Guilherme narrando :Me virei devagar pra Jamile, respirando fundo pra não explodir. Camila limpava o rosto, visivelmente abalada, mas se manteve firme, encarando Jamile com desprezo.— O que você tá fazendo aqui? — Perguntei, cruzando os braços.— Eu que pergunto, Guilherme. Você sumiu e quando eu venho procurar, te encontro agarrado com essa daí. — Ela sorriu debochada, mas dava pra ver que tava mordida.— Essa daí tem nome. — Camila rebateu de cara fechada. — E, diferente de você, eu não preciso de homem pra nada.Jamile riu, cruzando os braços.— Claro. Não precisa, mas tá aqui chorando nos braços dele. Vai me dizer que não tá se jogando pra cima do Guilherme?— Você não sabe nada da nossa história. — Camila falou firme. — Então faz um favor e se coloca no seu lugar.Eu vi no olhar da Jamile que ela não esperava essa resposta. Ela me olhou, esperando que eu dissesse alguma coisa, que defendesse ela, mas eu não fiz nada. Porque naquele momento, eu já tinha entendido quem realmente
Camila narrando :Eu tava tremendo de raiva. Meu sangue fervia enquanto eu saía daquele lugar antes que perdesse a cabeça de vez. A Jamile tinha sorte que o Guilherme se meteu no meio, porque se ela encostasse em mim de novo, ia sair dali com a cara ardendo.Andei rápido, querendo sumir dali, mas meu coração tava disparado. Eu sentia tanta coisa ao mesmo tempo que nem sabia como organizar os pensamentos. Depois de anos, depois de tanto sofrer, o Guilherme aparece querendo ser pai da Gabi, e ainda por cima com essa maluca do lado, me chamando de golpista.Eu só queria sair dali o mais rápido possível. Meu coração ainda tava acelerado de raiva, e minha cabeça rodava com tudo que tinha acabado de acontecer.Quando eu vi o Eduardo vindo na minha direção, senti um alívio.— Tudo bem, Camila? — ele perguntou, me olhando preocupado.Respirei fundo antes de responder:— Eduardo, você pode me levar pra casa, por favor?Ele nem pensou duas vezes.— Claro. Meu carro tá ali no estacionamento, vam
Guilherme narrando :Procurei a Camila por tudo e não achei. Meu peito tava apertado, a cabeça girando. Vi que o Eduardo também não tava mais lá, então liguei pra ele.— Fala, Guilherme — ele atendeu no segundo toque.— Você tá com a Camila?— Acabei de deixar ela em casa — ele respondeu, a voz firme.Respirei fundo.— Preciso falar com você.— Vamos nos encontrar no seu hotel.— Tô indo pra lá agora — disse, encerrando a ligação e indo direto pro carro.O caminho foi rápido, mas minha mente parecia uma tempestade. Assim que entrei no bar do hotel, Eduardo já tava lá, sentado numa mesa no canto, com um copo na mão.— E aí? — ele disse, me olhando sério.Sentei na frente dele, tentando organizar as palavras.— Como ela tá?Ele deu um gole na bebida antes de responder.— Como você acha que ela tá, Guilherme? Tá abalada. Você reapareceu depois de anos, descobriu que tem uma filha e agora quer resolver tudo em um dia?Passei a mão no rosto, frustrado.— Eu só queria que ela tivesse me con
Guilherme narrando :Saí do bar e subi de elevador para o meu quarto. Tirei a roupa e tomei um banho de água fria. Depois de me secar, me joguei na cama daquele jeito mesmo e apaguei.Acordei no dia seguinte com o sol entrando pela fresta da cortina aberta. Minha cabeça latejava, doía demais. Certeza que era por causa da bebedeira de ontem à noite.Me levantei com dificuldade, ainda sentindo o peso da ressaca. Fui direto pro banheiro e tomei outro banho, dessa vez mais demorado, tentando espantar o cansaço. Vesti uma calça preta, camisa azul e um sapato preto, passei a mão no celular e desci.Peguei meu carro no estacionamento e dirigi até um café próximo. Eu tava morrendo de fome, precisava de algo forte pra colocar no estômago e tentar melhorar aquela dor de cabeça. Assim que cheguei, pedi um café preto bem forte e algo pra comer, torcendo pra ressaca ir embora logo.Peguei meu celular e resolvi ligar pra Jamile. Eu precisava resolver nossa relação de uma vez. Não adiantava seguir c
