Capítulo 5

Alejandro Albeniz 

Eu levantei tonto, só pensava que o bombeiro tinha que estar ali ainda segurando, mas como, se daqui, eu não conseguia suportar o calor das chamas? E já ouvia os gritos das outras pessoas, dizendo que ele caiu. Vi uma moto parada e só podia ser dele, tinha uma caixa de jóia em cima, coloquei no bolso do que restou da minha calça, subi no veículo, desci o viaduto e fui até o incêndio da aeronave.

Não havia nada que eu pudesse fazer, o copo sem vida do cara que salvou a minha vida estava ali ao lado da aeronave destruída e se incendiando. Peguei aquela caixinha do bolso e abri, um par de alianças, numa tinha escrito Ximena e, na outra, Carlos.

— Não é possível, o cara ia se casar! — falei comigo mesmo, sentido pesar. 

Fui até a moto e olhei que o GPS integrado estava direcionado a uma igreja, era meu dever. Eu tinha ao menos que avisar o que aconteceu com aquele homem que salvou minha vida.

Estava bem perto, em três minutos cheguei até a basílica, subi a rampa lateral com a moto e parei bem na entrada da igreja. Todos me olhavam, o meu estado era deplorável. Me arrastei até o altar, onde a noiva já se encontrava, e não podia acreditar no que via.

— Você! — Era inacreditável — Não acredito.

Adoraria reencontrá-la, mas não dessa forma, não desse jeito. Esperava tudo, menos isso.

— Não entendo! Que brincadeira é essa? — tão confusa quanto eu, ela questionou.

— Eu queria muito te encontrar, mas não dessa maneira. — me sentia triste e oprimido, aquela situação era horrível.

— Fala logo o que você faz aqui! — Ela estava aflita. Ou ao menos era o que parecia.

— Quem é esse rapaz, Ximena? — Um homem, que eu acreditava ser o pai dela, perguntou.

— Vim trazer uma notícia, senhor. — me direcionei a ele.

Pus a mão no bolso e peguei a caixa com as alianças, entregando a ela. 

— Porque você está com as alianças e a moto do meu noivo? Cadê o Carlos? — Já com a voz embargada, pensando no pior, ela me questionou.

— Seu noivo é um herói de verdade. — me limitei a responder.

— Você está sangrando, todo rasgado, sujo. Cadê o Carlos? — Ela tentou olhar através de mim, para a entrada da igreja, a fim de tentar ver o noivo.

Engoli em seco e respirei fundo, aquilo era muito difícil de dizer.

— Eu… Eu sofri um acidente e ele me salvou.

— Ele se machucou, em qual hospital ele está? — segurando na barra do vestido, ela já começava a se preparar para sair da igreja.

— Ele… ele…

— FALA LOGO! PARA DE ENROLAR!

— Ele morreu. — as palavras saem da minha boca de maneira dolorida.

Ela ficou parada com os olhos fixados e um chororô se iniciou por toda igreja. Gritos de negação, muitos rodando em volta de mim, fazendo perguntas.

Ximena era o nome dela, ela saiu da inércia e começou a esmurrar o meu peito com as duas mãos, me colocando para fora da igreja.

— É mentira sua, o meu noivo não tá morto! — ela me empurrou mais uma vez. — Me rogou praga, não queria que eu casasse!

— Ximena, se acalma! — um senhor pediu.

— Gostaria que fosse mentira, gostaria mesmo. Eu juro. — respondi.

— Sai daqui, seu mentiroso! — Ela estava muito abalada e, por um instante, me senti um grande filho da puta, pois desejei ser aquele que a consolaria.

Meu celular começou a tocar, quando o peguei, a tela estava toda preta, não tinha como atender. Com certeza pifou na explosão. Me virei para ir embora, meu pai devia estar louco, achando que morri. Ainda tinha responsabilidades no local do acidente a cumprir, iria voltar com a moto de Carlos, depois eu devolveria. 

(...)

Ximena Valverde 

Aquilo tinha que ser um pesadelo. Em algum momento, eu iria acordar para tomar banho e me preparar para o meu casamento. Era o que eu queria acreditar. Quando vi o agourento sair, corri atrás dele assim que o vi subir na moto.

— Espera! — gritei.

— Ximena, onde vai? — minha mãe perguntou, mas não tinha tempo, nem vontade de explicar.

Sem pedir permissão, subi na garupa da moto e falei para ele me levar para o local do acidente. Aquilo tinha que ser um engano. Ele arrancou com o veículo e confesso que não senti o caminho até chegarmos ao local do acidente. Eu saltei da motocicleta e saí correndo na direção do cordão de isolamento.

