— Kiara. — Jean me chamou, fazendo-me parar. — Você está brava comigo?Olhei para ele, suspirei levemente e assenti.— Estou, um pouco. Não imaginei que você fosse uma pessoa que tratasse assuntos tão sérios com tanta leviandade.Jean pareceu ferido. Seus olhos me encararam com incredulidade enquanto ele perguntava:— Então… você gosta de mim por causa da minha posição e status?— Não é isso. — Respondi com firmeza. — Mas, quando te conheci, você já ocupava uma posição elevada. Se você desistisse de tudo por mim, eu não conseguiria carregar esse peso.Ele abaixou os olhos, suas longas pestanas lançando uma sombra sutil em seu rosto.— Entendi.Ele disse que entendeu, mas eu sabia que não havia entendido completamente. Jean não era do tipo que mudava de ideia tão facilmente.— Eu tenho coisas para resolver. Vou indo. — Falei, puxando minha mala suavemente.— Eu te levo.— Não precisa. Vá cuidar dos seus compromissos. — Recusei, mas, preocupada que ele interpretasse mal minhas palavras,
— Quer que eu vá até aí? Estou livre agora. — Jean perguntou, sua voz cheia de preocupação.— Não precisa. Se você aparecer, as coisas só vão ficar mais complicadas. — Recusei sem hesitar. Justo nesse momento, o elevador chegou ao andar da minha avó. Acrescentei rapidamente. — Eu resolvo isso e te ligo depois. Não se preocupe, minha tia Julia também está vindo. Não vai acontecer nada.— Certo, mas tenha cuidado.— Sim.Desliguei o telefone e saí do elevador. Nem precisei bater na porta da casa da minha avó. Estava escancarada, e as vozes de uma discussão acalorada vinham lá de dentro.— Kiara cresceu sem mãe, e vocês, como avó e tia, não ensinaram ela a ser uma pessoa decente? — A voz de Eduarda soava estridente.— Como assim a Kiara não sabe ser uma pessoa decente? — Tia Julia retrucou, sem dar espaço. — Qualquer um da nossa família é mais decente que qualquer membro da sua família Castro!— Olha quem está se achando agora! Que tipo de filha manda o próprio pai para a cadeia e destrói
Eu ri de tanta raiva. A cena do Ano Novo, com Jean usando drones para fazer uma declaração que virou o assunto da cidade, passou pela minha cabeça.— Você não acredita? Problema seu. Todo mundo acredita, e minha consciência está limpa.Eduarda parecia pronta para continuar discutindo, mas meu celular tocou no bolso.— Alô… Sim, apartamento 803. Isso, ela ainda está aqui. Certo, obrigada.Desliguei o telefone e notei que Eduarda ficou tensa de repente. Sua expressão mudou drasticamente.— Kiara, o que você fez? Chamou a polícia?— Você invadiu a casa da minha avó. Por que eu não chamaria a polícia?Antes que eu terminasse de falar, alguns policiais chegaram à porta.Dei uma rápida olhada para minha avó, que imediatamente entendeu o recado. Ela colocou a mão no peito e fingiu um ataque de coração, gemendo dramaticamente enquanto fingia desmaiar.— Polícia! — Apontei para Eduarda. — Essa mulher invadiu a casa e deixou minha avó tão nervosa que ela teve um ataque de coração!Eduarda olhou
Olhei para Eduarda, sem saber se ria ou se ficava irritada. Era o típico "choro de crocodilo". Onde estava aquela atitude arrogante e mandona de minutos atrás, enquanto discutia com minha avó? Agora, com medo de ser levada pela polícia, ela tentava se fazer de vítima.Claro, também era possível que ela estivesse chorando de propósito para Jean, já que sabia que ele era o responsável por fazer a família Castro cair. Talvez pensasse que, se conseguisse despertar compaixão nele, poderia amenizar a situação ou até escapar das consequências.Mas Eduarda claramente não conhecia Jean o suficiente. Ele era ainda mais firme em seus princípios do que eu.— Vocês chegaram a esse ponto porque plantaram suas próprias sementes. Fizeram de tudo por interesse, sem se importar nem mesmo com vidas humanas. A queda da família Castro é uma sorte para o mundo. Se vocês continuassem no poder, seria ainda mais absurdo e caótico. — Jean respondeu, inabalável, sua voz firme e cheia de autoridade.Eduarda ficou
