Capítulo 8
Clara, com os olhos marejados e a voz embargada, começou a falar:

— Quero agradecer à minha irmã por ter permitido que eu e Davi vivêssemos esse amor. Agradeço por ela ter me deixado partir deste mundo sem arrependimentos. Espero que vocês não julguem minha irmã. Ela é a melhor irmã que alguém poderia ter.

Ela terminou a frase em meio a soluços, e o salão caiu em silêncio. Todos olhavam para o palco com atenção, sem uma única piada ou comentário maldoso. Olhei para a plateia e, por um instante, achei ter visto um rosto marcante. Um homem de traços fortes, olhos frios como estrelas e lábios que se curvavam num sorriso enigmático. Ele parecia completamente imune ao melodrama de Clara.

Clara então se virou para mim, os olhos brilhando de lágrimas e a voz trêmula:

— Mana, obrigada por tudo. Mas me diz... você... você me odeia?

Senti um calafrio percorrer meu corpo. Não podia acreditar no que estava acontecendo. Clara havia amarrado todos os presentes num jogo moral e estava me forçando a participar do espetáculo grotesco de amor fraternal ali, na frente de todos. Era nojento. Eu estava prestes a vomitar.

O apresentador, percebendo meu silêncio, estendeu outro microfone na minha direção. Meu coração batia acelerado, e uma raiva ardente subiu à minha cabeça. Não conseguia mais me conter. Peguei o microfone, esbocei um leve sorriso e, com a voz tranquila, comecei:

— Na verdade, sou eu quem deveria agradecer à minha irmã.

Um "Oh?" de surpresa ecoou pela plateia. Todos estavam curiosos. Como assim? Ser traída pelo noivo e ainda agradecer?

Continuei, sem pressa, com um tom quase irônico:

— Ela não me tirou um homem. Ela me livrou de um problema. Porque, como diz o ditado, nem a corrente mais forte prende um cachorro que só pensa em fugir. E, afinal, como é mesmo? Vagabunda e cafajeste, um casal perfeito.

O salão explodiu. As pessoas que adoravam ver um circo aplaudiram, assobiaram e gritaram:

— Boa! Srta. Kiara, você é demais!

— Isso aí!

— Vagabunda e cafajeste, eternos!

A resposta do público me encheu de uma satisfação amarga. Era como se, finalmente, eu estivesse dando o troco. Olhei para Clara, que estava paralisada, com uma expressão de choque que parecia desmanchar o rosto dela. Sorri, aliviada:

— Querida irmã, eu não te odeio. Muito pelo contrário, eu te agradeço de coração. Desejo a vocês dois... toda a felicidade do mundo. Que sejam inseparáveis, na vida e na morte.

Antes que eu pudesse terminar, senti uma dor aguda no rosto. Carlos me deu um tapa tão forte que a cabeça virou para o lado. Cambaleei e esbarrei no apresentador.

— Kiara! Você é... — Carlos estava com o rosto vermelho, quase roxo de tanta raiva. Ele apontava o dedo para mim, tremendo de indignação. — Igualzinha à sua mãe! Um castigo na minha vida desde que nasceu!

Ele murmurou entre os dentes, com a voz baixa e carregada de ódio, como se quisesse me rasgar ao meio. Eu virei o rosto para ele, com um sorriso frio. Então soltei, sem hesitar:

— Carlos, você não tem o direito de falar da minha mãe. Se você não fosse tão podre, ela ainda estaria viva.

Se era para quebrar tudo, que fosse por completo. Não era meu casamento mesmo. Que o caos reinasse.

— Kiara! Chega! — Davi finalmente perdeu a paciência e veio se juntar ao coro de críticas contra mim. — O que você ganha fazendo esse escândalo?

Virei o rosto para ele, avaliando-o de cima a baixo com desprezo, antes de soltar uma risada sarcástica:

— Davi, você deveria tirar essa roupa. Foi feita para o Higger. Por que está usando?

— O quê? — Davi gaguejou, sem entender.

— Ah, esqueci que você e Clara são farinha do mesmo saco. Ela roubou meu vestido de noiva, e você roubou o terno do meu cachorro. Vocês dois...

— Kiara! Vou acabar com você! — Carlos explodiu de raiva e avançou na minha direção.

Antes que eu pudesse me esquivar, ele agarrou meu braço e deu outro tapa no meu rosto. Tropecei para trás, mas não cedi. Enfrentei-o com toda a força, pouco me importando que fosse meu pai. Se ele queria briga, eu estava pronta para a guerra.
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