Camila narrando :Tentei me concentrar no trabalho, mas minha cabeça não parava. Cada vez que eu fechava os olhos por um segundo, a imagem do Guilherme surgia na minha mente. Depois de tantos anos, ele apareceu de novo… e pior, quase me atropelando.Sacudi a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Peguei a bandeja com café e fui levar pra uma das salas de reunião. Passei pelos corredores como sempre, mas parecia que todo mundo tava falando mais alto do que o normal, ou talvez fosse só o barulho dentro da minha própria cabeça.Entrei na sala, coloquei as xícaras na mesa e saí sem nem olhar muito pra quem tava ali. Eduardo, como sempre, me deu um leve aceno de cabeça, mas eu saí rápido, torcendo pra ninguém puxar papo comigo.De volta à copa, me encostei na bancada por um instante e respirei fundo.— Tá tudo bem, Camila? — uma colega perguntou, me olhando com curiosidade.Forçei um sorriso.— Tá sim, só uma dorzinha de cabeça.Ela deu de ombros e voltou pro que tava fazendo. Eu, por
Guilherme narrando :Eu passei a tarde inteira rodando pelo bairro, indo de prédio em prédio, perguntando por Camila, mas ninguém sabia de nada. Eu tava ficando cada vez mais frustrado. O calor do Rio parecia piorar a cada passo, minha cabeça já tava a mil, e a cada porta que se fechava na minha cara, eu sentia a pressão aumentar. Fui até a última rua que me mandaram, entrei em um posto de gasolina e perguntei pro frentista, mas ele também não soube de nada.No fim do dia, já exausto, decidi ligar pro meu advogado, o Medeiros, pra ver se ele tinha alguma atualização. Quando ele atendeu, a voz dele foi direta, quase sem emoção.— Não achei nada ainda, Guilherme. Mas a pesquisa continua. Vou te avisando.Eu desliguei sem dizer mais nada, sentindo um vazio no peito. Eu sabia que precisava encontrar Camila, precisava dela, mas parecia que a cidade inteira estava me enganando. Como ela podia desaparecer assim, sem deixar rastros?O medo de que ela estivesse fugindo, ou que alguém a estives
Camila narrando :Acordo devagar, ainda com aquele sono gostoso que só quem dormiu a noite inteira sabe. O sol entra pela janela, batendo de leve na minha cara, e eu dou aquele estiramento, sem pressa. Olho pro lado e lá está ela, a Gabi, dormindo tranquila, toda enrolada nas cobertas, com aquele jeitinho de anjo que me faz sorrir toda vez. Ela parece tão calma, tão serena, que por um segundo, me esqueço do resto do mundo.Fico ali só observando, pensando em como tudo pode ser tão confuso e simples ao mesmo tempo. Como uma criança tão pequena pode ser a razão de tudo o que faço, o meu ponto de equilíbrio, meu tudo. Aquele sorriso bobo aparece no meu rosto enquanto a vejo dormir. Só ela tem esse poder sobre mim.Respiro fundo e me forço a tirar os olhos dela, mesmo que seja difícil. A mente começa a voltar para o que me espera. Guilherme. Eu sei que ele vai voltar a aparecer, só não sei quando. E é isso que me aperta o peito, a incerteza. O que ele quer agora? O que ele pensa sobre tud
Guilherme narrando :Eu acordei de madrugada com a dor de cabeça pulsando, quase me afogando no peso da ressaca. A luz do dia parecia atravessar as cortinas, invadindo o quarto do hotel com uma agressividade silenciosa. Me levantei de qualquer jeito, tentando me equilibrar e, com a cabeça rodando, fui até o banheiro. O reflexo no espelho não me mentiu: parecia um desastre. Eu estava cansado, com a boca seca e o estômago revirando.Dei uma olhada no celular e percebi que já era tarde. Eu devia ter ido atrás da Camila ontem mesmo, mas, por alguma razão, deixei o tempo passar. Fiquei ali, parado, encarando a tela do celular. O que eu estava fazendo da minha vida? Fiquei me perguntando se eu estava realmente deixando ela escapar de novo. Mas não era só ela, né? Eu também estava fugindo das respostas que minha vida estava me dando.Voltei pro quarto e me joguei na cama, ignorando o peso da dor. Eduardo tinha ficado até tarde também. Ficamos conversando sobre o trabalho, mas não foi sobre o
