Capítulo 18.Thalia.— Está melhor? — Marcelo olhou em meu rosto e assenti.Ele limpou as últimas lágrimas e me deu um sorriso caloroso.— Não, mas irei ficar. — Saí de seus braços.Assim que me afastei, senti falta do calor de seu corpo no meu. Estar em seus braços era reconfortante, por mais que ele fosse apenas um estranho.— Podemos abrir as janelas, isso ajudará a deixar o apartamento mais arejado e com alguma luz. Mas precisa separar algumas velas, pois logo irá escurecer e não conseguirá enxergar nada.Concordei e fui abrir as janelas. Senti uma tontura e me segurei no sofá.— Você precisa se sentar. Não está nada bem. — Marcelo logo chegou até mim.Ele segurou a minha cintura e me ajudou a sentar no sofá.— É a falta de comida. Não como nada desde cedo. — respirei fundo e recostei a cabeça no sofá.— Não pode ficar tanto tempo sem comer, Thalia. São horas sem ingerir nada e isso pode ser prejudicial ao bebê. Sem contar que vomitou, o que pode tê-la deixado desidratada.Meus lá
Capítulo 19.Thalia.Deixei um dos pires sobre a mesinha de centro e segui, com o outro na mão esquerda, para o quarto. Lá, coloquei o pires com vela sobre a cômoda e segui direto para o banheiro, onde retirei as roupas e as descartei no cesto de roupas sujas.Soltando um suspiro, liguei o chuveiro e me pus embaixo dele. A água estava gelada pela falta de energia, mas isso foi bom para me fazer ciente da minha vida fodida. Precisaria buscar outro emprego, mas estando grávida seria algo quase impossível.Se as empresas não queriam contratar mulheres por alegarem que dão muitos gastos e faltam muito, imagina uma mulher já estando grávida? Seria praticamente impossível.— Deus, me ajude. — Pedi, com os olhos fechados.Toquei meu ventre e senti um sentimento diferente me invadir.— Prometo que não deixarei nada te faltar, tomatinho. Sei que não foi planejado e que chegou de uma maneira bem inusitada, mas vou te amar, ok? Tentarei ser uma mãe tão boa quanto a sua avó foi comigo durante os
Capítulo 20.Thalia.Terminamos de comer e fui para a pia lavar os pratos. Marcelo queria lavar, mas, como ele já havia me ajudado muito e fez o jantar, não achei justo. E eu já estava melhor, então não me faria mal lavar algumas louças. Lavei tudo o que usamos, ele enxugou e guardou.— Obrigada por tudo. Sua ajuda hoje foi fundamental. — sorri. — Parece que ganhei um amigo.— Amigo? — me deu um lindo sorriso.Afastei-me da pia e me aproximei dele. Toquei seu braço e seus olhos cravaram-se no local onde eu o segurava.— Sim, geralmente os bons amigos se conhecem em momentos inusitados. Algo acontece e os une, assim foi conosco. Um dia bem conturbado e ganhei um amigo.— E um bebê. — É, e um bebê. — Toquei minha barriga. Agora entendia essa coisa das mães sempre ficarem alisando a barriga. Era a maneira de entender que havia um ser ali sendo gerado. De se conectar com a pessoinha dentro de você. — Meu tomatinho.Ouvi sua risada e ergui o rosto.— Tomatinho?— Sim, o médico di
Capítulo 21.Thalia.Acordei no susto, com meu celular tocando desesperadamente. Procurei-o pela cama e vi que ele havia caído.— Merda! — resmunguei — Graças a Deus! — mas agradeci em seguida ao ver que ele continuava funcionando.— Thaliaaaaa. — Afastei o celular do ouvido com o grito que Vivian, minha amiga, deu. — Sua vaca, por que não atende a merda desse telefone?— Me desculpe, amiga. O dia foi bem tenso e acabei dormindo. Estou bem, não se preocupe.— Você me deixou à beira de um ataque com essa demora em me responder. — Podia vê-la gesticulando sem parar e andando de um lado para o outro.— Foram muitas coisas e eu acabei esquecendo, amiga, mas estou bem. Não morri, não sofri um acidente e muito menos fui presa. — Ri, pois isso era uma possibilidade na minha vida.Ela respirou profundamente para se acalmar.— Como foi lá no médico? — Sua voz saiu temerosa.Vivian foi quem mais me apoiou a sair com Diego e se sente culpada por isso. Ela é casada e queria me ver sendo feliz com
