Entre as sombras

Meu mundo virou de cabeça para baixo. Aqui estou eu, deitada na minha cama, no final da tarde de uma sexta-feira, que normalmente seria passada com as minhas amigas no shopping. Mas não, elas estão todas hipnotizadas por Isabella, até minhas amizades foram roubadas por essa vagabunda. Ela chegou e arrasou tudo. A cada dia que passa, a raiva cresce mais dentro de mim, e o ódio por ela se espalha como um veneno que eu não consigo tirar de dentro de mim.

— Como eu odeio essa Isabella. — Murmuro, deixando o ódio tomar conta de cada palavra.

— Lilith, vem aqui! — A voz da minha mãe me chama lá de baixo. Eu fecho os olhos, respiro fundo e tento não explodir. Não quero que ela perceba o quanto estou prestes a perder o controle.

Levanto da cama e desço as escadas com uma sensação de irritação crescente, minha cabeça cheia de pensamentos tumultuados. Quando entro na sala, lá está ela. Isabella, com aquele sorriso angelical e um olhar cheio de falsa doçura. Ela está sentada com minha mãe, e parece tão à vontade como se já fosse parte da nossa família. E isso… isso me faz sentir ainda mais enojada.

— Aconteceu algo, mamãe? — Pergunto, tentando disfarçar minha frustração.

Ela me olha com aquele olhar de quem está prestes a me dar uma bronca. Pega o boletim que chegou essa semana e me mostra, sem nem se importar em dar explicações antes. Eu já sabia que ia ser isso. Sabia que tudo o que aconteceu com Isabella na escola seria jogado na minha cara. Porque, afinal, quem sou eu comparada àquela perfeita e imaculada novata?

— O que é isso, Lilith? O que está acontecendo com você? Por que não me contou que estava indo mal na escola? — A voz dela estava baixa, mas firme, carregada de desapontamento. Me sinto pequena diante dela, como se todo o peso da minha frustração e raiva fosse empurrado para cima de mim com aquelas palavras. Eu não consegui me concentrar, isso é claro. Mas ninguém entende. Ninguém sabe o que é ter a atenção de todos voltada para aquela garota que mal sabe o que está acontecendo ao seu redor.

— Precisa falar isso na frente das visitas? — Pergunto, tentando manter a calma, mas minha voz sai mais ríspida do que eu gostaria.

Minha mãe não se deixa abalar. Ela vira a página do boletim e olha para mim, com uma expressão de quem já está cansada de tudo isso.

— Precisa sim, Lilith. Isabella está em primeiro lugar da turma, e deveria ser igual a ela. — Ela faz uma pausa, e eu sinto uma dor cortar o meu peito. “Agora pronto, mamãe estava me comparando com ela.”

Tudo o que eu sempre fui, todas as minhas conquistas, tudo o que eu já fiz para ser reconhecida foi jogado no lixo por causa dela. Por causa dessa novata que chegou e tomou o lugar que eu achava que seria meu por direito.

Olho para Isabella, que me observa com uma expressão tão doce, como se estivesse ali apenas para ser educada. Ela está sorrindo de uma forma que me faz querer socar aquele sorriso de seu rosto. Eu sei o que ela está pensando, ela se acha melhor que eu. E, sinceramente, isso me enfurece.

Eu não ia deixar isso passar. Não dessa vez. Isabella não ia conseguir roubar tudo o que era meu. A raiva que sinto por ela vai ser minha arma, minha força para voltar ao topo. Eu não vou me deixar ser ofuscada. Não vou deixar ela me derrubar.

Mas uma coisa é certa: as sombras desse jogo ainda estão se formando, e eu sei que vou precisar ser mais esperta do que nunca para não perder a batalha para essa garota.

A tensão no ar estava pesada, como se o peso das palavras da minha mãe e os olhares de Isabella me sufocassem. Eu podia sentir meu rosto ficando quente, a raiva se acumulando dentro de mim, mas não podia fazer nada ali. Não na frente de todos.

Mas, assim que Isabella se levantou para sair, com aquele sorriso inocente no rosto, eu senti um alívio estranho. Ela estava indo embora, e eu tinha tempo para pensar em como poderia virar tudo a meu favor. Não poderia mais deixar que ela ganhasse. Não poderia mais permitir que todos se encantassem por ela, sem perceberem o que ela estava fazendo.

— Eu já vou indo, Lilith, foi um prazer conhecer você… — Isabella disse, seu tom suave, mas a ironia por trás de suas palavras não passava despercebida.

Eu a observei sair pela porta, sem dizer uma palavra. Mas dentro de mim, eu já estava tramando. Eu sabia como fazer ela pagar por cada sorriso falso e cada olhar cúmplice que ela lançava aos outros, como se fosse uma vítima ingênua dessa história toda. Mas ela não sabia, eu estava muito além dela.

Assim que a porta se fechou, respirei fundo. Minha mãe ainda estava ali, olhando para o boletim com desaprovação, sem perceber que o problema não estava em minhas notas, mas em como minha vida estava sendo virada de cabeça para baixo por causa daquela garota. Mas eu não podia contar isso para ela. Não ainda.

— Lilith, você precisa se concentrar, precisa melhorar suas notas. Eu não vou ficar te defendendo para sempre — minha mãe disse, a voz tensa. Ela olhava para mim como se já estivesse preparada para me repreender por mais tempo, como se fosse mais uma bronca sem fim.

— Eu sei, mãe. Pode deixar. — Eu queria gritar. Queria explodir com ela, com o mundo, com tudo. Mas, em vez disso, apenas sorri forçadamente, a raiva ainda queimando em meu peito.