Entramos no elevador, e Jean, vendo minha expressão preocupada, sorriu como se quisesse me tranquilizar:— Não se preocupe, eu sei como conquistar a simpatia dos mais velhos. Você não precisa ficar nervosa.— Quem disse que estou nervosa? — Respondi, fingindo indiferença. — Eu até preferia que minha família não gostasse de você.Assim, pensei comigo mesma, seria mais fácil terminar sem me preocupar com o que eles achariam. Esse pensamento era um pouco ingrato, eu admitia, mas as barreiras e conflitos entre nós eram tão grandes que não podia ignorar a possibilidade de um rompimento.Quando o elevador chegou e as portas se abriram, fiz questão de andar devagar, tentando ganhar tempo. Jean, no entanto, parecia determinado e me puxou pela cintura, me conduzindo para fora.Chegamos à porta da casa. Usei meu dedo para destravar a fechadura digital e entramos. Na sala, minha avó e tia Julia estavam sentadas no sofá.Ao ouvir o som da porta se abrindo, tia Julia olhou para a entrada e sorriu:
— Entendi. Agora está claro. — Minha avó assentiu, concordando com o que eu havia dito.Jean, por sua vez, olhou para mim e sugeriu em voz baixa:— É melhor colocar duas pessoas para ficarem de guarda lá embaixo, só por precaução. Pelo menos até o caso da família Castro ser resolvido.— O quê? — Respondi, surpresa. — Não acha isso muito exagerado?— Não é exagero. Eu cuido disso.— Não acho que seja uma boa ideia. Imagina essas pessoas ficando lá embaixo, sem nada para fazer, dia após dia. É chato e desconfortável. — Argumentei.Jean balançou a cabeça, decidido:— É a função deles. Não é problema.Minha avó e tia Julia também tentaram recusar, dizendo que não era necessário e que não queriam incomodar. Mas Jean insistiu:— Se a situação aqui em casa não for segura, Kiara não vai conseguir trabalhar tranquila. Ela tem muitas responsabilidades e não pode estar aqui toda vez que surgir um problema. Colocar alguém de guarda é a melhor solução.Ele olhou para minha avó e tia Julia, sua voz
Levantei os olhos para Jean e esbocei um sorriso meio displicente:— Pois é, todo mundo é muito caloroso com você. Você é o Mestre Jean, quem ousaria te contrariar?— Essa sua fala está cheia de ironia. — Ele comentou, franzindo levemente as sobrancelhas.Suspirei internamente, cansada. O futuro era tão incerto que eu não tinha coragem de fazer qualquer promessa.Acompanhei Jean até o térreo e, quando chegamos ao carro, me peguei agradecendo de novo, mesmo sabendo que ele não gostava disso:— De qualquer forma, obrigada por ter vindo tão rápido e por organizar os seguranças. Isso significa muito para mim.Jean já havia entrado no carro quando ouviu minhas palavras. Ele virou a cabeça e me encarou com uma expressão séria:— Por que você está sendo tão educada comigo? Isso me dá calafrios.Ri levemente, balançando a cabeça:— Não pense demais. É só um agradecimento sincero.— Certo. — Ele respondeu, mas logo me chamou com um gesto de mão.— O que foi? — Perguntei, desconfiada.Em vez de
Caminhei em direção a Jean, franzindo levemente as sobrancelhas:— Não foi você que disse que ia para casa? Por que está aqui de novo?Esse jeito grudado dele realmente não combinava com a posição e o status que ele tinha.Jean riu, deu alguns passos para frente e, com um gesto rápido, apertou minha bochecha de forma carinhosa, imitando meu tom de voz:— Não foi você que disse que ia para a Mansão ao Lago? Por que está aqui de volta?Fiquei sem palavras.— Sua teimosa. Sempre me obriga a vir te buscar. — Ele aumentou a pressão com os dedos, apertando meu rosto mais forte de repente.— Ai, isso dói! — Reclamei, afastando a mão dele com um tapa.Já que eu estava em casa, era óbvio que não iria mais com ele para a mansão. O inverno estava rigoroso, e tudo o que eu queria era tomar um banho quente. Assim, desvencilhei-me dele e subi os degraus em direção à porta do meu apartamento.Jean, por sua vez, virou-se e caminhou até o carro. Olhei para ele por cima do ombro e, por um momento, meu c