para consertar as coisas, estou com Saudade. Ele disse me parando bem no meio da pracinha do Morro e todo mundo olhando.- Quer voltar? depois de tudo que me fez? Perguntei incrédula.- Eu sei que errei. Eu estava perdido, mas agora entendi o meu erro. Eu te amo, Débora.Cruzei os braços firme.- Não tem mais volta, você quebrou tudo quando me traiu.- Você nunca me perdoo né? Sempre foi fria, distante. Eu precisava de amor e carinho...e você não deu. Ele disse apontando para meu peito e eu bati na mão dele.- Não cu