O tempo perdeu o significado. Horas passaram em um piscar de olhos, ou talvez tenha 

sido apenas minutos. Eu não sabia mais. A dor da perda era sufocante, um aperto 

constante no peito que me roubava o ar.

— Espera! — ele gritou, mas não dei ouvidos.

Quando cheguei na fita listrada em preto e amarelo, fui barrada por militares.

— Ele é meu noivo, me deixa passar, por favor! — supliquei.

Os homens fardados me barraram, até o rapaz que me trouxe se aproximar.

— Ela está comigo, sou o dono e o piloto do helicóptero, Alejandro Albeniz.

E assim, eles me deixaram passar. Albeniz? Uma das famílias mais ricas da Espanha, os mais ricos de Granada, donos da empresa onde meu pai trabalhava.

O caminhão do corpo de bombeiros jogava água no que sobrou do helicóptero, mas não tinha mais fogo, eu corri de encontro ao local fatídico, pois ainda estava distante. Era como se eu estivesse me aproximando do abismo. Nada mais importava a partir daquele momento. Correndo ao meu lado, ele tentou me frear.

— Ximena, espera! — ele segurou no meu braço.

— Me solta! — estapeei a mão dele e continuei a correr. Até que parei quando vi o saco preto no chão.

— É melhor você não ver. — ele me alertou.

— Eu preciso. — e sem mais delongas, descobri o plástico preto. — Carlos…?

Seu corpo também estava sob uma fuligem negra, mas era ele, não tinha como negar. Comecei a sufocar e um grito de desespero saiu da minha garganta, me ajoelhei ao lado do corpo.

A ficha caiu com força brutal. A vida, antes tão cheia de propósito, agora era uma 

lembrança. Eu olhava ao redor, via apenas destruição, e me perguntava como 

seguir em frente quando a luz que guiava meus caminhos, havia se apagado.

— É melhor tirar a moça daqui. — um policial falou com o homem que desgraçou minha vida.

— Vem. — ele me estendeu a mão.

— Não vou sair de perto do Carlos. — eu estava ajoelhada ao chão, me curvei para  a frente, encostando a cabeça no asfalto.

Senti seus braços envolverem meu corpo pela cintura, ele me colocar no colo como uma criança, me erguer e me tirar dali. A dor dentro de mim era muito grande, me agarrei ao seu pescoço e chorei em seu ombro.

— A gente ia se casar, isso é uma puta de uma sacanagem! — Minha voz saiu em meio a soluços e choro.

Ele não falou nada, apenas me levou em seus braços até a ambulância e me pôs sentada, em seguida, veio um paramédico aferir a pressão e depois me deram água. Repórteres tentavam furar o isolamento, chamando o nome dele a todo momento. Vi uma doida correndo de salto fino e um vestido de festa, chamando a atenção de todos por ali. Ela se agarrou no pescoço do agourento e o beijou como se o mundo fosse se acabar. Senti muita inveja, ela com certeza pensou que o namoradinho milionário tinha morrido, mas ele estava vivo.

Eu não tive essa sorte.

Desci da ambulância e iria para casa, passei ao lado dele, um tanto distante, mas ainda assim, ele me viu. 

— Espera, Ximena! Eu vou te levar. — ele gritou.

Iria falar que não precisava, até ouvir a namoradinha dele dizer.

— Quem é a doida fantasiada de noiva cadáver? — o sangue me subiu ao limite.

— Catalina, ela iria se casar. O noivo dela morreu salvando a minha vida, droga! — ao menos o agourento falou em tom de repreensão. 

— Nada disso importa agora, meu amor! O importante é que você está vivo. — ela quase pulou nos braços dele novamente, o abraçando.

Ouvi e não acreditei, as palavras daquela perua eram de uma frieza gritante.

— O que você disse? — me aproximei.

— Perdão, Ximena, a Catalina não soube se expressar bem.

— Aos meus ouvidos, ela se expressou muito bem. É só a merda de uma riquinha egoísta, que não tem respeito pela dor alheia.

— Desculpa, fiquei desnorteada. Você sabe o que é pensar que o homem com quem você vai passar a vida inteira com ele, morreu? — ela tentou se desculpar.

— Não piora as coisas, Catalina, o noivo dela morreu.

Apenas balancei a cabeça em negativo e balbuciei as palavras entaladas na minha garganta:

— Vocês dois se merecem, são nojentos! — e me virei, para sair dali o mais depressa possível.

Ele quis vir atrás de mim, mas além da namoradinha o ter segurado, meus pais apareceram e, finalmente, nos braços deles, consegui um pouco de consolo.

 

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