Ele não se moveu! Florence teve a estranha sensação de que, nas profundezas dos olhos sombrios de Lucian, algo brilhou por um instante, como se fosse... Diversão. Antes que a luz do túnel começasse a inundar o carro, ela sentiu um aperto firme em seu ombro. Foi então que percebeu que havia esquecido de colocar o cinto de segurança. Quando o carro saiu do túnel, o interior foi iluminado novamente. Lucian estava sentado no mesmo lugar, com as pernas cruzadas, a postura impecável, como se nada tivesse acontecido. Até mesmo a respiração descompassada que Florence tinha ouvido parecia agora uma invenção da sua mente. Sentindo a necessidade de se acalmar, ela levou a xícara de café aos lábios. Mas, ao olhar para o conteúdo, percebeu que a xícara estava cheia novamente, embora parte do café tivesse derramado antes. “Quando isso aconteceu?” Florence pensou, confusa, e então levantou os olhos para encarar Lucian. Ele estava relaxado, segurando sua própria xícara de café, que levava
Ao olhar para a figura parada ao lado das flores, Lavínia arqueou levemente uma sobrancelha, já entendendo a situação. Quando estava prestes a dizer algo, Daphne avançou na sua direção e estendeu a mão com um sorriso educado: — Sra. Lavínia, olá. Sou Daphne, noiva do Lucian. Lavínia olhou para Daphne e para a mão estendida, então sorriu de forma leve, quase desdenhosa: — Desculpe, Daphne. Acabei de podar algumas flores, minhas mãos estão muito sujas. Daphne ficou com a mão suspensa por alguns segundos, antes de abaixá-la com um sorriso desconfortável. Assim que ela recuou a mão, Lavínia pegou uma toalha das mãos de uma funcionária e limpou as próprias mãos com tranquilidade. Depois, ignorando completamente Daphne, aproximou-se de Lucian e sentou-se ao lado dele, como se a presença da noiva fosse irrelevante. Enquanto servia chá para Lucian, Lavínia olhou para os outros com um sorriso sutil: — Sentem-se. Valentina já me enviou os perfis de vocês, então não precisam se es
Depois de ouvir as palavras, Lavínia soltou uma risada ainda mais alta e descontraída. Isadora, que estava prestes a se levantar, foi interrompida por Florence, que estendeu a mão para impedi-la, sinalizando para que ela não se apressasse. No entanto, Isadora ignorou o gesto de Florence, levantou-se e, sem querer ficar para trás, declarou: — Eu também acho que a camélia combina mais com a Sra. Lavínia. O fato de haver camélias por toda parte mostra o quanto a senhora aprecia e valoriza essas flores. Lavínia, ainda sorrindo, girou o anel em seu dedo, sem revelar o que estava pensando. Nesse momento, Rosana se levantou também. Com um tom de humildade, mas carregado de cálculo, ela disse: — Sra. Lavínia, embora eu saiba que minha opinião não é tão qualificada quanto a delas, acredito que o anel de padparadscha combina mais com a senhora. Uma mulher forte, confiante e brilhante como você merece algo que reflita todo esse brilho. Lavínia voltou seu olhar para Rosana e, apoiand
Ao ver o sorriso aparentemente inofensivo de Rosana, Florence imediatamente percebeu que ela e Daphne estavam inquietas. Era óbvio que essas duas não deixariam Florence brilhar na frente de Lavínia. Mas, em vez de impedir que elas agissem pelas costas, Florence decidiu lhes dar a chance de atacar. Afinal, ela já estava preparada para lidar com cada um de seus movimentos. No caminho para o banheiro, Rosana lançava olhares furtivos para Florence, como se estivesse calculando algo. Quando finalmente abriu a boca, sua voz carregava um tom de insinuação: — Flor, por que você não me impediu quando eu falei? Florence já sabia que Rosana viria com esse tipo de questionamento, então tinha preparado a resposta com antecedência. Ela segurou a mão de Rosana com uma expressão de falsa preocupação e disse: — Rosana, eu achei que você estava aqui só para entregar o presente. Como eu poderia imaginar que você fosse tentar se destacar? Você nem me avisou! Como eu iria te impedir? — Eu não
