Traída no Altar: O Magnata Está ao Meu Lado
Traída no Altar: O Magnata Está ao Meu Lado
Por: Aurora do coração
Capítulo 1
Dizia que o casamento era o túmulo do amor, mas ainda era melhor ser enterrado com dignidade do que apodrecer ao relento. Depois de mais de dois meses de trabalho árduo, finalmente terminei de costurar, com minhas próprias mãos, o meu vestido de noiva.

Sob a luz do abajur, ele parecia tão branco e elegante, brilhando com um esplendor indescritível. Uma verdadeira obra-prima.

Eu já podia me imaginar, em poucos dias, caminhando pelo corredor vestida de noiva, em direção ao homem que amava. Só de pensar nisso, eu quase sorria nos meus sonhos. Dos 19 aos 25 anos, foram seis longos anos de amor. Finalmente, meu relacionamento seria "enterrado" no altar.

Mas, ao acordar certa manhã, tudo desmoronou. Todos os meus sonhos se transformaram em pó.

— Kiara, o Sr. Davi veio ao ateliê esta manhã para buscar o vestido. Ele o levou para casa? — Perguntou minha assistente, Tatiana, ao telefone, com a voz cheia de curiosidade.

Eu tinha acabado de acordar e ainda estava meio grogue. Ao ouvir aquilo, franzi a testa e perguntei de volta:

— Davi pegou meu vestido de noiva?

— Sim, você não sabia?

— Não... Vou perguntar a ele.

Desliguei o telefone e, já um pouco mais desperta, comecei a pensar. Por que Davi teria pegado o vestido tão cedo? A casa estava cheia de itens para o casamento, e não havia espaço para guardar mais nada. Minha ideia era buscá-lo apenas na véspera da cerimônia.

Liguei para ele, mas ninguém atendeu. Antes que eu tentasse novamente, Davi retornou a ligação.

— Alô, Davi, você pegou o vestido de noiva? — Perguntei diretamente.

— Peguei. — Ele respondeu, com uma voz rouca e cansada que parecia carregar o peso do mundo.

Minha testa se franziu ainda mais. Preocupada, perguntei:

— Você está bem? Está doente?

Davi fez uma pausa, e sua voz saiu fria e distante:

— Kiara, nosso casamento foi cancelado.

Aquelas palavras me atingiram como um raio. Meu coração disparou, e minha mente ficou um caos:

— O quê? Por quê?

— Clara Mendes foi diagnosticada com câncer em estágio terminal. Os médicos disseram que ela tem, no máximo, três meses de vida.

O choque tomou conta de mim. Por um momento, uma parte sombria do meu coração pensou que, finalmente, Deus estava cobrando a conta. Talvez fosse a hora de levar essa desgraça embora.

— E o que isso tem a ver com o nosso casamento? — Perguntei, tentando manter a calma.

— O último desejo de Clara é se casar comigo. Isso faria com que ela partisse em paz.

Davi disse isso com uma naturalidade assustadora. Antes que eu pudesse reagir, ele continuou:

— Sei que esse pedido é um pouco demais, mas ela está morrendo. Não pode ter um pouco de compaixão por ela?

Fiquei boquiaberta, sentindo como se estivesse ouvindo a piada mais ridícula do mundo. Depois de um momento de silêncio, consegui murmurar, entre a incredulidade e o sarcasmo:

— Davi, você sabe o que está dizendo?

— Estou completamente lúcido, Kiara. Vou me casar com Clara para realizar o último desejo dela. Sei que isso é injusto com você, mas, como compensação, estou disposto a transferir 50% das ações da minha empresa para o seu nome. Pense bem.

Meu corpo inteiro ficou paralisado, como se eu estivesse congelada. Minha voz saiu dura e fria:

— E se eu não aceitar?

Davi, impaciente, quase bufou:

— Kiara, dá para ser um pouco mais humana? Clara é sua irmã! Ela está morrendo, e esse é o único desejo dela. Você não consegue atender a esse pedido tão pequeno?

Que tipo de lógica era essa? Não consegui segurar a ironia:

— Já que você se importa tanto com ela, quando ela morrer, vai se enterrar junto com ela?

— Você... — Davi ficou sem palavras por um momento, mas logo mudou de tom. — Enfim, já levei o vestido para o hospital. Clara tem um corpo parecido com o seu, então o vestido será útil.

Antes que pudesse terminar, ouvi uma voz familiar ao fundo:

— Davi, a Clara acordou!

— Já estou indo. — A voz de Davi imediatamente ficou ansiosa. Ele então se apressou. — Kiara, espero sua resposta o quanto antes.

E Davi desligou, sem me dar tempo de responder.

A voz que chamou por ele era de ninguém menos que Isabela Mendes, a atual esposa do meu pai e minha madrasta. Também era a mãe de Clara.

