Lúcio apareceu nos encarando de olhos estreitos. Phenelope sorriu falsamente pra ele, eu permaneci com a mesma expressão de desgosto.— Está tudo bem Samira? Já vai subir?— Ele direcionou a mim. Eu o encarei de forma breve para não olhar tanto para ele.— Já estava de saída senhor Lúcio.— Respondi forçando uma expressão amigável. Mas eu conhecia Lúcio o suficiente pra saber que ele não era burro de não perceber que estava forçando.— Senhor?— Ele sorriu parando a minha frente.— Nada disso, já tivemos essa conversa tá.Ele balançou a cabeça enquanto manteve um sorriso de desconforto. Era óbvio que ele não criara essa regra, era coisa da vaca ciumenta. Ela só podia ser louca por ele mesmo. Ele seguiu a mesa dela.— Preciso que passe essa papelada para o nosso cliente que chegará em 20 minutos. Talvez eu esteja na reunião e receio que não possa atende-lo.— Ele deixou na mesa dela e voltou a sua sala novamente.Eu soltei minha respiração confortavelmente.Ufa! que situação esquisita.Quan
A luta estava cada vez pior. Eu com certeza não me dava nada bem com escadas, isso era óbvio para qualquer um. Mas estava receosa quanto a falar ao Lúcio sobre isso. Se eu pelo menos tivesse chegado no setor de cima eu daria um jeito quanto a volta, mas estava difícil.Tive que parar e me acalmar, sempre repetindo mentalmente que não podia olhar os degraus. Estava certa que se fizesse isso eu teria uma crise e não conseguiria me equilibrar. Respirei pausadamente lembrando de manter as mão sobre o corre mão.Quando achei que estava pronta para subir ouvi passos atrás de mim e por impulso eu virei. Péssima ideia!Eu senti que não teria equilíbrio para me manter de pé, e aos poucos sem conseguir controlar nem focar a visão em absolutamente nada naquela escadaria escura eu tombei para trás sentindo que meu corpo foi mantido de pé por alguém. Eu sentia que a cada segundo eu cairia mesmo estando de pé. Meu corpo foi virado e eu também senti uma mão sobre meu rosto, mas era impossivel enxerga
— Você está bem Samira? Porque está olhando pra cima?— Ela tem um problema com escadas.— Lúcio tomou a minha frente quando abri a boca para responder.— Disse pra me esperar na sala. Estarei lá em alguns minutos.Eu não vi o rosto do Lawrence nem como ele deve ter ficado confuso com a situação. Depois tentaria conversar com ele novamente, por enquanto o meu problema era subir aquelas escadas.Quando chegamos a porta do setor de produção Lúcio soltou as mãos de mim passando a agasalhar seu terno justo na hora que um dos funcionários abriu a porta e parecia confuso com a cena. Lúcio agasalhando o terno e eu confusa tentando entender que lugar era aquele e que situação estranha tinha sido aquela de minutos antes.— Preciso do telefone imediatamente. Me passa o ramal. Preciso ligar para a recepção.— Lúcio falou adentrando a sala e puxando o funcionário de forma rápida pelo pulso. Lá estava ele, como se nada tivesse acontecido. Determinado, direto e obcecado pelo seu trabalho. Ele se dire
As portas do elevador se abriram eu vi Phenelope me encarar a certa distância. Vaca mentirosa! Dava náuseas olhar pra tanta falsidade em uma única mulher. Como ela pôde mentir pra mim sobre o elevador? E se o Lúcio não tivesse aparecido? Algo sério poderia ter acontecido. Mantive-me inexpressiva e continuei meu trajeto seguindo a sala do Lúcio. Eu reconhecia pessoas que eu tinha que falar e pessoas que eu tinha que me calar.Lúcio não estava na sala, deixei a prancheta com a guia de anotações que ele tinha me pedido sobre sua mesa. Ao sair da sala fechei a porta. Quando ergui meus olhos e observei o setor, percebi Lawrence sentado em uma das poltronas da recepção. Ele me viu, me olhou e com aquele olhar objetivo dava pra vê que queria algo. Vi ele levantar da cadeira e seguir a minha direção.Constatei no relógio que já era minha hora de almoço. Eu peguei minha bolsa e dei a volta na bancada onde Phenelope se encontrava avaliando uma papelada cuidadosamente.— Pode avisar ao Lúci
