Eu não aguentei. Levantei rapidamente e comecei a caminhar atrás dele, sem pensar em mais nada, apenas no que ele tinha dito. Ele não ia sair por aí, me provocando com palavras vazias e simplesmente sumir. Não sem que eu tivesse uma explicação. Ethan andava sem pressa, como se estivesse esperando que eu o seguisse. Ele não se virou para olhar para trás, mas sentiu minha presença. Eu sabia disso, era óbvio no jeito que ele andava, com o corpo inclinado ligeiramente para frente, como se soubesse que eu não iria desistir. E eu não ia. — Você falou que estou jogando o jogo errado, então como seria o jogo certo? — Perguntei, finalmente alcançando-o. Ele parou por um momento e então se virou, com aquele sorriso de quem já tinha antecipado minha reação. Seus olhos brilharam, uma mistura de diversão e, talvez, de um desafio que ele estava preparado para me lançar. Ele estava me atraindo para algo, eu podia sentir isso. — O jogo certo, Lilith… — Ele disse, dando uma leve pa
Eu não sabia se estava pronta para jogar esse jogo, mas uma coisa era certa: as cartas já estavam na mesa, e eu não poderia mais voltar atrás. Quando Ethan me desafiou, eu sabia que era agora ou nunca. Se eu queria o controle, teria que agir com inteligência. A questão era: como eu faria isso sem perder minha essência no processo? A escola parecia ainda mais opressiva naquele dia, o peso da decisão pairando no ar. Eu sabia que todos estavam esperando por algo de mim. Henry, Isabella, até mesmo minhas amigas… Todos pareciam se divertir à custa de minha desconfortável situação. Eu, a vilã. Eu, a garota que tinha tudo e agora via tudo escapando entre meus dedos. O pior de tudo era que eu nem sabia se ainda queria lutar para recuperar o que perdi. Eu estava na biblioteca, tentando me concentrar em uma leitura que mal conseguia acompanhar, quando ele apareceu. Ethan. Seu olhar estava fixo em mim, e eu sabia que ele estava esperando por algo. Ele não falava, apenas me observava, com a
Ethan sorriu como se estivesse esperando exatamente essa resposta. Havia um brilho desafiador em seus olhos, algo que me fez sentir que, de alguma forma, eu estava prestes a cruzar um limite do qual não poderia mais voltar. Mas eu já tinha perdido tudo, não tinha? Minhas amigas, meu namorado, minha reputação… Isabella tinha arrancado tudo de mim, como se eu fosse descartável. Agora era minha vez de pegar de volta. — Certo — ele disse, passando a língua pelos lábios, analisando-me como um jogador observando suas peças antes do primeiro movimento. — Primeiro, me diz uma coisa… qual é a sua maior fraqueza? Eu franzi o cenho, cruzando os braços. — Eu não tenho fraquezas. Ethan riu baixinho, balançando a cabeça. — Todo mundo tem fraquezas, Lilith. O problema é que você deixou as suas visíveis demais. Agora, todo mundo sabe exatamente onde te atingir. Senti meu estômago se revirar. Ele estava certo. Isabella e Henry tinham conseguido me destruir porque eu deixei que me ating
Eu encarei Ethan, tentando decifrar cada expressão dele. Ele parecia tão confiante, tão certo do que estava dizendo, que uma parte de mim queria acreditar. Mas outra parte ainda hesitava. — E se eu não quiser jogar esse jogo? — Perguntei, testando-o. Ethan deu um passo para o lado, girando nos calcanhares como se estivesse apenas se divertindo com a conversa. — Então você continua sendo o peão, Lilith. Continua assistindo Isabella mexer as peças enquanto sua vida desmorona. Suas palavras bateram fundo. Eu não era um peão. Nunca fui. Mas Isabella tinha me colocado nessa posição, me reduzido a alguém que só reagia ao que ela fazia. — O que você quer que eu faça? — Perguntei, minha voz mais firme do que eu esperava. O sorriso de Ethan cresceu. — Primeiro, você precisa entender uma coisa: Isabella não controla as pessoas porque é especial, mas porque elas deixam. Elas acreditam na imagem que ela vende. O segredo é virar o jogo. — E como eu faço isso? Ethan deu de ombros.
