Marcelo.Horas depois...Depois da concessionária, seguimos para a imobiliária. Encontrar o apartamento perfeito era outro passo importante para essa nova fase da vida de Thalia.No escritório, fomos recebidos por um corretor simpático que nos levou a uma série de imóveis. Enquanto visitávamos cada lugar, me peguei admirando o brilho nos olhos dela. Ver Thalia animada, planejando seu futuro, fazia meu coração bater mais forte.Quando finalmente encontramos o apartamento ideal — um espaço espaçoso com uma vista deslumbrante da cidade — soube que aquele era o lugar certo.— Esse aqui tem uma excelente localização — falou o corretor, apontando para um apartamento espaçoso com vista para a cidade.— E é perto do hotel onde vou trabalhar — Thalia completou, com um sorriso satisfeito.Concordei, observando a vista ao nosso redor.— É perfeito. Parece feito para você. A localização é ótima. E o espaço interno parece bem distribuído.Ela assentiu, radiante com a nova aquisição. Thalia não con
Thalia.Uma semana depois...Virei-me na cama e fitei o teto. Não sabia que hora era, mas sabia ser tarde. Deveria sair da cama, mas meu corpo só queria permanecer deitado. Já havia me mudado para meu novo apartamento, mas ainda não havia assumido meu novo cargo. Pretendia fazer isso logo, mas tinha voltado a me sentir mal.— Pensei que a encontraria dormindo. — Marcelo falou, sua voz era suave.Ele entrou no quarto e se sentou na beirada da cama.— Acordei faz poucos minutos. — Sorri e me sentei, com as costas na cabeceira.— Trouxe bolo de chocolate.— Andou lendo meus pensamentos? Queria mesmo um doce.— Talvez eu seja telepata. — Rimos.— Se sente bem? Não quero que minta para mim. Vi que acordou de madrugada e vomitou algumas vezes.— Sim, mas já estou melhor. Os remédios já fizeram efeito. — Tentei passar segurança, embora ainda me sentisse um pouco mal.— Isso é bom.Ele soltou um suspiro.— Vem, vamos fazer um lanche. — Estendeu-me a mão e me ajudou a levantar.Minha relação c
Thalia Nossos olhos estavam conectados e deixei transparecer o quanto sentia por ele. Deixei a sinceridade brilhar em meus olhos e falei:— Também seria impossível não me apaixonar por você, Marcelo. É um homem lindo e não digo só por fora. É gentil, amigo, cuidadoso, carinhoso. Um fofo. — Sua risada aumentou.— Não é loucura termos nos apaixonado tão rapidamente, é? Sentir essa necessidade de estar junto, de tocar, beijar, abraçar? Até um dependente químico leva mais tempo para se viciar em sua droga e sofrer ao ficar sem a usar, mas isso já acontecia comigo na primeira semana em que ficamos juntos. Sou viciado em você, Thalia, e não posso ficar sem tê-la. — Não é loucura. Quando se nasce para estar junto, tudo conspira a favor. Talvez nosso encontro já estivesse escrito nas estrelas.Soltei uma risada ao concluir minha fala. Isso pareceu mais bonito na minha mente.— Que frase mais brega. Porém, tão linda e romântica. Linda e romântica como você, meu amuleto da sorte. — Seu sorr
Marcelo.O sol já havia se posto no horizonte, dando lugar à lua que compunha um céu estrelado e negro, quando passei pelos portões da casa dos meus pais e estacionei o carro ao lado dos outros veículos já estacionados. A casa estava movimentada. Podia jurar que minha mãe convidou metade da cidade para sua festa ‘simples’ de aniversário.Nelicia Toledo Vilard, agora uma socialite em pleno direito, sempre apreciava a companhia de uma multidão. Ela se tornou uma figura frequente em revistas sociais, posando ao lado de celebridades e exibindo sua elegância e o luxo de sua casa.Minha mãe era uma mulher de destaque. Formada em direito, trabalhou alguns anos como advogada, ascendendo ao posto de promotora, anos depois, após passar em um concurso público específico para ocupar tal cargo. Sua carreira culminou na condenação de um dos [1]criminosos mais procurados do país. E, grávida da minha irmã caçula na época, decidiu se aposentar, focando na família.Meu pai, Mario Vilard, era um empresá
