Jean continuava me segurando firmemente nos braços, enquanto suas mãos acariciavam minhas costas e ele me embalava suavemente para dormir. Minha mente estava enevoada, sem saber se era o sono de verdade ou o efeito do álcool que finalmente me fez calar a boca. Aos poucos, minha consciência foi se apagando.Quando meu cérebro voltou a funcionar, percebi uma luz oscilando diante dos meus olhos. Pisquei lentamente e, ao abrir os olhos, notei que ainda estava aninhada nos braços de Jean, sendo carregada no colo. Minha cabeça estava apoiada em seu ombro.Daquele ângulo, pude ver o perfil dele, e era impossível não admirar sua beleza. Sua mandíbula esculpida, o pomo de adão marcante e até mesmo as orelhas, todas as partes dele pareciam perfeitas.Soltei uma risada abafada, sem conseguir segurar.Ele baixou os olhos para mim, curioso.— Acordou? Por que está rindo?— Estou rindo porque parece que estou sonhando… — Murmurei, esfregando meu rosto contra o ombro dele, como se estivesse em um son
— Kiara, quando você voltar, com certeza haverá algumas repercussões negativas. Prepare-se psicologicamente. — Tia Julia disse, preocupada, pelo telefone.— Sim, eu sei. Amanhã à noite eu estarei de volta ao Brasil. Depois de amanhã, vou visitar você e a vovó.— Não precisa ter pressa. Sua avó sabe que você está ocupada com o trabalho. Descanse quando voltar.— Tudo bem. Tchau, tia Julia.Desliguei o telefone e olhei para Jean, soltando um leve suspiro:— A família Castro com certeza já sabe que foi você quem enviou os documentos para denunciá-los. Eles também devem ter percebido que você fez isso por minha causa.Jean segurou minha mão com confiança, brincando distraidamente com meus dedos.Franzi o cenho e tirei minha mão da dele, dando-lhe um leve tapa:— Você está me ouvindo?Ele sorriu:— Estou, sim.Depois de um momento, ele me tranquilizou:— Não se preocupe. Está tudo sob controle. Além disso, quem está errado são eles. Se o governo está investigando a família Castro, não é por
Uma casa tão grande só fazia eu me sentir ainda mais sozinha e pequena. Uma sensação de vazio e até um toque de medo me tomou por alguns momentos. Felizmente, não demorou muito para que Higger fosse trazido até a mansão. Junto com ele, veio também um jantar delicioso.— Srta. Kiara, o Sr. Jean pediu para avisar que você não precisa esperá-lo. Este jantar foi preparado especialmente para você.— Obrigada.Voltei para a sala de jantar, e ali estávamos eu e meu fiel companheiro de quatro patas, compartilhando a refeição.Com tantos assuntos para resolver na empresa, não havia tempo a perder. Precisava revisar o que havia acontecido na semana de moda, lidar com os problemas pendentes que ficaram antes do feriado e organizar as próximas atividades. Assim que terminei de comer, fui direto ao computador e comecei a trabalhar.A longa viagem havia sido bem tranquila, principalmente porque Jean estava ao meu lado e porque voamos em primeira classe, o que tornou tudo confortável. Além disso, eu
— Claro que não! — Respondi, abruptamente voltando à realidade.A ideia de aproveitar o prazer de fazer amor com Jean não significava que eu estivesse pronta para aceitar uma gravidez agora. Ainda tínhamos tantos conflitos e incertezas não resolvidos. Nosso futuro juntos era uma incógnita, e trazer um filho ao mundo no meio desse caos só pioraria a situação.Com a cabeça fria, empurrei Jean de cima de mim e puxei o cobertor, enrolando-me completamente nele.— Já está tarde. Vamos dormir. Amanhã temos muitas coisas para resolver.Jean ficou parado por um instante, me encarando, antes de soltar um sorriso enigmático que eu não soube decifrar.— Você realmente é… — Ele não terminou a frase, mas eu sabia o que ele queria dizer.Fui eu quem começou tudo de forma tão impetuosa e apaixonada, e agora era eu quem estava colocando um freio. Ele já estava completamente envolvido, e eu, sinceramente, senti um pouco de pena por deixá-lo nesse estado. Afinal, recusar nesse momento era quase cruel.—
