Quando concluí a tarefa segui direção a sala dele vendo ele encarar a tela do notebook dele a frente. Ele ergueu um olhar e baixou novamente. Eu permaneci confusa até ele falar.— Phenelope me contou que você tá um pouco devagar? Tá tendo alguma dificuldade?— O que?— Não consegui esconder minha cara susto. Aquela vaca tem mentido sobre mim para o Lúcio?— Estou me esforçando.— Respondi. Mas a vontade era de soltar uns xingamentos direcionado a aquela vaca.— Pensei que tinha falo que conseguiria.— Ele parecia estar me desafiando. Era ridículo aquilo, mas se eu tivesse poupado as palavras dito que aceitaria uma ajuda sempre que alguém me desse, ele não pegaria tanto no meu pé.— Eu não desisti, porque está dizendo que não consigo? Não tem nada definido aqui e quando chegar a hora eu irei desistir por mim mesma. Não vou pedir que sua secretaria venha aqui te informar.— Lúcio deu um meio sorriso.— Essa é você.— Ele me encarou.— Preciso que suba ao setor de produção e me faça uma lista d
Lúcio apareceu nos encarando de olhos estreitos. Phenelope sorriu falsamente pra ele, eu permaneci com a mesma expressão de desgosto.— Está tudo bem Samira? Já vai subir?— Ele direcionou a mim. Eu o encarei de forma breve para não olhar tanto para ele.— Já estava de saída senhor Lúcio.— Respondi forçando uma expressão amigável. Mas eu conhecia Lúcio o suficiente pra saber que ele não era burro de não perceber que estava forçando.— Senhor?— Ele sorriu parando a minha frente.— Nada disso, já tivemos essa conversa tá.Ele balançou a cabeça enquanto manteve um sorriso de desconforto. Era óbvio que ele não criara essa regra, era coisa da vaca ciumenta. Ela só podia ser louca por ele mesmo. Ele seguiu a mesa dela.— Preciso que passe essa papelada para o nosso cliente que chegará em 20 minutos. Talvez eu esteja na reunião e receio que não possa atende-lo.— Ele deixou na mesa dela e voltou a sua sala novamente.Eu soltei minha respiração confortavelmente.Ufa! que situação esquisita.Quan
A luta estava cada vez pior. Eu com certeza não me dava nada bem com escadas, isso era óbvio para qualquer um. Mas estava receosa quanto a falar ao Lúcio sobre isso. Se eu pelo menos tivesse chegado no setor de cima eu daria um jeito quanto a volta, mas estava difícil.Tive que parar e me acalmar, sempre repetindo mentalmente que não podia olhar os degraus. Estava certa que se fizesse isso eu teria uma crise e não conseguiria me equilibrar. Respirei pausadamente lembrando de manter as mão sobre o corre mão.Quando achei que estava pronta para subir ouvi passos atrás de mim e por impulso eu virei. Péssima ideia!Eu senti que não teria equilíbrio para me manter de pé, e aos poucos sem conseguir controlar nem focar a visão em absolutamente nada naquela escadaria escura eu tombei para trás sentindo que meu corpo foi mantido de pé por alguém. Eu sentia que a cada segundo eu cairia mesmo estando de pé. Meu corpo foi virado e eu também senti uma mão sobre meu rosto, mas era impossivel enxerga
— Você está bem Samira? Porque está olhando pra cima?— Ela tem um problema com escadas.— Lúcio tomou a minha frente quando abri a boca para responder.— Disse pra me esperar na sala. Estarei lá em alguns minutos.Eu não vi o rosto do Lawrence nem como ele deve ter ficado confuso com a situação. Depois tentaria conversar com ele novamente, por enquanto o meu problema era subir aquelas escadas.Quando chegamos a porta do setor de produção Lúcio soltou as mãos de mim passando a agasalhar seu terno justo na hora que um dos funcionários abriu a porta e parecia confuso com a cena. Lúcio agasalhando o terno e eu confusa tentando entender que lugar era aquele e que situação estranha tinha sido aquela de minutos antes.— Preciso do telefone imediatamente. Me passa o ramal. Preciso ligar para a recepção.— Lúcio falou adentrando a sala e puxando o funcionário de forma rápida pelo pulso. Lá estava ele, como se nada tivesse acontecido. Determinado, direto e obcecado pelo seu trabalho. Ele se dire
