Camila narrando :Fiquei em silêncio, olhando pro horizonte. O céu tava pintado num tom alaranjado, e o vento fresco me ajudava a manter a cabeça no lugar. Eu queria acreditar nele, queria acreditar que ele tava aqui pra ficar, mas eu já tinha aprendido, da pior forma, que promessas não significavam nada quando a pessoa não tinha coragem de cumpri-las. Quando eu mais precisei dele, ele sumiu sem nem me ouvir e se isso acontecer de novo ?— Eu não sei, Guilherme… — minha voz saiu baixa, carregada de incerteza. — Você fala que quer ficar, mas e quando as coisas ficarem difíceis? Quando a rotina apertar, quando o peso da responsabilidade cair nas suas costas? Você vai continuar aqui ou vai sumir de novo?Ele se virou pra mim, o olhar sério, sem desviar.— Eu não vou sumir, Camila. Não dessa vez.Respirei fundo, tentando absorver aquilo.— Eu preciso ver pra acreditar — confessei. — Não quero que a Gabi crie expectativas pra depois se machucar.Ele assentiu, como se entendesse exatamente
Guilherme narrandoSentar na mesa e comer um bolo de chocolate com a minha filha parecia uma coisa simples, mas pra mim, era um momento que eu nunca imaginei que teria. Passei sete anos sem saber que ela existia, e agora, tava aqui, vendo ela se lambuzar com o chocolate, falando sem parar sobre os desenhos que gostava, as amigas da escola, as coisas que queria fazer nas férias.Eu só observava, tentando guardar cada detalhe. O jeito que ela franzia o nariz quando ria, a forma como balançava as perninhas debaixo da mesa enquanto falava, e até a maneira que ela segurava o garfo, igualzinha à Camila. Era impossível não ver o quanto ela parecia comigo.— Pai, você já comeu muito bolo na vida? — ela perguntou do nada, me olhando séria.Parei com o garfo no meio do caminho, processando o que ela tinha falado. "Pai". Ela já tinha me chamado assim antes, mas ouvir de novo me pegou desprevenido. Meu peito apertou, e eu tive que engolir em seco antes de responder.— Já comi, filha. Mas nenhum t
Guilherme narrando :O tempo parecia passar devagar enquanto eu dirigia, mas minha cabeça tava a mil. Eu precisava resolver tudo com a Jamile, não podia deixar essa situação pendente por mais tempo. Ao mesmo tempo, meu coração batia forte pelo que tava acontecendo com a Camila. Aquele beijo, o jeito que a gente se olhou, me fez sentir que talvez o que eu tinha perdido não fosse impossível de recuperar.O telefone vibrou, interrompendo meus pensamentos. Era o Eduardo.— Fala, já descobriu?— Sim, Guilherme. Ela tá no Hotel Imperial, na Barra.Senti um peso sair dos meus ombros, mas logo fui invadido por outra sensação. Eu não sabia o que ia dizer a Jamile, como ia resolver essa situação sem causar mais dor.— Beleza, vou lá falar com ela.Desliguei, desliguei o celular e joguei ele no banco do lado. O carro seguiu pelas ruas, mas minha cabeça tava distante. Quando cheguei no hotel, já fui na recepção, interfonaram pro quarto e logo me deixaram subir.Suspirei fundo, tentando preparar m
Guilherme narrando:— Você fez algum exame? — Perguntei, ainda sem acreditar no que ela estava dizendo.Jamile me olhou por um momento, como se pesasse as palavras, antes de sair de perto de mim e desaparecer no outro cômodo. O silêncio pesado que ficou entre a gente parecia quase sufocante. Eu não sabia o que pensar, como reagir. Minhas emoções estavam todas misturadas. Eu não queria acreditar, mas ao mesmo tempo, sentia que a situação estava se tornando impossível de ignorar.Ela voltou com um papel na mão, e eu vi o exame de gravidez. Abri o envelope com as mãos trêmulas, o coração batendo mais forte a cada segundo. Quando vi o resultado, meu mundo pareceu parar por um momento. O nome dela estava lá, o nome do médico, e logo abaixo, aquele sinal claro: positivo.Olhei para Jamile, tentando processar tudo aquilo, e a dor parecia crescer dentro de mim. Respirei fundo antes de falar, tentando manter a calma.— Jamile, isso não muda nada entre a gente — disse, sentindo a dureza da minh
