- Pai, vou pra um hotel até resolver o que farei de agora em diante. - Enlouqueceu Suzana? Você é minha filha e nada em ninguém vai tirar ou mudar isso, Compreende? - Pai, eu já afastei vocês uma vez, não quero que aconteça de novo. Sei que sofreu bastante. - Vamos, hoje não estou com paciência nem com você Enem com Renato, vamos pra casa. - Não quero ir pra nossa casa, pai. - Vamos pra minha casa e por isso também sua casa. Já que não quer ir pra casa de vocês. -Está bem por enquanto. Suzana fala e abaixa a cabeça pegando a suas coisas. Henrique a segura e faz com que olhe pra ele. Não será por enquanto, será pra sempre, entendeu Suzana? Os nossos laços familiares não acabarão. E isso independe de Renato. Me diz que entendeu... Suzana não fala nada, apenas o abraça chorando, sentindo a dor de toda perda que lhe foi causada. - Ah...minha filha, tudo vai se resolver, mas não pense em desistir de nós, por favor está bem? Eu te proíbo! - Jane, Bom dia! - Bom dia Sr
Henrique se mexe na cadeira, olha para Suzana e no mesmo momento de olhar desvia o olhar, demora para responder. A incerteza na mente de Henrique transpassa a sua fisionomia, e é exatamente o que Suzana percebe, ele não tem a menor ideia do que Renato vai decidir, mas o pior de tudo é o que ela vê nos seus olhos, como se realmente soubesse que Renato ia optar por não tentar. enquanto isso Renato no hospital se consome de raiva. Como meu pai poderia escolher ela? Pois então que fique com ela, não vou aceitar passar um segundo sequer com aquela mulher, sabe que não é só raiva que sente e não entende como ainda há sentimentos por ela, mas o que ela fez não tem perdão, ele lembra o quanto o pai chorou e ficou triste por um bom tempo. E agora que ele se recuperou ela volta? Porque ela está aqui? De repente uma ideia surge de Renato, na verdade vou fazer diferente do que ele está pensando, seu pai o conhece suficiente para saber que não vai aceitar essa pressão, então vai aceitar a propo
E assim a tão esperada alta de Renato chega. Suzana entra no quarto de Renato e o cumprimenta de longe, mas ele se aproxima dela e a beija com bastante volúpia, - Como você está, esposa? Renato pergunta com um sorriso dissimulado. - Pega leve Renato, é um aviso. Henrique fala baixo e duramente. - Está bem Sr Henrique, não vou maltratar a sua filha. Eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance. Renato mantém uma atitude dissimulada. - Renato, porque resolveu tentar lembrar da nossa vida de casados?Suzana falou tocando nele e encarando sem nenhuma intenção de ficar sem resposta. - Quero acreditar no que meu pai falou e entender como aconteceu isso, já que tudo que eu quero é, não te ver nunca mais. - Lamento muito tudo isso, mas nem tudo é como desejamos. Estou disposta a tentar para que sua memória retorne, mas quero deixar avisado que não vou tolerar ser maltratada, estou de boa vontade nisso para que se lembre mas se perceber que não está funcionando, vou desistir e te
Suzana jamais imaginou, nem nos seus melhores sonhos, que estaria andando pelas ruas de Paris, visitando o Louvre, olhando cada pedacinho de Notre Dame, comendo croissant na estação do TVG, olhando aquelas mulheres lindas, e homens charmosos caminhando rápido e em silêncio. Com o olhar deslumbrado, Suzana observava os cabelos de cores exóticas. A pele dos franceses era bem alva e fazia contraste com sua cor morena. Sim, estava na França. E por Deus, tiraria o máximo daquela experiência! Suzana, que tal irmos para a França? Precisamos reciclar e participar de alguns workshops que estarão acontecendo no mês de outubro, em Toulouse. Renato falava e gesticulava muito quando tinha coisas a fazer. Era um costume hereditário, ela diria. Seu pai, o produtor e arranjador da banda onde Suzana cantava e tocava, usava pouco as palavras, mas em compensação, suas mãos eram insubstituíveis não só na comunicação, como nos arranjos e na prática do seu instrumento. PARIS! Parecia que alguém tinha g
