POV: Caelum O quarto estava silencioso, exceto pelo som suave da respiração de Isadora. A luz da lua filtrava-se pela janela, lançando um brilho prateado sobre seus traços delicados. Ela dormia profundamente, o corpo envolto pelo cobertor, os fios claros de cabelo espalhados sobre o travesseiro. Eu me recostei na cadeira ao lado da cama, observando-a sem pressa. Ela parecia tão frágil agora, tão pequena debaixo das camadas de tecido, diferente da mulher feroz que enfrentava tudo e todos de cabeça erguida. Meu olhar desceu para suas mãos. Eu as havia segurado tantas vezes, sentindo sua força, seu calor. Agora, estavam relaxadas sobre o cobertor, sem aquele tremor discreto que eu havia notado mais cedo. "Ela usou demais a energia dela." A voz profunda de Noxus ressoou dentro da minha mente, grave e cheia de reprovação. "Eu sei." Ele rosnou baixinho."E deixou que isso acontecesse." Eu cerrei a mandíbula, mas não respondi. Ele não estava errado. Eu deveria ter impedido, convenc
POV: Isadora O calor ao meu redor foi a primeira coisa que senti ao despertar. Meu corpo estava envolto por algo firme e sólido, e o cheiro de madeira, terra e um toque sutil de especiarias me preencheu os sentidos antes mesmo que meus olhos se abrissem completamente. Pisquei algumas vezes, ajustando-me à luz suave do amanhecer que filtrava pelas cortinas. Foi então que percebi onde estava – ou melhor, com quem estava. Caelum. Meu rosto estava aninhado contra seu peito nu, e uma de minhas pernas se encaixava entre as dele. Meu braço descansava sobre seu abdômen, e meus dedos roçavam de leve sua pele quente. Engoli em seco. Meu coração começou a bater mais forte, mas não de medo ou ansiedade. Com uma mistura de curiosidade e um impulso que não compreendi completamente, deslizei os dedos suavemente sobre a pele firme do peito dele. Os músculos se contraíram levemente sob meu toque, e um arrepio percorreu sua pele. Abaixei o olhar, notando os pelos escuros que cobriam leve
O silêncio da manhã foi preenchido pelo som da nossa respiração pesada. O calor do corpo dele me envolvia completamente, e cada toque me fazia sentir como se estivesse sendo lentamente consumida por algo feroz e inevitável. Caelum me puxou para mais perto, suas mãos firmes segurando minha cintura com uma posse silenciosa, mas cheia de significado. Ele me queria ali, perto dele, sentindo-o, absorvendo seu calor. E eu queria o mesmo. Minha mão desceu um pouco mais, explorando cada linha definida do seu abdômen, sentindo os pequenos espasmos sob meus dedos. A resposta dele era quase imperceptível, mas seus músculos tensionados me diziam o quanto ele estava se segurando. — Você está brincando com fogo, pequena — sua voz saiu rouca, carregada de um aviso velado. Mas eu não parei. Em vez disso, deslizei minha perna sobre a dele, pressionando meu corpo ainda mais contra o seu. Meu coração martelava contra minhas costelas, e eu podia sentir a força da pulsação dele também, forte e a
A noite já se adensava quando senti que era hora de recuar. Nossos olhos atentos haviam seguido cada movimento da forasteira, nossa presença mesclada às sombras da floresta. Isadora. O nome dela já pairava em nossos pensamentos, carregado de mistério.Ergui a cabeça e farejei o ar. A terra úmida, a seiva das árvores e, acima de tudo, o cheiro peculiar dela ainda estavam ali. Algo nela era diferente. Não era apenas uma intrusa, era mais do que isso… e precisávamos compreender antes de agir.— Já vimos o suficiente — rosnou um dos meus ao meu lado, a cauda balançando com inquietação.Assenti, relutante. Meus olhos percorreram a escuridão onde Isadora havia desaparecido. Sua forma já não estava mais ali, mas sua presença ainda parecia pairar no ar.Começamos a nos mover, deslizando silenciosamente sobre o solo coberto de folhas. Conhecíamos cada centímetro daquela floresta, cada trilha segura, cada esconderijo. O caminho de volta seria rápido.O mais jovem do grupo se aproximou, os olhos