Camila narrando :Acordei no outro dia com a sensação de que algo estava diferente, mas ainda não sabia o quê. Levantei com preguiça, como sempre, e fui direto pro banho. A água quente caindo no meu corpo parecia tentar dissipar a tensão que tava tomando conta de mim, mas não funcionou muito. Algo ainda estava lá, no fundo da minha cabeça, me incomodando.Depois do banho, fui arrumar a Gabi. Ela tava lá, toda bagunçada na cama, como sempre, mas com aquele sorrisinho que só ela tem. Quando vi aquele sorriso, até me senti mais leve. Eu sempre me sentia assim quando tava com ela, mas hoje... sei lá, meu coração tava apertado.A dona Maria chegou tarde ontem, e nem consegui falar com ela e contar o que aconteceu no nosso almoço. Terminei de arrumar a Gabi e ela estava linda, como sempre. O uniforme da escola, o cabelo preso em dois rabinhos, e aquele sorriso que só ela sabia dar. Me senti até mais calma, vendo a carinha dela. Mas, claro, eu sabia que o dia ainda tinha muito o que me surp
Guilherme narrando :Eu não dormi nada a noite toda, pensando nessa merda toda. Como eu ia falar isso pra Camila? Será que ela ia aceitar ficar comigo sabendo que vou ter um filho com outra mulher? Eu precisava resolver isso.Levantei cedo… na verdade, nem dormi. Fui pro banheiro e tomei um banho gelado, tentando clarear as ideias. Quando terminei, vesti uma roupa formal, passei perfume e finalizei de me arrumar. Peguei as chaves do carro e desci pro estacionamento.Eu tinha prometido pra Gabi que ia levar ela na escola, e promessa pra minha filha era compromisso.Cheguei no prédio da Camila e fiquei lá embaixo, encostado no carro, esperando elas descerem. Enquanto isso, minha cabeça fervia. Eu precisava de um jeito certo de contar isso pra Camila. Se eu falasse do jeito errado, podia perder tudo.Não demorou muito e vi as duas saindo do predio. Gabi me viu primeiro e abriu um sorriso gigante antes de sair correndo na minha direção.— Papai!Ela pulou no meu colo, me abraçando com tan
Camila narrando :Chegamos no hotel, e eu saí do carro primeiro. Guilherme desceu logo atrás, em silêncio. Ele saiu caminhando na frente, e eu apenas segui, sem dizer nada. O clima tava pesado, como se a qualquer momento alguma bomba fosse explodir entre a gente.Entramos no elevador, e o silêncio continuou. Fiquei observando o painel enquanto os números subiam, tentando ignorar a sensação estranha no peito. Eu nunca imaginei que um dia Guilherme ia ter tanto dinheiro. Quando a gente se conheceu, ele tava longe desse luxo todo. Agora, morava na cobertura de um hotel chique, coisa que eu nem sonhava em pisar um dia, depois que meu pai falou e eu fui jogada na rua.Respirei fundo quando o elevador parou, e as portas se abriram. Guilherme saiu primeiro, e eu fui atrás, sentindo que aquela conversa ia mudar tudo. Ele caminhava decidido pelo corredor largo, e eu não sabia se estava mais nervosa por estar ali ou pela conversa que a gente ia ter.Ele abriu a porta da cobertura e entrou, deix
Camila narrando:O calor do corpo dele sobre o meu, o jeito como suas mãos deslizavam pela minha pele, a forma como ele me olhava, como se estivesse reencontrando algo que sempre foi dele... Tudo isso me fez esquecer do mundo lá fora. Naquele momento, só existíamos nós dois.— Camila... — ele murmurou contra meus lábios, sua voz rouca, carregada de desejo e saudade. — Eu senti tanto a sua falta.Eu não consegui responder, só puxei ele mais pra perto, sentindo o coração martelando no peito. O beijo dele se aprofundou, e suas mãos desceram pela minha cintura, apertando de leve, como se quisesse ter certeza de que eu era real.Cada toque, cada carícia, reacendia algo dentro de mim que eu achei que tinha morrido há muito tempo. Minha respiração estava entrecortada, meu corpo respondia ao dele como se nunca tivéssemos passado esses anos separados. Eu senti quando ele deslizou os dedos pela minha coxa, me puxando mais pra ele, o olhar intenso, carregado de emoção.— Camila... — ele sussurro