— Senhora, o que isso significa? Você não disse que era funcionária do governo? A mulher olhou para aquele maço de dinheiro. Embora sua voz estivesse cheia de dúvida, seus olhos já não conseguiam se desviar. Sabrina esboçou um leve sorriso. Em seu rosto delicado, a expressão era tão calma quanto a água. — Esta é a recompensa de vocês. Senhor, senhora, estou aqui para perguntar sobre o paradeiro do seu irmão. Ele trabalhava na cozinha do Restaurante Real Privado, era o responsável, e tenho certeza de que vocês sabem disso. Mas agora ele está conspirando com outras pessoas para incriminar meu marido, o que resultou na prisão dele pela polícia. Isso é algo que eu não vou deixar passar em branco. — Sabrina fez uma pausa e continuou. — Se vocês acreditam que seu irmão é inocente, então peçam para ele vir e explicar a situação. Se estiver tudo bem, nós não vamos prejudicá-lo. Aqui estão cem mil reais, o suficiente para vocês três viverem bem. Claro, se acharem que não é suficiente, eu
— Os itens encontrados na cozinha do restaurante têm alguma coisa a ver com você? O homem, sentado no chão, estava claramente desmoronando de nervoso. Seu rosto sujo e sua aparência completamente desolada refletiam seu estado de espírito. Ele balançava as mãos em uma negativa veemente: — Não, Sra. Carmo, não tem nada a ver comigo! Eu nunca faria algo assim. O patrão sempre foi bom para mim, como eu poderia prejudicar ele? Eu me escondi porque, algum tempo atrás, ajudei a colocar um estagiário no restaurante. Ele me deu um dinheiro para que eu o ajudasse a entrar, dizendo que era meu parente distante. A senhora sabe das condições da minha família, então eu... Pensei que não teria problema nenhum em ajudar alguém. Mas depois que o patrão teve problemas, ao revisar a lista de funcionários, percebi que havia algo estranho sobre ele. — Ele fez uma pausa, respirou fundo e continuou. — A função dele era apenas servir mesas, mas, na última semana, ele estava sempre indo à cozinha e até ped
"O chefe já era uma pessoa muito boa, mas não esperava que a esposa dele também fosse tão gentil." O homem apertou o cartão de visita na mão, voltou para dentro de casa, fechou a porta e começou a discutir os próximos passos com o irmão e a cunhada. No caminho de volta, enquanto dirigia, Sabrina ligou para Simão, o assistente de Emerson. — Sra. Carmo, tem alguma novidade? — Sim. — Respondeu Sabrina, usando o fone de ouvido Bluetooth. — Ele acabou de me dizer que um tal de Baltazar apareceu recentemente no restaurante, e tem algo de errado com ele. Você, que sempre acompanha o Emerson, conhece esse Baltazar? Assim que Sabrina terminou a pergunta, percebeu que soava absurda. "Era apenas um funcionário comum, como Simão poderia ter notado alguém assim?" De fato, Simão não conseguiu conter uma risada: — Sra. Carmo, o Baltazar é só um garçom. Eu fico o dia inteiro com o Sr. Emerson, como eu iria reparar em tantas pessoas? Mas fique tranquila, já enviei essa informação para o
Como esperado, quando o telefone foi atendido, a respiração de Serafim do outro lado da linha estava pesada, como se ele estivesse fazendo algum tipo de exercício intenso. A mão de Álvaro, que segurava o celular, se apertou repentinamente, e ele fechou os olhos com resignação. Parecia que ele havia ligado bem no momento em que o outro estava se divertindo com alguém. Ele só pôde fingir que não sabia de nada e perguntou: — Serafim, está ocupado? — Sim. — A voz de Serafim soava extremamente indiferente. Embora ele não tivesse demonstrado claramente, Álvaro ainda conseguiu perceber que ele não estava de bom humor. No fundo da ligação, era possível ouvir o som de roupas sendo ajeitadas e o tecido sendo friccionado. Álvaro imaginou que Serafim devia estar vestindo um robe. — Algum problema? — A voz de Serafim recuperou um pouco da normalidade. — Sim, tem uma coisa. — Álvaro soltou um leve suspiro de alívio. — Minha irmã quer visitar Emerson na delegacia. Ela está muito ansio
