Eu aguardava a chegada de Gerard, na beira da ilha, me sentia muito ansiosa. Eu acreditava que ele me ajudaria a manter o meu homem em casa. Eu cuidei de Kaleu, ajudei a tirar novos documentos, ajudei a se curar dos ferimentos do acidente, dei guarita a ele quando estava a esmo. Não era certo nem justo agora ele querer ir embora.Eu senti que não daria certo quando o vi pesquisando na internet. Tanto que não permitia ele ter dados no celular. Com ele usando o computador de casa, eu poderia verificar o que ele estava pesquisando e fazer a contenção de danos. Quando ele deu a ideia de um computador em casa, eu fui contra. Liguei para o francês contando da intenção e pedindo ajuda de como poderia evitar.— Você é burra? Ele pode ter acesso a internet de qualquer maneira. Pode até comprar um celular ultra moderno e contratar um pacote. É melhor que você possa fiscalizar isso pra não sermos pegos de surpresa. E outra coisa: ele não pode se sentir acuado, que você está impedindo ele de bus
Assistia a uma reportagem, bem desinteressado, quando ouvi o nome de Isadora. Passei a prestar atenção e soube que naquele dia, sua advogada e amiga estava em uma festa de inauguração de um projeto bem bacana em que orientavam e davam acompanhamento jurídico, psicológico e financeiro para adolescentes na criminalidade. Revirei os olhos e pensei que isso era um problema estrutural e que nada adiantava injetar dinheiro nessas comunidades se não houvesse uma mudança de atitude. Resolvi apenas ouvir enquanto procurava uma roupa para tomar banho. Mas voltei a minha atenção para a tela do notebook quando ouvi uma voz feminina respondendo ao meu pensamento negativo:— Muitos podem achar que o projeto é uma utopia, já que a criminalidade infantil é um problema estrutural, principalmente nas comunidades do Brasil com os ditos aviõezinhos, e que injetar dinheiro nesse problema seria como financiar o crime, e no problema de natalidade na adolescência, seria como incentivar meninas a engravidar.
Apaguei a tela do celular e fiz uma busca entre a multidão, encontrei com os olhos Leandro, que já estava vindo em minha direção.— Você não vai acreditar com quem eu estava ao telefone.Quando contei toda a conversa que tive com o suposto Aleksander, Leandro me perguntou:— Você acha que pode ser verdade? — Não sei. Era a voz dele. Mas posso ter sido enganada.— Vamos checar, pelo menos. Vou pedir a Elza e ao Eduardo para terminar de conduzir a inauguração. Você já discursou mesmo.Leandro tomou as rédeas da situação. Saímos do local e volta para casa, fui dirigindo. Eu queria mesmo ir direto para Mairiporã — Não podemos, se tivermos que ir para o Havaí, o jatinho está em São Paulo. Precisamos otimizar o tempo.— Tem razão. Seria perda do tempo que já não temos. — Acelerei o carro.Ainda a caminho de casa, Leandro ligou para o Danilo e acionou o viva-voz.— Não, Leandro. Diz pra Laila que ainda não temos notícia diferente de uma hora atrás. Juliete não está sentindo dores.— Coloc
Quando cheguei em Mairiporã, encontrei uma Isa nervosa e apavorada.— Alain me retornou. Gerard vive com essa mulher que faz os gostos dele. Ela está aguardando uma chamada de vídeo nossa, só esperando você chegar.— Mas é madrugada na França agora...— Ela sabe e mesmo assim está aguardando.Depois que fizemos a chamada, vimos chegar na tela uma senhora de uns 50 anos, bem vestida, conservada, com um olhar perdido.— Boa noite, sou Henrieta. Alain me adiantou o assunto, mais ou menos. De verdade, o que vocês esperam que eu saiba?— Henrieta, me desculpe te incomodar uma hora dessas, mas é realmente assustador tudo o que está acontecendo. Você já ouviu falar de Juliete?— Não, mas Gerard era obcecado pela Duex e o CEO, o senhor Danilo. Ele dizia que queria ter sido programador e eu até sugeri ele voltar a estudar, mas ele disse que o tempo dele passou.— Porque vocês foram para o Havaí?— Ele sugeriu termos uma viagem nossa, disse que gostaria de conhecer o Havaí. Ele programou tudo.
