POV da Victoria
Eu preferia ir embora ou ficar o restante do evento no Volvo esperando por Chris do que aceitar qualquer favorzinho daquele riquinho intrometido. Mas não poderia ser egoísta com Chris, ele estava ali, como eu mesma disse ao riquinho, em uma oportunidade ótima que não poderia ser desperdiçada porque a irmã está com o vestido manchado de rosa e fedendo álcool.
Então quando Chris aceitou a proposta, eu soube que mesmo querendo sair correndo me trancar no Volvo e desejar que ele aproveitasse o evento sem mim, eu não poderia fazer isso, estava ali para apoiá-lo e era isso o que iria fazer. Já que os ricos tem maior poder e influência, que servissem para ajudar meu irmão, mesmo que eu preferisse não precisar de nada vindo deles.
Reviro os olhos quando o cara rico sorri com os dentes brancos demais, exibindo uma covinha na bochecha esquerda e dá uma piscadinha, ele era muito convencido mesmo. Engancho meu braço no de Chris e seguimos o homem desconhecido pelo salão em silêncio, até chegar em uma escadaria de mármore larga que levava ao andar de cima, na própria escada haviam seguranças e cordinhas vermelhas.
"É o Hall da Fama ou algo do tipo?" Pergunto sem conseguir me conter.
"Tá mais pra submundo dos ricos." O loiro ri sem humor. "Me espera aqui, vou colocar seu irmão lá dentro primeiro e volto para dar um jeito nas nossas roupas."
"Por que precisamos nos separar?" Aperto o braço de Chris.
"Porque seu irmão vai aproveitar mais cada segundo do evento dessa forma do que sendo babá da irmãzinha. Mas a escolha é de vocês." O loiro dá de ombros franzindo levemente a boca para baixo.
"Você é um..." Começo a retrucar o leve insulto, mas Chris fala por cima, me cortando:
"Muito obrigada pela ajuda, é muita gentileza da sua parte." Chris sorri e me lança um olhar suplicante. Assinto e dou um sorrisinho mínimo, o encorajando a ir.
Me desvencilho dele e cruzo os braços enquanto observo o rico conversando com os seguranças, eles escrevem em uma prancheta, retiram o broche de estudante de Chris e substituem por um com símbolo da Mercedes gravado, parecia ser de prata. Os dois sobem as escadas juntos, conversando e sorrindo como se fossem bons e velhos amigos, com a simpatia e facilidade que Christian sempre teve para fazer amizades, sendo o ser mais sociável do planeta, o que eu, obviamente, não era.
Não demora muito, o cara rico está de volta e mesmo com meus saltos altos, ele ainda era maior do que eu. Ele tira o blazer e j**a no ombro, sorri para mim e me oferece o braço para eu enganchar o meu. Pisco, sem me mover.
"Vamos, somos o casal manchado de rosa. Me acompanhe."
"Não somos um casal." Retruco, bufando um riso.
"Não ainda." Ele não se intimida. Da onde essa ideia surgiu? Mas antes que eu possa responder algo, ele continua falando. "Me chamo Connor."
Vejo que seus olhos brilham com expectativa e um... Certo receio? Esse nome deveria significar algo para mim, pela forma que ele age? Se o dinheiro e influência dele não me impressionaram, ele acha que um nome bonitinho vai? Ele nem sabe se eu sou solteira!
Pelo Christian, Victoria. Pelos Evans, pela sua família, pelo seu irmão.
Respiro fundo e aceito seu braço e o deixo me levar para um lugar aonde iríamos nos trocar e ficar apresentáveis novamente. Infelizmente, ele mesmo fedendo bebida e com uma mancha gigante na frente da camisa branca, continuava mais do que apresentável. Lição aprendida, nunca mais usar roupas claras em eventos.
"Me chamo Victoria." Falo e ele para de caminhar abruptamente. "O que? Qual a surpresa? É o mesmo nome da sua ex, por acaso?"
Ele, que me olhava com os olhos arregalados e de boca aberta, solta um riso nervoso e balança a cabeça, como se algo super inesperado estivesse acontecendo. Sim, estava, um bilionário ajudando alguém em um evento que em outra situação eu não ficaria nem sabendo que aconteceria.
"Evans? Victoria Evans?" Ele me pergunta cautelosamente. Ele ficou tímido de repente ou é impressão minha?
"Como sabe meu sobrenome?"
"Coloquei seu irmão na lista VIP, lembra?" Ele ergue a sobrancelha e voltamos a caminhar.
"E agora? Vai me perseguir depois que esse evento acabar?"
"Algo parecido." Ele sorri, mas não sei se está brincando. Esse homem é maluco?
"Por que está nos ajudando?"
"Porque eu estou me redimindo pela nossa batida e eu sou legal." Ele dá um sorriso de canto. A m*****a covinha aparece novamente.
"Nenhum favor é de graça." Balanço a cabeça enquanto saímos do local, indo para o estacionamento. Eu aperto seu braço sem querer, devido ao nervosismo.
