— Desculpa, foi minha culpa. Eu aceito a punição....No dia seguinte, Karina ainda estava dormindo, não completamente acordada, quando sentiu uma coceira nas mãos.— O que você está fazendo? — Ela perguntou impacientemente.— Te acordei? — Ademir respondeu em voz baixa. — Já vou sair. Só vou passar mais um pouco de pomada na sua mão, depois você pode continuar dormindo. Quando acordar, se lembre de passar também. Tem que passar quatro vezes por dia.— Que irritante! — Karina puxou as cobertas e cobriu a cabeça.Ademir sorriu, resignado, mas com um toque de carinho.O temperamento de Karina não era dos mais explosivos, mas foi vivendo com ela que Ademir percebeu que ela tinha uma certa tendência a ficar mal-humorada logo ao acordar. Quando ela dormia o suficiente, tudo bem, mas quando não dormia o suficiente, o mau humor era bem evidente.— Não vou te incomodar mais. Dorme aí.Karina abriu os olhos novamente, já era mais de dez horas.Ela não tinha trabalho naquele dia, apenas precisav
— Nuvem? Era Túlio!— Karina, você não...Túlio de repente soltou um grito de dor, e seus traços faciais, antes tão perfeitos, se contorceram em uma expressão de agonia. Karina ficou assustada, e sua mente ficou em branco por um momento.— Karina! — Ao ouvir o grito de socorro, Bruno apareceu rapidamente, disparando em direção a ela como uma flecha. Em um instante, ele conseguiu dominar o homem armado com a faca. — Não se mova! Em questão de minutos, Bruno o derrubou no chão, e a faca ensanguentada escorregou das mãos do agressor.O coração de Bruno gelou. Em apenas dois ou três minutos, enquanto ele tinha ido ao banheiro, Karina já estava ferida?— Karina, onde você se feriu? — Não, não fui eu. — Karina estava pálida, franziu a testa e balançou a cabeça, olhando para Túlio. Ele estava com a mão pressionando a parte esquerda de seu abdômen, e o sangue escorria entre seus dedos.Karina imediatamente fez a avaliação: — Túlio, você precisa ser levado imediatamente para a
— É mesmo? Ademir só sentiu seu coração se apertar cada vez mais, como se sua alma estivesse imersa em um poço de vinagre. Não conseguindo mais controlar a angústia, ele soltou a dúvida que o atormentava: — Você só está agradecida a ele por ter te salvo, ou está realmente preocupada com ele como pessoa? — O quê? — Karina se surpreendeu, refletindo sobre suas palavras. — Você está dizendo que ainda penso nele? — Se você não estivesse preocupada com o bebê, teria ficado aqui esperando por ele... — Ademir olhou ela friamente, quase com desprezo. — Então eu tenho razões para suspeitar que você realmente não o esqueceu! Karina deu uma risada amarga, se lembrando de repente do penteado da Vitória, com aquele grampo de borboleta... Que direito ele tinha de duvidar dela assim? Decidiu não entrar em mais discussões e respondeu, calmamente: — Você está certo, o Túlio foi a primeira pessoa de quem eu me apaixonei. E a nossa história, esses anos todos, não é algo que se apaga da
De repente, Karina parou de sorrir. Sua expressão ficou séria, e ela perguntou: — E você, o que acha?Será que...O semblante de Ademir também mudou. O grampo de cabelo de que ela estava falando era...— Sim. — Karina não precisou que ele respondesse; ela mesma falou. — Era aquele, o que você deu para a pequena borboleta.Imediatamente, Ademir sentiu a boca seca, a língua parecia estar toda enrolada, e ele não conseguia dizer nem uma palavra sequer. Uma camada de suor frio começou a escorrer pelas suas costas.A voz de Karina, suave e mansa, soou:— Eu a vi. Parabéns, você encontrou a sua pequena borboleta.O olhar dela estava completamente frio.Ela quase pronunciou o nome: Vitória.Karina já sabia disso! Ademir nem teve tempo de tentar esconder nada; seus olhos já falavam por si mesmos.Aquele grampo, Karina só tinha visto em fotos.No momento, ele não tinha se lembrado de imediato, mas, quando estava na porta da sala de cirurgia, e viu Ademir se aproximando, de repente se deu co
