Natascha
— Quero saber exatamente onde elas estão e o que querem fazer com elas lá — murmuro, verificando os visores.
Elina está muito empenhada em me dar o que quero, não posso dizer o contrário, contudo, sei o quanto essas quatro podem ser inconsequentes em momentos que não deveriam.
Entrar no jogo deles assim não é a melhor estratégia na minha visão, também não é na de Pasha, mas o que mais podemos fazer quando já foram levadas por contra própria? Se quisessem escapar teriam conseguido.
Compreendo que essa não é a situação mais perigosa que enfrentaram, contudo, estamos falando de um ambiente cheio de assassinos enquanto uma delas está sendo controlada pelos desejos de outra pessoa. Aquela vaca vai me pagar assim que eu puser meus olhos nela.
Vai se arrepender de tudo que foi feito e não haverá ninguém que possa dizer que estou errada, tenho certeza disso. Acham que podem apenas mexer onde querem sem que as consequências cheguem
Natascha— Não pensei que esse seria o tipo de festa em que nos encontraríamos — fala Oleg, se aproxima apanhando minha mão com cuidado, deixando um beijo no meio das costas dela. Acha que tem o direito de se aproximar e apenas encostar em mim? — Não parece tão feliz hoje.— Não tem muito pelo que me alegrar aqui — digo, puxo minha mão da sua.Olha-me com braveza após verificar o que farei em seguida. Se espera um pedido de desculpas, é bom ir se sentar antes que suas pernas velhas cedam.— Também não sabia que estaria entre os convidados — revelo.— Sou uma presença confirmada todos os anos, gosto de ver aqueles pobres coitados correndo, mesmo que saibam que não podem escapar — esclarece e deveria saber que esse seria o tipo de entretenimento que alguém como ele procura. — Sempre me questionei o porquê de a mulher chefe de uma organização de assassinato não participar, mas imagino que estavam apenas esperando pelo mo
Natascha— Oh, então você veio mesmo — proferiu Oleg como se desejasse que Pasha desaparecesse da sua frente antes que sua mente perceba que se não correr a sua chance de salvação acaba.Creio que não serve de muita coisa quando é nítido que não haverá um recuo da parte de Pasha, e ele é o único que está dando sinais de que algo está errado.Sendo assim, é aquele que tem que correr antes que o problema chegue a ele.Você não fica apenas parado esperando que um trem passe por cima de você.— Fui convidado, tenho todo o direito de estar aqui — fala Pasha e não foi sua intenção esconder que estava sendo mais grosseiro quando o colega não foi minimamente respeitoso com o que viu.Queria começar uma boa conversa desse jeito? Alguém pre
NataschaSomos a carne nova no evento, todos que podem ter ouvido falar sobre nós, querem ter a oportunidade de nos ver de perto agora. Acredito que por nos verem como uma porta que leva a vários caminhos, ainda que creia que não é necessário quando chegaram aqui por conta própria.Se não estivemos aqui antes, é porque alguém não nos queria por perto.Este não é um alerta vermelho sobre o que pode acontecer?Manter distância de nós deve ser mais benéfico do que se aproximar, correndo o risco de ser julgado como um provável inimigo que caçaremos, porque já temos pequenos lobos demaisà solta. Tudo o que precisamos agora é que apenas nos deixem fazer o que precisamos.Com um caminho livre, não há por que agir de outra forma.Não queremos matar ningu&e
AntesEgorO silêncio entre nós é um daqueles confortáveis, o tipo que só se encontra entre irmãos. Estou sentado em uma cadeira, uma cerveja na mão, enquanto ele mexe em algo na cozinha. A TV está ligada, mas nenhum de nós presta atenção no que está passando.— Você tá estranho, sabia? — Nikolai comenta de repente, sem me olhar.— Obrigado, sempre bom ouvir isso — resmungo, tomando um gole da cerveja.— Não, sério. — Ele aparece no batente da cozinha, com uma sobrancelha arqueada. —Desde quando você, o homem que praticamente faz fila de mulheres no telefone, está... quieto? — Essa não parece uma questão vinda de lugar nenhum.— Estou cansado — digo, levantando os ombros em um gesto despreocupado.— Cansado? Você? — Ele ri alto, como se a ideia fosse absurda. — Quem é você e o que fez com meu irmão?— Não começa, Nik.Ele cruza os braços, apoiando-se na parede. O sorriso brincalhão ainda está lá, mas há algo mais nos olhos dele: curiosidade. Como se ele estivesse tentando juntar as pe
