Capítulo 4

Carlos Alcaraz

Era o dia mais importante da minha vida. Iria me casar com a mulher que sempre amei. A mais linda, decidida, cheirosa, gostosa… Ximena e eu seríamos muito felizes. Terminava de me arrumar, quando ouvi batidas na porta. Permiti que minha mãe entrasse, sabia que era ela.

— Nossa, como é lindo meu filho! — ela babou sua cria. — Tem vaga no carro para você.

— Estava pensando em ir de moto, mãe.

— E sujar essa farda branca? Nem pensar! — Ela bradou.

— Está certo. —  assenti.

Vestir a farda de gala do bombeiro para me casar, foi ideia da minha noiva. Eu já usava tanto farda, que confesso que gostaria de colocar algo diferente, mas os desejos de Ximena para mim eram ordens.

Quando saí do quarto, as mulheres da minha vida me abraçaram; minha mãe, avó, irmã e prima.

— Chegou a hora que vamos nos livrar de você — minha irmã disse sorrindo, me fazendo rir.

E todos pareciam muito felizes, menos Betina, minha prima. Ela criou algumas expectativas da épocas em que éramos pré-adolescentes, mas para mim, nossos namoricos não passaram de brincadeira de criança, infelizmente, para ela não.

— Já vou avisando, eu dirijo. Não quero chegar atrasado no meu casamento. — falei, não dando a ninguém chance de retrucar.

Passei o quepe e o celular para a mão da minha irmã e entramos todos dentro do carro, rumo à minha felicidade.

No caminho, lembrei de algo importante e de como minha ansiedade me fez esquecer as alianças. Todas queriam voltar comigo, mas preferi passar a direção para minha irmã, assim, elas já iriam para a basílica e voltei para casa no primeiro táxi que apareceu na pista. Mas antes de regressar, minha mãe me fez prometer que voltaria no mesmo táxi. Eu até tentei, mas o motorista tinha outro compromisso. Não iria ficar esperando carros de aplicativo, por isso, peguei as alianças e a chave da moto, subi no veículo de duas rodas, coloquei no GPS da 1200 a rota até a Basílica de San Juan de Dios, onde a felicidade eterna me esperava, e parti.

(...)

Já estava muito perto do meu destino, era só cruzar o viaduto central e, em mais três minutos, estaria na igreja. Subi o viaduto e o trânsito começou a engarrafar, fui cortando os carros com a moto, até que os veículos nem andavam mais. Quando cortei o penúltimo veículo parado, pude ver o motivo pelo qual todos estavam estacionados e saindo dos seus carros, fazendo ligações. 

Um helicóptero fez um pouso forçado, quebrando a ponte e ficando em risco com metade do corpo da aeronave flutuando para fora do concreto.

— Puta que pariu! — falei, em um misto de surpresa e medo pelas pessoas que estivessem naquela aeronave, se tivesse.

Estacionei a moto a uma certa distância e vi o piloto saindo de dentro da aeronave, correndo em nossa direção, deveria estar somente ele, um comandante jamais abandonaria a tripulação. Com medo da morte, o homem saiu de forma imprudente, piorando a situação do acidente. Estava com medo que o helicóptero caísse lá embaixo, vitimando pessoas. Meti a mão no bolso da farda, ligaria direto para o comandante, pedido urgência. Foi quando lembrei que havia esquecido meu celular com minha irmã. O pior foi escutar que havia uma pessoa dentro do veículo, o que fez meu coração acelerar em pânico.

Sem pensar duas vezes, subi na moto novamente, me aproximando mais do helicóptero. Tirei a caixinha de veludo do bolso, pus em cima do assento da moto e corri sentido à aeronave. Se tivesse alguém ali dentro, eu ajudaria.

E tinha. 

Iria cair naquele instante, o único jeito ali era reequilibrar o peso, se mais bombeiros tivessem, era só sentar atrás e aguardar ajuda, como era apenas eu, tudo seria feito em fração de segundos. Eu entrei, fui para trás e saímos quase ao mesmo tempo.

— Eu sou bombeiro. — entrei, avisando e indo para a parte de trás, mesmo assim, senti o veículo perpendicular para a frente.

— É melhor o senhor sair, eu já aceitei o meu destino, isso vai cair, não quero que ninguém mais se machuque! — ele estava nitidamente assustado.

— Escuta, apenas saia do banco abaixado e se arraste até a direção da porta. Ande, não temos tempo. — O rapaz, trajado como um executivo, fez o que pedi.

— Agora é sua vez, por favor, sairemos os dois juntos. — meneei a cabeça em positivo.

Já eram audíveis os sons das sirenes, mas, infelizmente, não daria para aguardar. Ao me arrastar para a frente, senti o veículo cedendo e voltei.

— Vai, amigo, sai você, que eu irei sair daqui de uma só vez! — falei.

— Não, nós dois saímos. — ele estava irredutível.

— Amigo, eu sou um bombeiro, sei o que estou fazendo. Por favor, sai logo e nós dois sairemos dessa. Ou morreremos os dois. Não tem outra saída. — e de fato, não tinha.

O rapaz fez o que pedi e, assim que ele saiu, o helicóptero começou a ir para a frente. Eu fui o mais rápido que pude, mas a porta já estava fora do viaduto, quando saltei, consegui me segurar na beirada do concreto com meu corpo flutuando a 50 metros de altura. Por sorte, não me espatifando na pista.

— Peguei você! — o rapaz disse sorridente, segurando no meu braço e, com toda força, me impulsionando para cima do viaduto. 

Ele conseguiria, mas antes de conseguir me reerguer, a aeronave cedeu de vez, caindo no viaduto, explodindo e subindo a pressão, dando que ele me solte, empurrando o rapaz para longe, fazendo subir fogo e fumaça preta. Tudo foi muito rápido, mas, para mim, aqueles segundos foram eternos, pensei na dor que causaria às mulheres da minha vida e, principalmente, a Ximena. Não tinha nada que pudesse fazer, ali eu sumcubi.

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