Uma garota de cabelos violeta e tatuada nos recepcionou, ela agarrou Lawrence pelo pescoço fingindo um mata leão e ele se rendeu reclamando da cena que ela estava fazendo. Ela tinha umas tranças na parte da frente do cabelo o que a deixava muito atraente. Mas embora fosse muito bonita ela não tinha nada asiático, não parecia o Lawrence.— Raylla essa é Samira e Samira essa é Raylla minha irmã. — Ele nos apresentou e nós nos cumprimentamos. Raylla era alta, era magra mas não tanto, tinha um corpo harmonioso, pele clara e um sorriso encantador, mas sua personalidade era das fortes, mulher visivelmente desenrolada e capaz.— Você disse que não estava namorando. — Raylla bateu o ombro dele e saiu direção a uma porta que levava a um lugar que eu não fazia ideia do que era. Mas não antes de ouvir Lawrence gritar de volta a ela um "Não estou namorando" ele me olhou falando só para que nós escutássemos.— Por enquanto. — Franzi os olhos o encarando.— Está muito convencido.— O respondi. Ele p
— Na verdade... — Ela encarou uma lista de anotação sobre a mesa. — O Lúcio veio busca-lo.Soltei um suspiro alto de forma desajeitada, meu Deus!— Graças a Deus. — Soltei um longo suspiro e Lawrence franziu as sobrancelhas enquanto seus olhos permaneciam fixos aos meus ao ouvir minha frase.O puxei para fora agradecendo a senhora pela informação e segui ao carro as pressas.— Espera eu não entendi, o que o Lúcio tem a ver com o Caleb e você?— Lawrence questionou depois de um tempo dirigindo. Ele me olhou confuso.— É uma longa historia, essa é a parte que citei sobre uma série de acontecimentos. Lúcio fez por mim o que ninguém nunca fez.— Eu o respondi vendo sua expressão ficar cada vez mais azeda.— Mas ele não é o pai do seu filho, porque não desmentiu?— Percebi que a preocupação de Lawrence resumia no famoso ego masculino, e questão de honra. Eu sabia perfeitamente que essa afirmação não era verídica, e era exatamente por isso que não me preocupava tanto. Lawrence estava com ciumes
— Morta de fome — Ela disse em um tom mais baixo para que apenas nós duas pudessemos ouvir.— Você não sabe quem sou e não imagina do que sou capaz.— De forma discreta ela segurou meu braço enquanto aproximava do meu ouvido. Suas unhas enormes machucaram minha pele no primeiro contato, e ela sabia que estava fazendo aquilo. Minha respiração parecia acelerada, eu estava me controlando, eu realmente estava. Meus olhos permaneceram fixos aos olhos azuis dela.— O que você faz aqui?— A voz grave de Lúcio a interrompeu do aperto dolorido sobre meu braço. E eu estava grata mentalmente por aquilo, as suas unhas eram como facas e de tanto pressionar meu braço estava levemente dolorido, se não estivesse cortado.— Estava perguntando a mesma coisa para ela.— Ela virou seu corpo de forma rapida para ele tentando esconder meu braço por trás do seu corpo.— Não ela, você.— Lúcio foi direto e claro. Ela pareceu engolir ar seco pela garganta pois ela tentou dizer algo mas sua voz não saiu. — Na minha
— Não sei o que Lúcio tem na cabeça de permitir a presença da Gabriela nessa casa.— Lawrence falava enquanto me guiava ao carro. — Tenho uma maleta de primeiro socorros no carro.— Ele disse ao perceber que estava me levando pela mão sem informar o porque.— Não parecia que o Lúcio sabia da presença dela na casa. E eles tem uma filha juntos. O casamento pode ter acabado mas o fato de terem uma filha juntos não.— O respondi ao sentar no banco do carro mantendo a porta aberta enquanto Lawrence retirava uma maleta por de baixo de um dos bancos de trás.— Porque você se importa sempre em defende-lo?— Lawrence fixou seus olhos sobre os meus de forma questionadora. E ali estava o ponto em questão, porque se incomodar tanto?— Vou ser clara e direta com você, Lawrence. Me desculpe se aparentar ignorância.— Soltei o meu braço retirando de sua mão.— Você está em algum tipo de relacionamento comigo?— Lawrence parecia assustado.— Você tem ciumes de mim ou ciumes do Lúcio?Seus olhos embora apertad