Lizandra Hurst
O amor tem um cheiro. Descubro isso no instante em que entro na cobertura e sou envolvida por um aroma doce e inebriante de rosas. O chão está coberto de pétalas, as luzes são suaves, e há um brilho quente de velas acesas em vários cantos. É como se eu tivesse acabado de atravessar um portal para um mundo onde sou adorada, venerada. Meus olhos se enchem de lágrimas. Nunca vivi nada parecido. Nunca fui o centro de um gesto tão lindo.
— David, você fez tudo isso para mim? — minha voz sai trêmula, carregada de emoção.
Ele sorri e se aproxima, segurando meu rosto com uma delicadeza que me faz estremecer.
— Claro, meu amor. Você merece isso e muito mais.
Suas palavras me atingem como um afago, e antes que eu possa responder, seus lábios tomam os meus. O beijo dele não é apressado. É lento, intenso, como se quisesse marcar minha alma com sua presença. Minha pele arrepia, e meu corpo aquece de um jeito que nunca senti antes. Eu o amo, e agora tenho certeza de que sou amada também.
Ele me conduz pelo ambiente preparado com tanto esmero. Há uma banheira esperando por nós, com água morna e espumas perfumadas. Sinto-me uma princesa, tratada com um cuidado que beira a devoção. David me despe com paciência, seus olhos passeiam por mim sem pressa, e o que vejo neles não é apenas desejo. É algo mais profundo.
— Relaxa, Lizandra — ele murmura, os dedos traçando linhas invisíveis em minha pele nua. — Hoje é sobre você. Quero te fazer sentir tudo.
E ele faz.
David me desliza para dentro da banheira, entra comigo, e suas mãos começam a explorar meu corpo de forma tão gentil que faz meu coração disparar. Seu toque é um misto de carinho e possessão, como se quisesse memorizar cada parte de mim. A cada beijo, a cada toque, a cada sussurro, ele me ensina a confiar nele, a entregar-me sem medo. E eu permito que a minha vez aconteça. De corpo, alma e coração.
Quando saímos da banheira, ele me envolve em uma toalha macia, secando meu corpo com o mesmo zelo de quem manuseia uma joia rara. Seus olhos não desviam dos meus, e eu me sinto invencível sob seu olhar. Ele me carrega até a cama, deitando-me com um carinho que faz um nó se formar em minha garganta.
— Você está pronta? — ele pergunta, e percebo que há um certo tremor em sua voz.
— Estou, David. Eu quero você.
Ele sorri, mas há algo nos olhos dele que não consigo decifrar. Algo intenso. Algo perigoso.
Ele me beija de novo, e dessa vez há uma fome nova em seus lábios. Suas mãos exploram meu corpo com mais urgência, como se quisesse me enlouquecer. E ele consegue. Quando sua boca desce pelo meu corpo, incendeio. Ele me faz sentir no céu antes mesmo de me possuir, com uma dedicação que me faz sentir adorada. Ele não tem pressa. Se certifica de que meu corpo esteja pronto para ele.
O momento em que me entrego a ele é sublime. A dor inicial é substituída por algo arrebatador. Meus sentidos se dissolvem na sensação de tê-lo tão profundamente dentro de mim. O mundo desaparece ao nosso redor, e só existe nós dois, os nossos corpos se tornando um só. A maneira como ele me toca, como sussurra palavras suaves enquanto me faz sua, me faz sentir mais do que desejada, me faz sentir amada. Sinto um prazer intenso e arrebatador, como se cada célula do meu corpo vibrasse ao som do nosso amor. Gemo seu nome, e ele me devora com os olhos, como se eu fosse tudo o que ele sempre quis. Cada vez que me possui, cada vez que sussurra meu nome com devoção, sinto que ele está tão entregue quanto eu.
Ele se move com paciência, com reverência, murmurando palavras doces contra minha pele. Eu nunca soube que podia me sentir assim, tão inteira e ao mesmo tempo tão perdida. Eu me agarro a ele, e naquele momento, David é meu mundo.
Cada movimento, cada toque, cada sensação me leva mais alto, mais perto de um ponto de ruptura que parece impossível de suportar. Quando finalmente atingimos o ápice, é como se o mundo parasse. Meu corpo inteiro treme enquanto um prazer insuportavelmente intenso me domina.
Algo muda.
Ele se afasta. O calor do seu corpo desaparece, e de repente o ar parece frio demais. Viro-me para ele, esperando encontrá-lo ainda tomado pela mesma emoção que me consome, mas o que vejo me faz congelar.
David está distante. Seus olhos não brilham mais com a ternura de antes. Ele está ali, mas ao mesmo tempo... não está.
— David? — murmuro, tentando entender o que está acontecendo.
