Caros leitores,
Preparem-se para mergulhar em uma das minhas criações mais intensas e envolventes até hoje. Se você aprecia um romance ardente, de pegar fogo, linguajar improprio e um put@ desejo de querer se enfiar dentro dessa história, significa que chegou no lugar certo.
Um beijo da sua autora, Darlla VI ♡
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Com as vozes de Aurora Baker:
— Chegamos! — disse minha mãe com empolgação, assim que estacionou em frente ao prédio azul.
— Sim, chegamos — murmurei e virei para olhar através do vidro o prédio todo espelhado do lado de fora, calculei rapidamente quantos andares poderia ter o edifício luxuoso, talvez uns trinta, já que, mesmo me esforçando, ficou impossível ver seu topo.
— Calma, bebê da mamãe, vai dar tudo certo.
— Sim, vai. — Inspirei e joguei as costas para trás, ao encontro do banco. — Meu primeiro dia de estágio — lembrei num fio de voz o motivo célebre de eu estar ali.
Dona Ana leu cada sinal que meu corpo transmitia, abriu um sorriso, aquele que era capaz de mudar o mundo, e me puxou para um abraço encorajador.
Ótimo, desmanchei.
Em seus braços, lágrimas brotaram, quando todo o nosso esforço ressurgiu só para me informar que eu venci, estou aqui e tudo é real.
A WIS UNIVERSITY CONECT sempre foi meu sonho desde o colegial, quando ingressar na faculdade era uma hipótese — eu viajava por horas no site da instituição, ostentando o dia em que pisaria na filial em solo brasileiro. A faculdade de nível internacional tem sua sede na Califórnia e o Brasil se tornou seu foco há alguns anos.
Nem acreditei.
Lembro do dia em que permaneci por horas com os olhos cravados na tela do computador, sem me mexer e muito menos acreditar no e-mail que havia acabado de receber. Paralisei geral, sentindo as lágrimas rolarem enquanto lia e relia cada parágrafo. O sentimento explosivo de sonho realizado, era muito para o meu peito. Lutei tanto, estudei dia e noite, e sim, sem dúvida valeu cada segundo dessa batalha. Eu era a mais nova estagiária bolsista da WIS UNIVERSITY CONECT, a maior universidade a nível internacional do país.
Ok, Aurora, temos excelentes universidades no Brasil, por que a WUC? Sim, entendo, não estou desmerecendo a nossa educação, longe disso. Meu interesse na WUC era o estágio e a bolsa de estudos, trabalhar e estudar numa empresa de grande porte. A cada dois anos eram abertas vinte e cinco vagas, as mais concorridas, que movimentavam todos os estudantes do país. A disputa era acirrada e até então impossível para jovens de escolas públicas, como eu.
Convenhamos, qual a chance de um jovem do ensino público competir de igual com um do ensino particular?
Zero.
Revoltante e vergonhoso para o nosso país.
Enfim, finalizei o colegial e me preparei durante dois anos num cursinho pago a duras penas, muitas vezes responsável em atrasar uma conta ou outra em casa, privando mamãe e eu de viagens, pizza às sextas, vaquinha para o churras com as amigas, coisas simples e baratas, mas que não cabiam no orçamento.
A dificuldade se tornou o meu combustível. E, sim, eu consegui!
— Aurora, fique calma, empine o peito e a bunda, e vai…
Como sempre divertida, mamãe tirou-me um sorriso, mas eu não relaxei, fixei os olhos nervosos na mulher mais importante da minha vida, aquela a quem devo tudo que sou.
— Falta cor nessa boca, que tal um batom vermelho para dar sorte e tirar o mau-olhado?
Olhei no espelho retrovisor e chequei a aparência, realmente faltava um toque final, pisquei para ela e peguei o cosmético.
Boca vermelho-sangue, perfeito.
Não achei necessária uma make muito caprichada, pois ainda não sabia as regras da empresa, então só delineei os olhos e passei blush para corar as bochechas. Detalhe importante, sei que os deixei confusos: como ressaltei, a WUC contemplava os aprovados com o estágio e a bolsa de estudos. Naquela manhã, inicialmente, era o primeiro dia de estágio, as dúvidas em relação à faculdade iam ser esclarecidas no treinamento, falando nele, precisava me apressar, já estava em cima da hora.
— Ficou perfeito — ela disse quando avaliou o resultado. — Melhor ir, atraso no primeiro dia não pega bem.
— Certo, vamos lá. Deseje-me sorte.