"Não tem nenhum favor que vocês possam me retribuir que eu não possa conseguir sozinho. Relaxa, loirinha. Vamos lá em casa, nos trocamos e voltamos bem rápido, antes que percebam que saímos, combinado?" Ele pergunta, parando ao lado de uma Mercedes AMG G63 Grand Edition preta e abrindo a porta do passageiro para mim.
"Eu não avisei meu irmão." Justifico, percebendo o quanto aquela era uma péssima ideia.
"Manda uma mensagem, compartilha a localização. Você está mais segura comigo do que com qualquer outra pessoa no mundo, Victoria. Eu te prometo." Ele fala em tom sério, colocando meu cabelo atrás da orelha enquanto olha no fundo dos meus olhos.
"Por que sua palavra deveria valer algo para mim?" Pergunto, o analisando minuciosamente.
"Pode deixar de valer se algum dia eu lhe der motivo para isso." Ele diz, ainda com a mão em meu cabelo.
"Algum dia? Nunca mais nos veremos depois deste evento."
"Só se você não quiser. Agora pode, por favor, entrar no carro?" Ele abre um pouco mais a porta, me dando espaço.
Respiro fundo. Quanto mais tempo perdido, mais tempo longe de Christian. Vamos acabar logo com isso. Entro no carro com cuidado, com medo de encostar demais no banco em que estava sentada para não estragar nada. Quantas garotas já devem ter sentado ali naquele mesmo lugar sem cuidado algum? Eu sou uma boba. Connor dá mais um sorriso irritante de tão perfeito ao fechar a porta para mim e ir se sentar no banco do motorista. Ele dá a partida e eu sinto meu estômago dar um nó e meu coração saltitar. O que estou fazendo? O que está acontecendo? Quem é Connor? Eu nem imaginava, mas estava prestes a descobrir.
POV do Connor.O som do motor do carro era reconfortante, preenchia o silêncio que pairava entre nós. Eu estava dirigindo, a mão direita no volante, a esquerda repousando em minha perna resistindo ao impulso de esticar para tocá-la, enquanto ela olhava pela janela, os cabelos dourados se balançando suavemente com o vento. As luzes da cidade refletiam em sua pele, criando sombras que davam um toque quase cinematográfico a ela. Ela continuava com aquele biquinho e as sobrancelhas franzidas, não abandonava a pose de mulher brava, o que me encantava ainda mais. A Victoria Evans, dona dos livros que eu lia escondido de todos, no meu banco do carona, a vida é mesmo muito engraçada. Uma coincidência que eu nunca imaginei ser possível de acontecer. Melhor ainda, com a loira me detestando após eu ter a feito derramar sua bebida em nossas roupas, mesmo ajudando seu irmão e ela, ela continuava na defensiva. Que mulher difícil, qualquer outra já estaria se derretendo aos meus pés."Para onde est
POV da VictoriaEu poderia estar entrando em um palácio, mas era só a mansão da família do Connor. A forma como ele dirigia era incrível de se observar, como se fosse algo tão natural quanto respirar. Eu odiava dirigir, sempre me acomodava no banco do carona, longe da adrenalina de estar atrás do volante, sempre que tentei até uma tartaruga poderia me ultrapassar. Tinha um muro rodeando a propriedade, tão extenso que cheguei a achar que estávamos passando por um condomínio, já que eu não conhecia aquele bairro da cidade, mas os portões de ferro se abrem e entramos. Ele dirige por um extenso gramado com vista para jardins até entrar na garagem, a mansão era de mármore branco, grande o suficiente para abrigar todos que estavam no evento da Mercedes.Quem é que tem um elevador em casa? Aquilo era insano. E injusto. Quantas pessoas não tinham nem uma casa e ele com uma mansão, não deveria nem acessar todos os cômodos daquele imóvel. Ao atravessarmos o longo corredor, meus passos são abaf
POV do ConnorUm minuto. Não era nem perto do que eu queria passar com ela, mas como não sabia quando e como a veria novamente, era tudo o que eu precisava. Teria que bastar. Victoria pressiona seus seios contra meu peito nu enquanto a puxo para mais perto ainda pela cintura, pressionando sua nuca para aprofundar o beijo, nossas línguas se entrelaçavam sensualmente, seus lábios doces se movimentavam junto aos meus em sincronia, como uma melodia harmônica. Ela suspira em meio ao beijo quando mordo lentamente seu lábio inferior, suas mãos deslizam por meu corpo, mostrando que ela estava se deliciando tanto quanto eu, apertando minha pele para encurtar a distância mínima que havia entre nós.Afasto nossos lábios para fazer o que poderia nunca mais ter a oportunidade, ela resmunga em reclamação pela separação e eu dou uma risada baixa e rouca, cada mínimo som, suas bochechas coradas e os lábios entre abertos esperando por mais beijos, cada movimento dela era uma tentação sem fim. Aquel
