5- Camila

Capítulo 5

Camila narrando :

A escola nunca pareceu tão pequena quanto naquele dia. Cada corredor, cada sala, cada canto parecia pulsar com a tensão que existia entre mim e Guilherme. Eu sabia que estava me metendo em algo complicado, mas, ao mesmo tempo, não conseguia evitar. Era como se ele tivesse se tornado um imã e, por mais que eu tentasse, não conseguia ficar longe.

Naquele dia, o intervalo parecia arrastado. Eu sentia o olhar dele me procurando no meio dos alunos, e, no fundo, eu sabia que estava esperando por isso. Quando finalmente nos encontramos, foi diferente. Tinha algo nos olhos dele que me fez tremer. Expectativa, talvez. Ou só aquela certeza de que algo estava prestes a acontecer.

Ele se aproximou devagar, como sempre fazia, sem pressa, sem medo.

— Camila — ele disse, e o jeito como meu nome saiu da boca dele fez meu coração acelerar. — Acho que a gente precisa conversar.

Eu respirei fundo.

— Sobre o quê?

Ele deu um meio sorriso.

— Você sabe sobre o quê.

E eu sabia.

O que estava acontecendo entre a gente não era mais só um jogo de olhares ou conversas rápidas no corredor. Era algo maior, algo que eu não sabia nomear, mas que estava ali, crescendo.

— Vem comigo — ele disse.

Eu hesitei por um segundo, mas acabei seguindo. Saímos do pátio, indo para um dos corredores mais afastados da escola, onde ninguém passava com frequência. Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvir o som nos meus ouvidos.

Quando paramos, ele ficou me olhando, como se estivesse tentando ler meus pensamentos.

— Você tem medo, né? — ele perguntou, baixinho.

Eu engoli em seco.

— Tenho.

Ele assentiu, como se já esperasse essa resposta.

— Eu também.

Meu olhar encontrou o dele, e naquele momento eu soube. Não importava a diferença entre nossos mundos, não importava o que os outros iam pensar. O que importava era o que eu sentia.

Ele chegou mais perto, devagar, me dando tempo pra recuar, mas eu não recuei. Quando nossos lábios finalmente se tocaram, foi como se o tempo parasse.

O beijo foi calmo, mas cheio de uma intensidade que me fez perder o fôlego. As mãos dele tocaram de leve minha cintura, e eu senti um arrepio subir pela minha pele. Era diferente de tudo que eu já tinha vivido antes.

Quando nos afastamos, ainda estávamos perto o suficiente pra sentir a respiração um do outro. Eu vi um sorriso surgir no canto dos lábios dele, e aquilo fez meu coração derreter.

— Isso... complica tudo, né? — eu sussurrei.

Ele riu baixo.

— E desde quando alguma coisa entre a gente foi simples?

Eu sorri também, porque ele estava certo. Nada ali era fácil. Mas, naquele momento, pela primeira vez, eu não me importei.

Guilherme me olhava com um brilho diferente nos olhos, como se tentasse gravar aquele momento na memória. Eu mordi o lábio, nervosa, e soltei, quase sem pensar:

— Eu nunca tinha beijado antes.

Ele piscou, surpreso. Por um segundo, achei que ele fosse rir ou fazer alguma piada, mas ele só sorriu, aquele sorriso sincero que fazia meu estômago revirar.

— Nem eu.

Meu coração deu um salto.

— Sério?

— Sério — ele confirmou, passando a mão na nuca, meio sem jeito. — Você acha que alguém como eu tem muita chance por aí?

Fiquei em silêncio, porque sabia que ele não estava falando só sobre namoro ou beijo. Guilherme tinha passado a vida toda sendo visto como "o diferente" ali dentro, o bolsista, o garoto que não pertencia àquele mundo. Na verdade faziam bullying com ele por causa da sua cor, eu nunca liguei pra isso. Mas sei que meu pai jamais aceitaria eu com ele.

Mas, pra mim, ele sempre pareceu pertencer a qualquer lugar que quisesse.

Antes que eu pudesse responder, ele segurou meu rosto com delicadeza, os dedos quentes contra minha pele.

— Então... — ele murmurou, os lábios quase tocando os meus. — A gente pode aprender junto.

E então, ele me beijou de novo.

Dessa vez, foi diferente. Ainda tinha a timidez do primeiro beijo, mas agora também tinha uma vontade maior, um desejo de fazer aquele momento durar. Eu fechei os olhos e me entreguei à sensação, sentindo o coração dele batendo acelerado contra o meu.

Quando nos afastamos, ficamos apenas nos olhando, como se nenhuma palavra fosse necessária. Mas eu sabia que, depois daquele beijo, nada mais seria como antes.

O silêncio entre nós era intenso, carregado de algo que eu não sabia explicar. Eu sentia o coração martelando no peito, minhas mãos ainda tremiam um pouco, e o calor do toque dele parecia marcado na minha pele.

Guilherme me olhava de um jeito que fazia meu estômago revirar. Tinha algo nos olhos dele... uma mistura de dúvida e certeza, como se ele soubesse que aquilo ia mudar tudo, mas não quisesse parar.

E eu também não queria.

Ele ergueu a mão devagar, roçando os dedos na minha bochecha, descendo até o meu queixo. Meu corpo reagiu antes da minha mente, e quando percebi, já estava fechando os olhos.

Dessa vez, o beijo veio mais intenso, mais urgente. Como se ele quisesse ter certeza de que aquilo era real, de que eu estava ali, de que a gente queria a mesma coisa. As mãos dele deslizaram pela minha cintura, me puxando pra mais perto, e eu me perdi na sensação.

Era um misto de nervosismo e euforia, como se o mundo tivesse parado e só existisse aquele momento. O jeito que nossos lábios se encaixavam, como se já soubessem o caminho. A forma como meu coração disparava cada vez que ele aprofundava o beijo, como se estivesse tentando me dizer algo que palavras não conseguiam.

Quando nos afastamos, eu ainda estava de olhos fechados, tentando recuperar o fôlego. Só quando ouvi o riso baixo dele que abri os olhos e encontrei aquele sorriso bobo no rosto dele.

— Acho que a gente tá pegando o jeito — ele murmurou, a testa encostada na minha.

Eu ri, sentindo minhas bochechas queimarem.

— Acho que sim.

Ficamos ali, ainda perto demais, respirando o mesmo ar, sem pressa de sair daquele instante. Eu sabia que, lá fora, o mundo podia desabar, que aquilo não seria fácil, mas naquele momento, nada mais importava.

Continua .....

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