Camila narrando :Eu saí dali rápido, não conseguia mais ficar ali, vendo aquela cena. Minha cabeça estava a mil, as palavras daquela mulher me cortaram como lâminas afiadas. No meio do caos, eu apenas andava sem rumo, até que cheguei na saída do coquetel. Naquele momento, não sabia se estava mais brava ou confusa. Era como se todo aquele mundo que eu pensava que conhecia estivesse desmoronando bem na minha frente. Guilherme… meu Deus. Não era só um homem qualquer. Ele era meu passado, minha história, meu medo. Mas agora, com aquela mulher ao lado dele, tudo o que eu sentia era um gosto amargo na boca. Eu parei na calçada, respirei fundo e olhei para o céu. A noite estava calma, mas dentro de mim o turbilhão não cessava. O que eu esperava dele, afinal? O que eu achei que ele fosse? Um príncipe? Fui tão ingênua. É claro que ele seguiu a vida dele, só eu que me fechei pra criar a minha filha, enquanto ele se divertia com essa aí.Com o coração apertado, comecei a andar sem destino. Nã
Jamile narrando :Eu sou a Jamile, tenho 27 anos, sou morena clara, cabelo curto e liso na altura do ombro, olhos pretos e, sem modéstia nenhuma, sou muito linda. Me formei em Direito, mas nunca exerci a profissão. Na verdade, sou rica, meu pai tem muitas posses, e eu nunca precisei trabalhar. Só fiz faculdade porque ele encheu o meu saco.Sempre tive tudo do bom e do melhor, sempre fui acostumada a conseguir o que eu quero, e isso inclui homens também. Foi assim com o Guilherme. A gente começou a ficar sem compromisso, mas eu percebi que ele tinha potencial, sabe? Bonito, inteligente, bem-sucedido. Um cara desses não se encontra toda hora, então eu segurei ele pra mim.Nosso relacionamento sempre foi tranquilo, sem muitas cobranças, até ele ir pro Rio a trabalho. Eu achei estranho ele não querer que eu viesse junto, mas não dei tanta importância. Só que, nos últimos dias, ele andava meio estranho no telefone, e meu instinto me dizia que tinha alguma coisa errada. Então, decidi fazer
Camila narrando : Eu tava pegando um copo d’água quando vi Jamile saindo pisando duro, a cara fechada, e Guilherme parado no canto do salão com a expressão de quem tinha acabado de ouvir umas boas verdades. Abaixei a cabeça e fingi que não vi nada, mas meu coração tava acelerado. Aquela mulher tinha uma energia ruim demais. — Tá tudo bem? — Eduardo perguntou, chegando perto. — Tá… — murmurei, mas na verdade, não tava coisa nenhuma. – Não liga pra Jamile, ela sempre foi assim, se acha a dona do mundo, uma mulher insuportável, não sei como o Guilherme aguenta ela. Eu amei ver você colocando ela no lugar dela. – Ele diz, e eu sorrio, sem graça. – Faz tempo que eles estão juntos ? – eu pergunto por curiosidade. – Acho que um ano, por aí – ele diz, dando de ombros. Antes que eu pudesse pensar em alguma desculpa pra sair dali, senti um olhar queimando em mim. Quando levantei os olhos, era Guilherme, vindo na minha direção com passos firmes. Meu peito apertou. Era como se o
Guilherme narrando :Eu me sentei na beirada do sofá, as palavras dela ainda ecoando na minha cabeça. Quando Camila disse que eu era mesmo o pai da Gabi, o impacto foi grande, maior do que eu imaginava. Por um momento, as pernas até fraquejaram e eu precisei de um segundo pra processar tudo. Eu sabia que a minha vida estava mudando, mas ouvir aquilo de novo, com aquela certeza, fez minha cabeça rodar.Eu me deixei cair, o peso do que ela acabou de dizer me fazendo ficar ali, sem saber o que fazer com a emoção que tomou conta de mim. A ficha foi caindo lentamente.Ela estava certa, eu era o pai da Gabi, não tinha mais como negar. E o mais louco de tudo, o que me fazia perder o ar, era que eu não sabia o que exatamente fazer com essa responsabilidade que tava caindo sobre mim. Como eu faria pra ser o pai dela depois de tanto tempo?Não pude evitar de deixar um suspiro sair dos meus lábios. Fechei os olhos por um segundo, tentando me centrar, porque tudo ali, na minha cabeça, estava uma