— Boa sorte, Aurora. — As palavras soaram como um lindo amuleto.
— Você merece isso, filha. Dedicou os últimos dois anos em prol desse sonho, então vai lá e abraça o seu futuro. — Um apertinho gostoso cresceu no meu peito, me fazendo rir, mas também me fazendo chorar com um misto esplêndido de emoções que bagunçou todo o meu rosto. — Te amo, mãe!
— Eu te amo mais!
Dei-lhe um último abraço e sequei as lágrimas antes de descer e estagnar na calçada. Fiquei um bom tempo ali, parada, só observando o entra e sai de pessoas, enquanto minha mente trabalhava no que seria da minha vida dali para frente. A coitadinha da família conseguiu! Não pude evitar que o pensamento escapasse, assim como os outros que me revoltavam ao longo da vida, também fizeram questão de aparecer. Refugiei-me nos estudos para atingir esse sonho, me tranquei no quarto do recomeço quando a traição me apunhalou covardemente pelas costas e a decepção arrancou o meu chão.
Respirei fundo, tentando me concentrar nos pensamentos positivos, nas coisas boas que me guiaram até aqui. Tenho tudo que sonhei, agora só falta uma coisa.... Pensei, e dei um passo rumo ao degrau. Entrar.
O prédio administrativo da WUC alimentou meus olhos por longos segundos: elegância e tecnologia num nível surpreendente. Jesus! Parei diante da recepção, medindo mentalmente quantos metros compunham aquele balcão branquinho que ondulava uma boa parte do saguão, fracassei, meus olhos não alcançaram o final da arquitetura diferenciada. Dentro dele as recepcionistas sorriam simpáticas, com dentes tão brancos que até ofuscavam os olhos. Coques incríveis no topo da cabeça que não davam oportunidade para que nenhum fio de cabelo se desprezasse. Além de suas belezas… elas eram modelos, só podiam ser. Engoli em seco tudo aquilo e me retraí, diante do luxo.
Puta merda! Levanta esse ombro, Aurora.
Refinei a postura e tomei fôlego, encorajando um passo e outro. À medida que me aproximava, um enorme painel acima reproduzindo um comercial da faculdade, ganhou os poucos segundos que faltavam para eu alcançar a recepção.
Nervosa, mãos suando e coração gritando, olhei para a moça.
— Bom dia, senhorita! Em que posso ajudá-la? — A modelo disfarçada de recepcionista me abordou. Sorri amarelo, pegando ligeiramente a identidade na bolsa e entregando-a nas mãos com unhas pintadas de vermelho. — Aurora Baker — ela conferiu o documento —, em que posso auxiliá-la, Srta. Aurora?
— Meu primeiro dia, faço parte do programa de profissões — expliquei e a moça começou a digitar no seu MAC. Caramba! A recepção era equipada com MAC. Não consegui disfarçar a empolgação, pois possivelmente eu teria a mesma qualidade no meu setor. E poxa, só de pensar no meu notebook velhinho que só ligava no tranco, meus olhos sorriram de felicidade. — Meu supervisor de treinamento é o Maico Oliveira.
— Sim, verifiquei. — Ela me devolveu o documento unido a um crachá muito similar a um cartão de crédito. — Srta. Aurora, esse será seu acesso temporário para o prédio, até o final do seu treinamento colheremos suas digitais para acesso direto nas catracas. Seu treinamento é na primeira sala à esquerda, no décimo primeiro andar. Alguma dúvida?
— Não, obrigada!
— Seja bem-vinda à WIS UNIVERSITY CONECT! — saudou calorosa.
Ergui o crachá na altura dos olhos, a visão já não era tão nítida.
— Obrigada! — Agradeci mais uma vez, sentindo as emoções trapacearem meu equilíbrio. Segui para o elevador que não demorou a chegar e entrei no quadrado espelhado, checando de novo a aparência, a vestimenta simples que optei para o primeiro dia, meu cabelo sempre rebelde, aff, curvei os lábios, insatisfeita com o conjunto nervoso que refletia à minha frente. — Relaxa, Aurora, do contrário você vai enfartar e tudo terá sido uma perda de tempo — aconselhei ao meu sistema nervoso. E a porta se abriu.
Segui a direção indicada pela recepcionista, adentrando num cômodo amplo que me recebeu com um grande falatório, colhi o máximo de informação possível ainda parada próxima à porta. Nada diferente do que o prédio oferecia. Foquei nos grupos formados: um à frente com três pessoas; um homem e duas mulheres, que logo chamaram minha atenção por estarem extremamente elegantes.
