Lúcia Baptista, determinada a se casar com o pobre rapaz que amava, Sílvio Medeiros, enfrentou os pais e até fez greve de fome para conseguir seu objetivo. Por amor a Sílvio, Lúcia sacrificou seu próprio casamento e a empresa da família, traçando um caminho de sucesso para ele. No entanto, quando Sílvio finalmente alcançou o topo como ela desejava, sua primeira ação foi revelar sua verdadeira face, jogando Lúcia em um inferno sem fim: ele usou a frieza e a indiferença para forçá-la ao divórcio, esmagando seu orgulho e amaldiçoando-a a um destino trágico. No final, como ele queria, Lúcia, que mais temia o frio, morreu sozinha na neve, seu corpo cercado por um mar de sangue... Mas Sílvio não encontrou a satisfação que esperava em sua vingança. Em vez disso, ele enlouqueceu, seus olhos se tornaram vermelhos de desespero, e o poderoso e frio CEO envelheceu da noite para o dia. Em meio à sua loucura, ele chamava incessantemente por Lúcia, implorando para que ela acordasse e voltasse para casa com ele...
Leer másNo final, foi Otávio quem quebrou o silêncio: — Você realmente tem sangue frio, hein? Nem um pouco assustada comigo? — Sr. Otávio, eu tenho a consciência tranquila. Não fiz nada de errado. O que eu teria para temer? Pelo contrário, quem me deve algo é a família Araújo. — Respondeu Ivone com um sorriso frio. Otávio soltou uma risada sarcástica: — Quanto você quer? Era inacreditável. Dias atrás, Basílio tinha jurado que se casaria com ela, e agora o pai dele aparecia perguntando quanto dinheiro ela queria. Será que ela parecia tanto assim uma mulher desesperada por dinheiro? — Seu filho quer se casar comigo. — Está brincando? Na sua casa não tem espelho? Uma mulher como você acha que tem lugar na família Araújo? Isso é ridículo! — Disse Otávio, com desdém. — Vou ser franco: já escolhi outra noiva para o Basílio. Se tudo correr como planejado, ele se casará em breve. É melhor você pensar em quanto dinheiro quer, porque isso é mais prático e realista. Ivone respondeu, com a
Insegura. Sensível.Ivone piscou seus olhos secos. Foi a primeira vez que ouviu essas palavras sendo usadas para descrevê-la.— Não preciso disso. Essa caridade, essa compensação, não me interessa. — Disse Ivone, com uma voz fria e firme. Ela estava simplesmente com o coração partido, e as palavras de Basílio a faziam rir de incredulidade.Basílio terminou de descascar a maçã e a estendeu para ela. Ivone pegou sem muita paciência e, na frente dele, jogou a fruta no lixo.Ele não se incomodou. Com uma paciência quase irritante, ele começou a falar:— Calma, Iva. Pense com tranquilidade na minha proposta. Não precisa ser tão sensível, nem desconfiada, e muito menos insegura. Você é a minha futura esposa, Ivone. Quero que você tenha confiança em si mesma, como naquela época em que nos conhecemos. Quanto aos sentimentos, eu vou me esforçar para me apaixonar por você. Não vai demorar muito. E você gosta tanto de mim... Não acredito que não vai se deixar levar.— Isso foi antes. Basílio, ago
— Veio defender sua querida? — Perguntou Ivone, com uma ironia cortante.O sorriso de Basílio desapareceu instantaneamente. Ele ficou sem reação. Essa Ivone, fria e agressiva, ele nunca tinha visto antes. Se fosse no passado, ao ouvir algo assim, ele teria mandado ela lembrar qual era o seu lugar. Mas agora, ao pensar no que ela tinha passado, no bebê que ela perdeu, e que tudo aconteceu na propriedade da família Araújo, ele não conseguiu dizer nada. Mesmo que a queda não fosse diretamente culpa dele, ele não a impediu. Ela estava assim por causa dele. Ela não poderia mais ter filhos, e ele sabia que tinha parte de responsabilidade nisso. Basílio sentiu um desconforto leve, mas logo ele foi diminuindo. Ele relaxou as sobrancelhas franzidas pouco a pouco, pegou uma maçã da mesa, uma faca e começou a descascá-la com calma. Enquanto fazia isso, ele perguntou: — Como você está se sentindo?Ivone, sentada na cama do hospital, nem sequer olhou para ele. — Se não estiver bem, me avi
Ivone, que da primeira vez tinha recebido Lúcia com tanta cordialidade, agora falava com uma frieza cortante. O olhar de Ivone caiu sobre a mulher parada na porta, que também vestia um uniforme listrado de hospital. Talvez sua reação indiferente tivesse ferido Lúcia, pois os olhos da mulher mostraram surpresa, seguida por uma sombra de tristeza.Lúcia era alta e magra, e até mesmo a roupa larga do hospital ganhava nela uma elegância única. Seus longos cabelos lisos caíam sobre os ombros com naturalidade.Ivone notou que Lúcia carregava uma sacola com suplementos alimentares. Então, era esse o tipo de mulher que Basílio gostava? Elegante, educada, a típica garota exemplar de uma família rica. Ivone, no entanto, não era assim. Ela sabia que tinha um espírito rebelde, que não se encaixava nesse molde perfeito. Ivone não queria ser como Lúcia. Ela se recusava a ser a sombra de outra pessoa.— Cunhada, eu só queria saber como você está... — Disse Lúcia, mordendo os lábios com um ar de desco
