A confusão no casamento me colocou nos trending topics. Quando acordei e peguei o celular, uma avalanche de notificações e chamadas de números desconhecidos quase fez o aparelho explodir. Suspirei, sabendo que o verdadeiro problema estava só começando.Em menos de dois dias, meus dados pessoais e informações da empresa foram divulgados na internet. A situação ficou cada vez mais difícil de controlar.Naquela manhã, ao chegar na empresa, mal saí do carro e já fui cercada por uma multidão de jornalistas que estavam de plantão na porta. Felizmente, Tatiana já estava preparada e, com a ajuda dos seguranças, conseguiu me tirar daquela emboscada.O mais revoltante era que, mesmo Clara sendo a culpada por tudo, ela virou um símbolo de piedade por causa da doença. Os internautas começaram a me atacar em massa. Não só fui alvo de ofensas pessoais, como a loja oficial da empresa também foi invadida por críticas e boicotes, prejudicando as vendas e quase paralisando as operações.O setor de relaç
Eu não disse nada. Apenas dei a volta na mesa e saí, tentando evitar qualquer confronto.Davi veio atrás de mim, insistindo:— Kiara, eu sei que, por enquanto, você não vai conseguir me perdoar, mas nós temos uma história de seis anos. Não dá pra simplesmente apagar isso, nem pra você, nem pra mim. A pessoa que eu amo é você, isso nunca vai mudar. Mas a Clara... Eu a vi crescer, ela sempre foi sensível, frágil, e agora, com essa doença terminal, está ainda mais vulnerável. Sempre a tratei como uma irmã. Como posso simplesmente deixá-la de lado?Ele bloqueou meu caminho, e minha paciência se esgotou de vez.— Davi, você tá maluco? — Explodi. — Eu nunca te proibi de ser bom com ela! Mas por que você acha que pode vir aqui com esse papo absurdo? O que você quer com isso? Me fazer sentir ainda pior?Davi segurou meu braço, tentando me acalmar com a voz baixa:— Kiara, eu sei que você tem passado por muita coisa. Eu só quero ajudar.— Ajudar? — Soltei uma risada sarcástica, empurrando-o e d
Bela ajeitou a postura, ficando um pouco mais séria:— Clara pode até gostar um pouco de você, Davi, mas não é esse amor todo que você acredita. Ela quer casar com você por pura provocação, só pra machucar a Kiara.Davi deu um sorriso enigmático, como se não se importasse, e respondeu com desdém:— Essas ideias foram a Kiara que colocou na sua cabeça, não é? Clara não é assim. Ela é inocente, doce. Tá, às vezes é um pouco mimada, mas nunca teria essa maldade que você tá insinuando.A expressão de Bela era de puro desprezo, como se estivesse olhando para o maior dos tolos:— Você... Parece ser um cara inteligente, mas quando cai nas garras de uma mentirosa, sua cabeça vira um ovo cozido.Eu não me segurei e dei uma risadinha.Davi nos encarou com o rosto carregado, claramente ofendido. Ele parecia sem graça, e então, virou-se para ir embora.Mas Bela não ia deixá-lo sair tão fácil.— Clara sempre teve inveja da Kiara. — Disparou Bela, sua voz carregada de convicção. — Ela não suporta ve
Bela soltou um riso irônico:— Aposto que, no começo, ela só queria roubar seu homem. Mas foi se metendo tanto no papel que acabou acreditando na própria encenação.Fiquei de boca aberta, sem saber o que responder.— O Davi diz que não acredita, mas duvido que ele não tenha suas dúvidas. Pode esperar, logo-logo eles vão começar a brigar. Minha tia-avó sempre diz que o tratamento de câncer é uma barra. Parece que a Clara faz um escândalo todos os dias no hospital, dá trabalho pra todo mundo. Os médicos e enfermeiros já foram trocados várias vezes porque ninguém consegue lidar com ela. Agora me diz: até onde vai o amor de um homem por uma mulher? Quanto tempo ele aguenta antes de se desgastar? E olha que nem sabemos se o que eles têm é amor de verdade. — Continuou Bela.Assenti com a cabeça e comentei:— Com isso que você falou, faz todo sentido o Davi ter vindo me procurar hoje com aquele jeitinho todo simpático.Provavelmente, ele já não aguenta mais as "crises" da Clara. Deve estar l
— Ai, Kiara, você tá tão atolada que nem pensa direito! — Exclamou Tatiana, quase rindo. — Olha ao redor, tem outro Condomínio Florensa na cidade? É claro que é a família Auth da Serra Montanha, aquela cuja linhagem vem de um dos fundadores do país! Geração após geração, eles sempre foram uma das famílias mais respeitadas e influentes. E, além disso, super discretos. Nunca aparecem muito na mídia. Agora, do nada, eles vêm atrás de você pra fazer um vestido pra Sra. Auth? Se isso vaza, você tem ideia de quantas outras famílias da alta sociedade vão começar a querer o nosso trabalho? Vai ser um boom pro nosso nome!O gerente de marketing, que estava ali ao lado, quase gritou de empolgação:— Chefe, é agora que a gente vai decolar de vez!— Peraí! — Levantei, tentando manter a calma, e olhei para Tatiana. — Você não acha que devia verificar com a polícia? Vai que é golpe?Tatiana revirou os olhos tão dramaticamente que achei que fosse desmaiar:— Eu já chequei tudo! Confirmei três vezes!
