Treze anos haviam se passado desde que Viviane fez aliança com um homem vingativo que acabou se apaixonando por ela, e no fim das contas, revelou que sua filha perdida sempre esteve ao lado dela. Ela deixou de ser a babá do CEO e se tornou esposa do poderoso CEO de redes hoteleiras Gabriel Welch.
Viviane Bernardi Welsch tinha quarenta anos, e com o próprio esforço e o apoio do atual marido, ela se tornou dona de uma rede de escolas situadas na Zona Sul do Rio de Janeiro e nos bairros de classe média de São Paulo.
Os trigêmeos haviam acabado de completar treze anos de vida. Como uma mãe dedicada, ela conciliava o trabalho com o cuidado dos filhos. Enquanto Michael, Nicholas e Sofia acabavam de chegar a adolescência, Liz e Mellanie alcançaram a idade adulta. Aos 18 anos, Liz já sabia que Gabriel era o seu pai adotivo, mas sempre o viu como o seu único pai, já Mellanie, decidiu voltar para Beverly Hills aos quinze anos para morar com a avó na intenção de saber mais sobre sua falecida mãe, Andreia.
Em uma tarde quente de verão, Viviane retornou a casa depois de um dia cansativo. Durante o jantar, ela olhou para o relógio mais uma vez, estava a ponto de ligar para Gabriel quando o grandalhão apareceu na sala de refeições pouco antes de servirem a sobremesa.
— Muito trabalho? — Viviane perguntou.
— A reunião se estendeu demais, — beijou-lhe a testa antes de sentar ao lado da esposa.
— Pai, eu quero um carro, — Elizabeth pediu.
Gabe trocou olhares com Viviane.
— Ela já tem a habilitação e dirige bem. Ela é responsável, você precisa confiar nela.
Não era isso que o preocupava, Gabriel sabia que o monstro estava escondido em algum lugar. Tinha medo que Pietro atentasse contra a vida de Liz e de Viviane novamente. Mesmo após treze anos, ele ainda tinha pesadelos com o dia em que a sua amada levou um tiro.
— Por favor, pai! — Liz insistiu.
Liz estava cursando a faculdade de Técnica de Enfermagem. Embora fosse um tanto tímida, a jovem tinha os traços marcantes de Viviane.
— Vou conversar com a sua mãe.
— Sou adulta, pai — A garota replicou.
— Eu ainda mando na porra dessa casa, — o punho cerrado de Gabriel se chocou contra a mesa.
Os trigêmeos sentados à mesa não se abalaram tanto, pois já estavam habituados ao jeito turrão do pai.
— Hei, mantenham a calma! — Viviane se intrometeu ao alisar os ombros largos do marido. — Eu não quero brigas durante as refeições.
— A Mellanie já tem um carro, — Liz rebateu.
— Não sei como aquela garota conseguiu, — Gabe fitou a esposa.
— Tenho certeza que sua mãe tem algo a ver com isso, — tocou as costas do marido.
— A vovó nunca gostou de mim, por isso ela não me deu o carro — Liz se lamentou.
Olhando para a sobrancelha franzida da filha, Viviane suspirou antes de dizer:
— Vou conversar com o seu pai…
— Não quero mais tocar neste assunto, — Gabriel empurrou a cadeira para trás com o corpo e, ao ficar em pé, saiu da mesa.
Os trigêmeos estavam entretidos. Os dois meninos estavam atentos aos jogos nos celulares enquanto a menina lia o livro, escutava música em seu fone de ouvido. Nenhum deles tinha se dado conta do que aconteceu à mesa.
— Guardem isso e vão terminar o dever de casa!
— Ainda não comemos a sobremesa! — A menina de cabelos castanhos falou calmamente e em seguida, fechou o livro e alisou a capa dura.
Sofia estava sentada ao lado dos irmãos trigêmeos Michael e Nicholas. A garota de treze anos tinha traços semelhantes aos de Gabriel, mas era tão tranquila quanto a mãe.
— Considerem isso como um castigo!
Nicholas fez um muxoxo enquanto Michael continuou ouvindo música, atento à tela do celular. Os três deixaram a mesa.
— Vou tomar o celular de vocês, hein!
— E quanto ao livro da Sofia? — Nicholas reclamou.
— Façam o que mandei, — Viviane apontou para a saída.
Vendo que Liz estava quieta e cabisbaixa, ela caminhou sorrateiramente ao ver que a filha estava distraída. Ao chegar mais perto, Vivian se deu conta de que a filha suspirava e alisava a fotografia de um rapaz atraente no celular.
— Você gosta do Alex Bittencourt?
