Depois que terminamos, levei Isadora no colo até o banheiro e a ajudei a se lavar. Não dissemos uma palavra sequer. Apenas nos olhávamos e nos beijávamos, como se tudo o que precisássemos estivesse naquele contato. Eu me sentia em êxtase, mais leve do que jamais imaginei que poderia estar.Quando voltamos para o quarto, ajudei-a a se vestir e deitei-me ao lado dela, puxando sua cabeça para descansar sobre meu peito. Aos poucos, fui sendo envolvido pelo sono.Mas, mesmo com os olhos fechados, percebi que Isadora estava inquieta. Seu corpo estava ali, tão próximo ao meu, mas sua mente parecia viajar longe. Apostei que ela estava arrependida. Talvez por ter se entregado tão rápido a alguém como eu: um completo idiota que sequer se deu ao trabalho de usar preservativo.Puta merda. Não usamos nada.O pensamento me fez acordar de vez. Levantei-me de repente, incapaz de continuar fingindo calma.— O que aconteceu? — ela perguntou, me encarando com os olhos arregalados.Eu não conseguia me pe
Acordei Danilo no domingo com o café na cama.— Isso não é justo, eu não sei fazer o mesmo por você! — ele reclamou, com aquele sorriso preguiçoso que me fazia derreter. — Isso aqui são panquecas?Sorri, e acabamos comendo juntos, colocando pedaços na boca um do outro. Era surreal. Eu mal acreditava que estava vivendo aquilo. Só fazia um dia que minha vida virou completamente de cabeça para baixo. Na manhã anterior, acordei milionária. A carta da minha mãe foi tão carinhosa, mas não tive tempo de processar nada. E agora? Em 24 horas, eu não era mais virgem, nem pobre, nem sozinha no mundo. E também não estava apaixonada por um homem casado.Queria tempo para entender tudo isso. Precisava conversar com a Laila, que certamente surtaria ao ouvir minha história. Mas antes, tinha algo mais urgente: precisava que Danilo e eu chegássemos a um acordo sobre o que tínhamos. E também resolver o assunto Juliete.— Danilo, quero te perguntar uma coisa…— Se quer me pedir em casamento, só aceito se
Achei que seria mais difícil manter o profissionalismo no escritório depois de tudo o que aconteceu, mas me vi tão atolada de tarefas que a manhã passou voando. Nem tive tempo para flertar com o Danilo, que só me lembrou da hora do almoço e do encontro importante que eu tinha.Saí apressada, e no elevador vi a mensagem da Laila avisando que já tinha chegado. Queria muito contar tudo para ela, mas sabia que não dava para despejar todas as novidades no almoço. Minha vida estava de cabeça para baixo, e eu precisava da ajuda dela e do John para resolver a situação com a Juliete.Quando a encontrei, Laila me abraçou como se não nos víssemos há anos e, sem cerimônia, gritou:— O que aconteceu? Você está totalmente diferente!Tentei ser prática.— Vou resumir tudo pra te manter informada, prometo que conversamos com calma tomando vinho no fim de semana, está bem? Só não faz perguntas agora, porque preciso da sua ajuda e do John urgentemente.— Tá bom, eu sempre te tiro de confusão mesmo. Mas
Cheguei ao escritório naquela segunda-feira com um único objetivo: sondar. Precisava entender o que estava acontecendo e, para isso, esperei pacientemente até que a estagiária — bonita demais para estar ali — saísse para almoçar.Queria ter resolvido tudo no sábado, mas Danilo simplesmente não voltou para casa. Nem no domingo. Ele estava com aquela esposa misteriosa, a mesma que levou para conhecer Juliete. Um verdadeiro absurdo!Eu sempre soube que o casamento dele era apenas uma fachada, uma saída conveniente para fugir de um contrato. Com Juliete naquele estado, imaginei que ele não teria olhos para outra mulher, o que me daria tempo suficiente para me aproximar. Mas tudo mudou quando a Juliete simplesmente acordou. A enfermeira me avisou, e fui correndo encontrá-la. Consegui convencê-la de que seria melhor continuar fingindo sua condição. Expliquei que, se revelasse estar consciente, Danilo a mandaria de volta para a França sem nada.Foi difícil no início, mas Juliete acabou ceden
Saí da universidade respondendo as mensagens de Danilo no celular. Será que aquilo era mesmo real? Eu já estava com saudades dele. À tarde, tive uma conversa produtiva por telefone com Jhon, o namorado da Laila, e ele me indicou um neuro que poderia ajudar na situação. Falei com o médico, expliquei o caso, e ele disse que teria um horário na sexta-feira. Embora eu quisesse algo mais próximo, sabia que precisava respeitar as agendas.Contei isso ao Danilo numa chamada enquanto dirigia para casa, e ele disse que eu seria a responsável por levar o neurologista para ver Juliete. Estava cansada e comentei que precisava descansar, que falaríamos sobre o assunto no dia seguinte. Ele fez um muxoxo no telefone, dizendo que já sentia minha falta.Meu coração derreteu com aquelas palavras, mas lembrei a ele que precisávamos ser responsáveis. Ao chegar em casa, desliguei o carro, peguei minhas chaves e subi. Quando o elevador parou no meu andar, vi um buquê de flores na porta do meu apartamento.
