A voz de Fiona era estridente, e o olhar que ela lançou para Zara estava carregado de ódio e raiva. Zara, no entanto, apenas a encarou com tranquilidade. Em comparação com as emoções descontroladas de Fiona, Zara parecia tão calma que Fiona mais se assemelhava a um palhaço desajeitado e histérico. A expressão de Fiona ficou ainda mais feia. Quando ela estava prestes a dizer algo, Zara a interrompeu: — Se eu fosse você, começaria a pensar no que fazer daqui para frente. — Fazer o quê? O que você quer dizer com isso? — A pessoa que te protege está quase morrendo. — Zara respondeu lentamente. — Você não acha que seria bom começar a pensar em como vai lidar com isso? Fiona quis rebater imediatamente, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. Ela sabia exatamente de quem Zara estava falando: Vera. Nos últimos anos, na família Garcia, Carlos parecia ser o chefe da casa, mas, quando se tratava da relação entre Zara e Fiona, quem realmente tinha a palavra final era Vera. Ca
Embora o casamento tivesse sido organizado às pressas, todos os convidados importantes foram devidamente chamados. Zara, como membro da família, ficou ao lado de Carlos na entrada para receber os convidados. Naquele dia, ela vestia um elegante vestido longo na cor champanhe. Seu cabelo estava preso em um coque simples, deixando à mostra o pescoço esguio, e sua maquiagem suave realçava sua beleza de maneira discreta. Apesar de sua aparência estar propositalmente contida, os acontecimentos recentes ainda atraíam murmúrios por onde ela passava. As pessoas evitavam comentar algo diretamente na frente de Zara, mas os olhares julgadores a atravessavam como lâminas, alcançando-a mesmo através da multidão. Zara, no entanto, já havia previsto essa situação antes de sair de casa. Assim, ela manteve a compostura e continuou cumprimentando os convidados com um sorriso impecável. Foi nesse momento que Ophelia chegou. Diferente de Zara, Ophelia estava vestida de forma chamativa. Seu vestid
O calor dentro do quarto só terminou de vez duas horas depois. O som da água vindo do chuveiro preenchia o ambiente, enquanto Zara Garcia, após alguns minutos de descanso, finalmente se levantava da cama. Suas pernas ainda tremiam, e ela se abaixou para pegar as roupas espalhadas pelo chão. As ações dele naquela noite tinham sido um pouco mais intensas do que o habitual, a ponto de sua mente ainda parecer vazia. Tentou abotoar o pijama várias vezes, mas seus dedos trêmulos falhavam repetidamente. Logo, o homem saiu do banheiro. Sua figura era alta e imponente, os traços do rosto fortes sem perder a beleza. Envolto apenas por uma toalha amarrada na cintura, gotículas de água deslizavam lentamente por seus músculos definidos, escorrendo pelo abdômen até desaparecerem. Ao notar que Zara ainda estava ali, ele franziu levemente as sobrancelhas. Zara, por sua vez, evitou olhá-lo diretamente. Mantendo o olhar fixo no botão do pijama, continuou travando sua pequena batalha silenciosa
Quem falava era Ophelia Brown, melhor amiga de Fiona e herdeira de um grande grupo empresarial.Ophelia e Fiona cresceram juntas. Desde sempre, Ophelia era uma das maiores apoiadoras do relacionamento entre Fiona e Orson. Agora, com Zara ocupando o lugar de Sra. Harris, Ophelia obviamente não nutria bons sentimentos por ela. Quando Ophelia viu Zara parada na porta, seu semblante continuava impassível, sem qualquer sinal de constrangimento ou desconforto.Foi Fiona quem quebrou o silêncio, chamando-a com suavidade:— Irmã, você veio?Zara apenas assentiu com a cabeça.— Vim te buscar. Já arrumou suas coisas?— Já sim. Vamos.Fiona respondeu de forma dócil, enquanto Zara se mantinha séria. Ophelia, no entanto, não conseguiu segurar a língua:— Sra. Harris, e o Sr. Orson? Hoje é o dia da alta da Fiona e ele não veio buscá-la?— Ele foi para a empresa. — Respondeu Zara, com tranquilidade.— Ah, parece que ele está muito ocupado. Só não sei se está tão ocupado assim ou se foi você quem não
