AMOR DE REDENÇÃO: O XERIFE E A FLOR INDOMÁVEL
AMOR DE REDENÇÃO: O XERIFE E A FLOR INDOMÁVEL
Por: Tabatha Valentin
Melody

O balde de água suja derramou mais uma vez sobre o piso que ela havia acabado de limpar. O líquido imundo escorreu pelas ranhuras das tábuas de madeira, formando pequenas poças que refletiam a pouca luz do fim de tarde. Melody apertou os olhos, cerrando os dentes com força para não praguejar. Não adiantava. Não importava quantas vezes ela esfregasse aquele chão, ele sempre pareceria sujo. Como tudo ali. Como ela mesma.

Num suspiro profundo, ela ergueu o balde mais uma vez. O vestido molhado na barra estava pesado, grudento. Seus cabelos platinados, presos em um coque apertado, grudavam na nuca suada. A faixa enrolada ao redor do peito lhe estrangulava a respiração, castigando os seios em um aperto torturante. Mas era necessário. Tudo isso era necessário.

A dor nos rins pulsava, irradiando pela coluna, e Melody soube que suas regras estavam para chegar. Talvez fosse melhor assim. Qualquer coisa era melhor do que ter que encarar o que poderia acontecer se deixasse de ser invisível. Melhor carregar baldes pesados, esfregar aquele chão maldito e se enfiar na cozinha fumegante. Melhor isso do que o outro tipo de trabalho que as mulheres da Casa do Sol Nascente exerciam noite após noite.

Quando se abaixou novamente para enxugar as velhas tábuas de madeira, um gosto ácido subiu por sua garganta. Clide. A lembrança dele era amarga como fel. Melody sentiu a boca se encher de saliva, um reflexo instintivo de repulsa.

Desgosto.

Desgosto por lembrar da conversa mole de um apostador, de sua voz baixa e sorridente, prometendo coisas que ela queria acreditar, desgosto pelo homem que a vendeu ao bordel de beira de estrada para pagar uma apsota perdida.

Desgosto por ter acreditado no desgraçado.

E agora ali estava ela, adulta, marcada, trabalhando como uma mula num bordel. Limpando, passando, lavando e cozinhando.

Ela torceu o pano com força, espremeu a água suja sobre o balde e soltou um suspiro longo. Quando finalmente terminou de secar o chão, arrastou-se até o espelho do corredor. Precisava verificar se a maquiagem ainda estava no lugar. As mulheres se maquiavam para parecerem belas, mas Melody fazia o oposto. Aplicava lama no rosto para fingir sardas, franzia os olhos para se fingir vesga. Os cabelos? Lavados apenas uma vez por mês. A cada dia que passava, mais se misturava à paisagem.

Ninguém olhava duas vezes para uma garota comum. Uma garota sem atributos.

Quando Clide a abandonou, ela não passava de uma adolescente magrela. E sabia que, para continuar segura, precisava continuar assim. Precisava evitar os olhos de Madame. Se houvesse qualquer beleza nela que pudesse ser explorada, Melody jamais conseguiria fugir.

Mas agora... agora, faltava pouco.

O coração acelerou com a esperança. Anos de trabalho duro, de misérias engolidas em silêncio. E, finalmente, ela tinha quase o suficiente. Logo poderia pegar uma diligência e partir... quse tinha todo dinheiro que precisava para ir pra casa, sentia falta de sua mãe, sentia falta de sua irma menor... e sentia falta de si mesma.

Com essa ideia em mente, ergueu-se com nova determinação. Pegou o balde cheio de água suja e foi até os fundos do bordel para despejá-lo. O cheiro da manhã começava a mudar, o céu se tingia de um alaranjado profundo. Mas algo no ar a fez parar por um segundo.

Um arrepio desceu por sua espinha.

Os olhos sobre ela estavam mais insistentes ultimamente, algo em seu disfarce parecia não fazer mais efeito, talvez fossem as pernas longas e a cintura fina que tentava disfarçar usando vestidos folgados, os homens começavam a olhar para a pequena Melody como se ela fosse algo merecedor de ser visto.

E isso era um problema.

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