Eu aguardava o Johnny do lado de fora da sala de Isadora, fingindo interesse em um e-mail qualquer enquanto meus pensamentos fervilhavam. Meus olhos estavam fixos na porta fechada, e o coração batia freneticamente no peito. Como Danilo pôde cair tão baixo? Dormir com uma estagiária qualquer, traindo Juliete... e a mim.A noite passada havia sido reveladora. Depois de ligar para Juliete, passei horas digerindo tudo. A ideia de Danilo estar realmente envolvido com outra mulher era insuportável. Decidi agir. Planejei tudo: orientei Juliete a “acordar” naquela madrugada, forçando um contato imediato com Danilo antes que qualquer outro médico pudesse intervir. Precisava atrapalhar qualquer momento que ele pudesse ter com aquela garota.Mas é claro que não contei a Juliete o restante do meu plano. Depois daquele tumulto inicial, eu me certificaria de estar ao lado de Danilo, ocupando o lugar que sempre foi meu por direito. Seria naquela noite. Ele finalmente me faria mulher, e Juliete seria
Ainda estava tentando recuperar meu ritmo no trabalho quando ouvi o som inconfundível dos saltos de Eleonor se aproximando. Não foi surpresa quando ela entrou sem bater, carregando no rosto aquele deboche típico.— O que você ainda está fazendo aqui? Por que não está arrumando suas tralhas pra dar o fora daqui? — disparou, cruzando os braços como se já tivesse vencido alguma batalha.Respirei fundo, mantendo a calma. Eu sabia que teria que lidar com Eleonor em algum momento, mas ainda não tinha decidido como. Meu instinto me dizia que ela estava por trás de grande parte das dificuldades que Danilo vinha enfrentando — e, agora, das minhas também. Sem me apressar, comecei a fechar as abas do computador uma a uma, evitando olhar diretamente para ela. Por fim, virei minha cadeira e respondi com tranquilidade:— Trabalhando.Ela franziu o cenho, claramente surpresa com a minha resposta.— Mas você foi demitida!— Sim, como estagiária. Agora sou assessora do Danilo.— E o que isso quer dize
Na manhã seguinte, estacionei no prédio espelhado e fiquei por um momento no carro, imersa nos meus próprios pensamentos. O peso de tudo parecia estar sobre mim. Antes de sair de casa, liguei para Laila em uma chamada de vídeo. Conversamos bastante, mas, pela primeira vez, ela não tinha um conselho que pudesse realmente me ajudar. Era como se nem ela soubesse o que fazer com essa bagunça.Danilo também tentou várias vezes. Chamadas perdidas no meu celular e mensagens que ele começava a digitar e apagava antes de enviar. Por fim, só recebi um seco “boa noite”. Não sabia se estava agindo certo em ignorar, mas, naquele momento, parecia a única coisa que eu podia fazer para manter minha sanidade.Suspirei e olhei para o espelho retrovisor. Lá estava eu, com o rosto cansado, mas com a determinação de sempre. Baixei o vidro e disse para mim mesma:— A Cinderela só teve até meia-noite e perdeu o sapatinho. Você está no lucro. Teve um fim de semana inteiro... e mais uma noite. Mas chega. Eu q