— Mamãe, — sacudiu o aparelho para desligar a tela. — Devia respeitar a minha privacidade.
— Não estou te julgando, só quero saber o que sente.
— Acho ele bonito, — Liz sorriu instintivamente.
— Ele já tem trinta anos e está noivo, filha! — sentou-se ao lado de Elizabeth.
— Não, ele não está! Eu soube que ele rompeu o noivado quando a pegou transando com o irmão dele.
— Onde você aprendeu essa palavra? — Vivian arqueou as sobrancelhas claras.
— Não sou mais criança, mamãe. Já tenho 18 anos e sei o que é sexo.
— Você já fez aquilo? — A dúvida tomou conta dos pensamentos da mãe desesperada.
— Não, mãe! Eu ainda não transei, mas adoraria fazer amor com o Alex.
— Acho melhor não tocar neste assunto na frente do seu pai — Viviane pegou a taça e tomou um gole de água antes de prosseguir: — Ele vai surtar.
— Todos escutam quando você e o pai gemem no quarto durante a madrugada.
— Ah, não! — As maçãs do rosto ficaram vermelhas.
Liz arrastou a cadeira para trás, ajeitou a camiseta sobre a bermuda jeans quando ficou em pé.
— Espera, filha! — Vivian se levantou. — Quando estiver pronta, converse comigo. Exigem métodos que…
— Ih, mãe! Não sou tão boba. Sei como usar camisinha e outros métodos contraceptivos, aliás, é a senhora que precisa tomar cuidado para não encher essa casa de criança.
— Veja como fala, Liz!
— Estou te zoando, — Abraçou a mãe com força. — Boa noite, te amo!
— Amo mais!
Vivian coçou o alto da cabeça enquanto a secretária do lar tirava as louças da mesa. Ela começou a retirar os pratos para ajudar a funcionária. Ainda estava preocupada com Mellanie.
Era difícil segurar Mellanie em casa. Desde que voltou, ela estava diferente. No tempo em que morou com a avó em Beverly Hills, Mellanie foi presa duas vezes, uma por dirigir embriagada e outra por roubar duas sandálias em uma loja de grife na Rodeo Drive. Na última vez em que Mellanie foi solta sob fiança, a mãe de Gabriel avisou que não aceitaria aquela situação e acabou mandando a neta de volta para o Brasil.
Embora a filha adotiva fosse rebelde, Viviane não queria comentar sobre as noites que passava acordada pensando em como Mellanie estaria. Gabriel estava sem falar com a jovem desde que a pegou em atos libidinosos com Giovanni na sala de estar.
Na ocasião, Gabriel disse aos berros que aquilo era indecente e errado, mas Giovanni o contestou dizendo que Mellanie não era a sua irmã de sangue e que estava apaixonado por ela.
— Mesmo assim, vocês são primos de segundo grau, — a voz mansa de Viviane tentou explicar.
— O Gabriel também era primo da minha falecida mãe Andréia, — A jovem de cabelos negros e escorridos replicou.
Mellanie sabia muito mais do que eles pensavam e isso estava causando um grande atrito na família.
— Repete! — Gabe ergueu a mão.
O senhor Welsch estava a ponto de esbofeteá-la quando Giovanni se meteu entre os dois enquanto Viviane tentava acalmar o marido.
— Te odeio, — Mellanie gritou enquanto ajeitava o vestido.
— Filha, por favor, não diz isso — a voz serena de Viviane suplicou.
Por anos, Viviane cuidou de Mellanie com o mesmo carinho e amor que ofertou aos outros filhos, mas em algum momento, a garota tomou conhecimento de fatos distorcidos e passou a culpar os pais adotivos pela morte de sua mãe biológica.
— Pare de me chamar assim, você não é a minha mãe, — gritou a todo pulmão.
Slapt! Mellanie desferiu um tapa no rosto de sua mãe adotiva e a agarrou pelos cabelos.
— Você foi apenas uma babá aproveitadora que trepava com o meu tio.
O senhor Welsch se meteu para apartar a garota de cima da mãe. No intuito de ajudar, Giovanni segurou as mãos da jovem furiosa. Ao afastá-la de Viviane, Gabriel usou o braço para empurrar Mellanie para longe. Colocou-se na frente da esposa como um anjo protetor.
— Some da minha frente! — A voz rouca ordenou. — Saíam da minha casa.
— Não, Gabe! — Viviane ainda estava com rosto vermelho quando intercedeu.
— Já basta! — O homem comprido agarrou o abajur e tacou na parede. — Leve a Mellanie para um dos meus hotéis na cidade ou para qualquer lugar, mas sumam da minha frente.
