Davi permaneceu imóvel, sem dizer uma palavra.Isabela, no entanto, ergueu a voz e disse com satisfação:— Finalmente você falou algo sensato, Kiara. Afinal, são da mesma família. Não é natural que a irmã mais velha ceda para a mais nova? Considere isso como um presente de casamento para sua irmã.Ri com desdém e, em seguida, olhei para minha madrasta com um sorriso súbito e gentil:— Nesse caso, acho que ainda falta eu oferecer mais um presente.— Que presente? — Isabela perguntou, desconfiada.— Um caixão. Para colocar no altar da cerimônia de casamento.— Kiara! — Isabela ficou lívida de raiva, com o rosto tremendo de indignação, mas não conseguiu dizer mais nada.Com calma, mas com sarcasmo evidente, continuei a sorrir:— Dizem que, antigamente, em certas culturas da China, as famílias incluíam um caixão no enxoval da noiva, para simbolizar a despedida da casa dos pais. Não é uma tradição linda? Claro, não somos chineses, mas, como irmã mais velha, achei que seria um presente de ca
Eu soltei uma risada irônica, tentando controlar a raiva que fervia dentro de mim. Olhei para o movimento desordenado da rua por alguns segundos, até sentir minha mente esfriar. Quando finalmente me virei para ele, a voz saiu carregada de sarcasmo:— Davi, eu não sou uma lixeira. Não importa o quanto eu tenha te amado ou o quanto fiz por você. No momento em que você escolheu me trair, perdeu o direito ao meu amor.Virei-me para ir embora, mas, incapaz de me conter, voltei a apontar para ele e acrescentei:— Mesmo que não sobrasse nenhum homem no mundo, eu não olharia para você de novo. Você me dá nojo.Talvez minha atitude decidida tenha ferido algo dentro dele, porque Davi deu um passo em minha direção e segurou meu braço. Sua voz, antes tão confiante, agora estava embargada de súplica:— Kiara, eu ainda te amo. Esses seis anos juntos foram os melhores da minha vida. Eu nunca vou esquecer o que vivemos. Mas… a Clara está morrendo. Ela é tão... tão miserável, tão vulnerável. Tudo o que
— Kiara, se acontecer alguma coisa com ela, eu quero ver como você vai se explicar! — Davi me lançou um olhar sombrio antes de sair apressado com Clara nos braços.Fiquei parada ali, atordoada, por um longo tempo. A cena do rosto furioso e implacável de Davi continuava gravada na minha mente. Onde tinham ido parar todas aquelas promessas de amor eterno? Tudo parecia uma piada cruel agora. Quando foi que ele começou a mudar? E como eu pude ser tão cega?O abismo da dor parecia me consumir, até que Tatiana entrou na sala, perguntando com preocupação se eu estava bem. Sua presença me trouxe de volta à realidade. Por que eu estava desperdiçando lágrimas com um homem tão desprezível? Respirei fundo, recompus-me e voltei minha atenção ao trabalho.Perto do horário do almoço, meu celular começou a tocar. Era Isabela. Recusei a ligação sem pensar duas vezes. Mas, alguns minutos depois, o telefone tocou novamente. Dessa vez, era meu pai.Um pensamento atravessou minha mente: Será que Clara não
Com o lenço pressionado contra meus olhos ardentes, respirei fundo, tentando conter a maré de emoções. Não tinha energia nem curiosidade para olhar quem estava sentado ao meu lado.Meu pai, no entanto, apareceu de repente, com uma postura surpreendentemente submissa e a voz cheia de respeito:— Sr. Jean, peço desculpas pelo incômodo. Aquele lugar ali é reservado para os convidados de honra. Por favor, permita-me acompanhá-lo até lá.— Não precisa. Fico bem aqui mesmo. — A voz do homem, identificada como Sr. Jean, soou calma e educada, mas com uma autoridade natural que não deixava espaço para mais insistências.Meu pai parecia prestes a dizer algo mais, mas foi interrompido pelo som do microfone. O mestre de cerimônias chamava os pais dos noivos para subirem ao palco. Isabela, percebendo a situação, apressou-se em puxá-lo para longe.Levantei a cabeça, tentando recuperar a compostura. Antes que pudesse devolver o lenço, o alto-falante ecoou mais uma vez:— Convidamos agora a Srta. Kiar