Serão eles os responsáveis pelo treinamento? Permaneci em dúvida, quando uma dupla ganhou enfoque: um homem e uma mulher, aparentemente com a minha faixa de idade, no entanto, de um estilo incrível.
— Aurora!
Procurei de onde veio a voz e vi um rapaz sorridente caminhando na minha direção.
— Oi… — respondi confusa, tentando reconhecê-lo.— Você não se lembra de mim? Sou eu, Lucca! Estreitei os olhos, buscando seu rosto na memória. Não, não lembro!— Eu… — Tentei disfarçar a resposta que piscava na minha mente.— No dia da entrevista, no prédio da seleção, nos falamos brevemente na sala de espera — ele esclareceu. E eu quase gargalhei, pois realmente foi breve esse primeiro contato. Não lembro desse cara e sou péssima em memorizar fisionomia.Droga!— Claro! Como sou distraída. — Sorri, mentindo descaradamente.— Como vai?— Ansioso! Você não?Pude sentir sua empolgação, assim que ele colou as palmas das mãos e as esfregou freneticamente.— Sim, estou muito ansiosa.— Estou sentado bem ali. — Ele apontou para a primeira fileira. — Quer me fazer companhia?Condenei o lugar, primeira fileira não estava nos meus planos, geralmente quem se senta nos primeiros assentos é obrigado a expor suas opiniões, e francamente, pretendia me manter invisível tempo suficiente para não com
Assim que entramos, inalei o cheiro divino de carne e a fome movimentou o meu estômago, seguimos em fila para o fundo da hamburgueria lotada, sendo difícil não apreciar cada detalhe, uma decoração retrô dos anos oitenta compunha cada pedacinho do lugar… SENSACIONAL!Como assim, morava em São Paulo, passeei diversas vezes pelo centro e nunca havia entrado ali? Aurora, sua distraída!Deixei a turma continuar e parei para olhar as fotos de um chinês abraçado a alguns artistas, o dono do lugar parecia ser importante.— Nossa, que lugar legal! — exclamei e me juntei ao grupo, admirada com tudo.Raica escolheu um cantinho bem ao fundo, onde não havia uma concentração muito grande de pessoas famintas.— Vocês já são muito bem-vindos! — sucateou um baixinho de olhos puxados e bandeja embaixo do braço. — Chill, Chill, vai rolar aquela porção de fritas grátis? — Raica esperta, tentou descaradamente.Chill fingiu se espantar, mas saquei que estava acostumado com o pedido.— Já querem falir o Chi
Aproveitei e voltei a respirar…Nossa, o que foi aquilo?Tentei raciocinar à medida que a máquina subia, só que as sensações que fluíam no meu corpo me confundiram um pouco. Era um misto de curiosidade com fascínio — estupidamente interessante.— Acho que você arrumou um fã — Lucca cochichou no meu ouvido.— Como? — sussurrei temendo que alguém o ouvisse.— Você viu como ele estava te olhando?— Quem?— O executivo bonitão.— Não… eu…— Chegamos — falou Renan, aliviado.A turma passou por mim, apressados, intrépidos, ao passo que minha mente abusada processava aquele rosto — intenso, atraente e sinuoso. Havia alguma coisa incomum ali, não sei explicar, ou compreender, só sei que aquele cara acordou algo adormecido em mim. Não levamos nenhuma bronca, pelo contrário, o supervisor Maico foi até compreensivo com o fato de o elevador ter dado pau.No segundo período as horas passaram rápido, o treinamento fluiu com uma preciosa lição: raciocínio rápido. Eles eram exigentes com cada detalhe
Vinte dias depois…— Aurora, acorda! — esbravejou minha mãe, enquanto invadia meu quarto. — Bora, o dia está sorrindo.— Ah… — Bocejei. — Apaga essa luz, mãe, enlouqueceu?— Aurora, acorda, temos que aproveitar o sábado!— Não, senhora, o sábado foi feito pra dormir — murmurei me embalando embaixo do edredom. — Adeus!Não esquece de apagar a luz.— Anda, menina.Toc toc toc, seu sapato começou a sapatear todo o piso, endoidando meus tímpanos, adeus soninho.Argh!Soltei uma lufada de ar e cobri minha cabeça com o travesseiro, na tentativa de ignorá-la. Estava exausta e minha mãe sabia disso, então por que diabos ela estava me atormentando? Nunca estudei tanto na vida, os vinte dias de treinamento foram intensos e só ressaltaram o título de número um do mundo. Passei a admirar ainda mais a universidade que preza pelo crescimento profissional dos seus colaboradores. O sistema deles era único e exclusivo, desenvolvido na Califórnia, sede de Berkeley. E sim!!! Eu teria um MacBook à minha d