POV da VictoriaCaramba. Foram os sessenta segundos mais intensos da minha vida inteira, para a garota que preferia viver a vida dos personagens de histórias lidas e escritas, viver algo na vida real, ter a experiência, sentir e ser marcada na pele era surreal. Connor parece perceber que eu quero ficar em silêncio no caminho de volta e por sua forma de dirigir estar relaxada, dava para ver que era algo que ele fazia no automático, com seu cenho franzido, se perdia em seus próprios pensamentos. Eu já havia tido encontros e dado alguns amassos antes, mas isso no ensino médio, ou seja, faziam alguns bons anos que eu não me lembrava como era beijar alguém. Da forma como fui beijada, a forma como meu corpo reagiu e implorou imediatamente pelo seu, nunca havia acontecido e eu nem sabia que era possível. Eu sentia o desejo de Connor por mim a cada mínimo movimento e gesto dele, assim como o meu só crescia. O gosto de seu beijo, com hálito de menta e suas mãos hábeis por meu corpo, a forma
POV da Victoria Antes que Connor pudesse responder qualquer coisa, eu interfiro para tentar fazer meu irmão se acalmar, se sentar e prestar atenção no que realmente interessava e era o motivo de estarmos ali, seu estudo.“Eu não fui pagamento de nada, Christian, nós não fizemos nada, tá legal? Para de criar cena, por favor.” Peço, querendo virar um avestruz e enfiar a cabeça debaixo da terra, fazer um buraco e me esconder lá dentro de tanta vergonha. “Então como surgiu esse mancha no seu peito, Victoria?” Christian obviamente não estava me dando credibilidade alguma.“Eu quis dizer que nós não transamos, Christian! Nós nos beijamos, tá legal? Eu quis que ele me beijasse.” Explico, segurando seu braço e o apertando, para que entendesse o que eu estava dizendo. Seu olhar passa de confusão para o início de uma compreensão.“Eu não pedi pagamento de nada. Beijei sua irmã sim, mas não me aproveitei dela. A beijei porque ela é a mulher mais maravilhosa que já pude conhecer e isso dinheiro
POV do ConnorEu já sabia que aquele momento chegaria, mas chegou mais rápido do que eu gostaria, o tempo ao lado de Victoria passava extraordinariamente veloz, fosse com ela me detestando, o que me divertia porque achava graça em implicar com ela só para ouvir suas respostas afiadas, ou nos breves momentos em que baixava a guarda e me mostrava seu lado mais doce e compreensivo, como quando me chamou de Con. Ela nem imaginava que me chamar por um apelido que nunca ninguém havia falado seria o bastante para me fazer sentir um garotinho bobo e feliz, nem eu imaginaria isso até acontecer. Ela disse que qualquer que fosse a verdade, não importaria e ela nem queria saber porque não iria fazer diferença depois daquela noite, mas fica claro o quanto aquilo não era verdade, pois ao me anunciarem e chamarem no microfone, Victoria fica azul."Vic..." Chamo, após me levantar. Eu sabia que já tinha aproveitado demais minha sorte em não ter passado a noite trabalhando para meus pais, se não fosse
Pov do Connor Eu e minha mãe subimos no palco, sorrimos e acenamos igual aos pinguins de Madagascar e as luzes que nos iluminavam são apagadas para que o vídeo comercial do novo carro fosse passado enquanto eu me encaminhava para minha verdadeira função naquele evento. Me afasto de meus pais sorrateiramente indo tomar meu lugar naquele show todo. O modelo na verdade está mais para um piloto atraente que dirige o carro passando lentamente pelo salão, dando voltas para exibir o veículo em movimento. Mas acho uma forma muito fraca de exibir o carro, chegava a ser uma ofensa perto do potencial que ele tinha. Digamos que meus planos eram um pouco diferentes dos de meus pais. Eu iria, sim, ser um piloto gostoso dentro da Mercedes, só não iria andar tão devagar para que o público pudesse me admirar. Iria fazer o que deveria ser feito, fazer com que admirassem aquela máquina em seu melhor desempenho. Quando as luzes do telão se apagam e as dos fundos do salão se acendem, eu já estou no ba
POV Victoria Evans Connor Jones dirigindo era o verdadeiro pecado de Las Vegas e eu desejar tão ardentemente estar no banco do carona para poder observá-lo dirigir seria o meu segredo. A multidão vibrava a cada marcha que ele passava, a cada curva, cada ronco do motor que ecoava no salão e eu me sinto tonta conforme a fumaça sobe. "Será que se eu der o Volvo em troca, eu saio com uma bebê dessas?" Christian me pergunta, se referindo, obviamente, ao carro."Caramba." É tudo o que consigo balbuciar, apoiando minhas mãos na mureta, de pé na ponta daquela espécie de sacada do VIP. Eu e Chris éramos os únicos daquela área de pé para assistir, os demais continuavam sentados bebericando seus drinks. Você precisa estar alcoolizado para ter coragem suficiente de gastar um valor que compraria a cidade inteira em um único carro.Meu coração está acelerado, quase saltando pela boca desde a primeira acelerada de Connor, em que parecia que o carro iria sair voando, passando a centímetros de dist