POV do ConnorVejo o olhar cinzento de Victoria Evans se acender, parecendo compreender o meu pedido silencioso e desesperado de desculpas. Eu não havia a enganado por ser uma pessoa ruim. Eu preferia esconder o lado ruim de quem eu era, ou seja, a família que eu vinha, para que ela não pensasse coisas piores ainda por conta do dinheiro e fizesse pré julgamentos que me impedissem de conhecê-la melhor. Tudo que eu precisava era de uma chance de conversar melhor com ela para esclarecermos a situação. Suspiro e contenho um sorriso quando ela não desvia o olhar, apenas continua retribuindo. Era um gesto muito pequeno, mas extremamente importante pois eu conseguia sentir a fagulha se acendendo entre nós dois, mesmo com a distância, mesmo sem palavras sendo ditas. Eu só queria sair dali e ir correndo até ela, beijá-la novamente até perdermos o ar e o controle. Eu me levanto, deixando de me apoiar no carro, soltando os braços, pronto para sair correndo até o VIP, até Victoria, quando meu p
Pov da Victoria Quando Annie foi embora, minha vizinha que eu considerava amiga próxima apenas para descobrir que ela não confiava em mim e estava indo embora e me decepcionou, eu decidi me fechar para relações humanas e não deixar nenhuma amizade nova se aproximar para não correr o risco de acabar magoada novamente.Aquele evento, aquela noite, foi intensa demais para alguém tão fechada e cautelosa. Alguém que nunca se permitiu viver nenhum relacionamento amoroso, que acreditava que o romance existia somente nas páginas dos livros e nas telas de cinema, mas nunca existiria na minha própria vida. Eu estava certa. “Por que ele está abraçando aquela mulher? Ela é famosa? Eu deveria saber quem é?” Disparo várias perguntas para Chris.“Como mesmo que o evento seja dos pais dele, ele está sendo o rosto, ou seja, o modelo, o fotógrafo provavelmente está pedindo essa pose da foto porque vai chamar mais atenção e vender mais. Porém, eles estão usando uma estratégia que eu particularmente ac
POV do ConnorEspero aquele pedaço de inferno na terra terminar, pior do que todos os infernos que eu já havia passado e olha que eu já conhecia e passeava por alguns há muito tempo. Cada segundo que se passa é uma agonia imensa, a angústia em meu peito cresce tanto que ameaça explodir e acabar com qualquer sentimento que eu pudesse ter ao não sentir mais nada nunca mais. “Espero ter ver nos meus seguidores se não quiser que os vídeos sejam divulgados.” Blair sussurra no meu ouvido. Era minha chance.“Me dá seu celular.” Mando.“Para que?” Ela franze as sobrancelhas.“Vou salvar meu número para você.” Minto e ela egocêntrica e obtusa, me entrega desbloqueado. Sorrio, fazendo com que ela também sorria, achando que eu estava falando sério. Em um movimento rápido e ágil, abro a porta da Mercedes, entro no carro e o tranco. Enquanto a Annabelle grita alguma coisa do lado de fora e tenta abrir a porta, o que era impossível, eu abro a galeria e apago todas as fotos e vídeos que tinham meu
POV da VictoriaO que uma garota faz pelo seu irmão um governo não faz pelo seu país. Mais interesse em marketing que eu tenho só o interesse de um recém nascido em economia. Exato, nenhum, além de eles não entenderem nada sobre, igual eu com publicidade.Mas aqui estou eu, bem longe da minha zona de conforto em Florence, no Oregon, no meu antigo quarto na casa da minha família em Las Vegas, me arrumando para um evento nada mais nada menos do que da Mercedes. Meu irmão mais velho, Christian, está cursando publicidade na universidade, o evento em si aconteceria ali em Vegas e o querido tinha a possibilidade de levar um acompanhante, então ele resolveu me arrastar.A vontade que eu tinha de estar no meio de um monte de riquinho metido e mimado com o nariz empinado debaixo da saia da mamãe e do papai empresário que tinham como lema que o dinheiro para ser limpo precisa ser lavado, era nula. Mas a vontade que eu tinha de demonstrar apoio e amor ao meu irmão era infinita, então eu iria. Ir