O silêncio no quarto era pesado, interrompido apenas pelo som da minha respiração ainda irregular. O sonho ainda queimava na minha mente, vívido demais para ser esquecido. Lycans sendo caçados, suas peles manchadas de sangue, gritos ecoando no vazio enquanto uma sombra os consumia. Um feiticeiro sem rosto, sem nome, mas com poder suficiente para transformar a nossa espécie em poeira. Eu me sentei na cama, pressionando os dedos contra as têmporas, tentando afastar as imagens sombrias. Meu coração ainda martelava dentro do peito. — Izzy. A voz de Caelum veio baixa, mas firme. Virei o rosto para ele e encontrei seu olhar preocupado. Ele estava ali, sentado ao meu lado, os músculos tensos sob a pele nua. — O que aconteceu? — Ele tocou meu braço com delicadeza, como se temesse que eu desmoronasse. Fechei os olhos por um momento, sentindo a presença de Freiren dentro de mim. Minha loba também estava inquieta, suas orelhas erguidas, analisando cada detalhe do que vimos no pe
O sol já estava alto quando saí do quarto, sentindo o frescor da manhã contrastar com o calor que ainda permanecia na minha pele depois da noite anterior. O clã começava seu dia, e a movimentação ao redor da fortaleza era constante. Guerreiros treinavam em um dos pátios, alguns membros transportavam suprimentos e mulheres organizavam mantimentos na área central. Passei os olhos por tudo, tentando absorver a rotina daquele lugar que, aos poucos, tornava-se familiar. Mesmo assim, ainda sentia os olhares sobre mim. Alguns curiosos, outros desconfiados. Eu era uma forasteira, e, apesar de ter ajudado a salvar Thomas, ainda não havia conquistado a total confiança de todos. Caminhei até uma pequena horta no lado oeste do clã, onde algumas mulheres colhiam ervas e vegetais. Aproximei-me devagar, sem querer interromper. — Precisa de ajuda? — perguntei. Uma das mulheres, alta e de cabelos castanho-claros, ergueu os olhos para mim. Ela hesitou antes de responder. — Se quiser sepa
Na manhã seguinte, o sol ainda mal havia surgido quando me dirigi ao salão onde os anciões do clã me esperavam. O ar da madrugada era fresco, e o silêncio do clã parecia amplificar o som dos meus passos. Ao entrar, encontrei o Conselheiro sentado no centro da sala, rodeado por três outros anciões. Eram figuras de respeito, lobos que viveram tempo suficiente para ver a ascensão e queda de gerações inteiras. Seus olhares eram avaliativos, mas não hostis. — Sente-se, Isadora — o Conselheiro disse, apontando para um lugar à sua frente. Obedeci, sentando-me com a postura reta, tentando ignorar o peso da expectativa no ar. — Você aceitou aprender sobre o nosso clã — ele continuou. — Isso significa que deve estar aberta a ouvir, questionar e compreender sem julgamentos. Assenti. — Estou pronta. Ele observou-me por um instante antes de olhar para os outros anciões. — O Clã Eclipse é um dos mais antigos entre os nossos. Sua origem remonta a tempos onde os Lycans ainda
Caminhávamos em silêncio pela trilha que levava à cachoeira escondida dentro das terras do Clã Eclipse. O som distante da água correndo ficava mais nítido a cada passo que dávamos, misturado ao canto dos pássaros e ao farfalhar das folhas quando o vento passava. Isadora seguia ao meu lado, seus olhos observando o caminho com curiosidade. Desde que chegamos ao clã, ela havia aprendido muito sobre nossa cultura, mas havia partes de nosso território que ela ainda não conhecia. Hoje, decidi mostrar a ela um dos lugares mais sagrados para a matilha. — Para onde estamos indo exatamente? — ela perguntou, ajeitando a coroa de flores silvestres que ainda usava. Sorri de lado, mantendo o suspense. — Você vai ver. É um lugar importante para o clã… e para mim. Ela arqueou uma sobrancelha, mas não insistiu na pergunta. Apenas continuou andando, confiando em mim para guiá-la. O caminho era cercado por árvores antigas, suas raízes expostas e retorcidas, formando um labirinto natu