Amor acidental: Minha vida com o Don
Amor acidental: Minha vida com o Don
Por: Kathia Mist
Um Encontro Fatal

Se você me perguntasse como eu imaginava que minha vida mudaria, eu diria algo clichê, como ganhar na loteria ou talvez encontrar o amor da minha vida em um café charmant enquanto eu derrubo café na camisa dele. Nunca, nem nos meus sonhos mais loucos, eu pensei que tudo mudaria porque eu fui burra o suficiente para cortar caminho por um beco escuro no fim do meu expediente.

Meu nome é Beatriz. Tenho 25 anos e, para ser honesta, até hoje minha maior conquista foi não queimar meu apartamento fazendo macarrão instantâneo. Eu sou o que minha mãe chama de "um espírito livre" – o que, traduzindo, significa que eu sou uma desastrada que ainda não encontrou um rumo na vida. Trabalho em um café pequeno, o tipo de lugar onde as pessoas vão para reclamar do mundo enquanto bebem um café aguado. Não é glamour, mas paga as contas – ou quase.

Naquela noite, tudo parecia normal. O expediente tinha sido cheio de clientes irritantes que insistem em pedir capuccino sem espuma ou reclamar da temperatura do café. Estava cansada, meus pés doíam, e tudo que eu queria era chegar em casa, colocar meu pijama de unicórnios e esquecer o mundo por algumas horas. Mas a vida tem um senso de humor cruel.

Decidi cortar caminho por um beco para economizar tempo. Eu sabia que não era a melhor ideia, mas estava cansada demais para me importar. O beco era estreito, iluminado apenas por um poste piscante, e o som dos meus passos ecoava nas paredes de tijolos. Eu me arrependi assim que entrei, mas já era tarde demais. No meio do caminho, vi algo que me fez congelar.

Três homens estavam no centro do beco. Dois deles seguravam outro homem, que parecia apavorado, enquanto o terceiro, um homem alto de terno impecável, falava com calma assustadora. Eu não conseguia ouvir o que ele dizia, mas o tom era cortante. A luz fraca iluminava apenas parte de seu rosto, mas dava para ver o olhar frio e determinado. Esse não era o tipo de pessoa com quem você quer cruzar.

Eu sabia que deveria ter virado e corrido na mesma hora, mas minhas pernas não me obedeciam. Meu corpo inteiro parecia paralisado pelo medo. Foi então que aconteceu: minha bolsa, é claro, decidiu trair minha tentativa de ser invisível. Um pacote de chicletes caiu no chão, fazendo um som alto o suficiente para atrair a atenção de todos.

Três pares de olhos se voltaram para mim ao mesmo tempo. Meus pulmões se esqueceram de funcionar. O homem de terno fez um sinal com a cabeça, e os outros dois me soltaram para se aproximarem. Então, algo surpreendente aconteceu: ele ergueu a mão, fazendo os dois pararem.

— Tragam ela para cá. Quero ouvir o que tem a dizer.

A voz dele era baixa, controlada, mas carregava uma autoridade inquestionável. Fui arrastada até o centro do beco antes que pudesse sequer pensar em resistir. Quando finalmente fiquei cara a cara com ele, senti um calafrio correr pela espinha. Ele era jovem – talvez no fim dos trinta anos –, mas carregava uma aura de poder que parecia pesar toneladas.

— Quem é você? — ele perguntou, inclinando a cabeça como se eu fosse um quebra-cabeça intrigante.

— E-eu… ninguém. Juro, eu não vi nada. Eu só estava passando. É um caminho mais rápido para minha casa. Eu… eu nem sei o que está acontecendo aqui.

As palavras saíam atropeladas, minha voz tremia, e eu tinha certeza de que ia desmaiar a qualquer segundo. Ele riu – não uma risada divertida, mas algo frio, como se estivesse zombando do meu desespero.

— Todo mundo diz isso. Mas você não parece estar mentindo. Isso é… interessante.

Os outros homens olhavam para ele, esperando ordens. Eu sabia que eles estavam prontos para se livrar de mim ali mesmo, mas algo na expressão dele mudou. Ele me observou por mais alguns segundos, como se estivesse tentando me ler.

— Qual é o seu nome?

— Beatriz.

— Beatriz. É um nome bonito.

Por um momento, pensei que ele estava tentando me acalmar, mas logo percebi que estava enganada. Ele não tinha interesse em me tranquilizar – ele estava se divertindo com o meu medo. Ele fez um gesto para os homens.

— Levem-na. Ela vem comigo.

Eu entrei em pânico.

— O quê? Espere, por favor! Eu… não sou uma testemunha! Não direi nada a ninguém, eu prometo!

Ele não respondeu. Em vez disso, virou as costas e começou a caminhar pelo beco, enquanto os outros dois me puxavam para segui-lo. Meu coração batia tão rápido que eu mal conseguia pensar. Eles me colocaram em um carro preto que estava estacionado na esquina.

No silêncio sufocante do carro, a presença dele era quase palpável. Eu olhava para ele de rabo de olho, tentando entender o que estava acontecendo. Afinal, por que ele não tinha me matado? Se o que eu tinha visto era tão perigoso assim, por que me manter viva?

Depois de alguns minutos, ele finalmente quebrou o silêncio.

— Você deve estar se perguntando por que ainda está viva, não é?

Assenti, incapaz de falar.

— A verdade é que você me intriga, Beatriz. É raro encontrar alguém tão… transparente.

Ele sorriu, mas era um sorriso que não alcançava os olhos.

— Por enquanto, você vai ficar comigo. Para sua própria segurança, é claro.

— Para minha segurança? — perguntei, minha voz finalmente voltando. — Você está me sequestrando!

— Sequestrando é uma palavra forte. Eu diria que estou protegendo você de fazer algo idiota, como ir até a polícia.

Minha boca abriu, mas nenhuma palavra saiu. O que eu poderia dizer? Eu tinha entrado em um mundo que não entendia, e agora estava presa. Uma coisa era certa: minha vida nunca mais seria a mesma.

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