Desde quando eles se tornaram uma família tão unida? Eu não sabia de nada.

Com o celular ainda na mão, sentei-me na cama, tomada por uma dor amarga e uma indignação sufocante. Que ironia...

Há anos, Isabela roubou o marido da minha mãe. E agora, a filha dela queria roubar o meu noivo. Como dizem, tal mãe, tal filha.

Mais de uma década atrás, meus pais se divorciaram. Em menos de três meses, meu pai já estava casado com Isabela.

Ela chegou trazendo consigo dois filhos, gêmeos, um menino e uma menina, dois anos mais novos que eu. Mais tarde, descobri por acaso que eles eram, na verdade, filhos biológicos do meu pai. Meus meios-irmãos.

Quer dizer que meu pai já traía minha mãe há anos, tinha outra família fora de casa, e ainda tinha filhos ilegítimos que só eram dois anos mais novos do que eu! Quando minha mãe descobriu, ficou furiosa. Decidiu processá-lo novamente e exigir a divisão dos bens.

Minha mãe queria garantir que eu tivesse os meus direitos, para que todo o patrimônio da família não fosse parar nas mãos de Isabela. Mas meu pai era cruel. Não apenas ignorou os pedidos dela, como também tomou posse de grande parte dos negócios que pertenciam aos meus avós maternos.

Meu avô ficou tão abalado que teve um ataque e ficou entre a vida e a morte. Mas a situação financeira da família estava tão ruim que nem tínhamos dinheiro para pagar o tratamento dele. Minha mãe vendeu tudo o que podia, incluindo as joias de família, e ainda teve que juntar migalhas para tentar salvar a vida dele. No fim, nada adiantou, e meu avô faleceu.

O sentimento de culpa e impotência consumiu minha mãe. Ela acreditava que tinha sido a responsável pela morte do meu avô. A depressão tomou conta dela, e, algum tempo depois, foi diagnosticada com câncer de mama. Não demorou muito até que ela também nos deixasse. Minha mãe morreu de tanto desgosto por causa do meu pai.

A perda do meu avô e, em seguida, da minha mãe foi um golpe devastador para mim e para minha avó. Eu era apenas uma criança, mas, naquele momento, prometi a mim mesma:

Eu vou recuperar tudo o que pertence a mim e à minha mãe. E vou fazer isso em dobro!

Os anos passaram, e, com meu próprio esforço, minha carreira deslanchou. Conquistei tudo sozinha e agora estava prestes a me casar com Davi, herdeiro da poderosa família Castro e meu amigo de infância.

Acreditei que, com o apoio do homem que eu amava, formaríamos uma aliança imbatível. Mas, na véspera do casamento, fui traída. Meu noivo foi roubado pela filha da amante do meu pai!

Desde quando Davi e Clara ficaram tão próximos? Foi quando ela arregaçou as mangas pela primeira vez e doou sangue para ele? Ou talvez o momento em que Clara cozinhou para ele pela primeira vez?

Ou seria aquele episódio, anos atrás, quando Clara, com apenas 18 anos, declarou na frente de todos:

— O amor da minha vida é Davi. Se eu não puder me casar com ele, prefiro morrer!

Naquela época, Davi e eu já éramos namorados. Mas, mesmo assim, a declaração dela arrancou gritos e aplausos da plateia, que elogiava sua "coragem".

Agora, olhando para tudo isso, só consegui me perguntar:

“Davi, se é por causa dessas coisas que você decidiu se casar com Clara, o que significa tudo o que fiz por você ao longo desses anos? Você tem um tipo de sangue raro. Eu doei meu sangue para você por cinco anos, até que sua saúde estivesse completamente recuperada. Você era frágil, e eu cozinhava e cuidava de você todos os dias, aperfeiçoando minhas habilidades para garantir que tivesse sempre o melhor. Nos anos em que você esteve internado, quantas noites eu passei ao seu lado, sem dormir, preocupada com você?”

E agora, só porque Clara está com uma doença terminal, você me apunhala pelas costas, cancela nosso casamento e vai correndo para os braços dela?

Senti as lágrimas queimando meus olhos, mas as engoli. Não valia a pena chorar por um homem como ele. Muito menos por mim mesma.

Os anos de humilhação e abuso na família Mendes me ensinaram uma coisa:

Lágrimas não resolvem nada. Só servem para dar aos outros mais motivos para rir de você. A única coisa que importa é lutar.

Peguei o celular e liguei para aquele homem miserável. Quando ele atendeu, fui direta:

— Davi, se você transferir toda a empresa para o meu nome, eu cedo o lugar de noiva para Clara. Se concordar, venha aqui ainda hoje à noite. Vamos assinar o acordo.
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