Ela saiu da sala, deixando-me sozinha para refletir. E foi quando fiquei ali, na minha solidão, que percebi algo. Isabella não era apenas uma concorrente. Ela era um obstáculo. Uma ameaça. Eu sabia que, por mais que eu tentasse, ninguém mais me veria se ela estivesse ao meu redor. Todos estavam hipnotizados por ela, como se ela fosse algum tipo de estrela que surgira de repente e tinha todos os holofotes voltados para si.

Eu não ia permitir que isso acontecesse.

Fui até minha escrivaninha e abri a gaveta, onde guardava algumas de minhas coisas mais pessoais. Entre os papéis e anotações, havia uma foto minha e de Henry, sorrindo juntos na festa de fim de ano da escola. Ele parecia feliz, e eu também, mas algo havia mudado. Algo em mim. Algo em nós. Não seria fácil, mas eu tinha que recuperar o controle, e eu sabia exatamente o que fazer para isso.

A raiva que sentia por Isabella agora se transformava em algo mais perigoso. Era uma chama acesa, pronta para consumir tudo ao seu redor.

A noite chegou e, enquanto a cidade se silenciava, eu já estava começando a traçar meus próximos movimentos. A guerra entre nós duas não havia nem começado de verdade. Mas eu ia ser a primeira a fazer as jogadas certas.

Ela que se preparasse. Eu não ia mais me esconder nas sombras.

estava quieta, mas minha mente estava agitada, cheia de pensamentos. A raiva ainda queimava dentro de mim, mas eu sabia que não podia agir por impulso. Precisava ser inteligente, precisa planejar cada passo. Isabella não sabia o que estava por vir, e eu não ia dar a ela a chance de ver meu desespero.

No dia seguinte, durante o intervalo, encontrei minhas “amigas”. Ou, melhor dizendo, as amigas que ainda restavam. Elas estavam todas ao redor de Isabella, rindo e conversando como se ela fosse a melhor pessoa do mundo. Mas, ao me aproximar, todas as conversas pararam e os olhares se voltaram para mim. Elas sabiam que algo estava errado, que a situação estava tensa, mas nenhuma delas tinha coragem de falar a verdade.

— Lilith! — Uma delas, Jessica, disse, forçando um sorriso. — Você viu a nova apresentação da Isabella sobre o projeto? Tá incrível, né?

Eu queria dar uma resposta sarcástica, como sempre, mas me segurei. Não era hora de fazer um escândalo. Eu precisava agir por trás, de maneira estratégica. Sabia que se eu fizesse um drama ali, todos se afastariam ainda mais de mim, e Isabella ganharia pontos. Mas, por dentro, eu estava fervendo.

— Claro, ela é ótima nisso. — Falei, tentando disfarçar a hostilidade na minha voz.

Isabella olhou para mim com aquele sorriso falso, como se quisesse me desafiar a falar alguma coisa. Mas eu estava mais calma do que nunca. Era assim que eu queria que ela se sentisse — confortável, acreditando que tinha vencido. Mas, no fundo, ela estava jogando nas minhas regras.

— Vamos ver quem vai se dar bem nessa competição. — Isabella disse, com um tom que era ao mesmo tempo amigável e cheio de condescendência.

Eu apenas a encarei, sem responder, e virei de costas para me afastar. Ela ainda não sabia o quanto ela estava errada. Eu estava apenas começando a minha jogada.

No final da tarde, enquanto todos estavam indo para casa, me lembrei do que minha mãe havia dito. “Se você se concentrasse mais na escola, não precisaria me preocupar.” Eu sentia que ela não via a verdadeira luta que eu estava enfrentando. O que Isabella estava fazendo não era só se destacar. Ela estava roubando minha vida. Minhas amizades, meu lugar no centro das atenções… tudo estava indo embora. E ninguém via isso. Ninguém, exceto eu.

Cheguei em casa e, como de costume, fui direto para o meu quarto. Peguei meu celular e comecei a buscar mais informações sobre Isabella. Talvez ela fosse boa em muitas coisas, mas eu não acreditava que ela fosse perfeita. Toda pessoa tem seu lado fraco, e eu estava prestes a descobrir o dela.

Passei alguns minutos vasculhando as redes sociais dela. Aparentemente, tudo parecia ser perfeito — ela tinha o apoio de todos, muitas curtidas, e um bando de seguidores. Mas, então, algo me chamou a atenção. Ela havia postado uma foto de sua antiga escola, antes de se mudar para cá. Era uma foto com algumas pessoas, e eu notei algo curioso: um garoto, com um olhar frio e distante, estava na foto com ela. O nome dele era Ethan, e pelo jeito eles eram bem próximos.

Eu sorri. Uma brecha. Isabella tinha um passado, um elo que talvez ela não quisesse que fosse descoberto. Ethan poderia ser a chave para desestabilizá-la. Um detalhe, uma informação crucial. Se eu conseguisse desvendar o que havia entre eles, poderia usá-lo contra ela. Sabia que todos ao redor dela adoravam saber dos podres dos outros, e esse segredo poderia ser a minha arma. Tudo o que eu precisava era encontrar uma forma de trazer isso à tona, sem que ela percebesse.

O jogo estava se intensificando, e agora eu tinha um alvo claro. Isabella talvez fosse a estrela dessa escola, mas as sombras eram o meu território. Eu estava prestes a trazer à luz tudo o que ela não queria que ninguém soubesse.

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