Ele se afasta, passa a mão pelos cabelos e solta um suspiro pesado. Então, sem me olhar, solta as palavras que me rasgam de dentro para fora.
— Já tive o que queria, Lizandra. Pode ir.
O ar parece fugir dos meus pulmões, e uma dor insuportável me rasga por dentro. Meu coração, que há poucos segundos transbordava de amor, agora é esmagado sem piedade.
Isso foi real? Foi mesmo amor que senti, ou tudo não passou de um jogo cruel?
Levanto-me devagar, cada movimento doendo como uma lâmina cortando minha pele. Minhas mãos tremem ao pegar minhas roupas, e a única coisa que consigo ouvir é a batida acelerada do meu próprio coração.
Cada pétala espalhada pelo chão agora parece um lembrete cruel da ilusão que vivi. Cada vela acesa agora ilumina a verdade brutal que me atingiu.
David me fez sentir amada, desejada, especial. E agora, ele me descarta como se eu nunca tivesse significado nada.
Saio dali sem olhar para trás, mas algo dentro de mim sussurra que isso não acaba aqui.
LizandraSempre me intrigou como olhares podem carregar histórias que jamais serão contadas. É como se cada par de olhos fosse um quebra-cabeça incompleto, uma coleção de peças que só fazem sentido para quem carrega. Desde pequena, aprendi a observar esses fragmentos, a buscar nos outros aquilo que as palavras não revelam. Mas nunca gostei do que via quando o foco recaía sobre mim. Talvez fossem meus olhos azuis, tão cristalinos quanto um lago sob a luz fria da manhã, ou o jeito calmo e sereno que uso para atravessar o mundo. De uma forma ou de outra, as pessoas sempre esperaram algo de mim. Algo que eu mesma nunca soube o que era.Sou a Lizandra Hurst, 21 anos, e vivo em meu próprio compasso, distante da urgência que parece mover todos ao meu redor. Estou cursando Medicina Veterinária, um caminho que escolhi porque os animais, ao contrário das pessoas, não julgam. Eles não esperam mais do que podem oferecer, e talvez seja isso que me fascine. Minha vida é simples, mas profundamente s
David LambertiniO sangue Lambertini não é apenas azul, é um veneno que paralisa os fracos e uma chama que consome os ousados. Desde cedo, aprendi que poder não se herda, ele se toma, se impõe. Meu sobrenome é um brasão que abre portas e assombra mentes, uma marca que pesa tanto quanto glorifica.Eu sou David Lambertini tenho 21 anos, sou um jovem disciplinado, perfeccionista, com uma mente afiada e um futuro definido e se você acha que a minha juventude me torna menos letal, é melhor rever os seus conceitos. Não sou apenas um estudante de Administração, em breve herdarei o império Lambertini, um trono forjado em concreto, contratos e sangue, muito sangue. Nasci para liderar, e não há espaço para hesitação em meu caminho. Sou o reflexo de meu pai, o Don Vittorio Lambertini, e o eco silencioso das lições de minha mãe, uma mulher cuja força nunca precisou de palavras.E uma coisa é certa, quem tentar se colocar no meu caminho vai pagar um preço alto.Meu coração? Esse foi moldado pelas
David LambertiniAcordo com o som irritante do alarme que esqueci de desligar. Me viro na cama, o rosto enterrado no travesseiro, e a primeira coisa que me vem à mente é o risco iminente de minha mãe, a dona Liana, me matar se souber que passei a noite na esbórnia novamente. Ela não precisa de provas, bastam suas suspeitas para transformar meu dia em um verdadeiro inferno. Meu QI, que já foi exaltado por muitos como “acima da média”, não me salva de sua fúria, mas me permite antecipar suas jogadas como num tabuleiro de xadrez.Hoje é um dia de responsabilidades, mas não posso evitar pensar em como meu aprendizado nunca foi moldado por teorias acadêmicas. Meu verdadeiro treinamento aconteceu na prática, no calor das decisões arriscadas, onde uma palavra errada ou um movimento em falso pode custar milhões, ou vidas. Empreendedorismo, desenvolvimento de novos negócios… Tudo isso soa como palavras bonitas para o que realmente fazemos, expandir, dominar e garantir que ninguém se atreva a
DavidA vida é imprevisível, um emaranhado de momentos que podem virar o destino de cabeça para baixo quando menos se espera. Eu sempre me considerei um homem inabalável, dono de tudo e de todos ao meu redor. Mas hoje, o universo decidiu me provar o contrário.Saio da cantina da faculdade com um café em uma mão e o celular na outra, lendo distraidamente as mensagens que continuam chegando, algumas casuais e outras da máfia. O campus está agitado como sempre, mas nada aqui é novo para mim. Não vejo a hora da conclusão desse curso! Sinto-me entediado, como se tudo fosse previsível. Até que o destino me acerta com força, me deixando claro que nem tudo posso controlar.Viro uma esquina apressado, sem prestar atenção no caminho, e literalmente esbarro em alguém. Não um encontro comum, mas um choque que me faz perder o equilíbrio e derrubar o café. Livros caem no chão, folhas voam, e sinto meu o coração acelerar.— Cuidado! — a voz dela corta o ar, um tom de surpresa misturado com irritaçã
