— É mesmo? Ademir só sentiu seu coração se apertar cada vez mais, como se sua alma estivesse imersa em um poço de vinagre. Não conseguindo mais controlar a angústia, ele soltou a dúvida que o atormentava: — Você só está agradecida a ele por ter te salvo, ou está realmente preocupada com ele como pessoa? — O quê? — Karina se surpreendeu, refletindo sobre suas palavras. — Você está dizendo que ainda penso nele? — Se você não estivesse preocupada com o bebê, teria ficado aqui esperando por ele... — Ademir olhou ela friamente, quase com desprezo. — Então eu tenho razões para suspeitar que você realmente não o esqueceu! Karina deu uma risada amarga, se lembrando de repente do penteado da Vitória, com aquele grampo de borboleta... Que direito ele tinha de duvidar dela assim? Decidiu não entrar em mais discussões e respondeu, calmamente: — Você está certo, o Túlio foi a primeira pessoa de quem eu me apaixonei. E a nossa história, esses anos todos, não é algo que se apaga da
De repente, Karina parou de sorrir. Sua expressão ficou séria, e ela perguntou: — E você, o que acha?Será que...O semblante de Ademir também mudou. O grampo de cabelo de que ela estava falando era...— Sim. — Karina não precisou que ele respondesse; ela mesma falou. — Era aquele, o que você deu para a pequena borboleta.Imediatamente, Ademir sentiu a boca seca, a língua parecia estar toda enrolada, e ele não conseguia dizer nem uma palavra sequer. Uma camada de suor frio começou a escorrer pelas suas costas.A voz de Karina, suave e mansa, soou:— Eu a vi. Parabéns, você encontrou a sua pequena borboleta.O olhar dela estava completamente frio.Ela quase pronunciou o nome: Vitória.Karina já sabia disso! Ademir nem teve tempo de tentar esconder nada; seus olhos já falavam por si mesmos.Aquele grampo, Karina só tinha visto em fotos.No momento, ele não tinha se lembrado de imediato, mas, quando estava na porta da sala de cirurgia, e viu Ademir se aproximando, de repente se deu co
Karina ficou em choque.Ele realmente disse isso? Que tipo de homem ruim era esse?O carro entrou na Mansão da família Barbosa, e Ademir desceu com raiva.Karina empurrou a porta do carro, mas antes que pudesse sair, Ademir já se inclinou e a puxou para fora, segurando ela nos braços.Embora estivesse furioso com ela, ele não ia deixar sua esposa, que tinha acabado de passar por um susto, sem cuidados.Entraram no prédio principal, subiram para o quarto no segundo andar, e ele a deitou na cama, puxando o cobertor para cobri-la.Apesar do semblante fechado, seus movimentos foram surpreendentemente suaves.— Descanse bem. — Ademir falou. — Eu vou ao hospital.Ele se virou para sair, cuidadosamente apagou a luz e fechou a porta.O quarto ficou subitamente silencioso. Karina, encolhida debaixo das cobertas, ficou ali, olhando fixamente para o teto.Ela havia se deixado enganar pela bondade de Ademir, confundindo isso com algo mais... E agora, ela sabia que precisava acordar.Gestos como fa
— O que significa isso? — A entonação de Ademir imediatamente se tornou sombria. — Você não entende? Preciso ser tão clara assim? — Karina riu com desdém. — Tá bom, então vou falar diretamente. Você realmente sumiu, e nunca me contou onde foi. Ela estava se referindo ao fato de que ele havia escondido dela que estava indo ver Vitória, algo que aconteceu três vezes desde o casamento até aquele momento. — Eu não vou mais acreditar em você. Já que você não me diz a verdade, nem precisa mais me dar essas informações falsas sobre seus compromissos. Ademir ficou sem palavras. Mas, ao mesmo tempo, estava muito irritado. Então, ligar para ela também se tornou um erro? — Faça o que quiser! Já que você fala assim, então não vou mais te ligar! Depois disso, desligou o telefone. Karina ficou com o celular na mão, soltou um sorriso irônico, e colocou o aparelho de lado, voltando a comer. Após terminar a refeição, ela se preparou para ir até o Hospital J. Quando saiu de casa, Bru