Com os olhos vermelhos e o sangue fervendo, Mellanie encarou os pais. Cada dia odiava mais Vivian, só queria saciar a sua sede de vingança como prometeu a Andréia no dia em que visitou o túmulo da mãe.
Envolvendo Viviane em seus braços, Gabriel conteve a esposa que chorava por perder o amor e o respeito da filha. No fundo, ele sabia o quanto Vivian a amava, mas manter Mellanie naquela casa seria o fim de seu casamento. A jovem estava presa aos laços de sangue do passado.
Mellanie estava em frente aos enormes muros da penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, mais conhecida como Bangu 1. Segundo as informações repassadas pelo detetive que ela contratou, era ali que o seu pai biológico estava preso há mais de treze anos. Em uma das viagens aos Beverly Hills, ela encontrou Mark, o primeiro marido de Andréia. O homem não lhe disse muita coisa, apenas informou que a criou até os cinco anos e se afastou ao descobrir que a ex-esposa o traiu. Foi através dele que Mellanie descobriu que Gabriel e Vivian a adotaram após a morte da de Andréia e a prisão de Pietro. Ainda parada no carro, a garota estava absorta. Mellanie pegou o cigarro e pôs entre os lábios. Após acender com o isqueiro dourado, tragou a fumaça e soprou. Dava t***s leves no volante enquanto as revelações realizadas pelos pais adotivos ainda reverberavam em sua mente. Tinha quinze anos quando retornou ao Brasil e confrontou Gabriel e Viviane para que eles contassem a verdade. Na ocasião, o cas
Após se certificar que os trigêmeos haviam feito os deveres de casa, Vivian ordenou que descansasse já que eles acordariam às cinco da manhã, pois no outro dia teriam aula. Ao contrário dos irmãos, Sofia adormeceu enrolada em seu cobertor. Em outro quarto, Liz também dormia placidamente. Seu coração estava feliz por ver Elizabeth chegar à idade adulta, mas ainda estava preocupada. A garota estava apaixonada e sonhando com um homem doze anos mais velho do que ela. Não quis nem pensar em como Gabriel surtaria ao descobrir que Liz estava caindo de amores pelo filho mais velho do Doutor Bittencourt. Em passos cautelosos, Viviane entrou no quarto para não despertar o homem abraçado ao travesseiro. Deu uma olhada nas costas amplas e nos músculos rijos do corpo de seu marido. Apesar dos cabelos que assumiam um tom cinza grisalho, Gabriel exibia uma excelente constituição física aos quarenta e quatro anos e ainda era um amante vigoroso. Se não fosse pelos anticoncepcionais que tomou após o
Elizabeth não sabia o que vestir naquela manhã, mas não importava. Assim que chegasse ao hospital, teria de tirar o lindo vestido. Ela suspirou vagando os olhos sobre os vestidos da Gucci jogados sobre a cama e passou a mão no tecido azul-celeste que marcava a cintura esguia. O vestido evasê sem decote tinha um cinto da mesma cor que acentuou a forma de triângulo invertido de seu corpo. Ao descer para o café da manhã, beijou o rosto da mãe e passou direto pelo pai. Ainda estava aborrecida com Gabriel. — Onde está a sua educação? — A voz firme e profunda replicou. — Bom dia, pai! — Cumprimentou num murmúrio. Gabriel não sabia que o tempo passaria tão rápido. A filha tinha crescido e se parecia cada dia mais com a mãe. A única diferença era que Liz ainda tinha o gênio do pai biológico. — Quer uma carona? — Ele perguntou. — Não! — Liz respondeu com veemência. — Eu preferia ir no meu próprio carro, mas não tenho. Emitindo o rosnado, Gabriel trincou a mandíbula, mas se controlou pa
— Ele não é tão ruim quanto Gabriel e Vivian falam. — Gabriel e Vivian são nossos pais! — Liz enfatizou. — Você sabe que eles me adotaram por pena depois que a minha mãe morreu, — fez uma careta e voltou a prestar atenção na rua enquanto conduzia o automóvel. Liz desistiu de discutir sobre esse assunto, não queria brigar com a irmã que não via há dias. Pretendia aproveitar a carona e a liberdade de poder ir a algum lugar sem a companhia dos guarda-costas. — Por que foi ver aquele homem? — Queria saber porque ele matou a minha mãe. — A mamãe está viva! — Que merda, Liz! — Deu um soco na buzina para apressar o automóvel na frente. Mellanie tragou o cigarro e expeliu a fumaça antes de dizer: — A minha mãe se chama Andréia e ela está morta. — Pensei que já tinha resolvido isso na terapia. — Nenhum terapeuta conseguirá eliminar a dor que eu sinto… O silêncio imperou entre elas. Apesar de Liz ter feito terapia para se libertar do trauma que vivenciou no shopping treze anos atrás, a
