POV: CaelumO escritório estava preenchido pelo cheiro forte de pergaminho e tinta, misturado ao leve aroma amadeirado da lareira acesa no canto. Mapas estavam espalhados sobre a mesa diante de mim, junto com relatórios recentes sobre patrulhas e movimentações próximas ao território. Meus guerreiros estavam posicionados ao redor, cada um atento às informações que eu passava.— Quero um aumento na segurança ao longo das trilhas do norte. Os últimos ataques mostram que aquelas criaturas estão se movendo de maneira estratégica. Elas não são apenas feras irracionais — falei, deslizando os dedos pela borda da mesa.Miguel, com os braços cruzados, assentiu.— Concordo. Se estiverem sendo guiadas por algo ou alguém, precisamos descobrir logo. Não podemos permitir que se aproximem ainda mais.— Eu e meus homens podemos reforçar as patrulhas na divisa leste — um dos guerreiros sugeriu.— Faça isso, Edrik. Mas sem chamar atenção demais. Não quero pânico entre os membros do clã.Ele assentiu e o
POV: Isadora A floresta ao redor da mansão era silenciosa àquela hora da manhã, banhada pela luz dourada do sol nascente. O cheiro de terra úmida e musgo fresco enchia o ar, e eu absorvia cada detalhe enquanto caminhava por entre as árvores, tentando acalmar meus pensamentos. Desde que cheguei ao Clã Eclipse, minha vida se transformou completamente. Eu não era mais apenas uma fugitiva. Agora, eu fazia parte de algo maior—e isso me assustava tanto quanto me atraía. Meus dedos roçavam levemente a casca de uma árvore enquanto caminhava, tentando ignorar a inquietação dentro de mim. Freiren, minha loba, estava alerta, sentindo as mudanças sutis ao nosso redor. — Você está inquieta. — ela sussurrou em minha mente. — Só estou pensando. — No Caelum não é? — ela perguntou, como se já soubesse a reposta. — Sim, estava pensando nele. No nosso vínculo e na noite que passamos juntos. — respondi enquanto levei as mãos ao rosto. — Me sinto tão confusa sobre tudo isso. Sobre esse senti
POV: Isadora O luar se derramava sobre a floresta como um véu prateado, lançando sombras longas e distorcidas sobre as árvores altas. O frio da noite roçava minha pele, mas não era suficiente para me fazer estremecer. Havia algo mais forte me mantendo aquecida—algo que não vinha do lado de fora, mas de dentro. A presença dele ainda ardia em mim. Meus dedos roçaram os lábios, lembrando do beijo que Caelum me deu horas atrás, da intensidade em seus olhos dourados quando desafiou cada uma das barreiras que tentei erguer. Eu nunca quis nada tão desesperadamente e, ao mesmo tempo, nunca temi tanto algo assim. Freiren se movimentou dentro de mim, inquieta. "Você não pode negar o que ele significa para nós." Suspirei, apertando a capa ao redor dos ombros. — Eu sei. Foi uma resposta simples, mas cheia de significados que nem eu mesma conseguia processar completamente. Passei os últimos minutos vagando pela floresta sem um destino específico, apenas tentando organizar m
O cheiro de sangue pairava no ar quando entramos nos limites do Clã Eclipse. Cada passo que dávamos em direção à enfermaria parecia um peso extra sobre meus ombros. O guerreiro em estado crítico nos braços de Caelum respirava de maneira irregular, cada gemido de dor um lembrete cruel de que não havia tempo a perder. Os guerreiros que nos acompanhavam abriram caminho, os rostos sombrios e atentos. Eu podia sentir a tensão deles, o olhar desconfiado enquanto eu passava. Eles sabiam o que eu era agora. Sabiam que eu não era apenas uma loba comum. Mas nada disso importava no momento. Assim que Caelum colocou o ferido sobre uma das macas de madeira no centro da enfermaria, me aproximei sem hesitação. — Panos limpos e água quente, agora! — minha voz soou firme, e mesmo aqueles que ainda duvidavam de mim não ousaram questionar. Algumas mulheres do clã correram para obedecer, enquanto eu me ajoelhava ao lado do guerreiro. Seu nome era Luan, um jovem soldado que havia se junta