LizandraTrês dias depoisO amor sempre foi algo que me intrigou. Hoje de manhã, ao passar pela cozinha, vi os meus pais aos beijos, tão alheios ao mundo que nem perceberam a minha presença. Eles têm esse amor tranquilo, mas intenso, que resiste ao tempo e às tempestades da vida. Às vezes me pergunto se terei algo assim algum dia. Um amor que seja grande, intenso e duradouro.Por mais que deseje isso, a vida tem um jeito estranho de brincar com os nossos desejos. A minha mente se perde, sem querer, em um par de olhos azuis penetrantes que cruzaram o meu caminho na faculdade. David Lambertini. Ele é tudo o que não quero, tudo o que evito. Um cafajeste assumido, arrogante, com aquele sorriso que parece carregar uma promessa de problemas. Droga, ele é lindo. Há algo no jeito másculo dele, na intensidade de seu olhar, que me faz sentir despida, como se enxergasse além do que estou disposta a mostrar.David Lambertini não deveria ocupar espaço nos meus pensamentos. Mas a verdade é que o
Daniel MaltaA vida tem um senso de humor peculiar. Aqui estou, com o coração batendo mais rápido do que deveria, enquanto observo Lizandra rir. Ela faz isso de um jeito tão natural, mexendo nos cabelos como quem não percebe o impacto que causa. O mundo parece desacelerar ao seu redor, mas, para mim, ele só gira mais rápido, como se cada movimento dela fosse uma força centrípeta puxando tudo para o centro do meu universo.— Daniel, você está me ouvindo ou está no seu mundo de novo? — ela pergunta, com aquele tom meio divertido, meio inquisidor.— Claro que estou — minto, tentando parecer natural, mas sei que ela não acredita.Lizandra é assim, cheia de luz e tão simples, mas ao mesmo tempo uma tempestade que deixa tudo ao redor mais vivo, mais caótico. Somos amigos desde sempre. Dividimos aniversários, memórias, sonhos e, no meu caso, um amor que nunca ousei confessar.Eu a amo. Amo de um jeito que parece ser parte de quem sou, algo gravado no fundo da minha existência. Mas Lizandra n
LunaA sala de aula está mergulhada em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo som do professor escrevendo no quadro e pela respiração contida de trinta alunos. Direito Penal sempre me fascinou, mas hoje, a aula parece estar em outro universo. Meu coração bate descompassado, minhas mãos suam, e eu mal consigo acompanhar o que está sendo dito.— Luna Castro. — o professor me chama, interrompendo os meus pensamentos.Minha mente entra em pânico por um breve segundo, mas sinto o olhar de Darlan ao meu lado. Ele não diz nada, apenas me dá aquele sorriso encorajador que é quase imperceptível, mas que funciona como uma âncora. Respiro fundo e começo a responder à pergunta sobre dolo eventual, explicando os conceitos com a voz firme que não reflete a tempestade dentro de mim.— Boa resposta, senhorita Castro. — o professor elogia, e sinto os olhares de alguns colegas pousarem em mim. Clara, sentada algumas cadeiras à frente, me dá um sorriso de apoio, mas só consigo relaxar quando o professo
DavidO nome Jaime Orti martela na minha cabeça como uma sirene de alerta. O homem é uma bomba relógio, e cada interação com ele é um lembrete de que o tempo está correndo. Encosto no capô do carro, os braços cruzados, enquanto espero Darlan sair do prédio da faculdade. Meu irmão aparece minutos depois, os passos lentos e calculados, mas o aperto de mão que trocamos carrega uma tensão que não conseguimos ignorar.— Jaime continua o mesmo filho de chocadeira de sempre — ele solta, acendendo um cigarro com a calma de quem já esperava o caos.— Cada vez mais estranho quando se trata da família. — retruco, o olhar fixo no horizonte. — Você viu o jeito como ele olhou para a Luna?Darlan assente, soltando a fumaça devagar.— Vi. Aquilo me deu nos nervos. Mas sabe o que é pior? Ele fingir que não nos conhece.— Me fala a verdade, bastardo!— Já aconteceu algo entre você e a Luna?— Claro que não David, eu até já tentei, mas ela é osso duro de roer, nunca me deu mole, na verdade nem a mim,