Ao voltar para a universidade, Florence empurrou a porta do dormitório e encontrou o quarto vazio. Parecia que as colegas haviam saído para entrevistas, algo que comentaram no grupo de mensagens. Ela abriu o armário e começou a vasculhar suas coisas, mas, antes de pegar o que queria, uma voz soou atrás dela: — Flor. Florence parou o movimento e, ao se virar, viu Rosana correndo em sua direção. Antes que Florence pudesse reagir, Rosana começou a se dar tapas no próprio rosto. — Flor, me desculpa! Tudo isso foi culpa minha! Eu estava desesperada por dinheiro, e o João disse que seria algo simples, só postar umas coisas na internet usando sua conta. Eu acreditei! Você sabe como minha mãe sempre diz que pagar minha faculdade é um desperdício. Foi por isso que eu fiz isso! Por favor, tenha pena de mim! Enquanto falava, Rosana continuava a se bater, tentando arrancar alguma comoção de Florence. Seus olhos marejados e palavras carregadas de culpa buscavam manipular a situação. Flo
Florence nem precisou se virar para saber quem era. O café em suas mãos escorregou, e a lata rolou pelo chão.A lata fez um círculo antes de parar aos pés de um par de sapatos masculinos impecáveis.Florence se abaixou rapidamente para pegá-la, mas antes que pudesse, sentiu mãos frias e firmes deslizando sobre sua cintura. Era como uma serpente gelada que apertava cada vez mais, prendendo-a contra a mesa de café. O calor de uma respiração foi se espalhando da sua cabeça até seu ouvido, deixando-a confusa e sem ar.Os lábios dele quase tocaram sua orelha quando uma voz baixa e carregada de ironia cortou o silêncio:— Você gosta mesmo de segurar a mão de alguém assim?O ar quente que ele soltava parecia uma pluma roçando sua orelha, provocando uma coceira incômoda e íntima. Florence queria se afastar, mas qualquer movimento era interrompido pela presença dominante e opressora atrás dela, que a subjugava ainda mais.A proximidade era sufocante. O calor do corpo dele parecia atravessar a
Bastava um toque para que ela sentisse como se uma corrente elétrica atravessasse seu corpo, causando tremores incontroláveis.Lucian percebeu isso. Seu olhar se tornou mais intenso enquanto ele se inclinava levemente na direção dela. Uma gota de água escorreu de sua gola e caiu direto em sua barriga, fazendo Florence tremer ainda mais.Lucian encarou Florence sem desviar os olhos. Nos fundos de suas íris escuras, o desejo era evidente, sem qualquer tentativa de esconder.— Você é tão sensível quanto naquela noite. — Não sou! — Florence rebateu imediatamente.— Não? Naquela noite você dizia outra coisa. — Ele riu baixo, a voz carregada com um tom provocador e perigoso.O homem deslizou o polegar, adornado por um anel, sobre a gota d’água que corria por sua pele. O toque tinha uma temperatura peculiar, ao mesmo tempo confortável e perturbadora. Florence encolheu levemente o abdômen, soltou um leve suspiro e, antes que pudesse reagir, já estava novamente sendo beijada por Lucian.— Hm…
Depois de preparar o café, Florence o levou para a sala de estar.Naquele dia, era raro ver tantas pessoas juntas, e até mesmo Theo, com sua sempre rígida expressão, demonstrava um leve sorriso.Após distribuir as xícaras, Florence se colocou discretamente atrás de Lyra e Bryan, tentando permanecer invisível, como de costume.Foi então que Lucian entrou na sala. A mancha de água ainda estava visível na sua gola.Melissa franziu as sobrancelhas, curiosa.— Lucian, você é sempre tão cuidadoso com sua aparência. Como é que sua roupa está suja?Lucian se sentou, pegou sua xícara de café e, após lançar um olhar breve para Florence, respondeu com indiferença:— Foi o gato.Melissa riu, levando a xícara aos lábios.— Que gato interessante. Bateu direto na sua boca, foi?Lucian soprou levemente o café antes de tomar um gole.— Foi. Com bastante força, inclusive.Ao ouvir isso, Florence abaixou rapidamente a cabeça. O vapor quente do café parecia subir direto para seu rosto, que já estava em ch