Marcelo.— Marcelo! — Natali exclamou, abraçando-me com força.Isso me encheu de amor e ternura. Nós a amávamos demais.— Oi, minha bruxinha! — Eu ri, apertando-a de volta.Sorrimos. Seus olhos brilhavam de felicidade, e o aroma doce de melancia do seu perfume infantil preenchia o ar.Natali era a luz de nossas vidas e agora, tendo-a em minha frente, em meus braços, dei-me conta do quanto eu sentia sua falta. Por mais que não morasse mais com os meus pais, eu vinha aqui quase todos os dias, almoçava, tomava café e jantava todos os finais de semana, então nós estávamos sempre juntos, coisa que não aconteceu nas últimas semanas. Eu mergulhei em Thalia de cabeça e esqueci do resto.A coloquei no chão. Minha mãe havia ido até meu pai, que estava mais afastado, conversando com uns amigos.— Estava com saudade. Você está linda, meu amor.— Você também está bonito. Está diferente. — Colocou a mão no queixo e estreitou os olhos, me analisando. Sua postura parecia de um detetive em busca de al
Marcelo.— Não... Não estou namorando, mãe. Minha mudança deve ser devido ao excesso de trabalho.Queria dizer que estava conhecendo alguém, não havia motivos para esconder meu envolvimento com Thalia, mas minha mãe era afobada e desconfiada. Depois do que me aconteceu no passado, ela havia se tornado ainda mais cuidadosa com relação às pessoas que se aproximavam de mim e faria um relatório para saber quem é Thalia. Minha tia estreitou os olhos, mas não falou mais a respeito.— Deve ser isso mesmo. Talvez seja minha vontade de ver meus meninos casados e nossa casa cheia de crianças. — Ela dizia que éramos, eu e meu irmão, seus filhos de outra mãe. — Já desisti de casar, minha filha.— Mãe! — Catarina reclamou, mas sua mãe só resmungou que ela não queria casar e lhe dar netos, mas viver de farra e pegação.Ri, porque era verdade. Catarina só havia amado um homem em sua vida e desistiu do amor após o perder em um acidente de carro. Era seu namorado de juventude, o conhecia desde que na
Capítulo 1 Thalia.Batuquei os dedos, nervosamente, sobre a mesa, mordendo o lábio inferior numa tentativa frustrada de conter a ansiedade que me assolava. Finalmente, a porta se fechou atrás de nós, proporcionando um refúgio do barulho insistente vindo da sala de espera, que estava começando a me irritar.Respirei fundo, enquanto meus olhos se fixavam nos meus dedos. Havia feito as unhas, ou melhor, as havia pintado com um discreto tom de rosa-claro, sempre preferi tons mais sutis e discretos, e ao examinar mais detalhadamente, notei uma pequena cutícula levantada no canto da unha do meu dedo mindinho.Sem pensar, levei a mão à boca e tentei remover a cutícula com os dentes, fazendo uma careta ao puxar e sentindo um pouco de dor pela ação que acabou ferindo o cantinho da minha unha. Sabia que não deveria fazer aquilo, mas o tédio e a ansiedade obtinham o poder de me fazer agir impulsivamente. Em outras palavras, eu fazia merda quando estava entediada. Manter o controle era um desaf
Capítulo 2Thalia.— Eu não vou fazer exame algum porque eu não estou grávida! Exijo que refaça os exames, esses devem ter sido trocados, porque não tem como eu estar esperando um bebê se eu nunca fiz sexo! — Ok, eu já havia tido momentos íntimos com um homem, mas nada que corresse o risco de uma gravidez. Foram apenas algumas sarradas, mão boba, mas nada de penetração, nada que me fizesse acreditar que um bebê estava crescendo dentro de mim.Doutor Rodrigo soltou um suspiro, se sentou e levou os dedos à têmpora. Sua expressão era um misto de raiva, frustração e tédio. Ele cerrou os olhos em minha direção e começou a falar com mais calma para ver se eu conseguia compreender o que ele estava falando.Senti-me uma criança birrenta enquanto o pai tentava explicar pela décima vez que não podia colocar o dedo na tomada ou levaria um choque. Bom, eu estava realmente chocada. — Não estou afirmando que acredito em você, já que nunca havia me deparado com um caso assim, mas é possível ter eng