Lavínia estava prestes a discutir os detalhes do contrato quando ouviu gritos ao longe. — Fogo! Está pegando fogo! Socorro! Lucian lançou um olhar rápido em direção ao pavilhão e, sem hesitar, virou-se e correu para fora. Lavínia apagou o cigarro com calma e soltou um suspiro divertido: — Faz anos que não acontece nada tão animado na minha propriedade. ... A propriedade de Lavínia ficava próxima a uma montanha, e com o outono trazendo folhas secas que constantemente eram sopradas pelo vento, o cuidado com incêndios era redobrado. Felizmente, o fogo foi controlado rapidamente pelos funcionários da propriedade. No entanto, o pequeno jardim especial sofreu o pior. As camélias, antes tão vibrantes e delicadas, agora não passavam de um amontoado de flores queimadas e irreconhecíveis. Quando Florence ouviu os gritos, ela saiu apressada do banheiro e imediatamente avistou Lucian correndo em direção ao local do incêndio. Antes que ele chegasse ao banheiro, uma figura apareceu
Rosana foi puxada para fora pelos funcionários da propriedade. — Me soltem, me soltem! — Rosana se debatia enquanto era levada para onde todos estavam reunidos. Lavínia lançou um olhar frio para Rosana, avaliando-a de cima a baixo. — Por que você estava escondida ali? Foi você quem causou o incêndio? Rosana caiu no chão, paralisada pelo medo. Ela sacudiu a cabeça com força e respondeu com uma voz embargada de desespero: — Lavínia, não fui eu! Eu juro que não fui eu! Eu só saí com a Flor para ir ao banheiro, mas depois não a encontrei do lado de fora. Resolvi dar uma volta aqui perto e acabei me perdendo. Foi um dos funcionários que me trouxe de volta. Rosana apontou para um dos funcionários que estava no canto. O funcionário olhou para Lavínia e confirmou com um aceno de cabeça: — É verdade, Sra. Lavínia. Eu encontrei Rosana perdida e a trouxe para cá. Lavínia ouviu a explicação e estreitou os olhos, lançando um olhar afiado para Florence e Daphne. — Então, das três
— Oh? — O olhar de Lavínia mudou, e o tom brincalhão em sua voz desapareceu, dando lugar a uma frieza calculada. — Explique. — O anel de camélia está no seu dedo mínimo. Nenhum outro anel está em um dedo associado ao amor. Dez anos atrás, seu marido recém-casado morreu em um acidente de carro. Mas ele não estava sozinho naquele carro. Havia uma amante, uma mulher que adorava camélias. Quando ela morreu, estava segurando uma flor que ele deu de presente, uma camélia. Até mesmo o Oásis do Chá foi algo que ele comprou com o dinheiro da senhora para presenteá-la. Agora, este lugar é o seu troféu. Enquanto falava, Florence caminhou até o pequeno jardim destruído pelo fogo e olhou diretamente para Lavínia, que agora tinha uma expressão sombria e perigosa. Com um sorriso leve, mas enigmático, Florence disse em voz baixa: — Sra. Lavínia, esse pedaço de jardim florescia melhor do que qualquer outro.Lavínia respondeu com frieza: — Claro que está bonito, afinal, recebeu cuidados especi
De acordo com as regras, ninguém da família podia assistir à cremação no crematório. Florence Winters, no entanto, pagou o que foi necessário. Com passos lentos, ela empurrou a maca de ferro gelada para dentro da sala de cremação. O ar tinha um cheiro metálico de queimado, e no feixe de luz que atravessava a janela, partículas de cinza flutuavam no ar. Talvez fossem restos de ossos. Em breve, sua querida filha também se tornaria isso. Vestida com um longo vestido preto, Florence parecia ainda menor do que era. Nem mesmo o menor tamanho escondia sua silhueta magra e abatida. Seus olhos, inchados e vermelhos de tanto chorar, estavam agora estranhamente serenos. Ela passou a mão pelo lençol branco que cobria o corpo imóvel e pálido da filha e, cuidadosamente, colocou na palma da mão fria da menina duas estrelas de papel cor-de-rosa. — Estela, espera a mamãe. Quando o tempo acabou, um funcionário aproximou-se e puxou Florence gentilmente para o lado. Ele ergueu o lençol, re