Theo nunca esteve completamente satisfeito com a origem de Daphne. Porém, a imagem pública dela sempre fora impecável, e acompanhá-la ao lado de Lucian ainda era uma escolha melhor do que aquelas mulheres problemáticas de fora.Mas, depois da última coletiva de imprensa, Daphne tinha sido uma decepção.Lucian, como sempre, manteve o semblante inabalável. Sua resposta foi breve e fria, a ponto de ser assustadora.— Hum.A conversa terminou e os dois seguiram juntos para longe dali.Pouco depois, Daphne saiu de trás de uma formação rochosa do jardim. Suas mãos, trêmulas de nervosismo, torciam o tecido da saia com tanta força que parecia prestes a rasgá-lo. Por dentro, ela gritava consigo mesma: “Eu preciso vencer. Eu vou vencer!”…Lyra sugeriu que Florence passasse a noite na mansão, mas Florence recusou.Para ela, não havia nada de bom para recordar na casa da família Avery. Estar ali fazia com que se lembrasse do desprezo de todos na sua vida passada e da sua filha perdida. Por isso
No meio do caminho, Ronaldo recebeu uma ligação de casa. Disseram que Melissa estava com uma crise de reumatismo.Desde que o marido havia falecido, Melissa passava praticamente todos os dias na igreja, rezando. Era sua forma de encontrar conforto, mas o hábito de ajoelhar acabou prejudicando seus joelhos. Nos dias de chuva, as dores eram tão intensas que ela mal conseguia dormir.Florence apontou para a esquina à frente.— Irmão, pode me deixar ali. Eu consigo pegar o metrô sozinha para voltar à faculdade. Só vou precisar pegar emprestado o seu casaco.— Flor… — Ronaldo olhou para ela, um pouco culpado.— Irmão, eu já sou adulta, tenho mais de vinte anos. Tá tudo bem. A Sra. Melissa deve estar sofrendo agora. Volta logo pra ficar com ela.— Tudo bem.Ronaldo estacionou o carro e puxou o casaco que havia colocado sobre os ombros dela, ajustando-o com cuidado. Ele pediu que ela tomasse cuidado e Florence apenas assentiu antes de sair do carro.Ela ficou parada por um momento, observando
Florence passou a mão pelo paletó que acabara de vestir e, ao apertá-lo um pouco, conseguiu espremer água. Mas ela tinha acabado de colocá-lo! Como poderia estar tão molhado?Ela virou o rosto para Lucian e percebeu que o lado esquerdo dele estava completamente encharcado. A camisa branca estava grudada em seu corpo, revelando as linhas perfeitas e atraentes de seus músculos. “O que tinha acontecido?” Ela se perguntou, confusa.No trajeto, Lucian pediu ao motorista que aumentasse o aquecimento do carro. Em seguida, ele bateu duas vezes no painel traseiro, indicando algo ao motorista.O corpo de Florence, que estava gelado, começou a sentir o calor vindo de todas as direções. Até o banco onde ela estava sentada parecia aquecido. Mesmo assim, ela abaixou a cabeça, sem conseguir entender qual era o verdadeiro propósito de Lucian.Depois de rodar por algum tempo, o carro finalmente parou. Florence percebeu, com um nó na garganta, que ele havia a levado de volta ao apartamento onde tudo ti
Florence ficou paralisada por um instante, inevitavelmente corando. O que ela não sabia era que, através da pequena fresta da porta, seu reflexo no espelho podia ser visto com clareza. Seus cabelos longos caíam sobre as costas claras, enquanto seus braços tentavam cobrir o peito. No entanto, seus movimentos desajeitados davam a impressão de que, a qualquer momento, tudo sairia de controle. Lucian apertou o anel em seu polegar, um gesto que parecia conter o turbilhão de pensamentos que passava por sua mente.Florence tentou fechar a porta, mas a força dele a impediu por um instante. Por fim, ela conseguiu empurrá-la e, com o coração acelerado, olhou para as roupas masculinas em suas mãos. Sem alternativa, vestiu a camisa e a calça que ele lhe entregara. Quando saiu do banheiro, encontrou Lucian sentado no sofá, com uma xícara de café na mão. O aroma forte e envolvente preenchia a sala, trazendo uma tranquilidade ilusória. Florence caminhou até ele. Não sabia se era pela temperatu