Os Mouras tinham um padrão de vida que ninguém sabia dizer se eram ricos ou não, pois eram muito simples na sua maneira de viver. Andavam com roupas de estilo, mas nunca com extravagância, eram elegantes em tudo, estavam sempre informados da última moda, conheciam pessoas de influência, mas não davam muita importância a isso. Uma vez tinham sido convidados para uma festa na casa presidencial, mas se desculparam e não foram. Era realmente difícil de saber em que pé andavam as coisas. Suzana se lembrou da vez em que Henrique quis produzi-la e divulga-la no país. Ela dissera que não estava preparada. Renato nada comentou na hora em que foi feita a proposta, mas depois, por acaso o ouviu falar para o pai que fosse devagar, pois lá fora estava cheio de lobos e ela era preciosa e ingênua demais para ser lançada naquele momento. Foi então que ela descansou e realmente confiou nos Mouras. Sabia que independente de dinheiro, eles também pensavam no seu bem estar. Isso foi no primeiro a
O que será que Renato estaria pensando? Estava tão quieto, tinha-a evitado a viagem inteira. Já estavam na Bélgica e se lhe dirigiu duas palavras, fora muito. Bem, deixa Renato prá lá se não quer falar com ela. O problema era dele, deve ser paixão recolhida, pensou Suzana. Será que alguém, finalmente, conseguiu fisga-lo? Renato saía com as mulheres mais lindas que já tinha visto, mas nunca se prendeu a ninguém. Seria bom se ele amasse de verdade uma mulher. Mal sabia Suzana que estava bem perto da verdade. Suzana! O que está acontecendo com você? Está todo mundo te esperando. Ela olhou em volta cheia de vergonha; tinha saído para o seu mundo particular, de novo. Desculpe, gente. É que estou extasiada. Estava maravilhosamente frio na Bélgica e o carro que os esperava tinha aquecedor. Graças a Deus! Passaram pela fronteira logo após Henrique resolver alguns contratos em Bruxelas. Deram outra parada de meia hora, em Lens, cidade do norte da França, a 199 Km de Paris. Depois, par
Suzana! Renato estava bem perto dela, agora, e a olhava como se pudesse ver seus pensamentos. Todos já entraram para ver Notre Dame, você não vai? Ela não conseguia responder; ficou olhando para ele, como se só agora pudesse perceber a verdade que sempre esteve diante dela e, nunca quis admitir. Estava e sempre esteve apaixonada por Renato, desde aquele momento que o viu pela primeira vez!!! Meu Deus! Renato nunca poderia descobrir isso. Aquelas mulheres lindas com as quais ele saía. Suzana não chegava nem aos pés delas. Suzana era morena, nem alta, nem baixa; seus olhos eram cor de mel, os cabelos pretos, cortados bem curtos, seu corpo curvilíneo, mas ela se achava meio cheinha. Mas o seu grande trunfo era a boca, bem desenhada e carnuda, parecia estar sempre pronta para ser beijada. Não que ela soubesse disso, aliás, sempre se achou sem graça, desde pequena, quando sofria com as brincadeiras maldosas dos colegas de escola. Vivia olhando tanto para o passado que não reparou q
Antônio veio cumprimentar Suzana, eufórico, elogiando-a muito. Despediu-se dela com um abraço e um beijo, dizendo que tudo daria certo. Teria que partir de manhã, mas que adorou tê-la conhecido. Suzana passeava sozinha. Eu estou em Paris, lugar que sempre quis conhecer e não estou aproveitando nada e ainda estou triste. Porque eu tenho sempre que sonhar com o impossível Mas uma voz falava baixinho no seu íntimo: Para você, algum tempo atrás, era impossível estar aqui, mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ela retrucava consigo mesmo. Quer saber? Eu vou aproveitar. Estou na Europa e vou fazer jus a esse momento. E vou começar agora, não vou voltar tão cedo pra aquele hotel! Suzana tinha cantado quatro noites, direto. Renato não veio mais e ela não o tinha visto depois daquela noite. Saíra cedo do hotel e deixara recado na portaria, para o Henrique, que voltaria tarde. E era isso que faria. Estava entrando no hotel, quando aquele homem alto veio em sua direção.