Karina ficou em choque.Ele realmente disse isso? Que tipo de homem ruim era esse?O carro entrou na Mansão da família Barbosa, e Ademir desceu com raiva.Karina empurrou a porta do carro, mas antes que pudesse sair, Ademir já se inclinou e a puxou para fora, segurando ela nos braços.Embora estivesse furioso com ela, ele não ia deixar sua esposa, que tinha acabado de passar por um susto, sem cuidados.Entraram no prédio principal, subiram para o quarto no segundo andar, e ele a deitou na cama, puxando o cobertor para cobri-la.Apesar do semblante fechado, seus movimentos foram surpreendentemente suaves.— Descanse bem. — Ademir falou. — Eu vou ao hospital.Ele se virou para sair, cuidadosamente apagou a luz e fechou a porta.O quarto ficou subitamente silencioso. Karina, encolhida debaixo das cobertas, ficou ali, olhando fixamente para o teto.Ela havia se deixado enganar pela bondade de Ademir, confundindo isso com algo mais... E agora, ela sabia que precisava acordar.Gestos como fa
Às dez da noite, no Hotel Dynasty.Karina Costa olhou para o número na porta: Suíte Presidencial 7203.“É aqui.”Seu celular vibrou com uma mensagem de Lucas Costa: [Karina, sua tia concordou. Contanto que você acompanhe bem o Sr. Francisco, eu pago imediatamente as despesas médicas do seu irmão.]Karina leu a mensagem, com uma expressão neutra em seu rosto pálido.Ela já estava entorpecida, incapaz de sentir dor.Depois que seu pai se casou novamente, ele deixou de se importar com ela e seu irmão. Durante mais de dez anos, eles foram deixados à mercê dos maus-tratos e até abusos da madrasta.Faltar roupas e comida era normal; insultos e espancamentos eram frequentes.Desta vez, devido a dívidas de negócios, eles a forçaram a dormir com um homem!Quando Karina se recusou, eles ameaçaram cortar o tratamento do irmão dela.Seu irmão tinha autismo, e o tratamento não podia ser interrompido.Mesmo os tigres, por mais ferozes que sejam, não comem seus filhotes. Lucas era pior que um animal!
Karina se apressou para voltar para casa.Um homem de meia-idade, gordo e com a cabeça semi-careca, estava sentado no sofá da sala, olhando furioso para Vitória.— Uma estrela em ascensão, eu prometi que me casaria com você! Como ousa me enganar e me deixar esperando a noite toda?Vitória aguentava a humilhação. Nem se falava que Francisco usava essa desculpa todas as vezes para se aproveitar das mulheres. Mesmo que ele estivesse realmente disposto a se casar com Vitória, isso seria uma armadilha! Quem se atreveria a se casar com ele?Vitória teve o azar de ser notada por ele.Mas seus pais, preocupados com ela, fizeram Karina substituir Vitória.Só que não esperavam que Karina fugisse na última hora!Eunice falou cuidadosamente:— Sr. Francisco, sinto muito, a menina não entende as coisas, por favor, perdoe ela.Lucas falou timidamente:— Por favor, não fique zangado.— Não ficar zangado? — Francisco disse muito irritado. — Impossível! Já que Srta. Vitória não está disposta, eu não a
— Sr. Ademir. — Francisco de repente parou de andar. No círculo comercial, todos que tinham algum status conheciam Ademir. — O que o senhor está fazendo aqui?Ademir nem olhou para ele, com os olhos fixos em Vitória, que não parava de chorar.Essa mulher era a garota que na noite passada chorava delicadamente em seus braços...De repente, ele levantou a mão e deu um tapa forte em Francisco, jogando-o no chão!Francisco imediatamente cuspiu um dente, ainda coberto de sangue.A família de Vitória estava tão assustada que nem ousava respirar.Os lábios finos de Ademir se curvaram em um sorriso sarcástico. Sua voz, indiferente, era como uma lâmina fina e afiada:— Você ousa tocar na minha pessoa?!Francisco, caído no chão, cobria a boca, falando tremulamente:— Sr. Ademir, eu não sabia que ela era sua pessoa, eu não a toquei, juro! Por favor, me perdoe!Ademir não acreditou em suas palavras e olhou para Vitória.— É verdade?Vitória balançou a cabeça, atordoada:— Não, não é...— Saia daqu