Clara, com os olhos marejados e a voz embargada, começou a falar:— Quero agradecer à minha irmã por ter permitido que eu e Davi vivêssemos esse amor. Agradeço por ela ter me deixado partir deste mundo sem arrependimentos. Espero que vocês não julguem minha irmã. Ela é a melhor irmã que alguém poderia ter.Ela terminou a frase em meio a soluços, e o salão caiu em silêncio. Todos olhavam para o palco com atenção, sem uma única piada ou comentário maldoso. Olhei para a plateia e, por um instante, achei ter visto um rosto marcante. Um homem de traços fortes, olhos frios como estrelas e lábios que se curvavam num sorriso enigmático. Ele parecia completamente imune ao melodrama de Clara.Clara então se virou para mim, os olhos brilhando de lágrimas e a voz trêmula:— Mana, obrigada por tudo. Mas me diz... você... você me odeia?Senti um calafrio percorrer meu corpo. Não podia acreditar no que estava acontecendo. Clara havia amarrado todos os presentes num jogo moral e estava me forçando a p
A situação saiu completamente do controle. Os convidados, em estado de choque, levantaram seus celulares, registrando tudo freneticamente. Eu estava em desvantagem, sem força suficiente para reagir, mas, felizmente, os pais de Davi, preocupados com a reputação, se apressaram para intervir:— Por favor! Pelo amor de Deus! Isso é o casamento dos nossos filhos! Olha quantos convidados estão aqui! Pare agora! — Saiam da minha frente! Hoje eu acabo com essa desgraçada! Maldita! Nasceu só para me trazer azar! — Carlos estava completamente fora de si, o rosto contorcido de ódio. Ninguém conseguia segurá-lo.De repente, um grito cortou o caos.— Parem! Clara desmaiou! Alguém! Rápido, chamem ajuda! — Isabela ordenou, em pânico.Carlos congelou, os movimentos interrompidos. Ele olhou para trás, largou meu braço bruscamente e correu em direção à sua preciosidade caída no chão.— O que aconteceu? Cadê o celular? Alguém liga para a emergência agora! — Davi gritou, desesperado. Os que me cercava
Por que ele apareceria logo no meu casamento com Davi? Eu não conseguia entender. Será que havia algum engano? Algo fora do meu controle?Mas, pensando bem, alguém tão reservado, que raramente dava as caras, assistir de camarote a uma cena tão caótica e vergonhosa... Bom, ao menos, ele teve um bom motivo para sair de casa.O som do celular me tirou de meus pensamentos confusos.Bela, do outro lado da linha, estava fora de si, gritando de raiva:— Davi e Clara são simplesmente nojentos! Eu juro, quase atirei meu celular na parede! Mas, olha, você não abaixou a cabeça. Fez bem! Eles mereciam apanhar até não levantar mais!Suspirei e, recostando-me no banco, passei a mão pela testa, exausta:— Já se espalhou por toda a internet, não é?— O que você acha? Uma situação dessas? É o tipo de coisa que nem novela consegue inventar. Os comentários estão pegando fogo. O pessoal se dividiu em dois grupos e estão brigando como loucos.Fechei os olhos. Minha cabeça latejava. Queria tanto me vingar,
Alguém iria morrer? O efeito do remédio para dormir ainda deixava minha cabeça pesada. Abri a porta e encarei Davi com um sorriso cínico:— Clara vai morrer?Aquela provocação foi o suficiente para acender sua fúria.— Kiara! Não seja tão cruel! — Davi exclamou, a expressão sombria em seu rosto era algo que eu nunca tinha visto antes.Franzi o cenho, sem paciência para discutir, e tentei empurrá-lo para fora enquanto fechava a porta. Mas Davi foi mais rápido. Com um gesto brusco, ele chutou a porta, forçando-a a abrir novamente, e segurou meu braço com força.— Davi, o que você pensa que está fazendo? Invadir minha casa? Eu vou chamar a polícia! — Gritei, lutando para me soltar. A raiva me dominou, e acabei dando-lhe um tapa no rosto.Ele ignorou o golpe. Sem dizer uma palavra, me arrastou para fora e me empurrou para dentro do carro dele de forma firme e decidida.— Você está louco? Me deixa sair agora! — Protestei, tentando abrir a porta, mas era inútil.— Clara está entre a vida e a