A versão personalizada do Bentley era diferente. Para possuir um carro assim, não bastava ter dinheiro. Era necessário ter uma reputação impecável, um histórico limpo e uma posição social elevada, além de contribuições significativas para a sociedade.Mais do que isso, cada veículo era feito sob medida, exclusivo para o proprietário. Cada unidade era uma verdadeira "peça única".Tatiana e eu entramos no carro, ambas um pouco tensas. O motorista, usando luvas brancas impecáveis, parecia bem à vontade e, em um tom amigável, puxou conversa para nos deixar mais relaxadas.O Bentley deslizou suavemente pela estrada por cerca de uma hora, até que adentramos uma área cercada por uma floresta densa e exuberante.— Logo ali é a Serra Montanha. Estamos quase chegando. — Avisou o motorista.Logo avistamos uma guarita. Guardas armados, em posição de vigilância, estavam de prontidão. Quando o carro se aproximou, um dos soldados fez um sinal para o motorista parar. Ele baixou o vidro e mostrou um do
Mas eu tinha certeza de que não conhecia ninguém da família Auth.— Essa é a Srta. Kiara? Que linda! Corpo esbelto, cheia de graça... Não é à toa que é tão talentosa. — Elogiou a Sra. Auth ao me cumprimentar.Fiquei completamente surpresa e um tanto desconcertada com os elogios. Desde pequena, sempre me disseram que eu era bonita, e confesso que, às vezes, a imagem no espelho me deixava meio convencida.Mas, vindo de alguém da família Auth, que certamente já estava acostumada a conviver com as maiores belezas do mundo, parecia algo inacreditável. Devia ser porque a Sra. Auth era extremamente educada e tinha uma inteligência emocional refinada.Enquanto eu tentava processar os elogios, Sr. Marcus, ao meu lado, sussurrou baixinho:— Essa é a Sra. Auth.Imediatamente sorri e fiz um leve aceno:— Muito prazer, Sra. Auth. Obrigada pelos elogios.— Hum, até a voz é agradável. — Disse ela, com um sorriso.Senti minhas bochechas ficarem quentes e, tentando retribuir o elogio, comentei:— E a s
A Sra. Auth franziu a testa:— Isso não tem nada a ver com você. Você é a vítima.— Obrigada pelo consolo, senhora.— Então, quer dizer que você ainda gosta daquele rapaz da família Castro?Enquanto eu tirava as medidas da próxima cliente, respondi distraidamente:— Não, agora só quero focar na minha carreira.Antes mesmo de terminar a frase, uma figura alta e esguia desceu pela escada. No início, eu nem prestei atenção, mas alguém comentou:— Jean desceu. Será que estamos atrapalhando o seu trabalho?— Não, já finalizei o que precisava. — Respondeu uma voz masculina, limpa e suave, como a brisa que corta o barulho de um dia agitado. Naquele momento, lembrei-me imediatamente do casamento, quando um certo Sr. Jean me entregou um lenço. A voz dele era exatamente a mesma: clara, serena, mas com uma força que parecia atravessar a multidão sem esforço.Instintivamente, olhei em direção à escada e, só então, o vi de perto. Seu rosto! Era diferente da impressão fugaz que tive no casamento. O