AtualmenteEgorO quarto de brinquedos está em um estado controlado de caos. Bonecas espalhadas no chão, carrinhos estacionados de qualquer jeito em uma pista de corrida improvisada, e risadas infantis enchendo o ambiente.Todo mundo quer contribuir com algo, então há muito aqui.Estou encostado no batente da porta, observando-a no meio da confusão.Ela está sentada no tapete felpudo, a pequena irmã dela aninhada em seu colo enquanto um dos meus sobrinhos insiste para que ela veja seu "voador incrível" — um avião de brinquedo que ele lança no ar com toda a força de seus braços minúsculos.— Uau! Esse foi alto! — ela exclama, sua voz cheia de entusiasmo.O garoto sorri, orgulhoso, e corre para pegar o avião.O jeito como ela lida com as crianças me prende. É uma faceta dela que eu não vi antes, no meio de toda bagunça. Ela é tão diferente da mulher que sempre parece pronta para me afastar, me matar... Aqui, Tasya é suave, paciente, quase maternal. É impossível não se impressionar.Ela
Tasya— Você pode parar e me ouvir por um segundo? — Gostaria de o odiar tanto quanto eu quero, mas aqui estou eu, parando para escutar o que tem a dizer, mesmo que não devesse. Não percebe que o que criou entre nós não pode continuar existindo?— Egor, creio que já deixei claro que não, não posso, você também não quer o que tenho — digo e segura em meu braço, me mantém próximo a ele. Não aperta, apenas quer ter alguma segurança quanto a me ter no lugar onde poderei ouvir tudo que diz. — Porque está insistindo tanto nisso, nós transamos algumas vezes e você ficou todo emocionado.— Temos transado por vários meses, Tasya e eu acredito que você não saiu, por aí procurando outra pessoa com quem foder, assim como eu não pude. — Rio, de verdade, pois me parece inocente demais proferindo palavras como essa, mas são as máscaras mais grossas que escondem os piores monstros, sei bem disso.E pode ser que ele não seja um deles, na verdade, as chances são muito baixas, mas não quero me arriscar
AntesTasya— Seu pai continua sendo um babaca? — pergunta minha colega após ver o homem trôpego saindo de perto de mim. Não bastasse o inferno que é estar na mesma casa que ele, não tenho alívio nem mesmo no meu trabalho.— Trabalho como uma cachorra e ele continua criando mais dívidas que no final acabam no meu nome — respondo e ela bate em meu ombro, sentindo pena de mim por ter que viver com um sujeito como ele.Mas, considerando o quanto tenho que gastar durante o mês só para pagar a todos os agiotas a quem deve, não tenho como me mudar para um lugar onde não vá me encontrar nunca mais.— Você vai conseguir sair dessa — fala, mas é apenas uma esperança perdida por bons longos anos.Já estou quase nos vinte e quatro, mas desde os quinze venho vivendo para pagar tudo que criou de rombos com o seu vício alcoólico e em jogos de azar.— Pense que pelo menos a casa vai ser sua quando terminar de pagar e que, se o expulsar, não terá ninguém te criticando.— Duvido que esse seja um ponto
TasyaEmpurro a porta estranhando o fato dela estar entre aberta. Tenho certeza de que a deixei fechada. Além disso, meu pai certamente está em algum bar qualquer enchendo a cara com o dinheiro que conseguiu com o seu trabalho ontem.É tudo que ele pode fazer quando ninguém confiaria em uma pessoa como ele em um serviço melhor. Faz bicos aqui e ali que não pagam muito, mas são os únicos trabalhos que pode fazer, ainda que feda como um gambá bêbado.— Pai, você está em casa? — berro, esperando que, se não for ele, que o indivíduo que arrombou a casa dê o seu jeito de correr antes que eu entre.Olho para os cantos, mas não há literalmente nada. Os poucos móveis de valor, meu pai fez questão de vender na intenção de conseguir algum dinheiro.Se conseguiu, eu não vi a cor do dinheiro. Tudo que como tem que ser comprado no dia e, com o passar dos anos, aprendi que não poderia deixar o dinheiro em casa, pois ele a reviraria até encontrar, depois o gastaria sem pensar em como me mato diariam