Quando descemos do avião, Danilo e eu, já sabíamos o endereço e novo nome de Aleksander. Alain e Leandro conseguiram levantar a nova ficha dele. Ele estava trabalhando como ajudante geral em obras. Vivia com uma mulher chamada Vaitiari, que tinha um filho de 8 anos chamado Joseph. Supostamente era um rapaz em situação de rua itinerante, que vivia viajando entre as ilhas para pedir esmolas para os turistas, e estava em Lahaina quando houve a tragédia. Vaitiari assumiu a responsabilidade por informar os dados dele para um novo documento.— Cara, esse Aleksander é um chato em qualquer vida, você é louco — disse depois de ler as informações sobre a nova vida que Aleks estava vivendo. — É sério? O cara tem uma nova chance, um apagão total de tudo o que fez e viveu, e ele assume mulher e filho e vai fazer serviço braçal?— Laila, pare de fazer piada que tudo é muito sério. Sabemos que esse novo estilo de vida foi implantado por Gerard, que enganou Henrieta esse tempo todo, e disse que está
Quando cheguei na maternidade, a Juliete já estava de camisola e com a bunda de fora. O médico tinha pedido a hidromassagem para acelerar o parto, pois ela estava com dois dedos de dilatação.Juliete sofria, suada e pálida, mas quando entrei em seu campo de visão, perguntou logo:— O que aconteceu?— Porque você supõe que algo aconteceu? — Danilo quem ia assistir, e é a mão dele que vou tentar quebrar dessa vez.— E se por acaso eu que decidi ver agora? Ele já viu um parto seu, e eu que quero acompanhar dessa vez...— Corta essa, Isadora. O combinado foi você ficar com as crianças, e você não é tão sentimental desse jeito. Cadê o Alejandro? Pode me falar qualquer coisa, eu aguento. Estou com dois dedos de dilatação e contrações com espaçamento de quase uma hora. Só vim porque a bolsa está rota e estou com medo de Alexia ficar seca lá dentro antes de dilatar tudo. Vamos, me diga, cadê o Danilo?— Está bem, Juliete. Você sabe que sou uma mulher prática e meias verdades não combinam mui
Era uma data especial. Eu estava nervosa, porque hoje era dia de coquetel de renascimento na casa da Juliete, como festejamos há 17 anos. Desde o dia em que Aleksander voltou para nós. Me lembrava bem daquele dia, e sentia uma necessidade grande de me conectar com qualquer ser sobrenatural que nos deram aquele milagre. Eu não era religiosa, mesmo que a minha mãe tenha me criado indo às missas aos domingos. Mas fazendo um balanço geral de tudo o que vivi, sabia que sim. Deveria ter um ser superior que olhava pelos humanos e intercedesse por nós. Porque eu passei muita coisa ruim, mas tenho muito mais a agradecer do que reclamar. Os meus pais, que eram meu porto seguro e cuidavam de mim com amor e paciência, morreram em um acidente de carro. Mas dessa tragédia, veio o Danilo, que causou o acidente e se tornou o amor da minha vida. Também veio a percepção de que Tomás, o tio querido que era o melhor amigo do meu pai, era um psicopata maluco com dupla personalidade. Mesmo sendo triste
Pedro e Alexa também eram jovens muito bons, o Aleksander e a Juliete não tinham problemas com eles. Aliás, desde que o Aleksander recuperou a memória no parto de Eduardo, Tamires e Breno, eles vivam uma eterna lua de mel. Joseph vinha de Washington para o Brasil duas vezes por ano, ficava na casa de Laila que se apaixonou pelo menino que a ajudou a resgatar o Aleks. A outra metade do ano, passava na casa da Juliete. Ele optou por voltar a morar com o pai, quando descobriu a verdade. Que Vaitiari não era mãe dele e que o usava como um cofrinho. No resgate de Aleks, que o Leandro teve a ideia de Henrieta ligar por chamada de vídeo pra conseguir tirar Gerard da casa, quando invadiram Vaitiari ameaçou o Aleks com uma faca, e foi Joseph quem pediu pra ela não fazer aquilo. Ela gritou com o menino que nem era mãe dele, para ele apelar pro sentimental e ele deu um chute no braço dela, fazendo-a largar a faca e dando tempo para a Laila dar uns boxes nela. Os dois foram presos e Laila até que