Bem-vindo ao shopping, era o que estava escrito na placa prateada no alto da entrada. O lugar onde eu podia me passar por rica sem que ninguém duvidasse — ou me chamasse de louca —, estava lotado de famílias e pessoas desocupadas como eu e minha mãe. Confesso que meu sonho era um dia entrar na Gallerist e gastar alguns reais sem me preocupar que o mundo ia cair na minha cabeça depois. Mas como todos os shoppings de luxo, também tinha lojas populares como C&A e Riachuelo que reuniam diversos estilos a preço acessível.Era exatamente nelas que faria compras.Ainda receosa em acabar com o limite do cartão de crédito da mamãe, escolhi poucas peças, digamos que fui estratégica, peguei roupas que combinassem com o que já tinha no guarda-roupa. Porém, dona Ana me surpreendeu quando encheu meus braços com as peças escolhidas por ela, não fiz cerimônia e aceitei o presente.Passeamos pelo andar sem pressa, observando vitrines, só curtindo uma à outra — como há muito tempo não fazíamos. A mulhe
Um pouco depois voltamos para casa, exaustas, me refugiei logo no meu quarto com a desculpa de guardar as roupas novas que compramos. Minha mãe, que de boba não tinha nada, percebeu minha mudança de humor brusca assim que saímos do restaurante. Achei estranho tudo aquilo e não consegui entender por que me sentia brava pelo fato de ter visto David — alguém que nunca falei —, encontrar casualmente —esperava em Deus —, minha chefe direta.Que homem lindo, fiz questão de lembrar, estava tão casual com aquela malha branca.Qual será a relação daqueles dois? Namorados? Questionava. Encaixei uma peça no cabide.E qual será a ligação dele com a WUC? Talvez um cliente ou executivo?Embora não o tenha visto no prédio administrativo, tudo me levava a crer que David era envolvido de alguma forma com a empresa, ou melhor, com a Ellen. Provavelmente namorados, ou estavam se conhecendo, já que se cumprimentaram com um simples beijo no rosto.Eram perfeitos juntos.— Aurora… — Não tem jeito,
— Acorda, dorminhoco! Hoje é domingo.Ignorei a voz melódica no ouvido e seus carinhos no pescoço e virei para o lado oposto, me desvencilhando e retomando meu sono. A noite intensa e o sexo selvagem me esgotaram, precisava descansar. A contar dos dias que desembarquei no Brasil até a véspera, não houve sequer um momento de sossego, mesmo estando acostumado à rotina de trabalho fatigante e a noitada com mulheres fogosas, caso acontecesse, não dispensaria um tempo sozinho.— Vou chupar seu pau gostoso…E pelo visto não ia acontecer tão cedo, Ellen não ponderava as artimanhas para transformar o silêncio em gemidos.— Depois vamos trepar… — suas unhas arranharam minhas costas —, meu dia tem um upgrade com essa dinâmica.A diabinha persistente já havia me colocado duro para o seu deleite.— Jamais recusaria foder a sua boca pela manhã. — Busquei o rosto ordinário. — Ajoelha pra mim, bem vagabunda como eu gosto.Ela mordeu os lábios e deslizou para fora da cama, se posicionando, obediente.
Arfei e não me dei ao trabalho de responder.Mesmo com o tempo, nada foi esclarecido e um mundo de incertezas se instalou mutuamente.Praticamente dois estranhos, escusos, quase inimigos. Infelizmente, o laço terno que tínhamos findou e não havia mais resquícios de sentimentos leais, só farpas e provocações. Não era feliz com a situação. Antes de toda aquela merda éramos um só, eu: seu herói por ser o irmão mais velho, mesmo com pouco diferença de idade, e ele: o mano querido e companheiro, sempre ao meu lado.Tomei o resto da água que sobrou na garrafa, descartando a embalagem no reciclável ao lado e teria seguido para a cobertura, livre de tantas reflexões fodidas, no entanto, outra ligação me manteve ali e, daquela vez, um sorriso alegre apareceu ao atender.— Fala, Ruben…— Tudo bem, David?— Tudo certo, estava correndo. Como vai tia Ester e seu pai?— Viajando, provavelmente estão na Itália agora.— Podemos almoçar, o que acha?Encontros como esses aliviavam a carga que muitas ve