Caelum POV O crepúsculo lançava sombras longas pelas paredes de pedra do meu escritório enquanto eu revisava os relatórios das patrulhas. A vela sobre a mesa tremeluzia, lançando um brilho dourado sobre os papéis espalhados. Minha mente, no entanto, não estava ali. Desde que Miguel retornara da sua busca por respostas, eu sentia o peso do que estava por vir. A porta se abriu sem cerimônia, e Miguel entrou, seu semblante carregado de algo que ele ainda não havia colocado em palavras. Ele não esperou que eu o convidasse para sentar—apenas se jogou na cadeira à minha frente, passando as mãos pelos cabelos escuros, claramente desgastado. — Então? — minha voz soou baixa, mas firme. — O que descobriu? Ele soltou um suspiro pesado antes de me encarar. — Isadora é mais do que apenas uma sobrevivente, Caelum. Mais do que apenas uma Vorn. Eu já esperava por isso, mas mesmo assim meu corpo ficou tenso. — Explique. Miguel se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos jo
Isadora POV O silêncio entre nós era quase ensurdecedor. A clareira ainda cheirava a sangue e terra revirada, os sinais da batalha espalhados ao nosso redor. Freiren ainda estava alerta dentro de mim, sua presença pulsando forte, mas eu sabia que o perigo imediato havia passado. Caelum me observava, os olhos dourados intensos, analisando cada detalhe do meu rosto, do meu corpo. Eu sentia seu lobo inquieto, tão presente quanto Freiren estava dentro de mim. Então, ele deu um passo à frente. — Você não precisa se esconder de mim, Isadora. As palavras eram simples, mas carregadas de um peso que eu não sabia como carregar. Não precisava me esconder? Minha vida inteira foi construída ao redor dessa necessidade. Sobrevivência significava se esconder, mentir, fugir. Mas agora, diante dele, essa realidade parecia começar a se desfazer. Eu sabia que minha transformação havia mudado tudo. Ele agora via o que eu realmente era—uma Alfa, uma loba tão grande e forte quanto seu próprio l
A lua alta lançava um brilho pálido sobre as árvores retorcidas da floresta. O cheiro úmido da terra misturava-se com o odor distante de sangue e metal, uma lembrança persistente das caçadas recentes. Nós estávamos próximos. Podíamos sentir.— Está aqui. — A voz de Garran era baixa, mas carregava uma certeza que fez todos se entreolharem.Eu inspirei profundamente, puxando o ar frio da noite para dentro dos pulmões. O cheiro estava lá — fraco, misturado com outros aromas, mas inconfundível.Isadora Vorn.Por anos a procuramos, seguindo rastros frios, lidando com pistas falsas, sempre um passo atrás. Mas agora... agora estávamos perto o bastante para sentir sua presença na pele.— Quanto tempo até alcançarmos o território do Clã Eclipse? — perguntei, minha voz cortando o silêncio da noite.Garran olhou para o horizonte, onde as árvores pareciam mais densas.— Poucas horas, se nos movermos rápido. Mas não podemos avançar de qualquer jeito.— Você teme os Eclipse? — Outro guerreiro zombo
POV: CaelumO escritório estava preenchido pelo cheiro forte de pergaminho e tinta, misturado ao leve aroma amadeirado da lareira acesa no canto. Mapas estavam espalhados sobre a mesa diante de mim, junto com relatórios recentes sobre patrulhas e movimentações próximas ao território. Meus guerreiros estavam posicionados ao redor, cada um atento às informações que eu passava.— Quero um aumento na segurança ao longo das trilhas do norte. Os últimos ataques mostram que aquelas criaturas estão se movendo de maneira estratégica. Elas não são apenas feras irracionais — falei, deslizando os dedos pela borda da mesa.Miguel, com os braços cruzados, assentiu.— Concordo. Se estiverem sendo guiadas por algo ou alguém, precisamos descobrir logo. Não podemos permitir que se aproximem ainda mais.— Eu e meus homens podemos reforçar as patrulhas na divisa leste — um dos guerreiros sugeriu.— Faça isso, Edrik. Mas sem chamar atenção demais. Não quero pânico entre os membros do clã.Ele assentiu e o