Capítulo 22.Marcelo.Após me certificar de que Thalia estava bem, desliguei o celular com as mãos ainda trêmulas. Um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios ao recordar o turbilhão de sensações que aquele dia me proporcionou. Era como se tivesse sido arrancado da rotina e jogado em um cenário totalmente inesperado, onde tudo parecia ao mesmo tempo absurdo e, de alguma forma, encantador.Thalia... Ela era um enigma. Em poucos minutos, conseguiu me cativar com sua autenticidade e espontaneidade, como uma tempestade de leveza em um mundo árido de banalidades. Seus olhos, grandes e profundos, pareciam refletir uma sabedoria que não deveria pertencer a alguém tão jovem. A maneira como ela dava risada, sem se preocupar com o que os outros pensariam, era algo raro, quase como uma dança com a vida, sem receio de se perder. Ela me lembrou de como muitas vezes deixamos de ser nós mesmos por medo do julgamento alheio.Era impossível não pensar na situação insana em que ela estava vivendo. C
Capítulo 23.Dias depois...Já passava das 7h da manhã quando acordei. Dormi além da conta, então corri para tomar banho e comer algo antes de ir à empresa. Havia alguns documentos para assinar, contratos com engenheiros para analisar e as demissões para anexar e dar baixa. Havia se passado uma semana desde que as demissões aconteceram, e eu precisava dar seguimento e conferir se estava tudo certo com a papelada e os pagamentos dos honorários.Após me levantar da cama, segui para o banheiro, escovei os dentes, tomei banho e saí. No quarto, me troquei e fui em direção à cozinha. Preparei ovos mexidos e, enquanto fazia minha vitamina de banana com whey protein e cacau em pó, as fatias de pão integral torravam na torradeira. Depois de tudo pronto, tomei café, escovei os dentes e saí do apartamento. Cerca de 30 minutos depois, eu estava na empresa.— Bom dia, Raquel, como passou a noite? — perguntei ao sair do meu elevador privativo e dar de cara com minha secretária.— Bom dia, senhor Ma
Capítulo 24.Marcelo.Passei pela porta de entrada do hotel e segui direto para a recepção. Ao chegar, retirei os óculos escuros e sorri ao cumprimentar a recepcionista.— Bom dia, senhorita Agatha. — Falei o nome em seu crachá. — Tudo bem?— Oh... — ela abriu a boca, surpresa ao me ver.Devia saber quem eu era ou quem havia comprado o Vila Esmeraldas.— Bom dia, senhor Toledo. Seja bem-vindo ao nosso hotel, em que posso ajudar? — respondeu de modo mecânico, mas solícita e com um sorriso em seus lábios pintados de rosa.Eu optei por adotar o sobrenome da minha mãe na minha carreira empresarial. Enquanto o nome do meu pai, Vilard, era reconhecido em todo o país, eu estava determinado a não ser rotulado como alguém que apenas se beneficiava da família. Embora eu amasse meu pai, queria que ficasse claro que tudo o que conquistei foi através do meu próprio mérito.— Bom... Estou averiguando algumas coisas referentes ao andamento do hotel. Pensei que pudesse me ajudar. — Sorri mais amplame
Marcelo.Após concluir as tarefas no Vila Esmeraldas, me despedi do gerente com um sorriso cortês, mas uma parte minha já queria voltar para a empresa e conversar pessoalmente com minha prima. No entanto, Vagner Trindade me convidou para almoçar, e aceitei de bom grado. Ele parecia uma pessoa de visão, alguém que compreendia profundamente o que significava administrar um lugar como aquele. O Vila Esmeraldas não era apenas um hotel; era um centro onde cada detalhe precisava funcionar em perfeita harmonia para garantir uma experiência única para os hóspedes.Como gerente geral, Vagner supervisionava todos os departamentos, não apenas garantindo que as operações fluíssem sem problemas, mas também motivando os outros gerentes a alcançarem as metas e oferecerem sempre o melhor desempenho. Sua posição exigia uma visão estratégica do negócio, além de uma educação sólida em administração e hotelaria, com fluência em idiomas, como o inglês. Dentro do hotel, os outros cargos também tinham suas