Tasya
O medo pode ser uma das maiores algemas para o ser humano.
No momento em que o sujeito perguntou se eles entenderam tudo que foi explicado, os dois estavam engolindo em seco, porque, como esperado, suas mentes não puderam acompanhar todo o raciocínio. Eles continuam se apegando ao fato de que vão precisar saltar de um avião sem que tenham experiência nisso.
A Scorpio não brinca em serviço quando o assunto é fazer com que todos tremam na base antes mesmo de alcançarem o local de chegada, sendo preciso ir até ele se querem ter algo com o que se defender. Tiraram todas as nossas armas, nos deixaram limpas para que não pudéssemos trapacear.
Será um salto e uma corrida na floresta antes que tenhamos em mãos o que pode salvar as nossas vidas. Querem que lutemos a cada segundo, sem isso não podem gerar uma audiência p
Tasya— O próximo — chama o outro sujeito. Não estão fazendo questão alguma de mostrar que estão nos separando, já que é uma boa estratégia, querem diversão garantida no final das contas.O homem que continua assustado mostra um semblante de alguém que tem o seu coração na goela, contudo, mesmo que não ande, vão o arrastar, e é o que começam a fazer após notar que está demorando demais para seguir a ordem dada,— Você é bem corajosa, ainda que não tenha mostrado o seu rosto — fala. Está tentando me persuadir a fazê-lo? Porque acabou com a pior pessoa possível, deveria ter outra estratégia em mente se é o que quer. — Roksana pediu para te dizer que não deve se esquecer de porque vai estar lá embaixo, seu corpo não vai r
Tasya— Que merda — digo após deixar que as travas de seguranças sejam soltas. Olho os arredores rapidamente tentando entender em que tipo de terreno estamos e como podemos fazer para que a nossa reunião seja mais ligeira.Verifico o mapa no pequeno relógio e no meu há o pequeno diferencial do contador indicando enquanto tempo preciso tomar a minha próxima dose do medicamento se não quiser que os sintomas da merda correndo no meu sangue se mostrem com muita vivacidade.Tinha certeza de que a minha vida não seria comum, mas é bem claro que não esperava por uma dessa. Ser caçada não é um problema, fui tratada como um animal por um bom tempo, mas sim como está sendo feito.Não estou aqui somente por mim, também servirei de entretenimento para um bando de gente rica que quer somente ver como indivíduos podem se ma
Natascha— Quero saber exatamente onde elas estão e o que querem fazer com elas lá — murmuro, verificando os visores.Elina está muito empenhada em me dar o que quero, não posso dizer o contrário, contudo, sei o quanto essas quatro podem ser inconsequentes em momentos que não deveriam.Entrar no jogo deles assim não é a melhor estratégia na minha visão, também não é na de Pasha, mas o que mais podemos fazer quando já foram levadas por contra própria? Se quisessem escapar teriam conseguido.Compreendo que essa não é a situação mais perigosa que enfrentaram, contudo, estamos falando de um ambiente cheio de assassinos enquanto uma delas está sendo controlada pelos desejos de outra pessoa. Aquela vaca vai me pagar assim que eu puser meus olhos nela.Vai se arrepender de tudo que foi feito e não haverá ninguém que possa dizer que estou errada, tenho certeza disso. Acham que podem apenas mexer onde querem sem que as consequências cheguem
Natascha— Não pensei que esse seria o tipo de festa em que nos encontraríamos — fala Oleg, se aproxima apanhando minha mão com cuidado, deixando um beijo no meio das costas dela. Acha que tem o direito de se aproximar e apenas encostar em mim? — Não parece tão feliz hoje.— Não tem muito pelo que me alegrar aqui — digo, puxo minha mão da sua.Olha-me com braveza após verificar o que farei em seguida. Se espera um pedido de desculpas, é bom ir se sentar antes que suas pernas velhas cedam.— Também não sabia que estaria entre os convidados — revelo.— Sou uma presença confirmada todos os anos, gosto de ver aqueles pobres coitados correndo, mesmo que saibam que não podem escapar — esclarece e deveria saber que esse seria o tipo de entretenimento que alguém como ele procura. — Sempre me questionei o porquê de a mulher chefe de uma organização de assassinato não participar, mas imagino que estavam apenas esperando pelo mo