Às sete da noite, Orson voltou pontualmente à mansão. Fiona estava na sala de estar naquele momento. Assim que o viu, deu alguns passos à frente, apressada. — Cunhado! Você voltou! Orson lançou-lhe um leve sorriso, erguendo os olhos logo em seguida. Zara, que observava a cena em silêncio, apertou os lábios e caminhou até ele para pegar o casaco que ele tirava. — O jantar está pronto. — Disse Zara, com o tom reservado de sempre. Na mesa, enquanto todos começavam a comer, Fiona olhou de relance para Zara antes de baixar o tom de voz: — Desculpa, cunhado. Estar aqui não está atrapalhando você e minha irmã? — Perguntou Fiona, com uma expressão hesitante. — Eu até falei pra mamãe que podia ficar sozinha, mas ela não quis deixar... — Não tem problema. — Respondeu Orson, sem hesitar. — Fique aqui o quanto precisar. Se precisar de algo, é só falar. — Sério? Não vai ser um incômodo? — Claro que não. — Srta. Fiona, a sua presença só traz alegria pra esta casa! — Comentou Iv
Zara sentiu o corpo estremecer e, num instante, abriu os olhos. Suas mãos se moveram com força, tentando empurrá-lo. Mas Orson parecia alheio a tudo. Com um movimento rápido e decidido, segurou os pulsos dela e a pressionou contra a parede. Seus gestos eram tão firmes e autoritários quanto sempre foram. Zara quis soltar um grito, mas algo lhe passou pela mente, e ela engoliu o som antes que escapasse. O barulho do chuveiro continuava, abafando qualquer ruído. Fora do banheiro, Fiona parecia não ter percebido nada e ainda insistia: — Cunhado? Zara virou o rosto para encarar Orson. Seu rosto estava vermelho — talvez pela raiva, talvez por outro motivo. Seus olhos estavam arregalados, carregados de emoção. Era um contraste gritante com sua habitual calmaria. Ela parecia mais viva do que nunca. Orson, ao vê-la assim, intensificou os movimentos, como se estivesse descarregando algo que carregava dentro de si. Seus corpos, perfeitamente sincronizados, levaram Zara a um clímax i
Fiona cresceu junto com Orson, então conhecia a Mansão Harris muito melhor do que Zara. Assim que entrou na casa, caminhou animada em direção a Paula, com um sorriso caloroso: — Vovó! — Meu Deus, é a Fiona? — Exclamou Paula, visivelmente contente. — Deixa eu ver... Você está mais magra de novo, não está? — Não estou, não, vovó. — Respondeu Fiona, rindo. — Olha só, fiz acarajé pra você! — Que menina querida, sempre tão atenciosa! As duas conversavam animadamente, com Paula exibindo um sorriso radiante. Mas, no momento em que Zara se aproximou, o sorriso de Paula diminuiu consideravelmente. Zara, fingindo não notar a mudança, cumprimentou-a formalmente: — Olá, vovó. Paula a olhou por um instante, como se quisesse dizer algo mais, mas Zara desviou o olhar rapidamente e chamou alguém que estava na escada: — Sogra. — Sra. Marta! — Fiona, que estava apoiada no ombro de Paula, endireitou-se de imediato ao avistar Marta. Seus olhos demonstravam um misto de respeito e ap
Orson chegou em casa antes do jantar.Ao ver o neto, Paula imediatamente abriu um sorriso caloroso. Segurou firme as mãos de Orson, enchendo-o com perguntas e preocupações.— Orson, você está mais magro de novo. — Comentou Paula, com um tom de descontentamento. — Olhe para você, menino! Como é que está vivendo? Parece até que perdeu mais peso do que antes de casar. Sua esposa não está cuidando de você direito?Aquelas palavras, embora ditas em tom casual, apontavam diretamente para Zara.Antes que Zara pudesse responder, Fiona se apressou em intervir:— Vó, não pense assim da minha irmã! Ela anda tão ocupada ultimamente, sabia? Ouvi dizer que ela está para lançar mais um quadrinho. A senhora não reparou que ela também emagreceu bastante? Ontem mesmo, fiquei morrendo de pena só de olhar para ela.Apesar de soar como uma defesa, as palavras de Fiona tinham um tom ambíguo, que deixava no ar uma sensação de desconforto. Zara, claro, entendeu perfeitamente as intenções escondidas.Paula, ao