Camila narrando:Eu tentei explicar da melhor forma possível pra Gabi o que aconteceu com o pai dela. Falei por cima, sem entrar em muitos detalhes, porque não queria sobrecarregar ela com mais uma história que ainda estava meio incompleta na minha cabeça. Disse que o pai dela tinha ido embora quando eu estava grávida e que, quando fui contar a ele, já era tarde demais. Ele já tinha partido e nunca mais tive notícia. A vida seguiu, e eu tentei tocar a minha, criando a Gabi sozinha.Mas agora, com tudo o que estava acontecendo, com ele na cidade de novo, eu sabia que não podia mais esconder a verdade. Não seria justo com a minha filha. Não podia mentir pra ela dizendo que o pai nunca quis saber dela, quando na verdade ele nem sabia da existência dela. E eu estava determinada a contar a verdade. Ela tinha direito de saber quem ele era, o que aconteceu e que, sim, o pai dela ainda estava por aí, mesmo que, até agora, ele não soubesse da filha que tinha.Porém, ao mesmo tempo, eu não sabi
Guilherme narrando:Cheguei no coquetel e o lugar já tava lotado. Gente pra todo lado, risadas, música ambiente e aquele cheiro de perfume caro misturado com uísque. Mal pisei ali dentro e já veio alguém me chamar pra conversar, perguntar sobre negócios, cumprimentar. Eu não podia nem respirar direito.Eduardo, por outro lado, tava todo animado. Ele ficava olhando pra entrada, como se esperasse alguém.— E aí, tá esperando quem? — perguntei, só pra puxar assunto.Ele riu, ajeitou a gravata e disse:— Minha acompanhante. Te falei dela ontem, lembra? A copeira loira dos olhos claros?Franzi a testa. Eu lembrava da conversa, mas nem dei muita bola na hora.— Ah, sei… — respondi, sem muito interesse, pegando um drink da bandeja de um garçom que passou. Enquanto Eduardo saia dali.Eu tava ali, conversando com um empresario e outras pessoas, quando ele me chamou a atenção pra alguém. Me virei, meio sem interesse, mas no momento em que meus olhos bateram nela, senti como se tivesse levado um
Camila narrando :Eu saí dali rápido, não conseguia mais ficar ali, vendo aquela cena. Minha cabeça estava a mil, as palavras daquela mulher me cortaram como lâminas afiadas. No meio do caos, eu apenas andava sem rumo, até que cheguei na saída do coquetel. Naquele momento, não sabia se estava mais brava ou confusa. Era como se todo aquele mundo que eu pensava que conhecia estivesse desmoronando bem na minha frente. Guilherme… meu Deus. Não era só um homem qualquer. Ele era meu passado, minha história, meu medo. Mas agora, com aquela mulher ao lado dele, tudo o que eu sentia era um gosto amargo na boca. Eu parei na calçada, respirei fundo e olhei para o céu. A noite estava calma, mas dentro de mim o turbilhão não cessava. O que eu esperava dele, afinal? O que eu achei que ele fosse? Um príncipe? Fui tão ingênua. É claro que ele seguiu a vida dele, só eu que me fechei pra criar a minha filha, enquanto ele se divertia com essa aí.Com o coração apertado, comecei a andar sem destino. Nã
Jamile narrando :Eu sou a Jamile, tenho 27 anos, sou morena clara, cabelo curto e liso na altura do ombro, olhos pretos e, sem modéstia nenhuma, sou muito linda. Me formei em Direito, mas nunca exerci a profissão. Na verdade, sou rica, meu pai tem muitas posses, e eu nunca precisei trabalhar. Só fiz faculdade porque ele encheu o meu saco.Sempre tive tudo do bom e do melhor, sempre fui acostumada a conseguir o que eu quero, e isso inclui homens também. Foi assim com o Guilherme. A gente começou a ficar sem compromisso, mas eu percebi que ele tinha potencial, sabe? Bonito, inteligente, bem-sucedido. Um cara desses não se encontra toda hora, então eu segurei ele pra mim.Nosso relacionamento sempre foi tranquilo, sem muitas cobranças, até ele ir pro Rio a trabalho. Eu achei estranho ele não querer que eu viesse junto, mas não dei tanta importância. Só que, nos últimos dias, ele andava meio estranho no telefone, e meu instinto me dizia que tinha alguma coisa errada. Então, decidi fazer