Ivone apertou os lábios. Será que isso era o famoso laço invisível entre mãe e filho? Ela havia caído, perdido o bebê, e sua mãe, do outro lado, havia imediatamente sentido.A garganta de Ivone parecia estar bloqueada por um punhado de algodão. O desconforto era insuportável. Mesmo assim, ela sorriu entre lágrimas, tentando aparentar normalidade para acalmar a mãe:— Mãe, eu estou bem. Está tudo ótimo.— Você está mesmo bem? Não vai esconder nada de mim, não é? Lembre-se, só temos você, nossa única filha. Você nunca pode se permitir sofrer, Ivone. Você é o nosso maior tesouro, a menina dos nossos olhos. Desde pequena, nunca te cobramos nada, nunca te tratamos com dureza. Tudo isso porque tínhamos medo de que você fosse maltratada fora de casa. Esse mundo está muito complicado agora. As pessoas são cruéis. Você longe de nós... é impossível não se preocupar. Olha, se quer saber, acho que o melhor seria você voltar para casa.— Eu também quero voltar para casa. Estou com saudades de vocês
Ivone, tomada pela raiva, agarrou o cobertor e o jogou com força contra Basílio:— Não diga meu nome! Eu não deixo você dizer meu nome!O cobertor deslizou silenciosamente da cama para o chão. Basílio ficou paralisado, chocado com o olhar dela.Ele viu o sangue nas mãos dela, no dorso e nos dedos. Seus olhos estavam vermelhos, e as lágrimas escorriam sem parar.— Não me chame assim! Saia daqui! Saia agora! — Ivone gritou, cobrindo os ouvidos, enquanto as veias saltadas na testa e no pescoço mostravam o quanto ela estava à beira de um colapso. Ela puxava os cabelos e berrava com toda a força que tinha.Basílio tentou se aproximar.— Iva.— Saia! Vá embora! Saia daqui! — Ivone chorava, completamente descontrolada.Ele nunca tinha visto Ivone tão fora de si. Aquela explosão de emoções o deixou sem saber como agir.— Você está machucada.— Saia! Saia daqui! — Ivone gritou novamente, soluçando entre as palavras.Basílio percebeu que qualquer coisa que dissesse só pioraria a situação. Ele se
As lágrimas quentes escorriam descontroladamente pelo rosto de Ivone, deslizando até seus lábios ressecados. O gosto era salgado, amargo. Sua garganta estava seca, ardida, e cada respiração parecia um esforço doloroso. Era sufocante. Ivone mordeu os lábios com força, tentando conter os soluços, mas não conseguiu. Ela começou a chorar baixinho, em um desespero abafado. Suas mãos golpeavam o colchão repetidamente, como se punisse a si mesma. Ela sentia que não valia nada, que era inútil, que não merecia nada. — Por que, meu Deus?! Por que eu não consegui proteger o meu bebê?! — Ela murmurava entre lágrimas, enquanto continuava a se bater. Aquele era o único filho que ela teria. O único. E agora ele se fora para sempre. Ivone se perguntou quando foi que tudo começou a dar errado. Será que foi quando ela, tão ingênua e tola, acreditou que se aproximar de Basílio seria suficiente? Ela havia alimentado a ilusão de que, se ela fosse boa para ele, se ela o amasse de verdade, ele acabar
— O jovem mestre é muito ingênuo. Desta vez, com certeza foi essa garota insignificante que o enganou. O senhor vai precisar intervir pessoalmente para resolver isso. — O assistente comentou, com um sorriso forçado. Otávio lançou um olhar frio para ele e soltou uma risada sarcástica: — O casamento de Basílio está diretamente ligado ao futuro da família Araújo. Não vou permitir que ele faça o que quiser. Essa tal de Iva... Eu mesmo vou conhecê-la. Quando Ivone acordou, já era tarde da tarde. A chuva caía suavemente do lado de fora, pingando nas folhas verdes escuras, criando um som constante e melancólico. A porta do quarto se abriu, e uma enfermeira de jaleco branco entrou. Ao vê-la acordada, a mulher pareceu surpresa. Quando percebeu que Ivone tentava se levantar, apressou-se a detê-la: — Srta. Iva, a senhora precisa descansar. Não pode sair da cama ainda. Ivone sentia o corpo inteiro dolorido. Ela observou a enfermeira pegar sua mão e, com habilidade, inserir uma agulha f
Os olhos dela, que antes eram tão brilhantes, tão confiantes, tão cheios de vida, agora estavam apagados. Ivone, que era como um pequeno sol radiante, havia se transformado em alguém triste e melancólica. Quando isso aconteceu? Teria sido quando ele aprovou a carta de demissão dela e a manteve ao seu lado como uma amante, comprada com dinheiro? Ela se aproximou dele por amor, e isso estava tão claro. Era impossível não perceber. Ela era dez anos mais nova, estava em uma idade em que era impossível esconder sentimentos. Mas ele, cego por seus preconceitos, interpretou tudo errado. Achou que ela só quisesse dinheiro, que estivesse tentando encontrar um atalho. Talvez, para ela, o dinheiro nunca tivesse o mesmo peso que tinha para ele. — Vá embora. Me deixe sozinho. Quero pensar. — Basílio disse friamente. Enzo balançou a cabeça em silêncio e se retirou. Basílio soltou uma risada amarga. Ele se lembrava de como havia repreendido Sílvio por não saber lidar com seus relacionamentos,