POV da VictoriaUma Semana AntesVivendo minha melhor vida. É como eu me sinto enquanto observo o verde infinito do meu quintal, se estendendo em toda a vizinhança. Eu amava morar em um lugar tão cercado pela natureza, mesmo que o que para mim era sinônimo de paz e felicidade fosse visto como isolado e melancólico pela maioria das outras pessoas.Na realidade, eu preferia desta maneira. Assim, a cidade grande ficava para gente de cidade grande, barulhentos, agitados e em um infinito mau humor. Eu estava muito mais feliz sentada em meu sofá enquanto apreciava o cenário refletindo sobre qual a próxima história que eu iria contar.Como escritora, era meu dever contar histórias que prendessem a atenção dos leitores, despertasse interesse e os fizesse sentir uma montanha russa de emoções em cada capítulo com os confrontos dos personagens e carinhos trocados pelos meus casais. Não é como se eu não fosse determinada e dedicada. Eu me dediquei tanto que eu conseguia sobreviver somente com os
POV do ConnorUm dia antesOs Jones são donos não só do país, minha família possui filiais espalhadas pelo mundo todo. Meus pais são donos de oficinas e lojas de peças para carros de luxo e garagens para a venda dos próprios carros espalhadas pelas maiores capitais, o que me garantiu uma vida confortável financeiramente e insuportável emocionalmente. Mas aprendi a lidar com isso muito bem.Aos vinte e um anos, eu já havia desistido de receber qualquer tipo de afeto vindo de minha família ou interesse em conhecer quem era seu filho de verdade. E se nem minha família se importava com a minha personalidade, sonhos e paixões, apenas com minha capacidade ou falta dela de fazer mais dinheiro, as outras pessoas muito menos.Amigos? Relacionamentos? Por puro interesse. Mesmo que eu me envolvesse e cercasse de pessoas com muito dinheiro, tudo que importava para elas era isso: O dinheiro. E de qualquer maneira, nenhuma delas tinha tanto quanto os Jones.No mundo dos ricos, era normal que todos
POV do ConnorHOJEAquele evento estava um espetáculo, não posso negar que minha família só tem o que tem e somos quem somos porque fazemos nosso trabalho direito. Mas nada além do que já era costume, os mais ricos porque não faria sentido convidar quem não possuía poder aquisitivo para adquirir um dos carros e os mais desafortunados que vinham como estudantes e um acompanhante cada.Todos fingiam que os estudantes eram invisíveis. Os outros, por se acharem superiores por terem dinheiro. Eu, porque me acham superior por ter dinheiro. Se ricos menos ricos já tentavam usufruir do meu dinheiro, quem nem dinheiro tinha seria pior ainda.Como eu estava substituindo o modelo e era o herdeiro daquele império, tive que ficar a maior parte do evento perto dos carros novos, demonstrando suas tecnologias e potência, clicando em botões do painel de controle e acelerando o carro parado para ouvirem o ronco do motor, que era a única coisa que estava me tranquilizando naquele momento, sentado no ban
POV da VictoriaEu preferia ir embora ou ficar o restante do evento no Volvo esperando por Chris do que aceitar qualquer favorzinho daquele riquinho intrometido. Mas não poderia ser egoísta com Chris, ele estava ali, como eu mesma disse ao riquinho, em uma oportunidade ótima que não poderia ser desperdiçada porque a irmã está com o vestido manchado de rosa e fedendo álcool.Então quando Chris aceitou a proposta, eu soube que mesmo querendo sair correndo me trancar no Volvo e desejar que ele aproveitasse o evento sem mim, eu não poderia fazer isso, estava ali para apoiá-lo e era isso o que iria fazer. Já que os ricos tem maior poder e influência, que servissem para ajudar meu irmão, mesmo que eu preferisse não precisar de nada vindo deles.Reviro os olhos quando o cara rico sorri com os dentes brancos demais, exibindo uma covinha na bochecha esquerda e dá uma piscadinha, ele era muito convencido mesmo. Engancho meu braço no de Chris e seguimos o homem desconhecido pelo salão em silênci