POV: Isadora A floresta ao redor da mansão era silenciosa àquela hora da manhã, banhada pela luz dourada do sol nascente. O cheiro de terra úmida e musgo fresco enchia o ar, e eu absorvia cada detalhe enquanto caminhava por entre as árvores, tentando acalmar meus pensamentos. Desde que cheguei ao Clã Eclipse, minha vida se transformou completamente. Eu não era mais apenas uma fugitiva. Agora, eu fazia parte de algo maior—e isso me assustava tanto quanto me atraía. Meus dedos roçavam levemente a casca de uma árvore enquanto caminhava, tentando ignorar a inquietação dentro de mim. Freiren, minha loba, estava alerta, sentindo as mudanças sutis ao nosso redor. — Você está inquieta. — ela sussurrou em minha mente. — Só estou pensando. — No Caelum não é? — ela perguntou, como se já soubesse a reposta. — Sim, estava pensando nele. No nosso vínculo e na noite que passamos juntos. — respondi enquanto levei as mãos ao rosto. — Me sinto tão confusa sobre tudo isso. Sobre esse senti
POV: Isadora O luar se derramava sobre a floresta como um véu prateado, lançando sombras longas e distorcidas sobre as árvores altas. O frio da noite roçava minha pele, mas não era suficiente para me fazer estremecer. Havia algo mais forte me mantendo aquecida—algo que não vinha do lado de fora, mas de dentro. A presença dele ainda ardia em mim. Meus dedos roçaram os lábios, lembrando do beijo que Caelum me deu horas atrás, da intensidade em seus olhos dourados quando desafiou cada uma das barreiras que tentei erguer. Eu nunca quis nada tão desesperadamente e, ao mesmo tempo, nunca temi tanto algo assim. Freiren se movimentou dentro de mim, inquieta. "Você não pode negar o que ele significa para nós." Suspirei, apertando a capa ao redor dos ombros. — Eu sei. Foi uma resposta simples, mas cheia de significados que nem eu mesma conseguia processar completamente. Passei os últimos minutos vagando pela floresta sem um destino específico, apenas tentando organizar m
O cheiro de sangue pairava no ar quando entramos nos limites do Clã Eclipse. Cada passo que dávamos em direção à enfermaria parecia um peso extra sobre meus ombros. O guerreiro em estado crítico nos braços de Caelum respirava de maneira irregular, cada gemido de dor um lembrete cruel de que não havia tempo a perder. Os guerreiros que nos acompanhavam abriram caminho, os rostos sombrios e atentos. Eu podia sentir a tensão deles, o olhar desconfiado enquanto eu passava. Eles sabiam o que eu era agora. Sabiam que eu não era apenas uma loba comum. Mas nada disso importava no momento. Assim que Caelum colocou o ferido sobre uma das macas de madeira no centro da enfermaria, me aproximei sem hesitação. — Panos limpos e água quente, agora! — minha voz soou firme, e mesmo aqueles que ainda duvidavam de mim não ousaram questionar. Algumas mulheres do clã correram para obedecer, enquanto eu me ajoelhava ao lado do guerreiro. Seu nome era Luan, um jovem soldado que havia se junta
POV: Caelum O quarto estava silencioso, exceto pelo som suave da respiração de Isadora. A luz da lua filtrava-se pela janela, lançando um brilho prateado sobre seus traços delicados. Ela dormia profundamente, o corpo envolto pelo cobertor, os fios claros de cabelo espalhados sobre o travesseiro. Eu me recostei na cadeira ao lado da cama, observando-a sem pressa. Ela parecia tão frágil agora, tão pequena debaixo das camadas de tecido, diferente da mulher feroz que enfrentava tudo e todos de cabeça erguida. Meu olhar desceu para suas mãos. Eu as havia segurado tantas vezes, sentindo sua força, seu calor. Agora, estavam relaxadas sobre o cobertor, sem aquele tremor discreto que eu havia notado mais cedo. "Ela usou demais a energia dela." A voz profunda de Noxus ressoou dentro da minha mente, grave e cheia de reprovação. "Eu sei." Ele rosnou baixinho."E deixou que isso acontecesse." Eu cerrei a mandíbula, mas não respondi. Ele não estava errado. Eu deveria ter impedido, convenc