Depois de um breve silêncio, Marcelo respondeu, com a voz rouca:— Esther é minha esposa.Não havia ali nenhuma intenção de marcar território. Era apenas uma declaração simples.Luiz havia perdido a memória, mas a única coisa que parecia estar gravada na mente dele era o nome de Esther. Marcelo já havia pensado no pior cenário. Se ele morresse, ele queria deixar Luiz e Esther juntos.No entanto, ele amava Esther profundamente. A ideia de entregá-la a Luiz o destruía por dentro.Luiz permaneceu calado, tentando em vão agarrar as lembranças que passavam rapidamente por sua mente. Tudo era um borrão. Ele não se lembrava de Esther, muito menos de Marcelo.As palavras de Marcelo o deixaram sem reação. Ele percebeu algo inquietante. Ele estava apaixonado por uma mulher casada. E, o mais impressionante, Marcelo não havia demonstrado nenhum sinal de raiva ou hostilidade.— Sei que você está confuso, mas não precisa ficar. Você conheceu Esther antes de mim. Era o vizinho dela, quase como um irm
— Tem certeza de que está me dando uma chance? — Esther soltou uma risada fria, olhando para Bernardo com os olhos congelantes.Bernardo não respondeu, apenas abriu um sorriso. Ele puxou uma cadeira e se sentou bem à frente de Esther.— Você não dizia que precisava encontrar Luiz, Rita, e até mesmo Marcelo? Agora, veja só, nem o Marcelo parece importar mais pra você.O tom sarcástico na voz de Bernardo era impossível de ignorar.— O que eu decido sobre Marcelo não é da sua conta. — Esther apertou os lábios e encarou Bernardo com seriedade. — Você já investigou tudo sobre mim. Tudo o que queria saber, eu já contei. Você prometeu me deixar ir embora.Era claro que Esther queria sair daquele lugar horrível. Não aguentava mais ficar ali.Bernardo observava Esther em silêncio. Ele tinha poucas lembranças de sua mãe, e apenas pela aparência não conseguia dizer se Esther se parecia com ela. Não havia fotos que comprovassem algo, e o próprio pai de Bernardo usava uma máscara constantemente, es
Bernardo continuava em silêncio, mas com um sorriso enigmático no rosto.Esther sabia muito bem que aquilo não era uma contradição, e sim uma tentativa de testá-la. Bernardo não tirava os olhos dela, avaliando cada movimento, cada reação.Mesmo assim, ela permaneceu firme, sem demonstrar fraqueza.— Esther, você é inteligente. Deve ter percebido certas coisas. Só quero saber uma coisa. Você é ou não a Estrella? — Bernardo deixou o sorriso desaparecer, assumindo uma expressão séria.Ele não queria mais rodeios. Havia apenas uma única resposta que lhe interessava naquele momento. O resto, para ele, era irrelevante.O coração de Esther apertou no peito.Ela sabia que muitas coisas não faziam sentido, mas sem provas concretas, preferia evitar o assunto. Mesmo depois de terem feito um teste que dizia que ela não era a Estrella, Bernardo ainda insistia.Ela achou aquilo ridículo.— Então, você está dizendo que a única forma de reconhecer sua irmã é com base em uma pulseira? — Disse ela, com
Bernardo confiava em sua intuição, mas Esther, por outro lado, não dava a mínima. Para ela, aquilo só fazia sua cabeça latejar de nervoso. Depois de tanto esforço para se convencer de que não tinha nenhuma ligação com o Faraó, Bernardo vinha agora com mais essa conversa.Ela não queria saber de teste nenhum!— Eu não vou fazer! — Disse Esther, com firmeza e visível repulsa.Mas, frente a Vasco, ela não tinha como resistir.Com uma mão, Vasco a segurou firmemente, enquanto com a outra manuseava a seringa com rapidez. Ele extraía uma amostra de sangue de seu pescoço, sem dar espaço para discussões.Esther levou a mão ao pescoço, tentando conter a dor e encarou Bernardo com um olhar frio, carregado de desprezo.— Você é mesmo digno de ser chamado de filho do Faraó! — Disparou ela, com a voz cheia de raiva.Ele era igual ao pai, cruel e insensível, sempre impondo sua vontade, sem se importar com os desejos dos outros.Bernardo deu um leve sorriso irônico, movendo os lábios devagar:— Se vo