Em sua elegante sala, Gabriel pegou o copo e tomou um gole do uísque. A bebida com aroma marcante desceu aquecendo a sua garganta. O sabor intenso não era nada comparado a manhã exaustiva da reunião com o conselho. Além das preocupações com alguns investimentos sem retorno, ele ainda tinha que lidar com os problemas da família. O ringtone da mensagem chamou a atenção do CEO para a tela brilhante do iPhone. — O que foi? — Atendeu bruscamente. — Como isso aconteceu? — Largou o copo na mesa. Fechou a pasta com alguns documentos que acabara de assinar e começou a andar de um lado ao outro, com intuito de aliviar a tensão crescente. Exasperado, ele consultou o relógio no pulso direito, faltavam cinco minutos para encontrar a esposa num restaurante. Pela primeira vez em uma década, a paz e a harmonia de sua família estava ameaçada. — Ele não pode sair da cadeia! — rebateu, andando de um lado para o outro da elegante sala com móveis clássicos de pés curvos. Gabriel sabia que esse dia
Os lábios carnudos ainda estavam sobre os seus, invadindo a sua boca com uma voracidade esplendorosa enquanto as mãos compridas tentavam arrancar a roupa íntima. Viviane estava enlouquecida, encharcada pelo desejo inebriante de senti-lo se movendo dentro de seu corpo. Ela se abriu ainda mais, estava pronta para recebê-lo quando o som da campainha a despertou. De repente, as enormes portas se abriram. — Oh, meu Deus! — A secretária estava boquiaberta com a cena exibida diante de seus olhos. — Porra! — Gabriel vociferou. Pegando o blazer preto, ele jogou sobre os ombros da esposa e se escondeu atrás de Vivian. Imediatamente, ele fechou o zíper da calça. — O que veio fazer aqui? — Gabriel esbravejou grosseiramente. — Saia daqui! — Perdoe, senhor Welsch! — A secretária já estava de costas para o casal. — É urgente! O rosto de Viviane queimou diante do constrangimento. Escondida atrás do homem comprido, ela encolheu os ombros. — Já mandei sair da minha sala. — É sobre as suas filha
Sentada em outra sala bem arejada, Liz aguardava o médico que iria atendê-la, pois o doutor Alex havia acompanhado Mellanie até a sala de fisioterapia. O celular tremeu várias vezes dentro da bolsa, mas ela não quis saber. Naquela altura, o pai super protetor já devia estar sabendo. Em seus pensamentos, já se preparava para ouvir um longo sermão de Gabriel. Apertando a alça da bolsa, olhou para o lado oposto, esperando que a moça com traços orientais não a visse ali. A Doutora Jenny era gerente administrativa do hospital com quem conversou durante o processo seletivo para o estágio. — Elizabeth! O esforço foi em vão, Jenny tinha olhos de lince, podia enxergar uma pessoa ou um objeto mesmo que estivesse no fim do amplo corredor. — Por que não está trabalhando? — A doutora Kim chegou mais perto da garota cabisbaixa que cobria a testa com a mão direita. — Devia encontrar o médico responsável por sua equipe há uma hora. — A Liz sofreu um acidente e está esperando para realizar a tomog
Uma das enfermeiras solicitou que dois homens de trajes negros entrassem depois de Viviane. Eles seguraram o homem que invadiu a sala de tomografia sem autorização. No momento em que viu um dos seguranças pegando a esposa pelo braço, o senhor Welsch cerrou o punho e desferiu um golpe no rosto do segurança. O outro homem de pele bronzeada partiu para cima e dominou o grandalhão com uma chave de braço. — Solte ele! — O médico ordenou — O senhor Welsch é o pai da minha paciente. Logo que o soltaram, Gabriel empurrou o homem para longe. Pondo a mão no antebraço do marido, Vivian tentou tranquilizá-lo. — Pare com isso, pai ! — Reclamou. Ela abaixou a cabeça e colocou o óculos para esconder o rosto tão vermelho quanto um tomate. Se fosse possível, Liz cavaria o chão e enfiaria a cabeça no buraco igual a um avestruz. — Onde está o seu pai? — Gabriel se agigantou diante do Dr. Alex. — O meu pai está em uma reunião do conselho. — Ele deveria observar os tipos de funcionários que o depar