Isabela, indignada, despejou uma enxurrada de acusações pelo telefone. Afastei o celular do ouvido por um momento, esperando que ela terminasse de falar, e só então respondi, com calma:— A família Castro cometeu crimes, e quem está responsabilizando eles é a lei. Quem os denunciou não faz diferença. Quanto ao Carlos, se ele realmente estava envolvido com a família Castro, o que acontecer com ele será decidido pela justiça. Por que vocês sempre tentam distorcer as coisas? Em vez de culpar quem errou, preferem atacar os inocentes e desviar o foco.— Kiara, você só está tranquila porque agora tem alguém te protegendo. Você destruiu sua própria família e agora quer arruinar a família Castro também. Cuidado, porque essa falta de coração vai te fazer pagar caro!"Pagar caro." Já ouvi essa frase tantas vezes que ela perdeu o impacto.— Obrigada pelo aviso. Tenho coisas para fazer, então vou desligar. E já que meu pai não está mais internado, vou suspender os pagamentos do hospital também.—
Fiquei olhando para Jean, atônita, enquanto uma onda de felicidade se espalhava pelo meu coração. Durante todos esses anos, ele era o primeiro “estranho” a me proteger e cuidar de mim dessa forma. E justamente porque ele fazia isso, como eu poderia arrastá-lo para a lama?As palavras de separação estavam na ponta da minha língua, prontas para sair, mas, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele já havia antecipado meus pensamentos.— Não ouse falar em separação. Se você tentar me deixar, eu largarei tudo para te seguir. Família, responsabilidades, carreira, tudo.Jean disse isso com uma calma impressionante, mas suas palavras me deixaram completamente surpresa.— Você está louco? — Arregalei os olhos, chocada. — Vai jogar fora sua reputação e seu futuro por causa de um romance?— Talvez. — Ele deu de ombros, como se fosse algo simples. — Passei a vida inteira seguindo os planos da minha família. Tudo o que eles me pediam, eu fazia, sempre me esforçando para ser o melhor. Mas você…
— Kiara. — Jean me chamou, fazendo-me parar. — Você está brava comigo?Olhei para ele, suspirei levemente e assenti.— Estou, um pouco. Não imaginei que você fosse uma pessoa que tratasse assuntos tão sérios com tanta leviandade.Jean pareceu ferido. Seus olhos me encararam com incredulidade enquanto ele perguntava:— Então… você gosta de mim por causa da minha posição e status?— Não é isso. — Respondi com firmeza. — Mas, quando te conheci, você já ocupava uma posição elevada. Se você desistisse de tudo por mim, eu não conseguiria carregar esse peso.Ele abaixou os olhos, suas longas pestanas lançando uma sombra sutil em seu rosto.— Entendi.Ele disse que entendeu, mas eu sabia que não havia entendido completamente. Jean não era do tipo que mudava de ideia tão facilmente.— Eu tenho coisas para resolver. Vou indo. — Falei, puxando minha mala suavemente.— Eu te levo.— Não precisa. Vá cuidar dos seus compromissos. — Recusei, mas, preocupada que ele interpretasse mal minhas palavras,
— Quer que eu vá até aí? Estou livre agora. — Jean perguntou, sua voz cheia de preocupação.— Não precisa. Se você aparecer, as coisas só vão ficar mais complicadas. — Recusei sem hesitar. Justo nesse momento, o elevador chegou ao andar da minha avó. Acrescentei rapidamente. — Eu resolvo isso e te ligo depois. Não se preocupe, minha tia Julia também está vindo. Não vai acontecer nada.— Certo, mas tenha cuidado.— Sim.Desliguei o telefone e saí do elevador. Nem precisei bater na porta da casa da minha avó. Estava escancarada, e as vozes de uma discussão acalorada vinham lá de dentro.— Kiara cresceu sem mãe, e vocês, como avó e tia, não ensinaram ela a ser uma pessoa decente? — A voz de Eduarda soava estridente.— Como assim a Kiara não sabe ser uma pessoa decente? — Tia Julia retrucou, sem dar espaço. — Qualquer um da nossa família é mais decente que qualquer membro da sua família Castro!— Olha quem está se achando agora! Que tipo de filha manda o próprio pai para a cadeia e destrói