Capítulo-4

Ele é tão lindo que se torna impossível não babar por esse carro, tanto que eu fico deslumbrada com o assento de couro ao entrar... Sem falar no acabamento perfeito de cada detalhe. E observando bem, a única coisa simples além de mim dentro dele, é uma pequena casa entalhada em um chaveiro de madeira.

Meus dedos a tocam quase como de imediato, sentindo a delicadeza em que foi feita.

Eu me pergunto por que Senhor Miller, deixaria um objeto tão singular como esse em seu carro esportivo....

— Não toque nisso. — Kevin diz, me assustando pela maneira em que chega sem fazer barulho, tirando minhas mãos do seu chaveiro enquanto me encara ranzinza.

Seus olhos verdes parecem me fuzilar durante o tempo em que seus dedos preenchem meu pulso com firmeza. Entretanto seu jeito enfurecido não me deixa com medo e muito menos me fere, pelo contrário... eu vejo que é ele que está machucado.

Se recompondo, Miller me solta e pega suas chaves sussurrando em seguida.

— Me desculpe se pareci grosso, é que é algo pessoal e eu me importo muito com isso.

Constrangida com o que acabou de acontecer eu lhe lanço um sorriso fraco de lado, virando minha cabeça para o lado aposto dele. Miller dá a partida no carro, e eu fico em silêncio olhando para o lado de fora através da janela. A rua de San Francisco está calma e muito bonita também, com pessoas conversando e sorrindo enquanto caminham tranquilamente pela calçada.

Eu nem me lembro a última vez que pude me sentir assim, calma e feliz como essas pessoas, depois do acidente que vem me tirando a paz. Se eu pudesse voltar no tempo, nunca teria emprestado meu carro.

Já passamos cerca de 3 minutos sem dizer nada um ao outro quando de repente, Kevin para o veículo.... assim que viramos uma esquina, onde está localizada uma cafeteria pequena, mas muito linda.

— Eu tenho que comprar uma coisa aqui, você quer algo?

Ele me pergunta enquanto mexe em sua carteira e retira seu cartão, prestes a sair do carro.

— Não, Obrigada.

— Ok, não vou demorar... já estão fechando então, tenho que ser rápido.

Como ele mesmo disse, não demorou para comprar o que queria, rapidamente voltou com uma embalagem pequena. Ao entrar aromatizou o carro com o cheiro de bombas de chocolate. Eu sentia até o gosto de tão perfumadas que eram.

Kevin arrumou-se no banco do motorista e colocou a embalagem atrás, se virando para mim ao me olhar estranho.

— Senhorita Silva... que horas vai me dar?

— Como?

— Seu endereço, eu preciso dele para continuar o caminho. O que estava pensando?

Envergonhada por ter pensando outra coisa, eu coro.... me escondendo com meu próprio cabelo.

— Você... está vermelha?

— É de frio, estou desacostumada com tempo de San Francisco.

— Ah... espere, tenho um casaco aqui.

Esticando seus braços para o assento traseiro, Kevin pega um moletom que estava em um canto... me entregando em seguida.

— Não Senhor Miller, eu não posso...

Digo, devolvendo.

É claro que não posso usar isso, é uma coisa muito intima de se fazer para pessoas que se conhecem há pouco tempo. Com o braço ainda esticado, eu o ouço rir, depois de voltar o casaco para o lugar em que tirou.

— Estou vendo o seu frio, acho que está mentindo.

— Por que eu mentiria?

— Talvez por que realmente ficou vermelha, pensando em coisas que não deveria, Senhorita Silva.

Seu tom sai em gozação, colocando as mãos no volante em seguida.

— Eu não estou mentindo, só... não acho adequado pegar uma peça de roupa do meu chefe.

Retruco ao cruzar os braços, é impossível me manter calma ao lado dele. Eu não entendo, como ele consegue me irritar tão facilmente.

— Você está agindo como se fosse uma peça íntima. Relaxa Senhorita Silva, não estou te pedindo para me despir, é apenas um casaco.

Com o semblante fechado, eu pego meu celular e ligo meu aplicativo ao GPS do carro, mostrando-lhe o caminho para a casa de minha mãe. Logo em seguida viro meu rosto para a janela, fingindo não ter ouvido o que ele acabou de falar.

Por sua vez, Kevin sorri em silêncio, se concentrando na rodovia.

Depois do que parecem ser longos minutos, enfim chegamos à casa de minha mãe. Kevin para e estaciona perto da calçada, desligando o seu carro em seguida.

— Você quer entrar? Mamãe está louca para te ver novamente.

Eu o pergunto quando coloco minha mão na maçaneta do carro. Kevin olha para mim sorrindo, anuindo um sim como se fosse tudo o que ele precisava ouvir.

Então, saindo do veículo, Kevin e eu caminhamos até a entrada, mas antes que possamos bater na porta, ela se abre antes, mamãe aparece na minha frente de um jeito que ela não está acostumada a agir... parecendo eufórica.

— Ah, vocês chegaram.... que bom! Maia... pegue esse dinheiro e vá na mercearia para mim, quero um bolo para combinar com o café gostoso que fiz para o Kevin.

— Mas mamãe.... você já havia dito que tinha feito um bolo. Está tudo bem?

Eu a pergunto enquanto ela move seus dedos nervosamente em sua carteira.

— É que aquele não ficou como eu queria e infelizmente os ingredientes acabaram.

Sem entender nada, eu a encaro prestes a fazê-la me contar o que está havendo...

— Eu busco o bolo, não se incomode Senhora Silva, é por minha conta. E Maia, é bom que tenha um momento a sós com sua mãe antes de ir. Eu já volto. — Kevin se pronuncia antes mesmo que eu diga alguma coisa, saindo logo depois, enquanto mamãe e eu permanecemos paradas na porta.

Observando-o sair de ré, eu finalmente presto atenção na rua e consigo entender o que está acontecendo.... do outro lado da calçada vejo um carro familiar. Minhas mãos tremem, e eu me sinto mal de repente, com o vislumbre do passado.

— Mamãe... ele está aqui?

— Sim meu amor, eu não queria que o Kevin o visse.

Minha mãe enfim sai da frente da porta e eu entro preocupada com o que possa ter acontecido.

Ao chegar na minha sala, lá está ele, um homem de 35 anos com a barba por fazer, olheiras abaixo de seus olhos e uma cara nada boa quando nota minha presença.

— Olá Maia, estou vendo que está bem. Pena que Bruno continua em uma cama, enquanto você fica passeando de carro pela Califórnia.

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