POV: Caelum O quarto estava silencioso, exceto pelo som suave da respiração de Isadora. A luz da lua filtrava-se pela janela, lançando um brilho prateado sobre seus traços delicados. Ela dormia profundamente, o corpo envolto pelo cobertor, os fios claros de cabelo espalhados sobre o travesseiro. Eu me recostei na cadeira ao lado da cama, observando-a sem pressa. Ela parecia tão frágil agora, tão pequena debaixo das camadas de tecido, diferente da mulher feroz que enfrentava tudo e todos de cabeça erguida. Meu olhar desceu para suas mãos. Eu as havia segurado tantas vezes, sentindo sua força, seu calor. Agora, estavam relaxadas sobre o cobertor, sem aquele tremor discreto que eu havia notado mais cedo. "Ela usou demais a energia dela." A voz profunda de Noxus ressoou dentro da minha mente, grave e cheia de reprovação. "Eu sei." Ele rosnou baixinho."E deixou que isso acontecesse." Eu cerrei a mandíbula, mas não respondi. Ele não estava errado. Eu deveria ter impedido, convenc
POV: Isadora O calor ao meu redor foi a primeira coisa que senti ao despertar. Meu corpo estava envolto por algo firme e sólido, e o cheiro de madeira, terra e um toque sutil de especiarias me preencheu os sentidos antes mesmo que meus olhos se abrissem completamente. Pisquei algumas vezes, ajustando-me à luz suave do amanhecer que filtrava pelas cortinas. Foi então que percebi onde estava – ou melhor, com quem estava. Caelum. Meu rosto estava aninhado contra seu peito nu, e uma de minhas pernas se encaixava entre as dele. Meu braço descansava sobre seu abdômen, e meus dedos roçavam de leve sua pele quente. Engoli em seco. Meu coração começou a bater mais forte, mas não de medo ou ansiedade. Com uma mistura de curiosidade e um impulso que não compreendi completamente, deslizei os dedos suavemente sobre a pele firme do peito dele. Os músculos se contraíram levemente sob meu toque, e um arrepio percorreu sua pele. Abaixei o olhar, notando os pelos escuros que cobriam leve
O silêncio da manhã foi preenchido pelo som da nossa respiração pesada. O calor do corpo dele me envolvia completamente, e cada toque me fazia sentir como se estivesse sendo lentamente consumida por algo feroz e inevitável. Caelum me puxou para mais perto, suas mãos firmes segurando minha cintura com uma posse silenciosa, mas cheia de significado. Ele me queria ali, perto dele, sentindo-o, absorvendo seu calor. E eu queria o mesmo. Minha mão desceu um pouco mais, explorando cada linha definida do seu abdômen, sentindo os pequenos espasmos sob meus dedos. A resposta dele era quase imperceptível, mas seus músculos tensionados me diziam o quanto ele estava se segurando. — Você está brincando com fogo, pequena — sua voz saiu rouca, carregada de um aviso velado. Mas eu não parei. Em vez disso, deslizei minha perna sobre a dele, pressionando meu corpo ainda mais contra o seu. Meu coração martelava contra minhas costelas, e eu podia sentir a força da pulsação dele também, forte e a
A noite já se adensava quando senti que era hora de recuar. Nossos olhos atentos haviam seguido cada movimento da forasteira, nossa presença mesclada às sombras da floresta. Isadora. O nome dela já pairava em nossos pensamentos, carregado de mistério.Ergui a cabeça e farejei o ar. A terra úmida, a seiva das árvores e, acima de tudo, o cheiro peculiar dela ainda estavam ali. Algo nela era diferente. Não era apenas uma intrusa, era mais do que isso… e precisávamos compreender antes de agir.— Já vimos o suficiente — rosnou um dos meus ao meu lado, a cauda balançando com inquietação.Assenti, relutante. Meus olhos percorreram a escuridão onde Isadora havia desaparecido. Sua forma já não estava mais ali, mas sua presença ainda parecia pairar no ar.Começamos a nos mover, deslizando silenciosamente sobre o solo coberto de folhas. Conhecíamos cada centímetro daquela floresta, cada trilha segura, cada esconderijo. O caminho de volta seria rápido.O mais jovem do grupo se aproximou, os olhos