— Mas eu tenho que vê-lo. Preciso agradecer pessoalmente. É tudo culpa do Ademir, ele é completamente irracional.Karina se recostou no sofá, abraçando um travesseiro, e quanto mais pensava nisso, mais se irritava: — Posso dormir aqui hoje à noite? — Claro que pode. — Patrícia sorriu, os olhos brilhando. — Vamos dormir juntas e conversar bastante. — Tudo bem. ...Lá embaixo, o carro de luxo preto foi estacionando lentamente. Ademir levantou o pulso e olhou para o relógio: já era quase dez horas. Normalmente, nesse horário, Karina já estaria se preparando para dormir. Ele saiu do carro, pegou o celular e ligou para Karina. Olhou para a janela do quinto andar, que era o apartamento de Patrícia, ainda com a luz acesa. — O que houve? — Está se divertindo com os amigos? — Ademir massageou a têmpora, com um tom que denunciava um leve embriaguez. — Estou aqui embaixo, vou te levar para casa, desça. Karina riu de maneira irônica: — Vai embora, eu vou ficar aqui hoje à noi
— Tudo bem. Patrícia ficou assustada com o que ele disse. "Acabei de ir buscar"... — Sr. Ademir. — Patrícia não conseguiu deixar de perguntar. — O senhor passou a noite inteira aqui embaixo, e não saiu? — Sim. — Ademir acenou com a cabeça imediatamente, olhando para ela. — Mais tarde, você conta tudo isso para a Karina. Patrícia ficou sem palavras. Esse homem era mais astuto do que ela imaginava. No apartamento, Karina estava sentada na cabeceira da cama, já se preparando para se levantar. Ao ouvir os sons, perguntou: — Voltaram tão rápido... Quando olhou com mais atenção, percebeu que, além de Patrícia, Ademir também estava ali. Ademir parecia não se importar com nada, como se nada tivesse acontecido. Colocou a caixa de comida na mesa e se dirigiu direto até a cama, se sentando ao lado dela. Segurou sua mão e disse: — Levante e coma alguma coisa, que tal? Quer que eu traga até você? Karina franziu a testa e perguntou: — O que você está fazendo aqui? Ademir
Havia tal coisa?Karina estava extremamente surpresa. Ela não sabia sobre aquilo. — Dá para perceber que ele se importa muito com você. — Túlio sorriu. — Karina, você tem que aproveitar, viver bem. — Você também. — Karina lembrou de algo. — Aliás, ontem você foi ao Hospital J. Estava com algum problema? Não estava se sentindo bem? Túlio ficou em silêncio. Ele permaneceu quieto por um momento, com uma expressão que parecia um tanto desconfortável. Mas logo sorriu novamente e disse: — Não estou mal. Eu só vim pegar alguns suplementos. Suplementos? Karina se lembrou da vez em que viu o saco de medicamentos dele com os comprimidos para dormir. Será que ela havia se enganado? — Então, descanse. Eu volto para te ver depois. — Está bem. Karina se virou, e Ademir imediatamente se levantou do sofá e a seguiu. Assim que saíram do quarto, Karina hesitou antes de falar: — Obrigada. — Você vai me dizer algo que eu não gosto de ouvir, não vai? — Ademir levantou uma sobran
— Sr. Ademir, não precisa ficar tão nervoso. — A Dra. Coelho olhou para os resultados dos exames. — De acordo com os resultados, tanto a senhora quanto o bebê estão bem. Além disso, os nutrientes intravenosos estão fazendo efeito, o bebê está se desenvolvendo normalmente e com o tamanho adequado para a idade gestacional. Ademir levantou uma sobrancelha. Então, qual seria o problema? — No entanto... — A Dra. Coelho bateu levemente no relatório. — A Sra. Barbosa, no início da gravidez, teve episódios frequentes de desmaios, não foi? — Sim. — Ademir se tornou ainda mais tenso. — Acontece o seguinte: atualmente, não há grandes problemas, mas à medida que a gravidez avança, as coisas podem mudar. Como médica, preciso informá-los sobre todas as possibilidades. A gravidez da Sra. Barbosa pode afetar o humor dela, o que pode prejudicar tanto ela quanto o bebê, por isso, estou repassando tudo a você. Ademir assentiu, compreendendo a situação: — Você pensou muito bem. Qual seria a co