As portas do elevador se abriram eu vi Phenelope me encarar a certa distância. Vaca mentirosa! Dava náuseas olhar pra tanta falsidade em uma única mulher. Como ela pôde mentir pra mim sobre o elevador? E se o Lúcio não tivesse aparecido? Algo sério poderia ter acontecido. Mantive-me inexpressiva e continuei meu trajeto seguindo a sala do Lúcio. Eu reconhecia pessoas que eu tinha que falar e pessoas que eu tinha que me calar.Lúcio não estava na sala, deixei a prancheta com a guia de anotações que ele tinha me pedido sobre sua mesa. Ao sair da sala fechei a porta. Quando ergui meus olhos e observei o setor, percebi Lawrence sentado em uma das poltronas da recepção. Ele me viu, me olhou e com aquele olhar objetivo dava pra vê que queria algo. Vi ele levantar da cadeira e seguir a minha direção.Constatei no relógio que já era minha hora de almoço. Eu peguei minha bolsa e dei a volta na bancada onde Phenelope se encontrava avaliando uma papelada cuidadosamente.— Pode avisar ao Lúci
Uma garota de cabelos violeta e tatuada nos recepcionou, ela agarrou Lawrence pelo pescoço fingindo um mata leão e ele se rendeu reclamando da cena que ela estava fazendo. Ela tinha umas tranças na parte da frente do cabelo o que a deixava muito atraente. Mas embora fosse muito bonita ela não tinha nada asiático, não parecia o Lawrence.— Raylla essa é Samira e Samira essa é Raylla minha irmã. — Ele nos apresentou e nós nos cumprimentamos. Raylla era alta, era magra mas não tanto, tinha um corpo harmonioso, pele clara e um sorriso encantador, mas sua personalidade era das fortes, mulher visivelmente desenrolada e capaz.— Você disse que não estava namorando. — Raylla bateu o ombro dele e saiu direção a uma porta que levava a um lugar que eu não fazia ideia do que era. Mas não antes de ouvir Lawrence gritar de volta a ela um "Não estou namorando" ele me olhou falando só para que nós escutássemos.— Por enquanto. — Franzi os olhos o encarando.— Está muito convencido.— O respondi. Ele p
— Na verdade... — Ela encarou uma lista de anotação sobre a mesa. — O Lúcio veio busca-lo.Soltei um suspiro alto de forma desajeitada, meu Deus!— Graças a Deus. — Soltei um longo suspiro e Lawrence franziu as sobrancelhas enquanto seus olhos permaneciam fixos aos meus ao ouvir minha frase.O puxei para fora agradecendo a senhora pela informação e segui ao carro as pressas.— Espera eu não entendi, o que o Lúcio tem a ver com o Caleb e você?— Lawrence questionou depois de um tempo dirigindo. Ele me olhou confuso.— É uma longa historia, essa é a parte que citei sobre uma série de acontecimentos. Lúcio fez por mim o que ninguém nunca fez.— Eu o respondi vendo sua expressão ficar cada vez mais azeda.— Mas ele não é o pai do seu filho, porque não desmentiu?— Percebi que a preocupação de Lawrence resumia no famoso ego masculino, e questão de honra. Eu sabia perfeitamente que essa afirmação não era verídica, e era exatamente por isso que não me preocupava tanto. Lawrence estava com ciumes
— Morta de fome — Ela disse em um tom mais baixo para que apenas nós duas pudessemos ouvir.— Você não sabe quem sou e não imagina do que sou capaz.— De forma discreta ela segurou meu braço enquanto aproximava do meu ouvido. Suas unhas enormes machucaram minha pele no primeiro contato, e ela sabia que estava fazendo aquilo. Minha respiração parecia acelerada, eu estava me controlando, eu realmente estava. Meus olhos permaneceram fixos aos olhos azuis dela.— O que você faz aqui?— A voz grave de Lúcio a interrompeu do aperto dolorido sobre meu braço. E eu estava grata mentalmente por aquilo, as suas unhas eram como facas e de tanto pressionar meu braço estava levemente dolorido, se não estivesse cortado.— Estava perguntando a mesma coisa para ela.— Ela virou seu corpo de forma rapida para ele tentando esconder meu braço por trás do seu corpo.— Não ela, você.— Lúcio foi direto e claro. Ela pareceu engolir ar seco pela garganta pois ela tentou dizer algo mas sua voz não saiu. — Na minha