Guilherme narrando :Continuação :Ela fica em silêncio por um momento, os olhos fixos em mim, como se estivesse tentando processar tudo o que eu disse. Eu posso ver que ela está preocupada, mas também um pouco tocada pelas minhas palavras. O silêncio entre nós se estende por alguns segundos, até que ela finalmente fala.— Você sabe que não vai ser fácil, né? — ela diz, com a voz mais suave, mas ainda cheia de dúvidas. — Minha filha já passou por tanta coisa... Ela só tem a mim e a dona Maria que era minha babá, se não fosse ela, eu não sei o que seria de mim e da Gabi. Nossa filha chama ela de vó e é isso que ela é pra Gabi.Eu respiro fundo, tentando não deixar as emoções tomarem conta de mim. Eu preciso ser forte agora, principalmente para ela e para a nossa filha.— Eu sei que não vai ser fácil, mas eu estou disposto a lutar por ela, Camila. Eu não vou desistir dela, não vou abandonar mais ninguém. Eu errei, mas agora eu quero corrigir isso. Quero ser um pai de verdade pra ela — f
Camila narrando :O domingo chegou mais rápido do que eu esperava, e meu coração tava um turbilhão de emoções. Gabi acordou cedo, toda animada porque ia conhecer "um amigo da mamãe", como eu disse pra ela. Eu queria ir com calma, preparar ela direito, mas ao mesmo tempo, não sabia se tinha como preparar um coraçãozinho de sete anos pra conhecer o pai assim, do nada. A dona Maria não quis ficar com a gente, diz ela que isso era uma coisa pra gente se resolver, então ela foi passar o dia na casa da irmã dela.Enquanto eu ajeitava a mesa, ouvi a campainha tocar. Meu peito apertou. Respirei fundo e fui abrir. Guilherme tava ali, segurando uma sacola, meio sem jeito, mas com aquele olhar que eu conhecia bem.— Oi — ele disse, forçando um sorriso. — Trouxe um presente pra ela.Assenti e dei espaço pra ele entrar. Gabi ainda tava no quarto brincando.— Ela tá lá dentro, já chamo ela — falei, fechando a porta atrás dele.Ele olhou em volta, analisando o apartamento, e suspirou.— É simples, m
Camila narrando :Fiquei em silêncio, olhando pro horizonte. O céu tava pintado num tom alaranjado, e o vento fresco me ajudava a manter a cabeça no lugar. Eu queria acreditar nele, queria acreditar que ele tava aqui pra ficar, mas eu já tinha aprendido, da pior forma, que promessas não significavam nada quando a pessoa não tinha coragem de cumpri-las. Quando eu mais precisei dele, ele sumiu sem nem me ouvir e se isso acontecer de novo ?— Eu não sei, Guilherme… — minha voz saiu baixa, carregada de incerteza. — Você fala que quer ficar, mas e quando as coisas ficarem difíceis? Quando a rotina apertar, quando o peso da responsabilidade cair nas suas costas? Você vai continuar aqui ou vai sumir de novo?Ele se virou pra mim, o olhar sério, sem desviar.— Eu não vou sumir, Camila. Não dessa vez.Respirei fundo, tentando absorver aquilo.— Eu preciso ver pra acreditar — confessei. — Não quero que a Gabi crie expectativas pra depois se machucar.Ele assentiu, como se entendesse exatamente
Guilherme narrandoSentar na mesa e comer um bolo de chocolate com a minha filha parecia uma coisa simples, mas pra mim, era um momento que eu nunca imaginei que teria. Passei sete anos sem saber que ela existia, e agora, tava aqui, vendo ela se lambuzar com o chocolate, falando sem parar sobre os desenhos que gostava, as amigas da escola, as coisas que queria fazer nas férias.Eu só observava, tentando guardar cada detalhe. O jeito que ela franzia o nariz quando ria, a forma como balançava as perninhas debaixo da mesa enquanto falava, e até a maneira que ela segurava o garfo, igualzinha à Camila. Era impossível não ver o quanto ela parecia comigo.— Pai, você já comeu muito bolo na vida? — ela perguntou do nada, me olhando séria.Parei com o garfo no meio do caminho, processando o que ela tinha falado. "Pai". Ela já tinha me chamado assim antes, mas ouvir de novo me pegou desprevenido. Meu peito apertou, e eu tive que engolir em seco antes de responder.— Já comi, filha. Mas nenhum t