Eu deveria estar hesitando. Deveria pensar se valia a pena me envolver nisso, se jogar esse jogo ao lado de Ethan não me transformaria em algo pior do que Isabella.Mas a verdade?Eu já tinha passado do ponto de retorno.— Certo. — Cruzei os braços, olhando para ele com um meio sorriso. — Qual mentira vamos contar?Ethan sorriu, aquele sorriso de quem já havia antecipado minha resposta. Ele girou um anel em seu dedo antes de responder:— Não é sobre inventar algo do nada, Lilith. As melhores mentiras são aquelas que têm um fundo de verdade. Algo que as pessoas já suspeitam, mas têm medo de dizer em voz alta.— Então, o que as pessoas suspeitam sobre Isabella? — Levantei uma sobrancelha.— Que ela não é tão perfeita quanto parece. — Ele deu um passo para mais perto. — E eu sei exatamente onde começar.Eu prendi a respiração por um segundo.— Estou ouvindo.Ethan puxou o celular do bolso e deslizou a tela, procurando algo. Depois de alguns segundos, ele virou para mim. Na tela, uma foto
A segunda-feira chegou como um presente embalado com fita vermelha. O clima na escola estava prestes a mudar, e eu seria a responsável por isso.Entrei pelos corredores com passos mais lentos que o normal, meu olhar fixo no chão, os ombros levemente caídos. Cada detalhe da minha expressão foi cuidadosamente planejado. Eu não era mais Lilith a imbatível, a vilã inatingível. Hoje, eu era a garota traída, devastada pela crueldade do próprio namorado e pela “amiga” invejosa.E funcionou.Assim que pisei no corredor principal, senti os olhares em mim. Murmúrios começaram a se espalhar, olhares curiosos se cruzavam. Eu fiz questão de não encarar ninguém diretamente, apenas seguir meu caminho como se quisesse desaparecer.E então, o primeiro passo do plano se concretizou.— Lilith? — A voz estridente de Natacha ecoou atrás de mim.Lentamente, me virei para encará-la. Ela estava radiante, como se tivesse farejado uma fofoca fresquinha. Seu olhar faminto deslizou sobre mim, esperando que eu de
Desde o momento em que pisei nesta escola, eu sabia exatamente o que queria. Eu não estava ali por acaso, muito menos por um simples desejo de recomeço. Eu tinha um objetivo e, agora, estava mais próximo dele do que nunca.Lilith… ela era a peça que faltava no meu tabuleiro. Eu observei de longe enquanto a notícia da traição de Henry e Isabella se espalhava pela escola como fogo em pólvora. Os olhares de pena para Lilith, os sorrisos disfarçados dos que adoravam ver o drama se desenrolar. E, no centro de tudo isso, ela—minha rainha do caos, interpretando sua nova personagem com maestria.Chorando pelos cantos, escondendo o riso por trás dos olhos brilhantes. Ela estava se divertindo. E eu? Eu estava admirando.— Essa Lilith. - Sorrio pensando nela. Quando Lilith voltou para perto de mim, piscando e dizendo que queria que eu voltasse com ela, eu soube que minha jogada final estava em curso.Eu não estava ali apenas por vingança contra Isabella. Isso era apenas uma fração do jogo. O v
A escola estava em chamas. Não literalmente, mas socialmente falando, e isso me divertia. O caos sempre foi meu terreno favorito, mas dessa vez, eu não estava sozinho. Lilith se movia como se tivesse nascido para isso. Henry mal conseguia andar pelos corredores sem receber olhares de desprezo ou cochichos maldosos. Isabella tentava apagar o incêndio, mas tudo que conseguia era atiçá-lo ainda mais. — Eu nunca faria isso com a Lilith! Henry e eu só somos amigos! — Ela dizia, mas ninguém acreditava. — Nós vimos a foto Isabella, mas que a Lilith tentou avisar. - Disse uma menina, que até agora no seu o nome. — Estamos decepcionada com você. A ironia? Nem precisávamos provar nada. A escola já tinha feito isso por nós. A farsa do choro de Lilith, os boatos cuidadosamente espalhados, a humilhação pública de Isabella… tudo estava funcionando perfeitamente. E eu? Eu só observava, esperando pelo momento certo de fazer minha jogada final. Lilith se aproximou de mim no intervalo, se