Natascha— Oh, então você veio mesmo — proferiu Oleg como se desejasse que Pasha desaparecesse da sua frente antes que sua mente perceba que se não correr a sua chance de salvação acaba.Creio que não serve de muita coisa quando é nítido que não haverá um recuo da parte de Pasha, e ele é o único que está dando sinais de que algo está errado.Sendo assim, é aquele que tem que correr antes que o problema chegue a ele.Você não fica apenas parado esperando que um trem passe por cima de você.— Fui convidado, tenho todo o direito de estar aqui — fala Pasha e não foi sua intenção esconder que estava sendo mais grosseiro quando o colega não foi minimamente respeitoso com o que viu.Queria começar uma boa conversa desse jeito? Alguém pre
NataschaSomos a carne nova no evento, todos que podem ter ouvido falar sobre nós, querem ter a oportunidade de nos ver de perto agora. Acredito que por nos verem como uma porta que leva a vários caminhos, ainda que creia que não é necessário quando chegaram aqui por conta própria.Se não estivemos aqui antes, é porque alguém não nos queria por perto.Este não é um alerta vermelho sobre o que pode acontecer?Manter distância de nós deve ser mais benéfico do que se aproximar, correndo o risco de ser julgado como um provável inimigo que caçaremos, porque já temos pequenos lobos demaisà solta. Tudo o que precisamos agora é que apenas nos deixem fazer o que precisamos.Com um caminho livre, não há por que agir de outra forma.Não queremos matar ningu&e
AntesEgorO silêncio entre nós é um daqueles confortáveis, o tipo que só se encontra entre irmãos. Estou sentado em uma cadeira, uma cerveja na mão, enquanto ele mexe em algo na cozinha. A TV está ligada, mas nenhum de nós presta atenção no que está passando.— Você tá estranho, sabia? — Nikolai comenta de repente, sem me olhar.— Obrigado, sempre bom ouvir isso — resmungo, tomando um gole da cerveja.— Não, sério. — Ele aparece no batente da cozinha, com uma sobrancelha arqueada. —Desde quando você, o homem que praticamente faz fila de mulheres no telefone, está... quieto? — Essa não parece uma questão vinda de lugar nenhum.— Estou cansado — digo, levantando os ombros em um gesto despreocupado.— Cansado? Você? — Ele ri alto, como se a ideia fosse absurda. — Quem é você e o que fez com meu irmão?— Não começa, Nik.Ele cruza os braços, apoiando-se na parede. O sorriso brincalhão ainda está lá, mas há algo mais nos olhos dele: curiosidade. Como se ele estivesse tentando juntar as pe
AtualmenteEgorO quarto de brinquedos está em um estado controlado de caos. Bonecas espalhadas no chão, carrinhos estacionados de qualquer jeito em uma pista de corrida improvisada, e risadas infantis enchendo o ambiente.Todo mundo quer contribuir com algo, então há muito aqui.Estou encostado no batente da porta, observando-a no meio da confusão.Ela está sentada no tapete felpudo, a pequena irmã dela aninhada em seu colo enquanto um dos meus sobrinhos insiste para que ela veja seu "voador incrível" — um avião de brinquedo que ele lança no ar com toda a força de seus braços minúsculos.— Uau! Esse foi alto! — ela exclama, sua voz cheia de entusiasmo.O garoto sorri, orgulhoso, e corre para pegar o avião.O jeito como ela lida com as crianças me prende. É uma faceta dela que eu não vi antes, no meio de toda bagunça. Ela é tão diferente da mulher que sempre parece pronta para me afastar, me matar... Aqui, Tasya é suave, paciente, quase maternal. É impossível não se impressionar.Ela