O relógio parecia não andar. Eu estava sentada na beira da cama, olhando fixamente para o vazio. O que fazer agora? A dor da traição ainda estava fresca, mas algo dentro de mim começou a mudar. Eu não seria mais a vítima. Eu não queria mais ser a frágil Lilith que todos poderiam pisar. Eu queria ser a força, queria ser a que controla o jogo, a que manipula tudo a seu favor. — Pelo amor, eu era a rainha da escola, eu posso ter o controle de volta. A raiva fervia dentro de mim como um fogo, queimando tudo o que estava ao meu redor, até minha própria sanidade. Eu tinha uma sensação de poder que nunca havia experimentado antes. Eu sabia que precisava dar um passo à frente e começar a agir. Henry e Isabella pensaram que eu fosse fraca, que eu fosse cair e me render. Mas eles estavam enganados. Eles não sabiam com quem estavam lidando. Comecei a pensar em como faria com que todos pagassem. Henry, Isabella, até minhas “amigas” que haviam me abandonado tão facilmente. Não seria apena
A escola estava mais silenciosa do que o normal naquele dia. Talvez fosse o peso daquilo que estava por vir, ou o fato de que, mesmo com a minha vingança em andamento, algo ainda estava faltando. Eu estava em um dos meus momentos mais solitários, sem mais o desejo de me aproximar de Henry, sem mais querer me envolver com as meninas que me traíram. Tudo o que eu queria agora era observar e entender. Foi então que ele apareceu. Era um daqueles típicos “novatos”, com o rosto um pouco perdido e um jeito de quem ainda não sabia ao certo onde estava. Eu estava de costas, mas quando o vi pela primeira vez, uma sensação estranha tomou conta de mim. Não sabia o que era, mas algo nele me atraía. Olhei mais de perto e… sim, ali estava ele, Ethan. Eu não conseguia acreditar. Ele era o mesmo que estava na foto com Isabella. O que ele estava fazendo aqui? Meu coração bateu mais rápido. Eu sabia que havia algo errado. Eu o reconheci. Ele estava lá, ao lado de Isabella, na foto que ela tinh
Na semana seguinte, Ethan estava em todos os lugares. Eu o via em corredores, na cantina, até mesmo em minhas aulas, como se ele estivesse se insinuando no meu espaço, tentando encontrar uma brecha. O que ele queria? Ele estava tentando se aproximar de mim ou apenas observando? Às vezes, parecia que ele não conseguia tirar os olhos de mim, e isso me incomodava. O que me deixava ainda mais irritada era o fato de que ninguém mais parecia notar isso. As meninas estavam tão obcecadas com Isabella que sequer se davam conta do comportamento de Ethan. Ele estava jogando um jogo, e parecia que eu estava sendo forçada a participar dele, mesmo sem querer. — Não basta Isabella, ele também? Um dia, durante o intervalo, vi Ethan sentado sozinho na esquina do pátio, mexendo no celular. Ele parecia perdido em seus próprios pensamentos, com os fones de ouvido quase visíveis. Foi o momento perfeito. Não queria parecer desesperada, mas o que ele sabia? O que ele estava escondendo? Decidi me ap
Eu não aguentei. Levantei rapidamente e comecei a caminhar atrás dele, sem pensar em mais nada, apenas no que ele tinha dito. Ele não ia sair por aí, me provocando com palavras vazias e simplesmente sumir. Não sem que eu tivesse uma explicação. Ethan andava sem pressa, como se estivesse esperando que eu o seguisse. Ele não se virou para olhar para trás, mas sentiu minha presença. Eu sabia disso, era óbvio no jeito que ele andava, com o corpo inclinado ligeiramente para frente, como se soubesse que eu não iria desistir. E eu não ia. — Você falou que estou jogando o jogo errado, então como seria o jogo certo? — Perguntei, finalmente alcançando-o. Ele parou por um momento e então se virou, com aquele sorriso de quem já tinha antecipado minha reação. Seus olhos brilharam, uma mistura de diversão e, talvez, de um desafio que ele estava preparado para me lançar. Ele estava me atraindo para algo, eu podia sentir isso. — O jogo certo, Lilith… — Ele disse, dando uma leve pa
