Eu Te Amei, e Só
Eu Te Amei, e Só
Por: Lia Martins
Capítulo 0001
— Mano, minha fotografia ganhou o prêmio de ouro internacional!

Kayra Lima entrou correndo no quarto de Roberto Santana, eufórica, e sem conseguir se conter, se jogou nos braços dele, como fazia tantas vezes quando era criança, toda manhosa e carinhosa.

Mas, no instante seguinte, um estalo seco ecoou no quarto. Um tapa forte acertou em cheio o rosto dela.

Patrícia Amaral, recém-saída do banho, com uma toalha enrolada no corpo, bateu nela com violência e, tomada de fúria, ainda a empurrou sem dó.

— Kayrinha, eu sou a namorada oficial dele, tá? Tô bem aqui! — Disparou Patrícia, os olhos cheios de raiva. — Se jogando pra cima dele desse jeito, o que você tá querendo, hein? Não tem vergonha? Vai continuar tentando seduzir o próprio irmão?

O rosto de Kayra ardia. A dor latejava em sua pele, e os olhos se encheram de lágrimas, que ela se forçou a não derramar.

Pois é... Como ela pôde esquecer?

Roberto tinha namorada. E em breve se casaria.

Kayra sempre fora órfã, e a família Santana a acolhera com carinho quando ela ainda era pequena. Roberto a mimara a vida inteira, e ela, tola, acostumara-se a viver ao lado dele como se aquilo fosse durar para sempre.

Com o coração apertado, Kayra olhou para Roberto, carregando no olhar uma mistura de mágoa e esperança.

No fundo, ele não deixaria que a tratassem assim, certo?

Mas o olhar dele era frio como gelo, e a voz, ainda mais cortante:

— Kayra, você devia saber qual é o seu lugar.

Seu lugar?

Ela soltou uma risada amarga, sem humor:

— Desculpa... Fui inconveniente.

Virou-se rapidamente e saiu do quarto, quase tropeçando nos próprios pés.

Quando a porta se fechou atrás dela, ainda ouviu a voz doce e fingida de Patrícia:

— Beto, eu não queria bater nela, amor... Foi o ciúme, porque eu te amo demais.

Roberto respondeu com um tom indiferente, que partiu o coração de Kayra:

— Tudo bem. Talvez ela precise mesmo acordar para realidade.

Acordar?

De volta ao seu quarto, com o peito despedaçado, Kayra pegou o celular com as mãos tremendo e discou um número.

— Professor Daniel, eu tomei uma decisão. Vou para Europa.

Do outro lado, a resposta veio cheia de entusiasmo:

— Finalmente! Já tava mais do que na hora, Kayra! Com o seu talento, se tivesse vindo antes, já seria famosa no mundo inteiro! Quando você chega?

Ela respirou fundo, tentando manter a voz firme:

— Daqui a umas duas semanas, mais ou menos.

Ela precisava de tempo para se despedir... Dele.

A verdade é que Patrícia era, na época, apenas a secretária de Roberto.

Ela se lembrou de quando tudo começou.

Roberto apareceu com uma pilha de currículos e, com um sorriso leve, pediu:

“Kayrinha, me ajuda a escolher um?”

“Eu não entendo muito disso, por que você não deixa o RH escolher?” — Kayra ficou sem jeito.

Mas Roberto insistiu, com aquele tom carinhoso que sempre a desmontava:

“Minha secretária vai conviver bastante com você também. Escolhe alguém de quem você goste, vai ser mais fácil.”

E foi assim, com as próprias mãos, que Kayra escolheu Patrícia, a mulher que, sem saber, estava colocando dentro da própria casa.

No dia seguinte, como se nada tivesse acontecido, Patrícia foi atrás de Kayra:

— Vem comigo ver o vestido de noiva? O que você acha? — Perguntou, rodopiando na frente do espelho, se admirando cheia de vaidade. — Seu irmão é um desastre! Qualquer vestido que eu coloco, ele diz que tá lindo. Não opina em nada!

Kayra respirou fundo, disfarçando o incômodo:

— O vestido é seu. Se você gostou, é o que importa.

Patrícia fez um biquinho, manhosa:

— Ah, Kayrinha, você sabe... Eu venho de uma família simples. Tenho medo de escolher algo brega e envergonhar seu irmão. Mas você, né? Nossa fotógrafa famosa! Seu gosto é impecável.

Kayra forçou um sorriso, mas os olhos estavam distantes:

— Eu só entendo de fotografia, de composição. Escolher vestido de noiva... Não é comigo.

Patrícia pareceu decepcionada, e sua voz ganhou um tom de leve mágoa:

— Kayrinha, você ainda não me aceita, né? Ontem eu exagerei, eu sei... Me perdoa? Não fica brava comigo, vai?

Kayra quis responder, mas as palavras não saíram.

A questão não era aceitar ou não.

Ela apenas não conseguia entender como Roberto, aquele homem que a protegeu a vida inteira, agora amava outra mulher assim, tão fácil.

Patrícia olhou para Roberto e sugeriu, com um tom melancólico:

— Beto, e se a gente adiasse o casamento? Dá tempo pra Kayrinha aceitar.

— Adiá-lo por causa dela? Não faz sentido. — Roberto franziu o cenho, impaciente.

— Mas ela é sua irmã... Eu só queria a bênção dela. — Patrícia insistiu, com um olhar de coitada.

Roberto ficou em silêncio por alguns segundos. Depois, fitou Kayra e, com a voz fria, sentenciou:

— Kayra, seja madura. Não faz a sua cunhada sofrer por besteira.

Kayra desviou o olhar, engolindo o choro:

— Eu não fiz nada... — Murmurou.

Mas ao ver o olhar severo de Roberto, os olhos dela se encheram de lágrimas.

Quando Roberto ainda a mimava, era ele quem vivia grudado nela, o tempo todo.

Mesmo quando havia outras pessoas por perto, se ela tentava se afastar um pouco, ele logo a puxava de volta, como se não aceitasse ficar longe nem por um segundo.

Quando Kayra ia para o interior, em busca de inspiração e paisagens para fotografar, ele fazia questão de ir junto.

Quando viajou até a África para registrar a migração dos animais, ele também foi atrás.

Era como se, por mais longe que ela fosse, Roberto precisasse estar ali, sempre ao lado dela e, naquela época, Kayra achava que aquilo era amor.

Quantas vezes ele dissera:

"Não importa onde ou quando, eu sempre vou estar atrás de você. Sempre que você olhar pra trás, vai me ver ali."

Kayra respirou fundo, tentando se recompor:

— Desculpa... — Forçou um sorriso. — Eu não soube manter distância. Prometo que, daqui pra frente, vou me comportar. Não vai acontecer de novo.

— Ainda bem que entendeu. — Roberto assentiu, sem emoção.

Ela disfarçou a dor com um sorriso vazio:

— Continuem escolhendo o vestido... Eu não tô me sentindo muito bem. Vou indo.

Saiu da loja, e assim que ficou sozinha, as lágrimas começaram a cair sem controle.

Passou a mão no rosto, limpando o que pôde, e pegou o celular com os dedos trêmulos.

Comprou a passagem.

Em duas semanas, ela partiria.

Deixaria tudo para trás.

Inclusive Roberto.
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