Estrella estava radiante de satisfação.Naquele momento, ela tinha certeza de que Esther estava cedendo. Sentia que conseguia ver o medo correndo pelas veias de Esther, bem no fundo de seu ser.Mas sua alegria durou pouco.De repente, uma mão firme surgiu e agarrou seu pulso com força, apertando sem piedade.Antes que pudesse reagir, foi empurrada para longe.Bernardo entrou na sala com passos largos e decididos. Ele se colocou na frente de Esther e lançou um olhar frio e cortante para Estrella.— O que você pensa que está fazendo? — Ele perguntou, com a voz grave e dura.— Bernardo, ela me atacou! — Respondeu Estrella, choramingando e com a voz carregada de um tom infantil. — Ela me desrespeita o tempo todo!Era impressionante como ela sabia fingir. Lágrimas ameaçavam cair de seus olhos, que logo ficaram vermelhos, enquanto sua voz soava cada vez mais trêmula.Bernardo, no entanto, apenas deixou escapar um sorriso irônico.— Sério? — Claro! — Insistiu Estrella, assentindo rapidamente
Esther soltou uma risada suave.— Eu sei. Você tem seus motivos. Não vou interferir. Mas peça para sua irmã não aparecer mais para me atrapalhar.— Certo.Bernardo podia muito bem ignorar, mas mesmo assim escolheu responder.Embora, em teoria, ela não tivesse razões para voltar ao campo de escravos, decidiu fazer um pedido:— Não tenho restrições, certo? Quero ir ao campo de escravos procurar uma pessoa.Bernardo olhou para ela e perguntou com calma:— Você ainda tem o cartão preto, não tem?O cartão, que lhe foi dado desde o início, nunca havia sido recolhido. Na prática, Esther podia ir onde quisesse sem restrições.Esther apertou os lábios por um instante antes de responder em voz baixa:— Então mande o Vasco comigo.Ela não queria correr riscos, ainda mais considerando o comportamento imprevisível e perigoso de Estrella. No estado atual, sua prioridade era preservar sua vida.— Tudo bem.Bernardo parecia disposto a atender qualquer pedido dela.No campo de escravos, Esther encontro
A jovem parou por um instante, mas depois de alguns segundos de hesitação, continuou andando.Esther foi rápida e se colocou à frente dela, bloqueando sua passagem.— Você passou tanto tempo sendo torturada aqui e não sente nada? Nenhuma vontade de reagir? — Perguntou Esther, segurando firmemente o pulso da garota.Sentir algo? Como não sentir?A garota abaixou os olhos. Claro que tinha sentimentos. Claro que tinha desejos. Mas de que adiantava? Ela era apenas uma escrava. Os soldados do Faraó eram implacáveis, fortes e bem armados. Mesmo que quisesse lutar, o que poderia fazer?Sem falar que ninguém ali era unido. Muitos já estavam tão acostumados com o sofrimento que nem sabiam mais o que era resistir.— Só quero sobreviver. — Murmurou a garota, com um sorriso amargo. — E se não puder sobreviver, que pelo menos eu tenha uma morte rápida.Ela parecia tão jovem, mas aquele sorriso... A tristeza e o vazio nos olhos dela davam a impressão de alguém que já tinha visto décadas de sofriment
Gustavo fez um sinal com a mão, e um de seus homens atirou uma cobra naja dentro do recipiente.A cobra deslizou rapidamente pela água espessa, até que se enrolou no pescoço de Geraldo. Sem hesitar, cravou suas presas na carne exposta.Geraldo não emitiu som algum, apenas franziu o cenho, demonstrando uma leve reação.Ele já havia suportado coisas muito piores. As torturas do passado o tornaram imune a esse tipo de dor. Além disso, Gustavo o mantinha vivo por um motivo. Ele tinha algum valor. Se assim não fosse, já estaria morto.Um sorriso sarcástico surgiu no rosto de Geraldo.— Melhor acabar logo comigo ou me deixar em um estado onde eu não consiga reagir. — Sua voz era firme, mas seus olhos deixavam clara a ameaça, enquanto tivesse forças, revidaria.Gustavo riu com desprezo, se aproximando do recipiente.— Você acha mesmo que eu daria essa chance, Geraldo? Aliás, o que será que o Faraó faria ao ver sua criação mais preciosa voltando? — Perguntou ele, com sua voz carregada de ironi