Guilherme narrando :Me virei devagar pra Jamile, respirando fundo pra não explodir. Camila limpava o rosto, visivelmente abalada, mas se manteve firme, encarando Jamile com desprezo.— O que você tá fazendo aqui? — Perguntei, cruzando os braços.— Eu que pergunto, Guilherme. Você sumiu e quando eu venho procurar, te encontro agarrado com essa daí. — Ela sorriu debochada, mas dava pra ver que tava mordida.— Essa daí tem nome. — Camila rebateu de cara fechada. — E, diferente de você, eu não preciso de homem pra nada.Jamile riu, cruzando os braços.— Claro. Não precisa, mas tá aqui chorando nos braços dele. Vai me dizer que não tá se jogando pra cima do Guilherme?— Você não sabe nada da nossa história. — Camila falou firme. — Então faz um favor e se coloca no seu lugar.Eu vi no olhar da Jamile que ela não esperava essa resposta. Ela me olhou, esperando que eu dissesse alguma coisa, que defendesse ela, mas eu não fiz nada. Porque naquele momento, eu já tinha entendido quem realmente
Camila narrando :Eu tava tremendo de raiva. Meu sangue fervia enquanto eu saía daquele lugar antes que perdesse a cabeça de vez. A Jamile tinha sorte que o Guilherme se meteu no meio, porque se ela encostasse em mim de novo, ia sair dali com a cara ardendo.Andei rápido, querendo sumir dali, mas meu coração tava disparado. Eu sentia tanta coisa ao mesmo tempo que nem sabia como organizar os pensamentos. Depois de anos, depois de tanto sofrer, o Guilherme aparece querendo ser pai da Gabi, e ainda por cima com essa maluca do lado, me chamando de golpista.Eu só queria sair dali o mais rápido possível. Meu coração ainda tava acelerado de raiva, e minha cabeça rodava com tudo que tinha acabado de acontecer.Quando eu vi o Eduardo vindo na minha direção, senti um alívio.— Tudo bem, Camila? — ele perguntou, me olhando preocupado.Respirei fundo antes de responder:— Eduardo, você pode me levar pra casa, por favor?Ele nem pensou duas vezes.— Claro. Meu carro tá ali no estacionamento, vam
Guilherme narrando :Procurei a Camila por tudo e não achei. Meu peito tava apertado, a cabeça girando. Vi que o Eduardo também não tava mais lá, então liguei pra ele.— Fala, Guilherme — ele atendeu no segundo toque.— Você tá com a Camila?— Acabei de deixar ela em casa — ele respondeu, a voz firme.Respirei fundo.— Preciso falar com você.— Vamos nos encontrar no seu hotel.— Tô indo pra lá agora — disse, encerrando a ligação e indo direto pro carro.O caminho foi rápido, mas minha mente parecia uma tempestade. Assim que entrei no bar do hotel, Eduardo já tava lá, sentado numa mesa no canto, com um copo na mão.— E aí? — ele disse, me olhando sério.Sentei na frente dele, tentando organizar as palavras.— Como ela tá?Ele deu um gole na bebida antes de responder.— Como você acha que ela tá, Guilherme? Tá abalada. Você reapareceu depois de anos, descobriu que tem uma filha e agora quer resolver tudo em um dia?Passei a mão no rosto, frustrado.— Eu só queria que ela tivesse me con
Guilherme narrando :Saí do bar e subi de elevador para o meu quarto. Tirei a roupa e tomei um banho de água fria. Depois de me secar, me joguei na cama daquele jeito mesmo e apaguei.Acordei no dia seguinte com o sol entrando pela fresta da cortina aberta. Minha cabeça latejava, doía demais. Certeza que era por causa da bebedeira de ontem à noite.Me levantei com dificuldade, ainda sentindo o peso da ressaca. Fui direto pro banheiro e tomei outro banho, dessa vez mais demorado, tentando espantar o cansaço. Vesti uma calça preta, camisa azul e um sapato preto, passei a mão no celular e desci.Peguei meu carro no estacionamento e dirigi até um café próximo. Eu tava morrendo de fome, precisava de algo forte pra colocar no estômago e tentar melhorar aquela dor de cabeça. Assim que cheguei, pedi um café preto bem forte e algo pra comer, torcendo pra ressaca ir embora logo.Peguei meu celular e resolvi ligar pra Jamile. Eu precisava resolver nossa relação de uma vez. Não adiantava seguir c