6-FOFINHA

THIAGO

Sabia que já vinha uma história por ali.

— Filha de um amigo de papai?

— Sim, infelizmente ele e a esposa faleceram quando a pequena tinha cinco anos.

— Ela ficou aos cuidados dos tios, que agora querem usá-la para conseguir dinheiro.

— Mais ou menos, os tios, apenas querem a parte do dinheiro, mas nunca cuidaram da criança, deixaram num internato.

— Agora querem o dinheiro, como seria isso.

— Você não quer saber quem é ela?

— O senhor a conhece, ela é de confiança?

— Sim, conheço, é de confiança. Você também conhece, e como gosta de falar que cumpri as suas promessas, deveria casar realmente com ela, já que fez essa promessa.

-O que?

Vovô deu uma gargalhada, e pegou algo na gaveta e entregou-me.

Era uma foto, quando peguei, foi automático, deixei um sorriso aparecer.

— Fofinha, a minha noiva.

-Isso, boa memoria garoto.

— Vocês não me deixaram esquecer. Mas, sim, lembro do tio Jack e tia Glória. Estávamos a morar fora do país quando eles faleceram, a família escondeu a morte deles, coisa mais estranha, lembro de papai e mamãe muito triste quando souberam, pois queriam ficar com a guarda de Fofinha.

— Espero que não chame a sua esposa assim, nada s***.

— Vovô lembro de papai falar da família da tia Glória, eu tinha apenas doze anos, mas lembro, eles não irão aceitar esse acordo.

— Sim, irão, pois a moça para escapar do casamento com Murilo, inventou que estava num relacionamento, o antigo mordomo da casa, é meu amigo quando ele contou a história, entrei em contacto com ela e disse que iria ajudar, já dei o dote para casar com ela.

-O que?

— Sim, não quis preocupar o seu pai, que acabaria fazendo um grande estrago naquela família, então estou a resolver a situação, se você não aceitar casar com ela, eu irei me casar.

— O senhor, casando com uma menina de vinte anos.

— Vinte e um, sim, seria apenas um casamento no papel, ela faz questão que seja um casamento com separação total de bens. Não quero nada com ela, além de ajudar a neta de um amigo, pois o pai de Jack era meu amigo. Caso com ela e daqui alguns anos separamos, pronto.

— Ou eu caso com ela, tenho um filho, faço os meus pais felizes, ajudo a moça.

— E ainda cumpri com a sua promessa de casar com ela.

— Sim, cumpro a promessa.

— Ela não tem muito tempo.

— Nem eu, até porque não pretendo fazer um filho nela já na nossa noite de núpcias, não sou desse tipo. Quero realmente criar um vínculo de amizade e respeito, antes de consumar o nosso casamento. Sem falar que também não quero isso de casamento com hora marcada para terminar, serei fiel, e quero apenas o mesmo da parte dela. Aceito casar-me com Fofinha. E sim, vai ser assim que irei chamá-la.

— Não vai querer nem conhecer a moça antes.

— Teremos a vida toda para conhecermos um ao outro. Porém, quero que deixe claro para ela que quero a fidelidade dela, pois serei fiel, outra coisa, diga que darei todo o luxo que uma mulher merece, serei o melhor marido, mas que ela não e espere amor da minha parte, pois ainda amo Aline, o meu coração é dela.

— Filho, amei a sua avó, amei muito. Quando ela morreu, dez anos atrás, no seu leito ela tirou a minha aliança, e disse, era até aqui o meu querido, agora siga, saia com outras, namore muito. Sim, vivi o meu luto por dois anos, mas depois, sim, sai namorei, já até pensei em casar novamente.

-Vovô?

— O que foi, acha que o seu avô não é capaz de dar prazer a uma mulher ainda, estou velho, não morto.

Acabamos rindo.

— Neto, desejo toda a felicidade do mundo para vocês, irei conversar com ela. Você vai estar a casar com um mulher muito linda, inteligente, acho que ela lhe fará bem, e você fará bem para ela. Sobre consumar o casamento, não sei se você vai querer esperar muito tempo para isso acontecer.

— Respeito com a minha noiva, Fofinha agora é sua neta.

Ri do meu avô, sim, preciso rir para não surta com tudo isso, irei casar com uma total desconhecida.

— Você irá querer um casamento grandioso ou apenas assinar os papeis?

— Apenas assinar os papeis por hora, após casados, e com um certo grau de convivência apresento para meus pais, que espero que aceitem essa.

— Eles irão aceitar. Acho que ela também irá querer apenas um casamento no civil, irei arrumar tudo e aviso a data é horário.

— Tudo bem, diga ela que no mesmo dia do casamento ela irá para a minha casa, mas providenciarei um quarto para ela, em algum momento iremos dormir no mesmo quarto, mas por hora irei respeitá-la. Vinte e um anos, o que as meninas de vinte e um anos fazem hoje em dia.

— O que você fazia nessa idade?

-Vivia o meu luto vovô.

— Desculpe Thiago, mas acredito que elas vão a bares, t**** com desconhecidos, fazem faculdade, t*** com mais desconhecidos, gastam dinheiro, t*** com desconhecidos.

— Já entendi a parte de t*** com desconhecidos, não consigo imaginar Fofinha t*** com desconhecidos. — Falei olhando na foto, onde eu com um sorriso enorme estava do lado de uma bebé toda de rosa, bochechas rosadas e redondas, um bebé lindo, ao menos os meus filhos serão bonitos.

Vovô ergueu a cabeça, olhou a foto, e riu.

— Essa bebé aí não. Mas, a sua Fofinha de vinte um anos, deve atrair muitos olhares.

— Só espero não me arrepender. Lembre de falar sobre a fidelidade, exijo respeito, pois irei respeitá-la.

Ainda conversei com vovô, e sai da sua casa, com a cabeça ainda pior do que cheguei, a minha mãe está doente, irei casar em menos de um mês.

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