Sabrina soltou o cinto de segurança, desceu do banco do carona e ficou do lado de fora, aguardando Álvaro estacionar o carro. Álvaro parou o veículo, abriu a porta e saiu. Enquanto caminhava em direção a Sabrina, abotoava os botões do terno com movimentos elegantes, carregados de um cuidado fraternal ao olhar para ela. Sabrina segurou o braço dele e, só então, se lembrou de responder à frase que ele havia dito antes: — Eu entendi, irmão. Vou tomar muito cuidado daqui pra frente. Fique tranquilo, prometo que não vou causar problemas para vocês. Ela estava segurando o braço direito de Álvaro. A mão esquerda dele, que antes estava no bolso, foi retirada assim que ele notou a obediência da irmã. Um leve sorriso surgiu em seus lábios, e ele ergueu a mão para bagunçar de leve os cabelos dela: — Assim está bem. Seja obediente. Serafim já havia feito uma ligação para que tudo fosse devidamente arranjado. Quando Sabrina e Álvaro entraram no local, Emerson já os esperava. Apesar de
Não contar para Sabrina, primeiro, poderia protegê-la, segundo, evitaria alertar o inimigo. Emerson a abraçou, pousando um beijo suave no topo de sua cabeça com seus lábios finos: — Sabi é realmente incrível, conseguiu descobrir tantas coisas. Então, vou esperar você me tirar daqui. Mas, por enquanto, não aja sozinha, não é seguro. Cuide de si lá fora e espere por mim. Combinado? Sabrina, encostada no peito dele, assentiu firmemente. Com a cabeça baixa, ela não conseguiu ver a sombra que passou brevemente pelos olhos de Emerson. Fabiano, de fato, estava cansado de viver. "Se realmente foi ele quem fez isso, seu fim está próximo." Depois de algumas recomendações para Sabrina, ela saiu. Álvaro entrou no quarto e começou a conversar em voz baixa com Emerson. Sabrina ficou do lado de fora, observando as expressões sérias deles e presumiu que estavam discutindo algo importante. Ela se aproximou para tentar ouvir o que estavam dizendo, mas viu quando Álvaro se endireitou, de
Sabrina deu uma mordida na maçã, segurou o braço da mãe e perguntou: — Mamãe, você e o papai ainda não foram dormir? Bianca respondeu: — Estamos indo agora. Estávamos esperando por vocês. Sabi, está com fome? Se estiver, posso pedir para a empregada preparar algo para você comer. Sabrina balançou a cabeça. — Não estou com fome. Mas estava um pouco cansada. A tarde toda, seus nervos tinham ficado tensos, e não havia como se sentir relaxada. Bianca olhou para ela com compaixão. — Então suba logo para descansar. Amanhã você não vai trabalhar. Pode dormir até mais tarde. Sabrina assentiu, entregou metade da maçã para Bianca, bocejou e subiu as escadas. Só depois de ouvir o som da porta do quarto dela se fechando, Rodrigo ousou perguntar a Álvaro: — Já descobriu por que ele foi para o País do Mar? Os olhos de Álvaro estavam sombrios. — Chegou recentemente ao País do Mar um lote de diamantes. Entre eles, há um raro diamante rosa de valor incalculável. Ele foi atrá
— Seu desgraçado! — Sabrina tremia de raiva. — Você está maluco! Fabiano, onde você está agora?! O sorriso no rosto de Fabiano ficou ainda maior. — Estou no País do Mar. Sabi, você se lembra? Você sempre dizia que seu anel favorito era feito de diamante rosa. Vim até aqui especialmente por esse diamante. Vou mandar fazer um conjunto de joias com ele. Quando estiver pronto, você vai usá-las e se casar comigo, certo? O couro cabeludo de Sabrina formigava. Ele era louco, completamente louco. E, pior ainda, um louco obcecado. — Você não gostou? — Fabiano, nós já terminamos. Acabou. Você entende isso? Nunca mais teremos nada juntos. Então pare de fazer essas coisas sem sentido e não envolva pessoas inocentes nisso. Fabiano deu uma risada fria. — Inocentes? Quem você chama de inocente? O Emerson? Sabi, o Emerson não é nada inocente. Se ele não tivesse tramado contra mim por tanto tempo, como poderia ter se casado com você tão rapidamente? Desde o começo, ele tinha segundas