Eu não sabia se estava pronta para jogar esse jogo, mas uma coisa era certa: as cartas já estavam na mesa, e eu não poderia mais voltar atrás. Quando Ethan me desafiou, eu sabia que era agora ou nunca. Se eu queria o controle, teria que agir com inteligência. A questão era: como eu faria isso sem perder minha essência no processo? A escola parecia ainda mais opressiva naquele dia, o peso da decisão pairando no ar. Eu sabia que todos estavam esperando por algo de mim. Henry, Isabella, até mesmo minhas amigas… Todos pareciam se divertir à custa de minha desconfortável situação. Eu, a vilã. Eu, a garota que tinha tudo e agora via tudo escapando entre meus dedos. O pior de tudo era que eu nem sabia se ainda queria lutar para recuperar o que perdi. Eu estava na biblioteca, tentando me concentrar em uma leitura que mal conseguia acompanhar, quando ele apareceu. Ethan. Seu olhar estava fixo em mim, e eu sabia que ele estava esperando por algo. Ele não falava, apenas me observava, com a
Ethan sorriu como se estivesse esperando exatamente essa resposta. Havia um brilho desafiador em seus olhos, algo que me fez sentir que, de alguma forma, eu estava prestes a cruzar um limite do qual não poderia mais voltar. Mas eu já tinha perdido tudo, não tinha? Minhas amigas, meu namorado, minha reputação… Isabella tinha arrancado tudo de mim, como se eu fosse descartável. Agora era minha vez de pegar de volta. — Certo — ele disse, passando a língua pelos lábios, analisando-me como um jogador observando suas peças antes do primeiro movimento. — Primeiro, me diz uma coisa… qual é a sua maior fraqueza? Eu franzi o cenho, cruzando os braços. — Eu não tenho fraquezas. Ethan riu baixinho, balançando a cabeça. — Todo mundo tem fraquezas, Lilith. O problema é que você deixou as suas visíveis demais. Agora, todo mundo sabe exatamente onde te atingir. Senti meu estômago se revirar. Ele estava certo. Isabella e Henry tinham conseguido me destruir porque eu deixei que me ating
Eu encarei Ethan, tentando decifrar cada expressão dele. Ele parecia tão confiante, tão certo do que estava dizendo, que uma parte de mim queria acreditar. Mas outra parte ainda hesitava. — E se eu não quiser jogar esse jogo? — Perguntei, testando-o. Ethan deu um passo para o lado, girando nos calcanhares como se estivesse apenas se divertindo com a conversa. — Então você continua sendo o peão, Lilith. Continua assistindo Isabella mexer as peças enquanto sua vida desmorona. Suas palavras bateram fundo. Eu não era um peão. Nunca fui. Mas Isabella tinha me colocado nessa posição, me reduzido a alguém que só reagia ao que ela fazia. — O que você quer que eu faça? — Perguntei, minha voz mais firme do que eu esperava. O sorriso de Ethan cresceu. — Primeiro, você precisa entender uma coisa: Isabella não controla as pessoas porque é especial, mas porque elas deixam. Elas acreditam na imagem que ela vende. O segredo é virar o jogo. — E como eu faço isso? Ethan deu de ombros.
Eu deveria estar hesitando. Deveria pensar se valia a pena me envolver nisso, se jogar esse jogo ao lado de Ethan não me transformaria em algo pior do que Isabella.Mas a verdade?Eu já tinha passado do ponto de retorno.— Certo. — Cruzei os braços, olhando para ele com um meio sorriso. — Qual mentira vamos contar?Ethan sorriu, aquele sorriso de quem já havia antecipado minha resposta. Ele girou um anel em seu dedo antes de responder:— Não é sobre inventar algo do nada, Lilith. As melhores mentiras são aquelas que têm um fundo de verdade. Algo que as pessoas já suspeitam, mas têm medo de dizer em voz alta.— Então, o que as pessoas suspeitam sobre Isabella? — Levantei uma sobrancelha.— Que ela não é tão perfeita quanto parece. — Ele deu um passo para mais perto. — E eu sei exatamente onde começar.Eu prendi a respiração por um segundo.— Estou ouvindo.Ethan puxou o celular do bolso e deslizou a tela, procurando algo. Depois de alguns segundos, ele virou para mim. Na tela, uma foto